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Nos termos do art. 78 do Decreto nº 8.058, de 2013, direito antidumping significa um montante em dinheiro igual ou inferior à margem de dumping apurada. De acordo com os §§ 1º e 2º do referido artigo, o direito antidumping a ser aplicado será inferior à margem de dumping sempre que um montante inferior a essa margem for suficiente para eliminar o dano à indústria doméstica causado por importações objeto de dumping, não podendo exceder a margem de dumping apurada na investigação.

Os cálculos desenvolvidos indicaram a existência de dumping nas exportações da Coreia do Sul e da China para o Brasil, conforme evidenciado nos itens 4.3.1.1, 4.3.2.1.3 e 4.3.2.2 desta Resolução e demonstrado a seguir:

Margem de Dumping

País Produtor/Exportador Margem de Dumping

Absoluta (US$/t)

Margem de Dumping Relativa (%)

Coreia do Sul Ugimag Korea 2.461,00 59,2

China

Hengdian Group 2.466,69 83,0

Sinomag Technology Chongqing

Lingda Magnetic Technology Co., Ltd. 3.382,60 104,7

Cabe então verificar se as margens de dumping apuradas foram inferiores à subcotação observada nas exportações de ímãs de ferrite em formato de segmento das empresas mencionadas para o Brasil, em P5. A subcotação é calculada com base na

comparação entre o preço médio de venda da indústria doméstica no mercado interno brasileiro e o preço CIF das operações de exportação de cada empresa, internado no mercado brasileiro.

No que se refere ao preço da indústria doméstica, uma vez que esse preço foi deprimido pelas importações objeto de dumping, conforme demonstrado anteriormente, foi necessário o ajuste do mesmo de forma a incluir margem de lucro razoável.

Uma vez que a Ugimag operou em prejuízo ao longo de todo o período investigado, realizou-se ajuste de forma que a margem operacional atingisse [CONFIDENCIAL]% do preço de venda no mercado interno em P5.

Esse percentual foi auferido com base na lucratividade média da indústria doméstica evidenciada durante o período analisado no processo de revisão do direito antidumping aplicado às importações brasileiras de ímãs de ferrite, em formato de anel da China, encerrado por meio da Resolução CAMEX nº 37, de 26 de maio de 2010, publicada no DOU em 27 de maio de 2010. Considerando se tratar de margem de lucro auferida em situação de não dano (que demonstrava a recuperação da indústria doméstica naquele caso após a aplicação do mencionado direito antidumping), referente à comercialização de produto da mesma categoria geral do produto ora investigado, por empresa que também fabrica o produto investigado, considerou-se adequada a utilização de tal margem de lucro para fins de ajuste do preço da indústria doméstica.

Como a Ugimag enfrentou prejuízos operacionais durante todo o período investigado, não havia nos autos do Processo MDIC/SECEX 52272.000892/2014-56informação que permitisse auferir um percentual que refletisse uma lucratividade considerada razoável para a indústria doméstica. Dessa forma, recorreu-se à prova emprestada do mencionado processo de revisão do direito antidumping imposto às importações brasileiras de ímãs em formato de anel da China.

O resultado foi convertido de reais para dólares dos EUA a partir da taxa de câmbio média observada no período P5 (R$ 2,16 = U$ 1), apurada com base nas cotações diárias obtidas no sítio eletrônico do Banco Central do Brasil. O preço médio ex fabricaajustado da indústria doméstica em P5, alcançou assim, US$ [CONFIDENCIAL] por tonelada.

Ressalte-se que o § 3º do art. 78 do Decreto nº 8.058, de 2013, dispõe que o direito antidumping a ser aplicado corresponderá necessariamente à margem de dumping no caso de produtores ou exportadores cuja margem de dumping tenha sido apurada com base na melhor informação disponível. Dessa forma, os cálculos abaixo evidenciados não foram realizados para as empresas Ugimag Korea, Sinomag Technology e Chongqing Lingda Magnetic Technology Co., Ltd., tendo em vista não ter havido colaboração por parte dessas empresas e em função de suas margens de dumping, para fins de determinação final, terem sido apuradas em tal condição, conforme exposto nos itens 4.3.1.1 e 4.3.2.2 desta Resolução.

Para o cálculo do preço internalizado do produto importado da Hengdian Group, foi considerado o preço médio de exportação na condição CIF (Cost, Insurance and Freight), a partir dos dados da RFB.

Ao preço médio do produto importado, na condição CIF, foram acrescidos:

a) o valor do imposto de importação efetivamente pago, obtido dos dados de importação da RFB, tendo sido utilizado o valor médio ponderado para empresa. Ressalte-se que os dados disponibilizados pela RFB, para tal rubrica, estão apresentados em reais. Para o cálculo acima explicitado, foi utilizada a taxa de câmbio diária de cada operação.

b) o valor do AFRMM, calculado aplicando-se o percentual de 25% sobre o valor do frete internacional quando marítimo obtido a partir dos dados de importação da RFB, e

c) despesas de internação apuradas aplicando-se o percentual de 4,82% obtido a partir das respostas dos importadores ao questionário enviado sobre o preço médio do produto importado, na condição CIF.

Foram comparados, a partir dessas informações, os preços médios da indústria doméstica, líquidos de impostos e frete, com o preço da Hengdian Group, na condição CIF, internado no mercado brasileiro. A subcotação apurada está apresentada na tabela a seguir:

Subcotação

China Hengdian Group

Preço CIF (US$/t) [CONFID]

Imposto de Importação (US$/t) [CONFID]

AFRMM (US$/t) [CONFID]

CIF Internado (US$/t) (A) [CONFID] Preço da Indústria Doméstica (US$/t)(B) [CONFID]

Subcotação (US$/t) (B-A) 1.987,45

Concluiu-se, a partir da tabela acima apresentada, que a margem de dumping apurada para a Hengdian Group, conforme evidenciado no item 4.3.2.1.3 foi superior à subcotação observada nas exportações da empresa mencionada para o Brasil, em P5.

9.1 Das manifestações sobre o cálculo do direito antidumping definitivo

A Hendgian Group solicitou, em manifestação protocolada em 28 de janeiro de 2015, no caso de eventual imposição de direito antidumping, que lhes fosse aplicado direito individual com base na margem de subcotação de preços, caso esta seja inferior à margem de dumping, a fim de se valer o princípio de que o direito antidumping deve ser suficiente para eliminar, neutralizar ou evitar o dano e de modo a se aplicar a menor intervenção estatal possível às relações comerciais.

De acordo com a Ssangyong, em manifestação protocolada em 28 de janeiro de 2015, o direito antidumping apurado para as empresas sul-coreanas conhecidas, mas não selecionadas, deveria ser reconsiderada, uma vez que se estaria violando o Decreto nº 8.058, de 2013, e o Acordo Antidumping que impedem que os direitos antidumping para essas empresas sejam calculados com base em margens de dumping zero ou de minimis, ou apurados a partir dos fatos disponíveis.

Neste sentido, segundo seus argumentos, uma vez que não tenha sido constatada prática de dumping pela Ssangyong, para fins de determinação preliminar, sua margem de dumping não poderia ter sido incluída nesse cálculo, por expressa determinação no § 3º do art. 80 do Decreto nº 8.058, de 2013: "o cálculo da margem de dumping a que faz referência o caput

não levará em conta margens de dumping zero ou de minimis". A empresa mencionou, ainda, os artigos 6.10 e 9.4 do Acordo

Antidumping:

Art. 9.4 "(...) entendido que as autoridades não levarão em conta, para o propósito deste parágrafo, margens zero ou de minimis ou ainda as margens estabelecidas nas circunstâncias a que faz referência o parágrafo 10 do Artigo 6".

Art. 6.10 "Por princípio geral, as autoridades deverão determinar a margem individual de dumping para cada exportador ou produtor singular conhecido do produto sob investigação. No caso em que o número de exportadores, produtores, importadores ou tipos de produtos sob investigação seja tão grande que torne impraticável tal determinação, as autoridades poderão limitar-se a examinar quer um número razoável de partes interessadas ou produtos, por meio de amostragem estatisticamente válida com base nas informações disponíveis às autoridades no momento da seleção, quer o maior percentual razoavelmente investigável do volume de exportações do país em questão".

A Ssangyong solicitou então que a decisão de incluir sua margem de dumping no cálculo do direito dos exportadores conhecidos e não selecionados fosse reconsiderada e ainda, que a autoridade investigadora brasileira "não postule sua

determinação final em parâmetros contra legem no cálculo final do direito dos demais exportadores conhecidos, mas não selecionados".

Acrescentou ainda que

"(...) na ocorrência de um cenário como o atual, no qual uma empresa selecionada detém uma margem de minimis e a

outra não foi colaborativa, a margem de dumping (sic) das empresas sul-coreanas não selecionadas deveria ser pautada na melhor informação disponível nos autos (...). Em termos práticos, para a presente investigação, a melhor informação disponível nos autos para a determinação da margem das empresas não selecionadas parece confluir para a margem de dumping sugerida pela peticionária em sua petição de abertura, simplesmente pelo fato de nenhuma outra parte ter refutado tal cálculo ou apresentado uma melhor alternativa. Já a margem decorrente da não participação da Ugimag Korea fica a critério do Departamento em aplicar a mesma margem sugerida pela peticionária ou impor adverse facts revisando a maior algum elemento da margem já que esta não foi colaborativa".

A Ssangyong citou trecho da decisão do Órgão de Apelação da OMC no caso US - Hot Rolled Steel, que teria reconhecido que o Acordo não determina como devem ser calculados os direitos a serem aplicados aos exportadores não selecionados, restringindo-se a estabelecer que não devem ultrapassar a média ponderada das margens individuais de dumping e a delimitar as situações cujas margens não podem participar desse cálculo:

"Article 9.4 does not prescribe any method that WTO Members must use to establish the 'all others' rate that is actually applied to exporters or producers that are not investigated. Rather, Article 9.4 simply identifies a maximum limit, or ceiling, which investigating authorities 'shall not exceed' in establishing an 'all other' rate. Sub-paragraph (i) of Article 9.4 states the general rule that the relevant ceiling is to be established by calculating a 'weighted average margin of dumping established' with respect to those exporters or producers who were investigated. However, the clause beginning with 'provided that', which follows this sub-paragraph, qualifies this general rule. This qualifying language mandates that, 'for the purpose of

this paragraph', investigating authorities 'shall disregard', first, zero and de minimis margins and, second, 'margins established under the circumstances referred to in paragraph 8 of Article 6.' Thus, in determining the amount of the ceiling for the 'all others' rate, Article 9.4 establishes two prohibitions. The first prevents investigating authorities from calculating the 'all other' ceiling using zero or de minimis margins; while the second precludes investigating authorities from calculating that ceiling using 'margins established under the circumstances referred to' in Article 6.8."

A Ssangyong mencionou também o primeiro parágrafo do Anexo II do Acordo Antidumping para destacar que não se deveria confundir a melhor informação disponível com adverse facts:

"Tão logo iniciada a investigação, as autoridades investigadoras deverão especificar pormenorizadamente as informações requeridas das partes envolvidas e a forma pela qual tal informação deverá estar estruturada pela parte interessada em sua resposta. As autoridades deverão igualmente certificar-se de que a parte tem consciência de que o não fornecimento da informação dentro de um prazo razoável permitirá às autoridades estabelecer determinações com base nos fatos disponíveis, entre eles os contidos na petição de início de investigação formulada pela indústria nacional".

A Ssangyong prosseguiu sugerindo um cenário em que a empresa porventura tivesse respondido ao questionário e algum dado não fosse devidamente comprovado na verificação in loco. Neste caso, segundo a exportadora, poderia também ser imputadoadverse facts à empresa, ocasionando, muitas vezes, margens de dumping ainda superiores às apuradas quando do início da investigação. Ainda, "em caso de adverse facts, do mesmo modo, o DECOM não poderia utilizar-se de tal

margem para compor a média ponderada a ser aplicada aos exportadores não selecionados, já que também seria uma margem apurada 'com base nos fatos disponíveis' (Artigo 6.10)".

Acrescentou ainda:

"Na presente investigação, para margem da Ugimag, escolheu-se utilizar as estimativas oferecidas na petição inicial,

masadverse facts poderiam ter sido utilizados ou outros parâmetros. Porém, não se deve confundir o raciocínio acima apresentado pensado que então a margem de dumping da Ugimag não poderia ser utilizada para se calcular a margem das empresas não selecionadas. A melhor informação disponível continua a ser aquela apresentada pela peticionária, já que é a única estimativa discutida durante a investigação para a Coreia do Sul, mesmo que, ao final, coincidente com a margem da Ugimag".

Para confirmar que a utilização da margem de dumping apurada ao início da investigação para fins de determinação do direito antidumping das empresas conhecidas e não selecionadas estaria em sintonia com a prática de outras autoridades investigadoras e no intuito de demonstrar como outra autoridade investigadora teria lidado na impossibilidade de calcular a média ponderada com as margens apuradas na investigação, a Ssangyong transcreveu trecho de julgado relativo à investigação antidumping norte-americana:

"Section 735(c)(5)(B) of the Act provides that, where the estimated weighted-average dumping margins established for all exporters and producers individually investigated are zero or de minimis margins, or are determined entirely under section 776 of the Act, the Department may use any reasonable method to establish the estimated 'all others' rate for exporters and producers not individually investigated. This provision contemplates that the Department may weight-average margins other than the zero, de minimis, of facts available margins to establish the 'all others rate'. When the data do not permit weight-averaging such other margins, the Statement of Administrative Action (SAA) provides that the Department may use any other reasonable methods. See the SAA accompanying the URAA, H.R. Rep. Nº 103-316 at 873 (1994). Because the petition contained only one estimated dumping margin, there are no additional estimated margins available with which to create the 'all others' rate. Therefore, we are using the initiation margin of 116 percent as the 'all others' rate".

Por fim, de acordo com a Ssangyong, num cenário com 3 empresas selecionadas e 4 não selecionadas, no caso de as 3 selecionadas não participarem nem oferecerem questionários tempestivamente, não causaria "estranhamento" impor-se a todas as empresas participantes uma margem de dumping estimada em dados apresentados pela peticionária. Dessa forma, questionou por que juízo contrário "deveria ser utilizado única e exclusivamente no caso de uma empresa receber uma

margem de minimis".

Nesse sentido, a Ssangyong requereu que, caso a situação da determinação preliminar se concretizasse novamente (de minimise empresa não colaborativa) quando da determinação final, fosse reconsiderado o fundamento para realização do cálculo do direito antidumping para os exportadores sul-coreanos conhecidos, mas não selecionados.

Em 3 de março de 2015, a Ssangyong reiterou os argumentos trazidos em manifestação protocolada em 28 de janeiro de 2015 acerca do direito antidumping a ser aplicado para as empresas coreanas conhecidas, mas não selecionadas.

De acordo com a Ssangyong, os dispositivos legais que regulamentam a forma com que se deve apurar os referidos direitos antidumping estariam sendo violados no caso do cálculo do direito das empresas sul-coreanas conhecidas e não selecionadas se basear em quaisquer dados da Ssangyong. Neste sentido, a empresa concluiu afirmando que "o Acordo

Antidumping e o Decreto brasileiro são claros em prescrever que no cálculo da margem média das empresas não-selecionadas não se pode levar em conta os dados daquela empresa que, ao final, receber uma margem de dumping zero ou de minimis".

Em 4 de março de 2015, a Hengdian Group reiterou a solicitação de se utilizar o menor direito entre a margem de dumping e a margem de subcotação caso se entenda pela necessidade de imposição de direito antidumping. Segundo seus argumentos, "(...) a imposição da margem maior implicaria na proteção excessiva ao produtor doméstico tendo como

consequência o fechamento de mercado, com ônus à cadeia de produção."

Além disso, tendo em vista sua participação ativa na investigação em foco, solicitou que lhe fosse concedido um tratamento diferenciado, com a determinação de margem individual de dumping.

A Supergauss, em manifestação protocolada em 4 de março de 2015, questionou a solicitação da Hengdian Group de que seu direito antidumping fosse definido com base na margem de subcotação de preços. Tendo em vista que a apuração do preço de exportação da empresa chinesa se baseou na melhor informação disponível, a Supergauss afirmou, nos termos do inciso I do § 3odo art 78 do Decreto no 8.058, de 2013, que o direito antidumping a ser aplicado às importações originárias da Hengdian Group deveria ter por base a margem de dumping apurada.

"§ 3ºO direito antidumpinga ser aplicado corresponderá necessariamente à margem de dumping nos seguintes casos: I - produtores ou exportadores cuja margem de dumpingfoi apurada com base na melhor informação disponível ou cujo direito antidumpingfor aplicado nos termos do art. 80; [...]".

Em manifestação de 4 de março de 2015, a empresa Denso da Amazônia solicitou que, caso se entenda pela aplicação do direito antidumping, que as margens sejam apuradas conforme a regra do menor direito.

9.2 Dos comentários acerca das manifestações

No que diz respeito ao pedido da Hengdian Group de aplicação da regra do menor direito, o pleito foi atendido, uma vez que a margem de dumping apurada desta empresa, conforme consta do item 4.3.2.1.3 deste Perecer, revelou-se superior à respectiva margem de subcotação de preços, apurada no item 8 desta Resolução, respeitando-se, dessa forma, os §§ 1º e 2º do art. 78 do Decreto nº 8.058, de 2013, que dispõem que o direito antidumping a ser aplicado será inferior à margem de dumping sempre que um montante inferior a essa margem for suficiente para eliminar o dano à indústria doméstica causado por importações objeto de dumping. Deve-se ressaltar que a melhor informação disponível, no caso da Hengdian Group, foi aplicada de forma parcial, tendo havido ampla colaboração da empresa na investigação.

Já no que se refere à manifestação da empresa SSangyong acerca do direito antidumping das empresas sul-coreanas conhecidas e não selecionadas, inicialmente, insta destacar que o Órgão de Apelação da OMC no caso US - Hot Rolled Steel indicou que o artigo 9.4 visa a prevenir os exportadores que não foram convidados a colaborar no inquérito de serem lesados por lacunas ou deficiências na informação fornecida pelos exportadores investigados.

Na situação em questão, desconsiderar as margens da empresa Ssangyong e Ugimag Korea implicaria prejudicar em demasia tais empresas não selecionadas. Ademais, trata-se de uma situação em que se configura uma lacuna do artigo 9.4 do Acordo, uma vez terem sido selecionadas somente as duas referidas empresas. Neste sentido, o Órgão de Apelação da OMC no caso US - Zeroingdestacou o seguinte:

"[T]he fact that all margins of dumping for the investigated exporters fall within one of the categories that Article 9.4 directs investigating authorities to disregard, for purposes of that paragraph, does not imply that the investigating authorities' discretion to apply duties on non-investigated exporters is unbounded. The lacuna that the Appellate Body recognized to exist in Article 9.4 is one of a specific method. Thus, the absence of guidance in Article 9.4 on what particular methodology to follow does not imply an absence of any obligation with respect to the 'all others' rate applicable to non-investigated exporters where all margins of dumping for the non-investigated exporters are either zero, de minimis, or based on facts available."

Dessa forma, a lacuna que o Órgão de Apelação reconheceu existir no artigo 9.4 não permite que a autoridade investigadora utilize de informações disponíveis no processo para prejudicar essas empresas que não foram instadas a apresentar respostas ao questionário do exportador. Por esta razão, considera-se a metodologia utilizada adequada, na medida em que impede que tais exportadores, que não foram convidados a colaborar, sejam prejudicados.

Além disso, deve-se destacar que o fato de uma outra autoridade investigadora estrangeira agir de determinada forma diante de reconhecida lacuna no Acordo Antidumping, não obriga ou estabelece a forma com que a autoridade investigadora brasileira deve agir.

A própria produtora/exportadora coreana reconhece que o artigo 9.4 estabelece que o direito antidumping apurado para as empresas exportadoras conhecidas e não selecionadas não pode ultrapassar a média da margem de dumping apurada para os exportadores selecionados. Entretanto, é notório que abaixo deste patamar, a determinação de eventual direito antidumping

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