4.4 RESULTADOS DE APRENDIZAGEM

4.4.3 Desenvolvimento dos agentes

Quando questionados sobre seu desenvolvimento na equipe, os entrevistados responderam que apesar de ficarem pouco tempo juntos, trabalham no sentido de união, unificação, bom relacionamento, aceitação do espaço do outro, troca de experiências, aprendizado com a equipe, aprender ouvir e analisar, conforme respostas a seguir:

[...] a gente tem que ser comunicativo, a gente tem que trocar ideias. A gente tem que conversar sobre o que que acontece, quais as nossas atitudes com os proprietários porque todo o dia é diferente, então, como eu posso dizer [...] então aos poucos tem

sempre as novas situações que tu tem que estar preparado. Então isso é muito importante, isso é saber estar preparado. Às vezes tu vai pegar situações inusitadas que é aquela que realmente tu pode estar preparado, mas tu não vai saber como o que fazer. Mas é aí que tu desenvolve e aprende cada vez mais, vamos dizer assim (AGENTE 11 IES A).

Uma coisa que eu aprendi bastante é ouvir mais, aprender com os outros que são mais experientes, aprender a experiência deles, aprender a convivência deles com os empresários. Aí eles passam aqui pra gente e é essa a minha vivência aqui com eles mesmo (AGENTE 03 IES C).

Ainda sobre manutenção de relacionamentos na equipe, foi citado o apoio da coordenação para otimizar resultados dividindo as áreas e evitando a competição entre os agentes, ou seja, fortalecendo o trabalho e o desenvolvimento da equipe.

[...] quando eu posso a gente troca experiências, a gente conversa, porque este ano as cidades do projeto foram todas divididas por agente e eu acho que isso foi uma coisa que eu achei que ficou muito boa porque a gente acabava competindo entre a gente, se as cidades fossem comum a todos. Então agora, a partir do momento em que eles dividiram a gente, parece que até a equipe ficou melhor. Então, daí a gente consegue trocar mais experiência sem receio, de estar dando chance para o outro agente, por exemplo, ganhar da gente, entende? (AGENTE 05 IES C).

Sobre a evolução do seu desenvolvimento na equipe, os agentes relataram sobre o cumprimento de metas, sobre sua evolução no decorrer do tempo, sobre a experiência construída no decorrer do projeto, sobre a possibilidade de auxiliar os novos colegas, inclusive, quanto mais conhecem, mais fácil é de agregar conhecimento, como relatado a seguir:

[...] tô dentro das metas, então o projeto faltando um mês, eu já entreguei a minha meta pessoal, no caso que foi destinada no início do projeto, então eu estou fazendo um extra já, tô dando um gás extra já. Isso que é legal, porque eu consegui fazer o objetivo e tô conseguindo aderir mais coisas, mais conhecimento e colher mais informações pro grupo em si. Então pra mim está sendo um ótimo aprendizado, está sendo bem legal (AGENTE 07 IES B).

A gente entra então praticamente sem conhecimento do que é o projeto e com o tempo então a gente vai aprendendo, cada dia, cada reunião, cada treinamento, a gente vai aprendendo cada vez mais (AGENTE 04 IES A).

Na medida do possível a gente participa ajudando o pessoal mais novo, realmente isso acontece. O professor pede pra gente às vezes acompanhar o pessoal e isso acontece seguido (AGENTE 01 IES D).

Sobre como sua aprendizagem é aplicada nas empresas e como isso evolui, apenas um agente, cujo trabalho ainda não havia sido iniciado, não pode responder este questionamento e a aplicação da aprendizagem se dá no decorrer do dia a dia.

[...] eu tento expor da forma com que eles entendam [...] daí a gente vê de acordo com o perfil do empreendedor pra gente conseguir associar. Tem empreendedores que têm o conhecimento e tem outros que muito pouco somam, valores no caso. Muitos empreendedores não buscam o conhecimento. [...] a gente sempre deixa bem claro que a ideia do SEBRAE não é saber quanto eles ganham, nem nada. A ideia é só agregar valor (AGENTE 02 IES D).

De acordo com a manifestação da coordenação entrevistada, a percepção da evolução da aprendizagem do agente de orientação empresarial ocorre por meio de seus depoimentos e compartilhamento de experiências com o trabalho no momento das reuniões de equipe. Outra percepção sobre a aprendizagem do agente se dá quando ele leva para a sala de aula o conhecimento aprendido em campo, no seu dia a dia. O coordenador, que está há quatro meses com o projeto em sua IES, disse que no início os agentes estavam ansiosos e tinham um pouco de medo, sentimentos que foram substituídos pela sua união em termos de equipe, outra questão que ele citou, foi o fato de alguns agentes terem recebido propostas de trabalho inclusive para trabalhar como consultores o que é percebido por ele como crescimento entre os agentes.

De acordo com o coordenador que opera o projeto Negócio a Negócio em sua IES há sete anos, não há uniformidade nas características dos agentes, há agentes que de forma insistente continuam sua evolução da aprendizagem, buscam informações, buscam soluções, trazem soluções para dentro da equipe, dizendo que descobriram alguma coisa em determinado

site que pode ajudar, que há uma nova forma de fazer uma coisa diferente, contribui com o

processo. No entanto, outros utilizam as ferramentas de forma padronizada e não trazem sugestões, mas têm bons resultados de qualquer forma.

Para o coordenador que opera o projeto Negócio a Negócio há quatro meses, há a percepção de que os agentes de orientação empresarial evoluem em termos de conhecimento e postura.

[...] desde o momento em que eles entram, principalmente esses que iniciaram conosco na metade do ano até agora, a gente percebe essa evolução, tanto na maturidade, na questão de mais autoconfiança, essa questão assim de perceber que eles estão ganhando não só financeiramente, mas em conhecimento. Isso eles demonstram, todos eles têm esse posicionamento, essa devolutiva pra nós (COORDENADOR IES C).

Para os secretários entrevistados, a percepção sobre a evolução na aprendizagem ocorre inclusive por deixar a inibição de lado e utilizar o aprendizado em sala de aula, conforme o seguinte relato de um secretário que foi agente de orientação empresarial antes de estar neste cargo.

[...] eu era uma pessoa muito tímida. Eu não ia falar agora pra você, então eu consegui evoluir. [...] O aluno começa a se expressar melhor, ele vê as coisas diferentes. Ele leva para a sala de aula exemplo da vida real, que muitos colegas não têm [...] as empresas ainda têm o caderninho, então você levar alguma coisa diferente e mostra pro empresário que ele pode aplicar aquilo, e mostrar, mas o senhor pode fazer um controle de estoque, de você dar exemplos conforme a empresa e depois vem ali na sala de aula e o professor dá o controle de estoque, é muito mais fácil você entender do que aquele aluno que não tem acesso a isso, não tem contato (SECRETÁRIO IES C).

A aprendizagem organizacional pode ser associada aos conhecimentos, às habilidades e às atitudes adquiridos na interação com o ambiente de trabalho, pelo uso de diferentes estratégias, podendo ser mobilizada para a expressão de competências, manifestando-se por meio do desempenho profissional (CALDEIRA; GODOY, 2012). Para o secretário de outra IES, a evolução da aprendizagem do agente de orientação empresarial também pode ser verificada por meio da evolução do seu número de atendimentos diários.

Principalmente pelo número de atendimentos realizados. Porque no início é bem complicado, até você pegar o embalo, fazia dois ou três por dia. Aí depois conforme já consegue realizar a meta de seis ou sete, a abordagem também é diferente porque quando você está iniciando uma coisa nova, você fica um pouco nervoso, então com o tempo eles adquirem mais confiança. [...] (SECRETÁRIO IES A).

Já o secretário que tinha apenas dois meses de trabalho neste projeto no dia em que foi entrevistado, disse ter dificuldade em responder a esta pergunta.

De acordo com Senge (1996), a aprendizagem organizacional é relacionada com a melhoria do desempenho, pois se uma equipe estiver aprendendo, seu desempenho deve melhorar. Inclusive, conforme Antonello e Godoy (2010), há a neutralidade da meta, ou seja, a aprendizagem pode ser vista como algo bom ou ruim. Os indícios de que esteja ocorrendo aprendizagem na organização são mais sutis e difíceis de mensurar que os indicadores de desempenho, basicamente pois os indivíduos não estão acostumados a procurá-los. Os fatores que se tem que aprender a procurar são um sentimento de ânimo e de energia em toda a organização, inclusive com um sentido de alinhamento.

Para os tutores, a percepção da evolução do agente pode ser percebida pelos exemplos de melhoria realizados por eles próprios. Inclusive, pelo comportamento, diálogo e até mesmo pelos resultados obtidos.

[...] pelo comportamento, pela resposta, pela conversa que ele tem, ele já chega com outro diálogo, ele já vem conversando de forma diferente, com conteúdo diferente, com um entendimento diferente das coisas. Até no comportamento, no dia a dia deles, o resultado que ele traz em termos da atividade é que a gente percebe o aprendizado (TUTOR IES A).

[...] pelos resultados, pelas metas atingidas e pela forma como ele se apresenta, pela conduta, pelo comportamento proativo, a gente percebe assim uma evolução gradativa e aqueles que não apresentam essa evolução é porque não tem habilidade para trabalhar com o projeto que tem que ter habilidades voltadas às vendas, a proatividade, aquela forma espontânea e adequada de chegar aos locais das empresas. Então obviamente se ele não apresenta os resultados, ele não vai ter um perfil profissional posteriormente pra isso (TUTOR IES C).

Para os monitores, algumas questões elencadas sobre a evolução da aprendizagem dizem respeito ao fato de que conforme ele aprende, ele ajuda aos outros, o que ocorre em reuniões ou quando eles se encontram para pegar materiais. Esta evolução na aprendizagem também é percebida por meio das monitorias, a forma como os agentes se apresentam, uma maturidade profissional, um aprendizado, a forma que eles se posicionam e que pontuam as questões, os problemas, se percebe uma postura diferente, com mais autonomia, autoconfiança, o início é um pouco lento, mas depois que se apropriam do processo, “vai embora”.

Para um dos dois monitores que já foi agente de orientação empresarial, a sua percepção sobre a evolução da aprendizagem dos agentes é:

[...] eu procurava aliar o que eu aprendia das ferramentas com o que eu aprendia em sala de aula, porque elas eram bem complementares. [...] daí eu explicava pro empresário aliando essas duas partes. [...] porque aprendendo só a teoria é uma coisa, agora se tu consegue aplicar a teoria na prática, é outra coisa. É outra forma de aprender. Tu vendo a realidade e aplicando na prática [...] eu sei que ela conseguiu evoluir, que desde a minha participação, o meu ingresso no projeto eu aprendo melhor, principalmente dessa parte de gestão, e eu creio que tudo pelo que eu falei, pela prática [...] Formas de aprendizagem do agente: troca de experiências, prática... o que falei antes (MONITOR IES C).

Destas respostas sobre a evolução da aprendizagem dos agentes, segundo a percepção da equipe de coordenação: três pessoas disseram percebê-la no relacionamento do seu trabalho com a academia, duas pessoas disseram perceber a evolução quando o agente consegue auxiliar aos demais com a rotina do trabalho por meio de suas experiências do cotidiano.

Para que se possa dizer que a aprendizagem ocorreu no nível organizacional, é preciso que mudanças profundas tenham ocorrido, ao afetar, de alguma forma, os valores organizacionais. Ademais, é necessário que determinados conhecimentos tenham sido institucionalizados e internalizados. O resultado do processo de aprendizagem é o próprio conhecimento, convertido em mecanismos estáveis, como por exemplo, novas rotinas organizacionais. Portanto, o conhecimento pode ser criado, utilizado e institucionalizado, pois se trata de um fluxo, e não apenas de uma informação (TAKAHASHI, 2015).

No documento Aprendizagem individual e grupal em serviços empresariais intensivos em conhecimento : um estudo de casos múltiplos (páginas 162-167)