4 A ANÁLISE DA APLICAÇÃO DA SUBSTITUIÇÃO DE PENAS PARA O CRIME DO ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.33/
4.2 ANÁLISE DOS DADOS
4.2.10 Do índice de processos com substituição de pena
Aqui será analisado o índice de frequência em que ocorre a substituição nos processos de crime de tráfico de drogas na região.
Em gráficos, 19 e 20:
Gráfico 19 – Índice de substituição de pena nos processos sentenciados do crime de tráfico de drogas em que houve substituição de pena privativa de liberdade por restritivas de direitos em números
Dos 153 (cento e cinquenta e três) processos analisados, viu-se que em 28 (vinte e oito) - em um dos 28 (vinte e oito) processos tiveram dois réus beneficiados com a substituição - deles houve a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
Gráfico 20 – Índice de substituição de pena nos processos sentenciados do crime de tráfico de drogas em que houve substituição de pena privativa de liberdade por restritivas de direitos em percentuais
Fonte: Autor, 2018.
Isso significa que 18% dos processos de tráfico de drogas tiveram a pena substituída. Essa informação implica que, em média, a cada 5 (cinco) processos de tráfico de drogas, 1 (um) tem a pena substituída.
Importante ressaltar que os requisitos trazidos pelo artigo 33, § 4º, da Lei de Drogas exige que “o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas e nem integre organização criminosa”. Foi observado que a maioria dos réus que não receberam o benefício analisado pelo não preenchimento de um ou mais dos requisitos exigidos. Além disso, alguns réus não obtiveram a benesse, pois o cometimento do crime de tráfico de drogas ocorreu em concurso de outros crimes, e a pena somada ultrapassou os 4 (quatro) anos necessários para a substituição de penas.
5 CONCLUSÃO
Analisando os dados pesquisados, conforme o que foi demonstrado, é possível traçar o seguinte perfil dos réus condenados à penas restritivas de direitos pelo crime de tráfico de drogas nas comarcas de Tubarão, Capivari de Baixo e Braço do Norte entre janeiro de 2016 e dezembro de 2017:
- Homens: 93% - Solteiros: 59% - Empregados: 59%
- Idade entre 18 e 22 anos: 38% - Natural da região: 90%
- Ensino fundamental incompleto: 38% - Vendiam crack: 38%
- Pena diminuída em dois terços: 56%
- Aplicação de prestação de serviços à comunidade e limitação de fim de semana: 65%
Esses resultados foram obtidos através de pesquisa quantitativa, sendo os fatos baseados nos dados obtidos em análise dos autos de processos judiciais nas comarcas pesquisadas.
Levando em consideração os dados obtidos, é possível analisar que os réus são, de forma majoritária, homens jovens, com escolaridade não muito alta, a fim de complementar a renda mensal, traficantes de crack.
O que ocorre é que pequenos traficantes, desde que tenham circunstâncias penais favoráveis, são beneficiados com a substituição das penas, permanecendo, assim, em liberdade. Essa liberdade coloca em risco a segurança da sociedade, pois passa uma sensação de impunidade não só aos traficantes como à toda a população.
Além disso, esses pequenos traficantes podem seguir cometendo seus ilícitos, caso tenham a sorte de não serem abordados novamente. A presença de um indivíduo condenado por tráfico nas ruas sem qualquer tentativa de reeducá-lo é altamente perigosa à sociedade.
A rede do tráfico ilícito de drogas funciona como o sistema circulatório sanguíneo. Grandes traficantes funcionam como o coração e as artérias principais e mais grossas, mas é imprescindível o trabalho dos minúsculos vasos capilares para que o corpo todo receba o sangue. No tráfico, funciona da mesma forma, sem os pequenos traficantes para escoar pequenas quantidades de droga para dentro de universidades, escolas, rodas de amigos, entre
outros lugares que um grande traficante não consegue ter controle, o tráfico não seria tão bem sucedido. (BOTELHO, 2016).
Cria-se, portanto, um novo caminho para o tráfico. Sabendo da existência do benefício legal a réus que cumpram as exigências do parágrafo 4º, do artigo 33, da Lei de Drogas (BRASIL, 2006), os grandes traficantes podem focar no recrutamento de qualquer interessado que preencha os requisitos, pois mesmo em caso de condenação, não sofrerá a sanção mais severa da pena privativa de liberdade, o que pode funcionar muito bem como um incentivo para aquele indivíduo que passa por dificuldades financeiras ou aquele que quer ter um ganho superior às custas da destruição de inúmeras famílias.
Embora seja fruto de uma política criminal, devido ao excesso de indivíduos encarcerados e pela fragilidade do sistema carcerário, é possível observar que tal atitude coloca a sociedade em grande risco.
Os indivíduos analisados podem ter continuado sua vida no tráfico mesmo durante o cumprimento das penas, mantendo assim o vício de incontáveis usuários. A prisão, por mais radical que seja, ainda soa como um caminho melhor para punir e reeducar o indivíduo por ter cometido um crime tão grave, ocasionador direto ou indireto de diversos outros, invés de transmitir essa sensação de impunidade e colocar em risco o bem estar do cidadão.
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