VOLUME VII. REDE DE EQUIPAMENTOS
2. PLANO DE DESENVOLVIMENTO SOCIOCULTURAL
2.3. Diagnóstico, Programas e medidas para o desenvolvimento
DESENVOLVIMENTO SOCIOCULTURAL DO CONCELHO
Toda a abordagem territorial encontra-se hoje num momento de grande redefinição
metodológica decorrente em parte da avaliação da experiência recolhida nos momentos
anteriores de programação de equipamentos, designadamente, nas primeiras gerações dos
PDM, em parte resultantes das mudanças profundas nas expectativas, necessidades e
consumos revelados pela população e ainda das alterações sentidas nos contornos de
alguns equipamentos tradicionais.
Dado que os montantes em jogo numa proposta de equipamentos são uma preocupação
constante para as administrações locais mas também um ato de profundas implicações
socioterritoriais é forçoso depositar nesta tarefa um cuidado acrescido. Aliás, esse cuidado
vem sendo já assumido na autarquia leiriense com o desenvolvimento da carta de
equipamentos escolares e a marcação de todos os equipamentos existentes no concelho,
constituindo documentos de profunda reflexão acerca dos recursos presentes conjugada
com a sua localização e com as necessidades futuras.
Os equipamentos considerados pelo PDSC situam-se na esfera social, cultural,
desportiva e escolar, fornecendo-se elementos adicionais sobre conceitos e critérios da
programação dos equipamentos em matéria espacial, juntando-se, sempre que possível,
material de reflexão ou de apoio à sua programação e concretização.
O diagnóstico da situação vivida no plano das respostas sociais assentes em equipamentos
no Concelho foi elaborado a partir de elementos disponibilizados pela autarquia e tratados
com base nas orientações expressas nos parágrafos seguintes onde se explicitam conceitos
e critérios de programação. É evidente que este processo de recolha de informação –
indireto – pois não se dirigiu objetivamente às fontes (pelo tempo que exigiria, pelas
lacunas que sempre se verificam e pela ausência de respostas) enferma do problema
da desigualdade de informação existente bem como depender da disponibilização dos
elementos por parte dos serviços responsáveis. A metodologia seguida procurou ainda
beneficiar do trabalho já desencadeado em matéria de cartas escolares e desportivas de
modo a poder integrar esses contributos nos instrumentos de planeamento de âmbito
municipal que articula múltiplos domínios.
Desde logo, Leiria como capital de distrito, e território assente no eixo litoral Português, sede
das principais dinâmicas nacionais, tem forçosamente de assumir um conjunto de premissas
decorrentes da sua situação:
as redes de equipamentos e infraestruturas têm de responder a exigências
situadas no exterior por força das responsabilidades e aspirações de Leiria a maior
protagonismo à escala regional e até extrarregional, e no plano concelhio dando
resposta às expectativas das populações em matéria de qualidade de vida.
as freguesias no concelho de Leiria e as respetivas sedes de constituem
referências simbólicas inultrapassáveis para as comunidades locais sendo aí que
prioritariamente se devem situar os investimentos públicos de natureza social, cultural ou
desportiva sem, como é óbvio, inviabilizar ou desacompanhar iniciativas privadas ou
comunitárias locais.
Para reforçar a pertinência desta matriz sobre a qual assentarão as preocupações em matéria de investimentos estão os resultados estatísticos mais recentes onde se mostra que são os lugares
sedes de freguesia que mais crescem demograficamente e expandem na ótica do espaço construído e ainda os que possuem maiores índices de acessibilidade e transporte, uma vez
como se sabe, é fundamental garantir o melhor acesso possível aos equipamentos de modo a
lugar do plano, gestão do território e cultura câmara municipal de leiria 113 Figura 1. Descrição esquemática da metodologia de Investimento em equipamentos
Também por uma lógica de rentabilização dos investimentos e até como forma de os viabilizar admite-se que em determinadas circunstâncias se possam adotar e delimitar territórios alternativos
formados por duas ou mais freguesias no seio das quais se inscreverá o equipamento ou a
função.
Torna-se oportuno referir que a programação terá por base as normas de programação de equipamentos mais atualizadas, nomeadamente as Normas para a Programação e Caracterização de Equipamentos Coletivos, DGOTDU, 2002. Sobre estas mesmas normas dizia o GEPAT, (já em 1990) que «...constituem uma base de trabalho de carácter indicativo e relativo, não devendo ser
utilizadas mecanicamente», e, reforçando: «A programação de equipamentos deve ser estabelecida
em função das características e do enquadramento da área em estudo». O mesmo juízo rege a presente análise, conquanto se tenha procurado partir sempre das normas, adaptando-se posteriormente o modelo àquilo que da realidade é conhecido.
Outra condição de origem determinante para o destino da análise terá sido a inexistência de alusão ao plano de financiamento ou ao programa de execução, o que toma a programação a realizar, por ora, algo "bidimensional", no sentido em que a variável tempo surge apenas como um horizonte, não
se planeando para o intervalo que separa o presente daquele. Contudo, a este respeito, decidiu-se, em alguns casos, pela definição de intervenções prioritárias, ainda que sem referências a metas temporais.
As propostas obedecerão ainda a condições de equilíbrio entre perspetivas de orientação opostas, correspondendo, desta forma a uma tentativa de harmonização de dois grupos de fatores com derivações basicamente contrárias: por um lado, as lógicas de proximidade, as ligações físicas existentes entre unidades de trabalho (freguesias), as relações de dependência entre aquelas; pelo outro, a ligação da população ao seu território, o enraizamento, a descentralização e as apostas locais, a qualidade de vida.
Finalmente uma referência relativa ao campo demográfico pois os seus elementos são sempre um contributo interessante para a formulação de uma política de construção de respostas sociais adequado às necessidades da procura. Porém, é também verdade que essa importância se tem
vindo a esbater quer excessiva incerteza que rodeia a projeção dos volumes demográficos, reforçada quando se fixa em determinados segmentos etários, constituindo um risco nem sempre suportável para o investimento municipal, quer pela sua irrelevância quando se trata de equipamentos e instalações que visam atingir territórios de geometria muito variável,
revestindo-se de uma razoável flexibilidade que lhes garanta a sobrevivência mesmo em contextos desfavoráveis, pois o seu fundamento é própria disponibilização do serviço (crianças em risco, grupos vulneráveis, etc.), quer ainda pela grande mobilidade que afeta os residentes de Leiria
pervertendo as lógicas de proximidade que até agora tinham sido as dominantes no planeamento e programação de instalações.
Estas novas prerrogativas colocadas não só ao domínio demográfico mas também aos métodos tradicionais e determinísticos de programação de equipamentos introduzem fatores de perturbação
mas também novos desafios capazes de enriquecer este momento essencial para a qualificação
dos territórios.
Como alternativa e complemento à demografia deverá ser adotada uma metodologia que privilegie as
dinâmicas recentes registadas na procura dos equipamentos, a existência de listas de espera, a análise da capacidade na envolvente próxima, etc.. É portanto, a introdução de fatores empíricos
sustentados no conhecimento da realidade, das dinâmicas sociais do concelho e das necessidades e anseios da população, conjugadas com o estabelecimento de eixos prioritários alocados aos meios e recursos existente e/ou disponíveis.
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