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2.3 QUALIDADE DE VIDA

2.3.2 Desenvolvimento da qualidade de vida percebida

O marketing é formado por fatores objetivos e subjetivos, de caráter quantitativo, mas existindo também fatores qualitativos, com o propósito de mensurar e analisar os resultados das ações realizadas. A realização de projetos de cunho social também faz parte da realidade de marketing, analisando questões relacionadas à sociedade, direitos dos consumidores, ética, questões ambientais entre outras atividades que objetivam a harmonia entre a sociedade, as organizações e o governo (MOORE; WILKIE, 1999, 2003, 2006).

Partindo desse pressuposto, a qualidade de vida percebida encontra-se relacionada com o nível de satisfação das pessoas. Dessa forma, o bem-estar subjetivo refere-se a sentimentos de satisfação ou insatisfação percebidos pelo indivíduo que contribuem para o desenvolvimento da qualidade de vida subjetiva, como a felicidade e a percepção de bem- estar. Enquanto que, bem-estar objetivo, que não é foco deste estudo, direciona sua atenção para a avaliação realizada precisamente por especialistas sobre: consumidores, custos, benefícios, segurança, instalações, os meios de aquisição dos produtos ou serviços e o meio ambiente (SIRGY; LEE, 2008).

Jocz e Quelch (2008) esclarecem que a participação do marketing tem ligação com os princípios morais e de qualidade de vida do cidadão, o que remete analisa-lo através dos impactos oriundos da política, sociedade e economia. Em todos os países existem preocupações direcionadas para os recursos públicos e do meio ambiente que afligem a sociedade e encontram-se intimamente relacionado ao marketing. É necessário fazer um paralelo entre a posição do governo, da economia e da política com a participação da sociedade, demonstrando que a função do marketing é servir a sociedade e os indivíduos.

Wilkie e Moore (1999) evidenciam a contribuição e evolução do marketing em decorrência de sua participação voltada para a sociedade e para os indivíduos, em termos de desenvolvimento econômico, aumento da qualidade de vida e satisfação das necessidades dos consumidores. Nesse sentindo, deve-se procurar o equilíbrio entre consumidores e ofertantes na nova sociedade, na qual as pessoas conhecem seus direitos e as práticas antiéticas, ao mesmo tempo em que buscam respostas para questões sociais, tais como segurança e proteção do meio ambiente. Desta forma, o marketing precisa estabelecer equilíbrio harmonioso com a sociedade, desenvolvendo interação e superando a visão retrógrada associada exclusivamente para o lado empresarial (WILKIE; MOORE, 1999).

O macromarketing não trabalha na perspectiva de combater o marketing gerencial, mas com o objetivo de desenvolver mercados que estejam preocupados com o equilíbrio social, criando oportunidades, independente dos recursos disponíveis. Com isso, o macromarketing tem a função de educar a nova geração para os princípios que norteiam a criação de práticas e técnicas que visem o equilíbrio entre marketing e a sociedade (REPPEL, 2012).

Compreende-se que o enfoque de marketing alinhado ao conceito de macromarketing disponibiliza um entendimento mais sólido sobre qualidade de vida e bem- estar do consumidor. Esse pensamento é necessário para desenvolver indicadores de desempenho do sistema de marketing direcionado para a possibilidade de bem-estar individual, durante o processo de aquisição (PETERSON; EKICI, 2007).

A maioria das sociedades possui preocupações reais de avanço, conservação e remanejamento da qualidade de vida. Indicadores de qualidade de vida percebida disponibiliza meios objetivos para analisar o progresso da sociedade, permitindo comparações com outras regiões, verificando quais medidas devem ser implementadas ou melhoradas, o que resulta em formulação de políticas públicas mais adequadas de acordo com cada população (DIENER, 1984).

A qualidade de vida subjetiva preocupa-se com a mensuração percebida da avaliação do bem-estar dos indivíduos (DIENER, 1984). Essa avaliação subjetiva obteve destaque devido o descontentamento por parte de pesquisadores sociais que não concordavam que os indicadores econômicos fossem adequadamente utilizados como índice associado à qualidade de vida (WILKIE; MOORE, 1999; BURROUGHS; RINDFLEISCH 2002).

À medida que as pesquisas são desenvolvidas, percebe-se que, os resultados encontrados podem ser adotados por outras sociedades ou até mesmo por outros países. A pesquisa pode ser reutilizada dependendo da realidade de cada região, ou ao menos pode servir como base para futuras pesquisas, incluindo determinantes que irão contribuir diretamente para a sociedade local. Como por exemplo, a percepção de qualidade de vida dos americanos pode contribuir como base para a criação de determinantes para o desenvolvimento de indicadores de qualidade de vida dos brasileiros.

Vários filósofos, poetas e religiosos oferecem suas ideias sobre como alcançar a qualidade de vida há milhares de anos (ANDREWS, 1974). Todavia, só recentemente os métodos utilizados pela ciência social moderna, com dados representativos e válidos, direcionam para uma apreciação sofisticada das informações resultantes de pesquisas que exploram o bem-estar subjetivo através de percepções individuais, emoções, sentimentos, e outros fatores que direta ou indiretamente interfere no nível de qualidade de vida (DIENER, 2012).

Sendo assim, a qualidade de vida pode ser compreendida como um equilíbrio realizado entre a beneficência da comercialização e a não maleficência. A beneficência da comercialização são atitudes adotadas pelo marketing (produto, preço e promoção, por exemplo), com o papel de aprimorar o bem-estar do cliente. Enquanto que, a não maleficência tem o propósito de preservar o equilíbrio de todas as partes envolvidas na relação (acionistas, empregados, fornecedores, a comunidade e o meio ambiente, por exemplo) (LEE; SIRGY, 2004).

O conceito de qualidade de vida encontra-se vinculado a prestação de serviços e consumo de produtos, disponibilizando aos consumidores uma sensação de orientação voltada para a perspectiva individual, com foco no indivíduo e na sociedade. O conceito de qualidade de vida passa por reformulações ao utilizar a prestação de serviços como dos pilares verificados pelo consumidor ao analisar a qualidade de vida percebida (SCHALOCK; BONHAM; MARCHAND, 2000).