Discussão

No documento Análise do alinhamento estratégico no portfólio de P&D (páginas 39-44)

B.2 Documentos utilizados

2.4 Discussão

Ao analisar a literatura de gestão de portfólio, em particular o método dos baldes es- tratégicos, percebe-se que a maior parte dos trabalhos foca em uma ou no máximo duas dimensões para operacionalizar o método.

27 2.4. Discussão

Wheelwright and Clark (1992) e Kavadias and Chao (2008) consideram apenas a dimensão Tecnologia, que está associada ao risco do desenvolvimento das tecnologias. Vale ressaltar, no entanto, que Kavadias and Chao (2008) fazem uma análise do impacto da complexidade e estabilidade do ambiente externo nas decisões do portfólio, agregando mais essa dimensão na escolha dos baldes. Já Terwiesch and Ulrich (2009) consideram as dimensões Tecnologia e Mercado para a composição dos baldes. Cooper et al. (1997a,b) recomendam diversas formas de divisão de baldes, no entanto, não fornecem diretrizes para a sua escolha. A Tabela 2.2 mostra um resumo dessas observações.

Tabela 2.2: Resumo das Melhores Práticas de Métodos de Alinhamento Estratégico. Fonte: Elaboração Própria.

Trabalhos Dimensões Consideradas Wheelwright and Clark (1992) Tecnologia

Cooper et al. (1997b) Diversas

Kavadias and Chao (2008) Tecnologia e Ambiente Externo Terwiesch and Ulrich (2009) Tecnologia e Mercado

A abordagem proposta nessa pesquisa reúne aspectos de cada um desses trabalhos. Ela considera cinco dimensões, mais especificamente, Tecnologia, Mercado, Competências, Processos da Organização e Ambiente Externo. Dessa forma, uma das contribuições da estrutura proposta é a adição das dimensões Competências e Processos da Organização na análise de baldes estratégicos. Essa estrutura será apresentada no Capítulo 4.

Capítulo 3

Metodologia de Pesquisa

Nesse capítulo são descritos os passos realizados para o planejamento e desenvolvimento desta pesquisa. Devido à tipologia da pergunta de pesquisa deste trabalho, foi escolhida a metodologia de estudos de caso, tomando como principal referência o trabalho de Yin (2009).

A estrutura desse capítulo é organizada conforme o processo de desenvolvimento da pesquisa, que pode ser dividido em cinco etapas principais: (i) estudo de caso em profun- didade; (ii) primeira revisão da literatura; (iii) primeira rodada de estudos de caso; (iv) segunda revisão da literatura; e, (v) segunda rodada de estudos de caso.

3.1

Processo Geral do Desenvolvimento da Pesquisa

Escolher o projeto ideal para uma pesquisa é crítico para a confiabilidade de seus resulta- dos (Bono and McNamara, 2011). Por isso, é importante estabelecer uma correspondência entre o projeto de pesquisa e a pergunta de pesquisa. Assim, a metodologia escolhida deve ser capaz de responder à questão de interesse (Yin, 2009).

Neste trabalho, a pergunta de pesquisa é do tipo como estabelecer o conjunto de baldes estratégicos de forma a alinhar o portfólio de P&D à estratégia da empresa? Optou-se então pelo uso da metodologia de estudos de caso, pois esses são considerados ferramentas eficientes para se examinar perguntas de pesquisa do tipo "como" e "por que" (Yin, 2009). A metodologia de estudos de caso se baseia numa comparação contínua entre dados e

29 3.1. Processo Geral do Desenvolvimento da Pesquisa

teorias iniciais com os dados coletados. Ela enfatiza tanto a emergência de novas teorias a partir de evidências como também uma abordagem incremental à seleção de casos e reunião de dados (Eisenhardt, 1989; Voss et al., 2002).

O processo de planejamento e execução da pesquisa consistiu de vários ciclos de dedu- ção e indução de estudos de caso, promovendo uma interação entre teoria e prática. Esse processo consiste de cinco etapas, como mostra a Figura 3.1. Cada flecha corresponde à transição de uma etapa a outra e o resultado de cada uma dessas etapas foi representado por círculos enumerados.

Figura 3.1: Esquema Geral do Desenvolvimento da Pesquisa. Fonte: Elaboração Própria.

A primeira etapa corresponde ao estudo de caso em profundidade, que foi desenvolvido na empresa Natura durante todo o ano de 2012. Tal estudo foi a motivação inicial para estudar o problema da determinação do melhor conjunto de baldes estratégicos para uma empresa.

Na segunda etapa foi feita uma revisão da literatura de gestão de portfólio e de algumas áreas correlatas, que foram induzidas a partir do estudo de caso em profundidade na Natura. A partir desses trabalhos, foram levantados alguns fatores e dimensões que, a princípio, poderiam exercer alguma influência sobre o processo de alocação de recursos no portfólio. Esses elementos foram sumarizados em uma estrutura teórica que deu suporte à elaboração de um roteiro (vide Apêndice A), que serviu como guia para a realização

Capítulo 3. Metodologia de Pesquisa 30

de entrevistas semi-estruturadas com membros envolvidos na alocação de recursos nas empresas.

Na terceira etapa foram realizados estudos de caso em sete empresas, a saber: Na- tura, Vale, Petrobras, Nova Pontocom, Itaú, Fiat e Embraer. O protocolo de pesquisa se encontra no Apêndice deste documento (vide Apêndice B). Os dados foram coletados via entrevistas semi-estruturadas, além de outras fontes de dados secundários, que eram disponibilizados pelos entrevistados ou pelo website da empresa. Os resultados são apre- sentados no Capítulo 5 deste documento. Essa etapa fecha o primeiro ciclo de dedução, em que a teoria existente foi confrontada com a prática das empresas. As percepções sobre as práticas dessas empresas e os retornos recebidos após a apresentação desse trabalho em congressos e encontros, revelaram a necessidade de refinar a estrutura teórica sob a perspectiva de outras teorias - Processo de Tomada de Decisão Estratégica, Visão Base- ada em Recursos, dentre outras. Assim, iniciou-se o primeiro ciclo de indução, no qual se expandiu o recorte inicial da teoria de Portfólio, envolvendo uma teoria mais abrangente. Dessa forma, na quarta etapa foi feito um estudo dos trabalhos relacionados a essa teoria mais ampla e, além disso, os trabalhos analisados na segunda etapa foram revisados. Esses novos estudos, juntamente com as percepções dos casos, possibilitaram o refino da estrutura teórica proposta inicialmente. Uma das dimensões estratégicas foi alterada e o número de fatores-chave reduzido. Com isso se encerra o ciclo de indução e se inicia um novo ciclo de dedução, com o objetivo de avaliar a consistência da nova estrutura elaborada.

Na quinta etapa, as empresas foram novamente procuradas com o objetivo de validar a análise do seu processo de gestão de portfólio através da estrutura teórica proposta. Assim, fecha-se o segundo ciclo de dedução e inicia-se o último ciclo de indução, em que as percepções geradas pelos casos possibilitaram o lançamento de proposições teóricas.

Nas seções a seguir, cada uma das etapas é detalhada, bem como a literatura utilizada como referência.

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