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Diretrizes para a sustentabilidade urbana

No documento 10 de março (páginas 72-76)

2. DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE

2.3 Sustentabilidade urbana

2.3.1 Diretrizes para a sustentabilidade urbana

O mais completo documento nacional que coloca estratégias a serem implementadas no processo de gestão urbana a fim de atingir a sustentabilidade das cidades consiste na Agenda 21 Brasileira. Segundo o documento “Cidades Sustentáveis” da Agenda 21, a problemática social e a problemática ambiental urbanas são indissociáveis. A sustentabilidade das cidades deve ser situada dentro do conjunto e das opções de desenvolvimento nacional. A viabilidade da sustentabilidade urbana depende da capacidade de integração das suas estratégias entre os planos, projetos e ações governamentais de desenvolvimento urbano, e entende-se que as políticas federais têm um papel instigador fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável como um todo.

A sustentabilidade das cidades depende ainda do cumprimento da chamada Agenda Marrom, que se preocupa, sobretudo, com a melhoria da qualidade sanitário-ambiental das populações urbanas. As estratégias prioritárias para atingir a sustentabilidade urbana e que devem remeter-se aos objetivos macro do desenvolvimento sustentável em qualquer das escalas consideradas (global, nacional ou local) são:

Redução da pressão sobre os recursos disponíveis, através da busca de equilíbrio dinâmico entre uma determinada população e sua base ecológico-territorial;

Aumento da responsabilidade ecológica, através de relações de interdependência

CAPÍTULO 2 DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE

entre os fenômenos e pelo princípio da co-responsabilidade de países, grupos e comunidades na gestão dos recursos e dos ecossistemas compartilhados como o ar, oceanos, florestas e bacias hidrográficas;

Busca da eficiência energética, com redução significativa nos níveis de consumo atual, e busca de fontes energéticas renováveis;

Desenvolvimento e utilização de tecnologias ambientalmente adequadas, alterando progressiva e significativamente os padrões atuais do setor produtivo;

Alteração dos padrões de consumo e diminuição significativa na produção de resíduos e no uso de bens ou materiais não-recicláveis;

Recuperação de áreas degradadas e reposição do estoque dos recursos estratégicos (água, solo, cobertura vegetal);

Manutenção da biodiversidade existente.

É necessário ainda estabelecer a descentralização das instâncias decisórias e de serviços, para o fortalecimento do local e incentivo da gestão comunitária, descarregando o setor governamental das responsabilidades de gestão urbana que a comunidade deseja assumir no que se refere ao desenvolvimento e à preservação do meio ambiente. No sentido de reorganizar o sistema de gestão, a Agenda 21 ainda determina os seguintes marcos de gestão urbana:

Incentivo ao surgimento de cidades menores, ou de assentamentos menores dentro das grandes cidades; preferência pelos pequenos projetos, de menor custo e de menor impacto ambiental; foco na ação local;

Incorporação da questão ambiental nas políticas setoriais urbanas (habitação, abastecimento, saneamento, ordenação do espaço), através da observância dos critérios ambientais que visam preservar recursos estratégicos (água, solo, cobertura vegetal) e proteger a saúde humana;

Integração das ações de gestão, visando à redução de custos e ampliação dos impactos positivos;

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Necessidade do planejamento estratégico, colocando restrições ao crescimento não-planejado ou desnecessário;

Descentralização das ações administrativas e dos recursos, com vistas às prioridades locais e combate à homogeneização dos padrões de gestão;

Incentivo à inovação e ao surgimento de soluções criativas;

Inclusão dos custos ambientais e sociais no orçamento e contabilidade dos projetos de infra-estrutura;

Indução de novos hábitos de moradia, transporte e consumo nas cidades (incentivo ao uso da bicicleta e de transportes não-poluentes; incentivo às hortas comunitárias, jardins e arborização com árvores frutíferas; edificações para uso comercial ou de moradia que evitem o uso intensivo de energia, utilizando materiais reciclados);

Fortalecimento da sociedade civil e dos canais de participação; incentivo e suporte à ação comunitária.

A Agenda 21 Brasileira levanta as principais questões intra-urbanas que afetam a sustentabilidade do desenvolvimento das nossas cidades. São elas: dificuldades no acesso à terra e déficit habitacional, com conseqüente aumento do espaço construído irregular e informal; deficiências nas questões sobre abastecimento e esgotos, resíduos sólidos, drenagem, saúde e saneamento ambiental; elevada taxa de motorização, com conseqüente aumento da poluição do ar; desemprego e precarização do emprego.

O documento ainda determina quatro estratégias prioritárias a serem implementadas nas cidades brasileiras, que estão associadas a um conjunto de diretrizes, propostas e ações:

Aperfeiçoar a regulação do solo e ocupação do solo urbano e promover o ordenamento do território, contribuindo para a melhoria das condições de vida da população, e promoção da eqüidade, eficiência e qualidade ambiental.

Promover o desenvolvimento institucional e fortalecimento da capacidade de

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planejamento e gestão democrática da cidade, através da efetiva participação da sociedade e incorporar no processo a dimensão ambiental.

Promover mudanças nos padrões de produção e consumo da cidade, através da redução de custos e desperdícios, e fomentar o desenvolvimento de tecnologias urbanas sustentáveis.

Desenvolver e estimular a aplicação de instrumentos econômicos no gerenciamento de recursos naturais, com vistas à sustentabilidade urbana.

A Agenda 21 Brasileira vem sendo aplicada nas cidades a partir da elaboração de diretrizes particulares locais, em nível municipal, através das chamadas agendas locais. Em Florianópolis, a Agenda 21 local dividiu o município em dez regiões. Optou-se pela

“regionalização do território do município com vistas a obter um estudo mais homogêneo, para alcançar uma maior participação da comunidade nas análises de seus problemas e na obtenção de soluções” (AGENDA 21 LOCAL, 2000:11).

O diagnóstico da região norte da Ilha, onde será implantado o Sapiens Parque, apontou principalmente o problema de ausência de infra-estrutura: sistema viário, energia elétrica, abastecimento de água e rede coletora de esgotos. Algumas dessas deficiências aliadas à ocupação irregular em área de preservação acarretam conseqüências ambientais graves, como a descaracterização da paisagem por ocupação das encostas e supressão das matas, poluição das águas superficiais e subterrâneas, erosão e abrasão marinhas e assoreamento de rios e córregos.

O diagnóstico aponta ainda deficiências no sistema de limpeza urbana, transporte público, educação, saúde e segurança, assim como carências de espaços de lazer. Dentre as diretrizes apontadas pela Agenda 21 Local para a promoção do desenvolvimento urbano sustentável na região norte da Ilha, destacamos as seguintes:

1. Recuperação ambiental das áreas degradadas, com o reflorestamento de morros, de matas ciliares, da orla litorânea; normatização e fiscalização das atividades de pesca nas águas da baía Norte; implantação de um programa de educação ambiental visando o conhecimento, a valorização e a importância de preservação de ecossistemas frágeis;

2. Projetos que visem a criação de empregos e geração de renda, tais como criação

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de cooperativas de separação do lixo reciclável; a organização das atividades de passeio e pesca com turistas; implantação de viveiros comunitários para a produção de mudas de vegetação nativa da Mata Atlântica; a implantação de sistema de fiscalização ambiental comunitária; a criação de núcleos da terceira idade para propiciar novas oportunidades produtivas e de lazer;

3. Recuperação e preservação de construções antigas, como as igrejas tradicionais da região norte, devem ser objetivos de toda a comunidade, dos envolvidos com a cultura, e também do setor turístico;

4. Implantação de rede coletora e de sistema de tratamento de esgoto nas comunidades da região norte e a conclusão da rede coletora de esgotos em Ingleses deve ser um esforço do poder público, com a participação da comunidade, do comércio e dos serviços.

5. Instalação de áreas de lazer, como praças, e de esportes, como quadras poliesportivas, em todas as comunidades.

De forma geral, podemos concluir que a Agenda 21 Local recomenda como diretrizes de desenvolvimento sustentável para o Norte da Ilha: a recuperação e preservação ambiental e arquitetônica, a implantação da infra-estrutura urbana necessária, a criação de emprego e renda através de cooperativas comunitárias e a instalação de áreas de lazer e esportes.

No documento 10 de março (páginas 72-76)