5.1 Resultados e discussão referentes às concepções identificadas
5.1.5 Dificuldades em relação à inclusão do aluno deficiente no ensino regular
5.1.5.1 Dificuldades em lidar com a diversidade em sala de aula
Um dos participantes (P4) discutiu, inicialmente, que a maior barreira entre o professor e o aluno surdo na sala de aula seria a comunicação, após conhecer o aluno e conviver com o mesmo, foi possível perceber que essa concepção se modificou. O outro participante (P5) discutiu, em todas as sessões de coleta, a diversidade em sala de aula e os seus relatos não demonstraram mudança de concepção, mas, indicaram um fato novo referente ao número excessivo de alunos na sala de aula onde o aluno deficiente mental estava inserido.
1a. sessão de coleta 2a. sessão de coleta 3a. sessão de coleta 4a. sessão de coleta 5a. sessão de coleta
A barreira maior vai ser na sua expressão, para eu interpretar, mas a gente faz o
“[...] ele fala e eu entendo o que ele fala, então não é tão complexo [...]”. (P4)
“Ele está apresentando, dificuldade de comunicação?
Não, continua do mesmo
“Você já ouviu falar em diversidade? Já. O que sabe sobre o assunto? Já ouvi
falar, mas nada aprofundado”. (P1)
“Você já ouviu falar sobre
diversidade? [...] diversidades que já existem
em nossa sala de aula e que sempre vão existir, por isso que eu não acho um bicho de sete cabeças o incluído deficiente”. (P2)
“Você já ouviu falar sobre diversidade? Diversidade? De quê? Diversidade na
escola, diversidade e inclusão... Das diferenças...?
Já ouvi falar. Já leu sobre
isso? Não. O que você sabe sobre diversidade? Que na
escola nem todos são iguais, que a gente deve trabalhar de maneira diferenciada, respeitar o ritmo de aprendizagem de cada um”. (P3)
“E problemas de comunicação com o aluno surdo você está tendo? Não
possível para entender”. (P4)
“Ah, dificuldade eu acho que a gente tem em toda... para lidar com a diversidade [...]”. (P5)
Um pouco, não vou falar que é fácil porque cada aluno tem um ritmo [...] e trabalhar com a diversidade não é fácil”. (P5)
“[...] a gente JÁ TEM diversidade na sala de aula [...] há muito tempo, é só uma forma nova de se trabalhar”. (P5)
jeito”. (P4)
“[...] é difícil lidar com a diversidade [...] COMO esse acompanhamento é individual [...] na convivência
com trinta alunos, tem ficado meio complicado [...]”. (P5)
[...] Diversidade? Sim [...] são as diferenças, [...] diversidade em inclusão são vários tipos de crianças cada um com uma dificuldade.
Você acha difícil trabalhar com a diversidade em sala?
Ao mesmo tempo que é difícil eu acho que contribui porque se fossem todos iguais não teria muita coisa para ser feito, estaria pronto”. (P4)
“Você ainda está tendo dificuldade para trabalhar com a diversidade? Não,
agora a classe parece que deu uma boa caminhada quanto a isso”. (P5)
Quadro 35- Relatos sobre as dificuldades do professor para lidar com a diversidade em sala de aula.
Conforme apontou Aranha (2000), a idéia de inclusão se fundamenta numa filosofia que reconhece e aceita a diversidade, na vida em sociedade. Isto significa garantia de acesso de todos a todas as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada indivíduo e/ou grupo social. Saad complementou: “A inclusão supõe a aceitação da diversidade, do modo de ser de cada um”. (SAAD, 2003, p. 72).
Segundo Omote (2004), a diversidade que deveria constituir um contexto positivo de aprendizagem e de formação dos escolares não se constrói automaticamente com a introdução de um aluno deficiente. O isolamento deste na classe pode representar prejuízo para todos aí presentes, na extensão em que junto com ele confinam-se também as diferenças e dificuldades, cuja busca de enfrentamento poderia representar uma ação coletiva positiva para toda a classe.
Pelo que se pôde perceber nos relatos de P4 em outras subclasses, o aluno surdo foi bem aceito pelo grupo na sala de aula, mas fora da sala de aula, inicialmente, a participante relatou que ocorreram problemas relacionados à aceitação do aluno deficiente. Com o decorrer das coletas de dados, a participante verbalizou que a dificuldade de interação fora da sala de aula e as constantes reclamações dos funcionários em relação ao comportamento do aluno surdo diminuíram. Quanto à dificuldade de comunicação com o aluno surdo, as expectativas da participante de que a comunicação seria uma barreira entre professor e aluno, pôde-se perceber nos relatos que não se confirmaram.
Saad (2003) realizou estudos com indivíduos com Síndrome de Down e afirmou que a sociedade exige que as pessoas com Síndrome de Down tenham um comportamento perfeito, pois diante de qualquer deslize, atribui o comportamento à síndrome, como se isso
não pudesse acontecer nas mesmas circunstâncias com outro indivíduo sem a síndrome. Da mesma forma, pôde-se perceber nos relatos dos participantes, em outras subclasses, uma concepção baseada na generalização de que todo deficiente mental é agressivo. Nos relatos iniciais de P4, foi possível perceber também uma concepção inicial de que todo indivíduo surdo tem severas dificuldades para se comunicar. Portanto, a agressividade e a dificuldade severa de comunicação não são características inerentes aos indivíduos com deficiência mental e surdez.
Para Saad (2003), a informação não é suficiente para erradicar o preconceito de imediato. O preconceito, ao esbarrar na cultura e no inconsciente das pessoas, não permite que se considere a diferença como diversidade ao invés de desigualdade, requisito importante para a constituição da sociedade inclusiva. Para a pesquisadora, professores informados, despidos de preconceito, e com apoio de recursos humanos e materiais, representam caminho aberto para a inclusão escolar e conseqüentemente social. Não se trata simplesmente de tolerar o aluno diferente, mas de propiciar seu desenvolvimento, atendendo às suas necessidades e integrando-o na comunidade da escola.
Na pesquisa de Vitaliano (2002), com professores do ensino regular que trabalhavam com alunos deficientes, o grande número de alunos na sala de aula foi uma das reclamações apresentadas pelos participantes. Uma das sugestões, para facilitar a inclusão, seria a diminuição do número de alunos por sala. Nos relatos de P5, pôde-se perceber que a participante discutiu também sobre o grande número de alunos por sala como uma causa que dificulta o trabalho com a diversidade em sala de aula.
A participante indicou, na maioria das sessões de coleta, a dificuldade em lidar com a diversidade em sala de aula. Segundo De Vitta, Silva e Morais (2004), atuar com a diversidade exige um complexo rol de conhecimentos e disponibilidade para lidar com o novo, com o inesperado a cada momento.
5.1.5.2 Dificuldades em lidar com a disciplina / comportamento do aluno deficiente em