capacidade de decisão sobre a vida
23. DEMOCRACIA COM QUALIDADE
23.1. Uma informação séria e democrática
Num tempo em que os populis-mos se organizam na sombra das campanhas de desinformação, a clareza de um jornalismo sério e rigoroso é fundamental para a sal-vaguarda da própria democracia.
A primeira obrigação do Estado é garantir que o serviço público é, em todas as suas vertentes, uma referência na comunicação social.
Esta é uma expectativa legítima do público que lê, vê e ouve o serviço público, mas também de todas as pessoas que o pagam e dos e das profissionais que o asseguram. A crise no setor estende-se, porém, à generalidade dos órgãos de co-municação social, com expressão numa brutal quebra de vendas e receitas publicitárias, na escassez de recursos ou na precariedade das suas redações. Ao Estado exige-se uma intervenção com vista a assegurar, na esfera das suas competências, condições de
exercício do direito a informar e a ser informado, por um lado, e a sua independência da comunicação social face aos poderes político e económico, por outro.
O combate por uma informa-ção séria e democrática passa também pela consideração dos direitos digitais como direitos hu-manos. A preocupação de quem legisla relativamente aos direitos digitais tem sido dominada apenas pela perspetiva do mercado e dos interesses económicos envolvi-dos. Pelo contrário, a garantia dos direitos digitais enquanto direitos humanos ou a proteção eficaz dos dados pessoais têm sido ativamente postas em causa. Em certos casos criam-se conflitos entre direitos digitais e outros di-reitos mas apenas para daí, e mais uma vez, obter vantagens para os grandes interesses económicos e não para os verdadeiros deten-tores dos direitos, como é o caso da recente polémica em torno do artigo 13.º, entre outros, da diretiva sobre direitos de autor no
mer-cado digital. Há zonas cinzentas e a imensidão de portas por abrir para novas realidades não têm despertado o interesse de quem legisla para criar pelo menos um conjunto mínimo de normas de caráter ético, dando margem para o aparecimento de esquemas de manipulação de dados e de vonta-des ou para a proliferação de fake news através de redes e platafor-mas sociais.
Posicionamo-nos do lado da defesa dos direitos digitais, con-tra a introdução da censura neste espaço de liberdade, e não em oposição aos direitos autorais. De facto, uma verdadeira e justa de-fesa destes direitos, que também defendemos e respeitamos, não fica acautelada por normas como a do referido artigo 13.º, que visam unicamente proteger e beneficiar a grande indústria editorial. Conti-nuaremos a bater-nos pela defesa da neutralidade da internet, por uma internet enquanto um espaço liberdade e ao qual todos e todas possam aceder de forma igual.
Foto / Eduardo Costa
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UMA SOCIEDADE JUSTA, PROGRESSISTA E INCLUSIVAPROGRAMA ELEITORAL BLOCO DE ESQUERDA
As propostas do Bloco
Melhorar a autonomia dos meios de comunicação social face aos anunciantes:
▶ Programa para a atribuição de uma assinatura digital gratuita de imprensa generalista a todos os estudantes do 12º ano e do ensino superior;
▶ Eliminação de IVA nas assinatu-ras comerciais;
▶ Redução dos custos com a dis-tribuição: Reposição do porte pago como forma de apoio à distribuição, particularmente relevante para a imprensa local e regional;
▶ Fomento dos géneros jornalísti-cos diminuídos sob o peso da crise (investigação jornalística, grande reportagem, etc): bolsas estatais, di-rigidas a empresas de media, media comunitários, novos projetos e pro-fissionais individuais - sob decisão de júris plurais e independentes;
Combate à concentração dos meios de comunicação social:
▶ Reintrodução de limites à concen-tração de órgãos de comunicação social regionais e locais;
▶ Criação de um fundo público de financiamento de risco para estímu-lo à criação de novos media, que mitigue as dificuldades comerciais do seu arranque (instalações, for-mas de apoio técnico, condições de
crédito e fiscais) e permita o ensaio de novas formas de produção jorna-lística independentes do oligopólio.
Reforço do serviços públicos de informação:
▶ À importância da agência Lusa deve corresponder o adequado financiamento, que considere um reforço da indemnização compensa-tória e o seu atempado pagamento.
▶ Superação do crónico subfinan-ciamento da RTP, a par de uma revisão do modelo de gestão que extinga o Conselho Geral Inde-pendente e garanta transparência e responsabilidade na escolha da administração;
▶ Criação de um imposto sobre os gigantes digitais, conhecido como
“Imposto Google”, que contribua para a sustentabilidade da comuni-cação social nacional e local, tribu-tando os seus rendimentos obtidos em território nacional;
Democratizar o acesso à internet:
▶ Serviço de internet universal a custos muito reduzidos e com volume e velocidade que evitem a infoexclusão. A tarifa social da internet decidida pelo governo junto dos operadores privados é limitada a agregados com carência económi-ca, sem identificação automática no momento da adesão (dependente de requerimento) e com volume e
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cidades que são apenas metade dos recomendados pela entidade reguladora do setor, a Anacom.
▶ Neutralidade e liberdade de expressão na Internet.
Nenhuma censura pode ser tolerada, nenhuma filtragem de conteúdos em estabelecimen-tos públicos, sejam bibliotecas públicas, académicas, de inves-tigação ou arquivos sejam ou-tros postos públicos de acesso.
Os filtros já instalados deverão ser removidos;
▶ Fim dos mecanismos anti-cópia (DRM) e defesa do direito à cópia privada; fim da criminali-zação da partilha de conteúdos para fins não comerciais;
▶ Promoção do uso de Repositórios Abertos para a produção científica e de apren-dizagem.
▶ Produção científica fi-nanciada com dinheiros públicos deve ser aí depo-sitada, como contrapartida obrigatória e como forma de divulgação;
▶ O software criado ou comprado com dinheiro dos contribuintes deve ser software livre ou de código aberto, permitindo a reutili-zação pelas várias entidades da Administração Pública.
23.2. Participação democrática
O sistema democrático português é herdeiro das lutas populares que há mais de quatro décadas derrubaram a ditadura fascista do Estado Novo e abriram caminho à construção de um país mais justo, solidário e inclusivo. Hoje, o
de-safio que a sociedade portuguesa nos coloca passa por defender a memória destas conquistas atra-vés do seu aprofundamento. Por isso, a resposta da esquerda só pode passar pela democratização da democracia portuguesa e pela qualificação das ferramentas de participação cidadã.
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UMA SOCIEDADE JUSTA, PROGRESSISTA E INCLUSIVAPROGRAMA ELEITORAL BLOCO DE ESQUERDA
As propostas do Bloco
▶ Atribuir o direito de voto a partir dos 16 anos de idade;
▶ Redução de 20 mil para 7500 as assinaturas necessárias para a apresentação de uma Iniciativas Legislativa de Cida-dãos à Assembleia da República, e de 7500 para 4000 para a apresentação de uma petição;
▶ Redução de 60 mil para 40 mil as assinaturas necessá-rias para a apresentação de uma Iniciativa de Referendo de Cidadãos à Assembleia da Repú-blica;
▶ Tornar obrigatório o regime de exclusividade dos deputa-dos e deputadas à Assembleia
da República, dos executivos das autarquias locais e das entidades intermunicipais que exerçam o cargo em regime de permanência;
▶ Reforço das competências fiscalizadoras das Assembleias Municipais, designadamente a moção de censura ao executivo com caráter vinculativo;
▶ Recusa de alterações à lei eleitoral que distorçam a pro-porcionalidade e a representati-vidade do voto;
▶ Reposição do modelo dos debates quinzenais essenciais à função de escrutínio da ativida-de do Governo.
24. O DESPORTO COMO