• Nenhum resultado encontrado

DISCUSSÃO

No documento Download/Open (páginas 65-71)

Os dados epidemiológicos do câncer de cavidade oral, principalmente

nos países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e China, têm fornecido

tendências preocupantes, que alertam para a importância de se promover

maiores estudos relacionados a este tipo particular de câncer (AMIT et al.,

2013).

No presente estudo, os registros sociodemográficos e clínicos de 61

pacientes diagnosticados com carcinoma de cavidade oral foram analisados.

Os resultados demonstraram que pacientes portadores de CEC de cavidade

oral, apresentam uma sobrevida reduzida, com pouco menos de 50%, após um

período de 60 meses de seguimento. Contudo, quando as sobrevidas foram

calculadas entres os sexos, a curva relativa à população feminina se mostrou

20% superior à masculina.

A incidência desse tipo de câncer é cerca de três vezes maior entre os

homens, o que pode estar relacionado com os hábitos, principalmente o

tabagismo e os etilismos crônicos, mais comuns na população masculina e

principais fatores de risco associados à incidência de CEC de cavidade oral. É

importante ressaltar que alguns dos pacientes apresentavam nos registros de

seus prontuários médicos, o hábito de fumar uma grande quantidade de

cigarros por dia, por várias décadas. Os resultados deste trabalho

demonstraram que a incidência de câncer de cavidade oral em etilistas é cerca

de quatro vezes maior do que em pacientes não etilistas, apresentando valores

de 2,3/100.000 habitantes para etilistas e 0,5/100.000 habitantes para não

estilistas na população estudada. Tais resultados estão de acordo com os

de câncer de cavidade oral nove vezes maior em etilistas, quando comparados

a indivíduos não estilistas, na população latino-americana.

No presente trabalho, todas as taxas de sobrevida foram corrigidas e,

por isso, são denominadas taxas de sobrevida global, isso acontece devido ao

fato da informação, sobre a causa de morte dos pacientes, muitas vezes ser

incerta, não disponível e pouco confiável. Isso porque é difícil distinguir os

óbitos relacionados com a doença em estudo com aqueles relacionados à

toxicidade do tratamento ou a outras causas independentes, comuns em

doenças crônicas, como nas neoplasias. Por isso, é preferível considerar, na

análise das sobrevidas, os óbitos por todas as causas e corrigi-las utilizando a

sobrevida da população total a qual o grupo pertence. Assim, obtém-se a

sobrevida global, que é definida pela razão entre a sobrevida observada no

grupo de pacientes e aquela esperada em um grupo de pessoas da população

geral, sendo desta forma, uma estimativa de como seria a sobrevida do

paciente com câncer de cavidade oral, na ausência de outras causas de morte

(OLIVEIRA et al., 2007).

Dados da literatura revelam que os fatores de risco que estão mais

associados à mortalidade e, consequentemente, a baixa sobrevida dos

pacientes nos estágios terminais do câncer de cavidade oral e laringe, são, em

ordem de importância: presença de metástase à distância e gânglios

histologicamente afetados, sugerindo um risco duas vezes maior de recidiva

locorregional (CHAN et al., 2013).

No presente trabalho, foi observado o diagnóstico tardio da doença em

76% dos casos, o que afeta a sobrevida e a chance de cura do paciente. Desta

do câncer, na tentativa de diminuir a incidência de CEC de cavidade oral, além

de favorecer o seu diagnóstico nos estágios iniciais da doença, oferecendo

assim, uma maior chance de cura para o paciente.

Quanto aos fatores prognósticos estudados, 39,3% dos pacientes

apresentavam comprometimento de linfonodos regionais, 73,8% deles

apresentavam tumores em estádios III e IV, e 70,5% apresentavam grau

tumoral I e II. Tumores de tamanho maior que quatro centímetros e que

invadiam os tecidos adjacentes também foram os mais frequentes. A maioria

dos pacientes foi submetida a tratamento radioterápico (73,2%) e cirúrgico

(61,7%).No câncer de cavidade oral, os pacientes são submetidos a altas

doses de radioterapia em extensos campos de radiação que podem incluir a

cavidade bucal, maxila, mandíbula e glândulas salivares. Desta forma, a terapia

anticâncer está associada a reações adversas como, cáries, mucosite e

necrose de tecidos. O que leva a uma baixa adesão do tratamento e dificuldade

em se alimentar (SPTCHE, 2002).

Em 1998, a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC),

considerando as evidências disponíveis, observou uma relação entre o

consumo de álcool e o risco de desenvolvimento do câncer, principalmente de

fígado e do trato aerodigestivo (BROOKS, GOLDMAN e LI, 2009). Em 2007,

um grupo de trabalho, da mesma agência, considerando novas evidências,

encontrou forte associação entre variações genéticas que alteram o

metabolismo do álcool e o risco de desenvolver câncer, principalmente de

cavidade oral e de laringe (IARC, 2008).

Todos os achados demonstram que os genes polimórficos da ADH estão

relacionados ao consumo de álcool, e sugerem diferenças de frequências

genotípicas entre as populações (WEI et al., 2009).

Em nosso trabalho, os achados quanto à frequência genotípica se

mostraram semelhantes aos encontrados no estudo de Garcia (2010), que

também foi realizado com a população brasileira. Em ambos os estudos, foram

encontrados poucos casos com genótipo GA e uma grande quantidade de

indivíduos com genótipo GG. Contudo, em nosso estudo, a frequência do

genótipo AA foi maior que a encontrada no trabalho de Garcia, eito na

população brasileira, tanto para o grupo de casos, quanto para o grupo

controle. Além disso, no estudo de Garcia, foi encontrada associação entre o

genótipo AA e a diminuição do risco para câncer.

No entanto, é importante ressaltar que as amostras provenientes do

estudo de Garcia, foram extraídas de sangue periférico, o que diferenciou de

nosso estudo, que por uma questão ética e de acompanhamento restrospectivo

para análise de sobrevida, foram usadas amostras tumorais em blocos de

parafina.

Em nosso estudo, foi encontrado um percentual menor de heterozigotos

(genótipo GA), quando comparado a um outro trabalho (Garcia et al., 2010). As

frequências encontradas para o sítio -R48H, no presente trabalho, demonstram

que a populações estudadas, tanto nos casos de câncer de cavidade oral,

quanto nos controles provenientes de indivíduos saudáveis da população de

Goiânia, não se encontram no Equilíbrio de Hardy-Weinberg, sugerindo que

essas populações podem estar sofrendo pressão evolutiva, fluxo de migração

O Equilíbrio de Hardy-Weinberg (EHW) baseia-se em algumas

premissas, como cruzamentos aleatórios, ausência de mutação, migração,

deriva genética, seleção e tamanho infinito das populações. Quando algum

desvio é encontrado entre os valores observados de frequência em relação aos

valores esperados em equilíbrio, deve-se a algum tipo de violação dessas

premissas. Em nosso estudo, o alelo (GG) que confere maior risco ao

desenvolvimento de câncer de cavidade oral, se apresentou mais frequente

que o alelo de ação protetora (AA). Uma vez que o polimorfismo estudado

confere maior proteção para a carcinogênese induzida pelo álcool, espera-se

uma maior frequência desses polimorfismos no grupo controle em relação aos

pacientes com câncer de cavidade oral, bem como a melhor compreensão do

papel do gene ADH1B no metabolismo do álcool e na carcinogênese oral.

As relações existentes entre os polimorfismos e algumas doenças não

são fáceis de analisar. Podem estar ligadas a influência dos polimorfismos

sobre a expressão do gene ou de sua atuação de maneira epistásica com

outros genes situados no mesmo ou em outros cromossomos. Esta interação

poderia levar a formação de haplótipos que poderiam estar associados a

formas mais severas da doença.

Alguns haplótipos da ADH podem conferir proteção (ADH1B AA), como

também podem ser fator de risco (ADH1B GG), porém é importante ressaltar

que seu papel ainda não foi totalmente esclarecido. O que reforça a

necessidade de estudos para melhor compreensão da interação genes-fatores

ambientais e o desenvolvimento de doenças, assim como a utilização destes

polimorfismos de nucleotídeo único para determinar o grau de susceptibilidade

mudar suas escolhas e seu estilo de vida para evitar que o câncer se

desenvolva e como fator prognóstico para aqueles que já desenvolveram

No documento Download/Open (páginas 65-71)

Documentos relacionados