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3. A Lei n.º 10/18, de 26 de Junho Em vigor

3.2 Diplomas legais complementares à LIP

A regulação do investimento privado não se esgota no seu regime jurídico previsto na Lei n.º 10/18, de 26 de Junho. Na vigência da lei anterior a esta, tinham sido aprovados diplomas que, em nosso entender, continuam em vigor, não obstante se mostrem desajustados em alguns aspectos.

38 Destacaremos, entre os vários diplomas, aqueles que assumem especial relevância para a compreensão do regime em vigor. O primeiro é o DP n.º 181/15, de 30 de Setembro que estabelece as Linhas Mestras da Política Nacional do Investimento Privado70

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O citado diploma, como consta no preâmbulo, visa reforçar o papel dos empresários na reconstrução económica do país, atrair o investimento qualificado, substituir as importações, promover as exportações de produtos de maior valor acrescentado e diversificar a economia nacional.

O DP n.º 181/15 consagra um conjunto de normas a que estão obrigados o Executivo e o intérprete-aplicador no tratamento das matérias sobre investimento privado. Aquele decreto fixa os pressupostos políticos da reforma do ambiente de investimentos que se visou assinalar com o mesmo, as orientações e princípios da política de investimento, determina o papel do Estado na promoção e incentivo do investimento privado, fixa o modelo de gestão da política de investimento privado e as funções dos órgãos de apoio ao investimento privado72

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70 Embora o documento consagre normas programáticas e seja bastante rico, o problema se

coloca em relação à sua execução. Do nosso ponto de vista, o principal problema não se coloca, especialmente, em relação às leis. As revisões que se verificaram revelaram-se fundamentais tendo em vista a adequação das mesmas aos tempos e contextos, porém, os desafios colocam-se mais no capítulo da aplicação efectiva do que consta no diploma e na necessidade de se gerar alguma estabilidade que configura segurança jurídica aos investidores privados. O facto de os mesmos serem confrontados com sucessivas profundas (no capítulo legislativo e das instituições que intervém na recepção, condução e aprovação de projectos de investimento privado), num intervalo de espaço muito curto de tempo, tem, em nosso entender, contribuído negativamente para que as empresas possam fazer novos e grandes investimentos relevantes para a economia, bem como captar novos investimentos, mormente directo estrangeiro.

Também muitos especialistas, sobretudo advogados, que lidam directamente com o investimento privado, pelo que referimos, demonstram pouca preparação ou falta de algum domínio, o que resulta num acompanhamento jurídico deficitário e prejudicial para os investidores ou potenciais investidores estrangeiros, na medida em que estes não dispõem de conhecimento sobre a realidade do país. Tudo isso gera ainda um problema maior para as empresas, pois estas, já na fase da implementação dos projectos, são confrontadas com notificações por violação dos contratos de investimento e das leis que regem o investimento privado.

71 Publicado em DR n.º 181/15, de 30 de Setembro, Iª Série, 134.

72 A propósito, refira-se que o modelo de descontração do processo de análise e aprovação dos

projectos de investimento privado, previsto no DP n.º 181/15, de 30 de Setembro, tem sido objecto de críticas por alguns autores. Por exemplo, M. LUÍSA ABRANTES, Breve

39 Foi também aprovado, como, aliás, já tivemos a oportunidade de referir, o DP n.º 250/18, de 30 de Outubro, que aprova o Regulamento da Lei do Investimento Privado73

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Para além da LIP e o regulamento, aplicam-se ao investimento privado outros diplomas, nomeadamente o DP n.º 273/11, de Outubro de 201174

(que regula os contratos de prestação de serviços de assistência técnica ou de gestão celebrados entre empresas privadas ou mistas), alterado parcialmente com as alterações introduzidas pelo DP nº 123/13, de 28 de Agosto75

, o DP n.º 43/17, de 6 de Março (que regula o exercício da actividade profissional do trabalhador estrangeiro não residente), o Aviso do BNA n.º 13/14, de 24 de Dezembro76

, o Aviso do BNA n.º 14/14, de 24 de Dezembro77, a Lei das Actividades Comerciais78, o Código Geral Tributário79, a Lei

n.º 18/17, de 17 de Agosto80

(que altera alguns artigos do CGT), a Lei das Sociedades Comerciais81

, para além de outros diplomas.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             

da assinatura dos Contratos Privados Internacionais por membros dos departamentos ministeriais, conforme é fixado no actual figurado de investimento privado, escreve que “devido aos riscos próprios do negócio que enfrentam, decorrentes dos elevados recursos envolvidos na sua longa duração, presume-se juris tantum, que os investidores estrangeiros consideram o envolvimento directo dos titulares do Executivo dos países em desenvolvimento, a forma mais segura e eficaz de, por um lado, assegurar a boa execução do negócio pretendido, ou de pelo menos, mitigar os riscos da sua inexecução e por outro lado, conferirem a garantia de ressarcimento em caso de conflito”.

A mesma autora entende que a participação do Estado, diretamente através dos seus departamentos ministeriais e dos seus representantes, pela negociação e assinatura dos contratos em referência, faz com que estejam numa posição frágil e que gera algum comprometimento permanente. Concordamos com esta análise da autora, embora, em nosso entender, o principal problema do modelo prende-se com o facto de existirem muitos intervenientes no processo de aprovação, o que torna burocrático e oneroso o processo para os investidores. A experiência permite-nos chegar a essa conclusão, pois os prazos que o Regulamento do Procedimento para a realização do Investimento Privado na sua maioria não são cumpridos e há desconhecimento da instauração de processos contra os órgãos da administração pública que assim procedem (pois constitui uma violação ao Decreto 16-A, que fixa o Procedimento Administrativo), bem como de reclamações e/ou recursos que tenham sido apresentados por investidores privados ou seus representantes legais pelo que referimos.

73 Publicado em Diário da República, I, Série - n.º 165. 74 Publicado em Diário da República, I, Série - n.º 208. 75 Publicado em Diário da República, I, Série - n.º 36. 76 Publicado em Diário da República, I, Série - n.º 222. 77 Publicado em Diário da República, I, Série - n.º 223.

78 Lei n.º 1/07, de 14 de Maio, publicado em Diário da República, I, Série - 58.

79 Aprovado pela Lei n.º 21/14, de 22 de Outubro. Publicado em Diário da República, I Série

– n.º 192.

80 Publicado em Diário da República, I Série - n.º 141.

40 2.º Capítulo

O financiamento de projectos no âmbito do investimento privado