Mapa 17- Bacia Hidrográfica do rio Itacaiúnas
5 O USO E A GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS NO ESTADO DO
5.4 Estudo da conjuntura para gestão de recursos hídricos em duas bacias
5.4.3 Pesquisa de campo
5.4.3.1 Dificuldades e Entraves
É importante destacar os obstáculos encontrados na primeira parte da pesquisa de campo, realizada com as secretarias municipais que atuam na área ambiental, porque acabaram por elucidar as próprias dificuldades encontradas no nível municipal para gestão de recursos hídricos de caráter local e/ou regional, e que foram úteis para os objetivos desta pesquisa.
Embora o período concedido para pesquisa de campo tenha sido considerado significativo (dez meses) em razão da previsão de que seriam suficientes apenas seis meses para realização desta etapa do estudo, a decisão de iniciá-la antes do previsto, considerando uma margem de tempo maior, revelou-se não apenas estratégica, mas também necessária, e ainda assim não foi possível fechar 100% da amostra, o que também havia sido previsto.
A mobilização das secretarias municipais e a realização das entrevistas estavam previstas para acontecer no período de janeiro a julho de 2018, por ser considerado o tempo mais razoável entre a obtenção dos dados mais atualizados possíveis e o prazo de análise e finalização da tese. No entanto, já contando com imprevistos de ordem logística tanto da parte da entrevistadora quanto dos entrevistados, a decisão tomada foi de iniciar a mobilização em novembro de 2017 para começar as entrevistas em dezembro. E houve apenas o retorno de
uma secretaria municipal no mês de dezembro. O restante da amostra começou a dar retorno a partir de fevereiro de 2018.
A dificuldade inicial foi entrar em contato com as secretarias municipais. Para obtenção dos meios de contato foram utilizados os sites das prefeituras municipais, o cadastro de secretarias municipais da DIREH e a lista de autoridades dispobinilizada pela Casa Civil do Governo do Estado. Aproximadamente metade das secretarias foi possível de encontrar com relativa facilidade, seja através do telefone, seja através de email, ainda que fosse preciso testar as possibilidades de contato das três fontes inicialmente utilizadas.
Para outra metade das secretarias já foi necessário um esforço maior para obter contato. Os telefones presentes nos cadastros da DIREH e da Casa Civil não funcionavam, ou apenas chamavam, sem atendimento, ou não correspondiam mais ao local. Os email’s não eram respondidos, sendo que a maioria deles ainda estava ativo. Mas o mais impressionante eram os contatos presentes nos sites das próprias prefeituras não funcionarem, e constarem da mesma forma por meses.
Alguns sites eram mais completos, fornecendo vários contatos telefônicos e email’s, inclusive divididos por secretaria, mas que não funcionavam ou não eram respondidos; e outros que apresentavam um único contato de telefone e de email, em situação semelhante. Foram feitas várias visitas a estes sites com o intuito de verificar alguma mudança. As notícias sobre as ações e eventos da prefeitura eram atualizadas, mas nunca houve alteração dos meios de contato.
Partiu-se então para outras formas de comunicação. Foram realizadas ligações para câmaras de vereadores e postos de saúde dos municípios, sendo possível obter o contato de aproximadamente 25% do total das prefeituras. Nos casos sem sucesso, ou não sabiam informar os contatos da prefeitura ou forneciam contatos que estavam defasados, ou que não funcionavam. Para esses 25% restantes foi preciso ir além, e entrar em contato com empresas locais como hotéis, rádios comunitárias, restaurantes e bancos. Desta forma foi finalizado contato inicial com todas as secretarias municipais de meio ambiente.
A segunda maior dificuldade, que ocasionou inclusive a alteração da metodologia da pesquisa de campo, foi referente à disponibilidade que as equipes das secretarias municipais tinham para conceder a entrevista. Com metade das secretarias o tempo entre contato inicial, mobilização e concessão de entrevista foi de aproximadamente três meses. Com a outra metade o tempo foi superior e não foi possível a concessão de entrevista presencial, a mesma sendo realizada por outros meios: via plataforma Skype, via chamada de vídeo do aplicativo
A flexibilidade na metodologia foi adotada em razão do prazo para a finalização da pesquisa de campo tendo em vista a necessidade de análise de dados, já que a obtenção das informações das secretarias municipais era uma etapa importante. Houve secretarias que marcaram entrevistas durante seis meses e desmarcaram todas, isso levando em consideração que a autora da pesquisa entrava em contato com antecedência para confirmar se a entrevista presencial seria concedida.
Aproximadamente 67% das entrevistas presenciais foi realizada nos municípios da BH do rio Marapanim, pela proximidade física entre a autora e as secretarias municipais, enquanto que na BH do rio Itacaiúnas, pela distância, custos e planejamento da viagem, que demandava maior planejamento e comprometimento da secretaria municipal para marcação da entrevista, 50% delas tiveram de ser realizadas à distância.
Em geral, as justificativas dadas pelas secretarias municipais para os sucessivos cancelamentos da entrevista eram o excesso de demandas existentes em relação ao reduzido número da equipe; ou então a prefeitura apresentava situações imprevistas e emergenciais que necessitavam ser resolvidas; e as muitas viagens que o secretário e outros técnicos da área ambiental precisavam realizar, não restando outras pessoas habilitadas para repassar as informações.
A terceira dificuldade encontrada foi a rotatividade da equipe das secretarias, o que, felizmente, foi verificado em apenas três municípios. Houve o caso de uma secretaria em que durante os 10 meses de tempo da pesquisa de campo, o secretário foi substituído três vezes, o que impossibilitou a realização da entrevista. Houve também um caso em que um novo secretário assumiu, e o anterior saiu junto com quase toda a equipe, restando apenas a recepcionista da secretaria, e o atual secretário estava responsável por recrutar urgentemente novos funcionários, além de estar confuso com as atribuições, uma vez que a memória do planejamento e ações da secretaria não tinham sido repassadas à ele.
Tais fatos acontecem principalmente porque a equipe das secretarias municipais não é composta por maioria de funcionários concursados, e sim contratados por indicação política ou por processo seletivo. Isso dificulta a continuidade e produtividade dos projetos, uma vez que a troca constante de pessoal necessita de um tempo de adaptação, e que cada equipe pode definir prioridades diferentes no período em que está atuando, dependendo das prioridades políticas.
Outro dado interessante é que algumas secretarias possuíam como únicas formas de contato os números dos celulares e os email’s pessoais dos secretários e dos funcionários, não possuindo um telefone fixo, celular ou email institucional. No caso de substituição do quadro
funcional, a comunicação com a secretaria ficava comprometida. Em algumas situações os contatos disponibilizados eram de pessoas que não trabalhavam mais na secretaria, o que também conduz a duas conjecturas: a pouca estrutura material da secretaria para realização de suas atividades, e a perda da memória histórica das ações que podem estar contidas nos
email’s pessoais.
De fato foram verificados municípios em que a secretaria municipal de meio ambiente era uma espécie de departamento da prefeitura, ou ficava concentrada em uma sala pequena onde a reduzida equipe disputava espaço com os equipamentos administrativos e processos; houve secretaria que ficou sem acesso à internet por pelo menos um mês; também houve casos em que a secretaria não possuía veículos próprios fazendo com que a equipe precisasse se deslocar com veículos pessoais, ou então disputar os poucos veículos da prefeitura com outros departamentos/secretarias, comprometendo assim as suas atividades.
E, por fim, a quarta e última dificuldade foi o não interesse da secretaria em colaborar com a pesquisa. Isto foi verificado em aproximadamente 14% do conjunto de secretarias, motivo pelo qual não se atingiu 100% da amostra. Nestes casos, mesmo após todos os contatos realizados e as inúmeras tentativas de agendamento de entrevista, a equipe da secretaria mostrava-se indisponível, desmarcava a entrevista e não remarcava, não atendia o telefone e não respondia email’s, ou então simplesmente encerrava as tentativas dizendo que não tinha condições de responder as perguntas já que não trabalhavam diretamente com a gestão de recursos hídricos.
A segunda etapa da pesquisa de campo foi realizada com certa facilidade, principalmente com os funcionários ainda atuantes na gestão estadual de recursos hídricos. As dificuldades foram relacionadas aos agendamentos de entrevistas e localização dos possíveis entrevistados. Cabe ressaltar os casos em que não havia interesse por parte do entrevistado em colaborar com a pesquisa, apesar das tentativas de agendamento e da flexibilidade de alternativas apresentadas pela entrevistadora.