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5. ASPECTOS LITOGEOQUÍMICOS

5.2 Elementos Traços

5.2.1 Diagramas multielementares

Para análise multielementar, utilizou-se a normatização para o manto primitivo de Wood (1979), onde são considerados os teores dos elementos traços Cs, Rb, Ba, Th, U, K, Ta, Nb, La, Ce, Sr, Nd, P, Zr, Sm, Ti, Tb e Y reunidos sob a forma de aranhogramas expresso como o logarítimo para a base dez do valor. Estes dados estão plotados no gráfico da Figura 11, e discutidos abaixo:

5.2.1.1 Análise para Rocha Sã

[1] Para análise multielementar do maciço Sienítico Serra das Araras (Rosa, 2005), foram consideradas todas os dados de rochas sã com exceção do dique (Tabela 1). Para as rochas da SA, a discussão da mobilidade dos elementos traços baseou-se nos diagramas multielementares ( Wood, 1979 ), permite a caracterização das rochas sã com exceção do dique (JT 62) que compõe a porção sul do maciço. Apesar da grande diferença de concentração para cada elemento nas diversas amostras, nota-se anomalias negativas para Sr, P, Ti e Y, sugerindo fonte mantélica para o magmatismo que deu origem ao maciço das Araras. Nota-se valores altos ( 362 ppm ) para Nb, para Ta (29ppm) , Th (58ppm), Rb (306ppm), Zr (1534 ppm) todos referentes a amostragem JT072. Para a amostra da sodalita(JT112), nota-se

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através da análise gráfica dos elementos traços anomalias positivas em Rb, Ba, K, Nb, Nd indicando alta mobilidade desses elementos na fase final de cristalização do magma intrusivo na serra das araras, bem como pode-se notar decréscimo em Sr, P, Ti e Y, sugerindo fonte mantélica para o magma diferenciado foid-sienito. Figura 11.

[2] Para análise multielementar do stock nefelina sienítico Serra da Gruta, observa- se que, referente à distribuição dos elementos para as amostragens de rochas sã, ocorre um padrão bem definido quando comparado a análise do diagrama anterior. Foram analisadas todas as amostras pertencentes ao stock, com exceção do dique que o corta (Tabela 3). Nota-se anomalias positivas em Rb, K e Tb para quase todas as amostras selecionadas. O Rb apresenta seu maior valor referente a amostra JT27(199ppm), que por sua vez apresenta também valor alto relativo de U(10,31ppm), sendo o maior dentro do stock. Nota-se valores altos para Zr (4073 ppm) e Nb (118 ppm). As anomalias negativas nítidas para Sr, Ti, Y e parcialmente para P, sugere importante contribuição mantélica na geração do stock SG, relacionados aos feldspatos alcalinos e feldspatóides ( Figura 12).

[3] Para as rochas do MI, a discussão da mobilidade dos elementos traços baseado nos diagramas multielementares ( Wood, 1979 ), permite caracterizá-lo para cada fácies que constitui este maciço. Para a FSRQ foram envolvidas 4 amostragens referentes a JT07,09,10 e 90, onde observa-se a caracterização de anomalias negativas em Y,Ti,P e Sr, bem como em Th e U, onde as anomalias do primeiro grupo nos remete a uma fonte mantélica para o magma, bem como sugere o fracionamento magmático para o a intrusão sienítica do MI. Segundo Conceição(1990), apud Oliveira(2003), as rochas subsaturadas em sílica são, sem dúvida, expressões de um magmatismo mantélico e que pouco sofreu influência da crosta continental supersaturada em sílica. No segundo grupo, referente à Th e U, sugere para FSRQ uma fraca contaminação crustal dada as anomalias negativas em Th (5,1ppm), diferenciando-se do FF, que por sua vez apresenta anomalias positivas, resultado do envolvimento crustal na formação destas rochas. Vale destacar que para as zonas de cisalhamento, há notável concentração do

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Th(56,6ppm), indicando sua alta mobilidade através destas regiões, hospedadas por feldspato potássicos ( Foto 23 ).O empobrecimento do urânio ( teor médio de 2 ppm ) para FSRQ, contrasta com a média do embasamento ( 6 ppm ), sugerindo alta mobilidade no processo de colocação do corpo magmático No que se refere ao teor de Nb dentro da FSRQ, obteve-se uma média de 110ppm para rochas sã coletadas. Figura 13.

[4] Para análise das rochas sã dos Fenitos (JT41,43,87,79), nota-se valores de Ba que flutuam entre baixos (68ppm) e altos(2390ppm) referentes as amostragens JT87 e JT43, respectivamente., com uma média geral de 953ppm. Tabela 4. No caso do Nb, nota-se que dentro do contexto do MI, a FF é a que hospeda os menores valores, atingindo uma média de 60ppm. O embasamento por sua vez, apresenta valores de Nb chegando a atingir 245 ppm, possivelmente associado com a biotita. Figura 14.

[5] Segundo o estudo para o embasamento(complexo Itapetinga)realizado por Paixão(2008), os diagramas geoquímicos evidenciam um protólito de natureza ígnea de caráter cálcio-alcalino(de alto K) a alcalino para essas rochas. Devido a composição predominantemente granítica gnaissificada/migmatítica, de composição variando de monzo a álcali-feldspato (Paixão, 2008). Para análise do E foram envolvidas amostras de rocha sã (JT01,02,77,83,88,96),onde observa-se razões altas de Cs, Rb e Ba sugerindo substituições com o K na estrutura dos feldspatos e das biotitas, muito abundantes no complexo. Figura 15.

83 Figura 11: Padrão multielementar para amostras da Serra das Araras normatizadas para Manto

Primordial (Wood,1979):

Figura 12: Padrão de ETR para amostras da Serra da Gruta normatizadas para crosta intermediária (Weaver & Tarney,1984):

84 Figura 13: Padrão de ETR para amostras do Maciço Itarantim(FSRQ) normatizadas para Manto

Primordial (wood,1979).

Figura 14: Padrão multielementar para rochas sã do Maciço Itarantim (Fácies Fenito) normatizadas para Manto Primordial (Wood,1979).

85 Figura 15: Padrão multielementar para amostras do Maciço Itarantim (Fácies do Embasamento não

fenitizado) normatizadas para Manto Primordial (Wood,1979).

5.2.1.2 Análise para o Manto de Intemperismo

A análise do manto intempérico, aplicada para as rochas do MI, abrangendo a FSRQ (JT91), FF (JT;05,12,103) e E (JT;03,82), e tem como fundamento a mobilidade química em perfil verticalizado sentido rocha sã - manto de intemperismo. Portanto, nota-se para o referido perfil, que para a FSRQ há uma anomalia negativa em Ba, bem como uma notória concentração positiva de Nb atingindo aproximadamente 260 ppm, além do Ba (1951 ppm), ambos correspondentes a amostra JT91, normatizada para rocha sã (protólito). O Ba deve ter sido perdido na formação argila ( caolinita sem K ). Nota-se que o K e Ba

diminuem, enquanto o Fe e Nb aumentam. Figura 16.Similar ocorre para a FF, onde

os processos supergênicos atuam com a capacidade de concentrar o Nb em cerca de 3 vezes quando comparado com a rocha sã (JT87 – 60ppm), alcançando aproximadamente 180 ppm, além do Ba ( 1785 ppm), Zr (1122 ppm). Tabela 6.

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Ainda referente à amostragem dos corpos intemperizados sobre as rochas frescas da FF, nota-se acréscimo de Ba no sistema, sugerindo alta mobilidade nesta etapa do ciclo geoquímico alcançando aproximadas 25 vezes o teor de Ba quando comparado a seu protólito (JT87). Ainda para o manto intempérico da FF, nota-se uma anomalia positiva significante em Sr e Cs, sugerindo ampla mobilidade destes elementos dentro do ciclo geoquímico, concentrando-se relativamente em cerca de dez vezes mais nesta etapa do ciclo, podendo o material residual apresentar-se, como é o caso do Sr, aproximadamente trinta e seis vezes mais concentrado ( 431 ppm) que o protólito ( 12 ppm ). Figura 17

Para análise dos corpos intemperizados do E. Foram obtidos valores de Ba atingindo 3730ppm e uma anomalia positiva cerca de três vezes acima da rocha sã ( protólito ), além de valores de Zr (1316 ppm) O que sugere ser uma rocha mais sódica, concentrando residualmente K e Ba residualmente nos argilo minerais como ilita e esmectita. Figura 18.

Figura 16: Padrão multielementar para amostra residual(JT91) do Maciço Itarantim (FSRQ) normatizada para amostra sã(JT90) (Wood,1979).

87 Figura 17: Padrão multielementar para amostras residuais do Maciço Itarantim (FF) normatizadas

para Amostra Sã(}JT87) (Wood,1979).

Figura 18: Padrão multielementar para amostras residuais do Maciço Itarantim (E) normatizadas para Amostra Sã(JT83) (Wood,1979).

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