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Art. 270. Este Código regula o processo de conhecimento (Livro I), de execução (Livro II), cautelar (Livro III) e os procedimentos especiais (Livro IV).

Referência Legislativa – CPC, arts. 1º a 565 (processo de conhecimento), 566 a 795 (processo de execução), 796 a 889 processo cautelar , procedimentos especiais 890 a 1.210.

Indicação Doutrinária – J. J. Calmon de Passos, A Ação no Direito Processual Civil Brasileiro, Salvador, 1960; Idem, Verbete "Ação", in Digesto de Processo,vol. I, Forense, 1980; Carnelutti, Instituciones del Nuevo Processo Civil Italiano, tradução de Jaime Guasp, p. 244 – sobre conceito de processo;

João Mendes, Direito Judiciário Brasileiro, p. 264 – "o processo é o movimento em sua forma intrínseca, enquanto o procedimento é esse mesmo movimento em sua forma extrínseca"; Amaral Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, vol. II, nº 350 – conceito de procedimento; Humberto Theodoro Júnior, Curso de D. Processual Civil, vol. I, nos333/4; Adroaldo Furtado Fabrício, Justificação Teórica dos Procedimentos Especiais; RF, 330/10.

Art. 271. Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em contrário deste Código ou de lei especial.

Breves Comentários – Os procedimentos especiais são disciplinados pelos arts. 890 a 1.210 do CPC.

Fora deste título, seguem também o rito procedimental especial, exemplificativamente, a liquidação de sentença (arts. 603 a 611 ), a insolvência (arts. 748 a 786 ), e as medidas cautelares específicas (arts. 813 a 899), dentre outros.

A ação de imissão de posse, que era de procedimento especial no Código anterior, continua a existir no regime atual, mas com procedimento ordinário ou sumário. Cabe, por exemplo, imissão de posse, em favor do promissário comprador, se o promitente vendedor se obrigou contratualmente a assegurar, desde logo, a posse do bem compromissado (RSTJ,29/416; RT,501/134, 506/98, 571/82). O mesmo ocorre, também, com a ação cominatória, que passou a seguir o rito comum, no sistema do Código de 1973.

Jurisprudência Selecionada – "Pertencendo a relação processual ao Direito Público, não podem as partes, nem o próprio juiz, desobedecer ao rito estabelecido na lei, sob pena de viciar o processo" (Ac. unân. da 3ª Câm. do TJBA de 19.08.1987, na Apel. nº 559/84, Rel. Des. Cícero Brito; Bahia For.30/170).

"Não constitui causa de nulidade do processo prefira a parte o procedimento ordinário ao sumaríssimo, se disso não advém ao adverso nenhum prejuízo"

(Ac. unân. da 3ª T. do STJ de 26.06.1990, no R.Esp. nº 2.834-SP, Rel. Min. Waldemar Zveiter; DJU, 27.08.1990, p. 8.322).

Art. 272. O procedimento comum é ordinário ou sumário.

Parágrafo único. O procedimento especial e o procedimento sumário regem-se pelas disposições que lhes são próprias, aplicando-se-lhes, subsidiariamente, as disposições gerais do procedimento ordinário (caput com a redação da Lei nº 8.952, de 13.12.1994; § único acrescentado pela mesma lei).

Referência Legislativa – CPC, arts. 274 (procedimento ordinário), 275 (procedimento sumário).

Breves Comentários – O dispositivo, que restringiu as espécies de procedimento a ordinário e sumário (Lei nº 8.95 2/94), transformando o sumaríssimo em subespécie do sumário, deverá ser interpretado, tendo em vista o sistema de reformulação adotado, que prevê não a reforma em bloco, mas setorizada, já aprovada a alteração dos arts. 275 a 281.

Indicação Doutrinária – J. J. Calmon de Passos, Das Nulidades no Processo Civil, p. 62; Pontes de Miranda, Comentários ao CPC, tomo III, Forense, Rio, 1996, ps. 529 e segs.; Humberto Theodoro Júnior, Curso de D. Procesual Civil, vol. I, nº 335; Calmon de Passos, Inovações no CPC, Forense, 1995, p. 107.

Jurisprudência Selecionada – "Não tem o autor disponibilidade de escolher o procedimento, ordinário ou sumário, a que está sujeito o julgamento de sua pretensão. No entanto, não configura nulidade a ação ter seguido rito impróprio, no caso o ordinário, se o processo chegou a seu termo sem oposição e sem prejuízo para o réu" (Ac. unân. da 2ª T. do TJDF de 12.09.1984, na Apel. nº 12.276, Rel. Des. Valtênio Mendes Cardoso; RDJ17/119).

Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:

I – haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou

II – fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu.

§ 1º Na decisão que antecipar a tutela, o juiz indicará, de modo claro e preciso, as razões do seu convencimento.

§ 2º Não se concederá a antecipação da tutela quando houver perigo de irreversibilidade do provimento antecipado.

§ 3º A execução da tutela antecipada observará, no que couber, o disposto nos incisos II e III do art. 588.

§ 4º A tutela antecipada poderá ser revogada ou modificada a qualquer tempo, em decisão fundamentada.

§ 5º Concedida ou não a antecipação da tutela, prosseguirá o processo até final julgamento (caput e incisos com a redação da Lei nº 8.952, de 13.12.1994; §§ acrescentados pela mesma lei).

Referência Legislativa – CPC, art. 6º; Lei do Inquilinato, art. 59; Lei nº 9.494, de 11.09.97 (tutela antecipada contra a Fazenda Pública).

Breves Comentários – Novidade em nosso direito, a antecipação de tutela introduziu, no CPC, os princípios da verossimilhança, da prova inequívoca e do perigo de irreversibilidade (a nova redação do art. 273 decorre da Lei nº 8.952, de 13.12.94).

Os incisos I e II cuidam das condições de concessão da medida, que não se confunde nem prejudica as tutelas cautelares, previstas nos arts. 796 a 889 do CPC.

Verossimilhança,em esforço propedêutico, que se quadre com o espírito do legislador, é a aparência de verdade, o razoável, alcançando, em interpretação lato sensu, o próprio fumus bonis iurise, principalmente, o periculum in mora.

Prova inquívocaé aquela clara, evidente, que apresenta grau de convencimento tal que a seu respeito não se possa levantar dúvida razoável, equivalendo, em última análise, à verossimilhança da alegação, mormente no tocante ao direito subjetivo que a parte queira preservar.

Assim, pode-se ter como verossímil o receio de dano grave que decorra de fato objetivamente demonstrável e não de simples receio subjetivo da parte. O

100 mesmo critério de verossomilhança aplica-se à aferição do abuso do direito de defesa. E como prova inequívocado direito requerente, deve-se ter aquela que lhe asseguraria sentença de mérito favorável, caso tivesse a causa de ser julgada no momento da apreciação do pedido de medida liminar autorizada pelo novo art. 273. Por se tratar de antecipação de tutela satisfativa da pretensão de mérito, exige-se, quanto ao direito subjetivo do litigante, prova mais robusta do que o mero fumus boni iurisdas medidas cautelares (não satisfativas).

O fundado receio de dano e o abuso do direito de defesa são requisitos alternativos e não cumulativos, para o efeito de concessão da liminar de tutela de mérito.

Por subordinar-se aos princípios da execução provisória, a antecipação de tutela não permite transferência de domínio do bem ligioso nem levantamento de dinheiro sem caução.

O pedido de antecipação de tutela poderá ser requerido com a inicial, ou, havendo comprovada necessidade, após a propositura da ação.

O perigo de irreversibilidade, previsto no § 2º, não será do provimento, mas das conseqüências do fato.

A tutela antecipada poderá ser revogada ou modificada, a qualquer tempo, desde que a pedido da parte.

Indicação Doutrinária – Calamandrei, Verdade e Verossimilhança no Processo Civil; Malatesta, A Lógica das Provas em Matéria Criminal; José Carlos Barbosa Moreira, Estudos sobre o Novo Código de Processo Civil, Liber Juris, 1974, ps. 23/24; Adroaldo Furtado Fabrício, Justificação Teórica dos Procedimentos Especiais, RF, 330/5; Luiz Paulo da Silva Araújo Filho, Considerações sobre algumas das Reformas do CPC, RF,330/201 e segs.; J.J.

Calmon de Passos, Inovações no CPC, Forense, 1995, ps. 5 e segs. e 107; Humberto Theodoro Júnior, As Inovações no Código de Processo Civil,Forense, 1995, ps. 11 e segs.; Cândido Rangel Dinamarco, A Reforma do Código de Processo Civil,Malheiros, 1995, ps. 138 e segs; Carlos Eduardo da Rosa da Fonseca Passos, "A Tutela Antecipada na Reforma do CPC'', RF, 333/433; Adroaldo Furtado Fabrício, Breves Anotações sobre os Provimentos Antecipatórios, Cautelares e Liminares, in "Estudos em Homenagem a Luiz Machado Guimarães'', 1ª ed., 1997, p. 26 – "Anotação cuja rememoração se faz oportuna é a de que no processo cautelar, mais do que em outros, abre-se margem à emissão de provimentos liminares. Processo particularmente impregnado da preocupação com a urgência abre espaço necessariamente maior à antecipação dos efeitos do provimento buscado, vale dizer, antecipação da cautela. É possível que essa realidade tenha contribuído para a tendência errônea a supor-se que toda liminar é cautelar, quando em realidade essas duas qualificações correspondem a diferentes critérios classificatórios... Se o juiz examina os requisitos do fumus bonis iuris e do periculum in mora, convencendo-se de sua presença, no primeiro daqueles momentos, deferirá a cautela em caráter liminar(e provisório). Se apenas ao final os constata, só então prestará a tutela no momento "normal'', como definitiva. A eficácia prática do provimento é a mesma em um e outro caso;

variam apenas o momento e a definitividade. dela se distingue pelas notas da provisoriedade e do adiantamento temporal em relação ao momento ordinário da prestação jurisdicional'';.J.E.S. Frias, "Tutela Antecipada em face da Fazenda Pública'', RT, 728/60; João Batista Lopes, "Antecipação de Tutela e o Art. 273 do CPC'', RT, 729/63; Luiz Gonzaga dos Santos, "Antecipação da Tutela'', RF, 334/471; Humberto Theodoro Júnior, "Tutela Antecipada", Gênesis, 4, jan, abr. 97, p. 40; RF, 337/85; RJ, 232/5; Carlos Alberto °lvaro de Oliveira, "Alcance e Natureza da Tutela Antecipatória", RP, 84/11; RF, 337/47; Fabrício Fontoura Bezerra, "Tutela Antecipada e a Sustação do Protesto", REM, nº 3, p. 69; Antônio Souza Prudente, "A Antecipação da Tutela na Sistemática do Código de Processo Civil", REM, nº 3, p. 103;Teori Albino Zavascki, "Antecipação da Tutela e Colisão de Direitos Fundamentais", RF, 339/ 175; Carlos Alberto °lvaro de Oliveira, Perfil Dogmático da Tutela de Urgência,RF, 342/13; Humberto Theodoro Jr., Tutela Antecipada e Tutela Cautelar, RF, 342/107, Reis Friede, Da Antecipação de Tutela Negativa (Tutela Antecipada em Favor do Réu), RF, 342/575; Rosalina Pinto da Costa, Tutela Antecipatória, RF,343/181; Luiz Guilherme Marinoni, "A Tutela Antecipatória nas Ações Declaratória e Constitutiva", Gênesis,4, jan.-abr. 97, p. 74; RF, 338/137; Adroaldo Furtado Fabrício, "Breves Notas sobre Provimentos Antecipatórios, Cautelares e Liminares", Inovações do CPC, p.

9; Teori Albino Zavascki, "Medidas Cautelares e Medidas Antecipatórias: Técnicas Diferentes, Função Constitucional Semelhante", Inovações do CPC, p.

23; Belizário Antônio de Lacerda, Antecipação da Tutela Sumária contra a Fazenda Pública, RF,338/43.

Jurisprudência Selecionada – "Antecipação da tutela. Fazenda Pública. 1. O instituto da antecipação da tutela (art. 273, CPC) deve ser homenageado pelo juiz quando os pressupostos essenciais exigidos para a sua concessão se tornarem presentes, mesmo que a parte requerida seja a Fazenda Pública.

2. A prova inequívoca é aquela a respeito da qual não mais se admite qualquer discussão. 3. Simples alegação feita por contribuinte de que recolheu contribuições previdenciárias, conforme DARF's apresentadas, não se constitui prova inequívoca enquanto não existir pronunciamento administrativo fiscal reconhecendo a liquidez e a certeza dos valores lançados ou pronunciamento judicial. 4. A simples demora na solução da demanda não pode, de modo genérico, ser considerada como caracterização da existência de fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, salvo em situações excepcionalíssimas. 5. A execução da tutela antecipada há de se fazer com base nos mesmos princípios legais reguladores para a execução provisória:

não se transfere o domínio do bem. 6. Tutela antecipada concedida para compensar contribuições previdenciárias que se revoga, face à ausência dos pressupostos fundamentais para que possa prosperar. 7. Recurso provido" (Ac. unân. da 1ª T. do STJ, no REsp. nº 113.368/PR, julgado em 07.04.1997 – Relator: Min. José Delgado; DJde 19.05.97, p. 20.593).

"Tutela antecipada. Execução. Intervenção judicial decretada em instituição financeira. Ilegalidade. Dentre os diversos meios colocados à disposição do interessado para obter o cumprimento da tutela antecipatória, não se acha a intervenção judicial em entidade bancária, mediante o afastamento de seu presidente. Agravo improvido" (Ac. unân. da 2ª Seção do STJ, no Ag. Reg. na Pet. nº 734/CE, julgado em 23.10.1996 – Relator: Min. Barros Monteiro;

DJde 25.11.96, p. 46.134).

"Na análise do requisito da existência de prova inequívoca do direito do pretendente à obtenção da tutela antecipada, como tal deve ser tida aquela que lhe asseguraria sentença de mérito favorável, caso fosse a causa julgada no momento de sua apreciação. Tutela antecipatória dos efeitos da sentença de mérito é providência que tem natureza jurídica lato sensu, com o objetivo de entregar ao autor, total ou parcialmente, a própria pretensão deduzida em juízo ou os seus efeitos. Na espécie, não há periculum in mora e a concessão da tutela é mais danosa ao réu que sua não concessão ao autor, caracterizando-se o periculum in morainverso" (Ac. unân. da 7ª Câm. Cív. do TA-MG, no AI nº 223.490-6, julgado em 17.10.1996 – Relator: Juiz Lauro Bracarense).

"Tutela antecipada. Fazenda Pública. I. O instituto da antecipação da tutela (art. 273, CPC) deve ser homenageado pelo Juiz quando os pressupostos essenciais exigidos para a sua concessão se tornarem presentes. II. Pronunciamento do Supremo Tribunal Federal na medida liminar da ação declaratória de constitucionalidade (ADC nº 4), em sessão plenária do dia 11.02.98, impedindo a aplicação da tutela antecipada contra a fazenda Pública. III. Agravo regimental improvido" (Ac. unân. da 1ª T. do STJ, no Ag. Reg. no AI nº 169.465/MG, julgado em 02.06.98 – Relator: Min. José Delgado; DJde 17.08.98, p.

45).

"Tutela antecipada. Só é possível a concessão da tutela antecipada se já for possível dar-se a tutela definitiva. Observe-se que, por esse instituto, há uma antecipação da tutela definitiva. A tutela antecipada não tem a mesma natureza da liminar. Se há fatos a serem provados, a tutela não pode ser antecipada porque a tutela definitiva ainda não é possível" (Ac. unân. da 3ª T. do TRF da 1ª Região, no AI nº 96.0156625-2-PI, julgado em 09.06.97 – Relator: Juiz Tourinho Neto; CJ,vol. 79, jan./fev. 98, p. 90).

"Tutela antecipada. Seguro. Plano de saúde. Caução.Antecipação de tutela. Concessão de liminar em ação intentada contra seguradora com vistas ao adiantamento de despesas médico-hospitalares. Inexigibilidade de caução. Inaplicabilidade do artigo 588, inciso II, do Código de Processo Civil.

Hipossuficiência da agravada, outrossim, que não implica a irreversibilidade da medida. Intelecção do artigo 273, § 2º, do Código de Processo Civil.

Decisão mantida. Recurso não provido. A experiência comum indica a circunstância do seguro-saúde principalmente agregar pessoas de classe média e de baixa renda, mais preocupados com os elevados custos médico-hospitalares e a proverbial deficiência dos serviços públicos do setor. Daí a falta de senso lógico-jurídico de privar o segurado da tutela imediata e salvadora ao argumento de insuficiência econômica ou impossibilidade de prestar caução.

A exigência indiscriminada de capacidade econômico-financeira e muita vez de caução em situações quejandas e pungentes conspira contra o acesso à Justiça" (Ac. unân. da 2ª CDP do TJ-SP, no AI nº 15.729-4, julgado em 03.09.96 – Relator: Des. Vasconcellos Pereira; Lex192/244).

"Antecipação de tutela. Deferimento liminar. Ainda que possível, em casos excepcionais, o deferimento liminar da tutela antecipada, não se dispensa o preenchimento dos requisitos legais, assim a "prova inequívoca", a "verossimilhança da alegação", o "fundado receio de dano irreparável", o "abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório", ademais da verificação da existência de "perigo de irreversibilidade do provimento antecipado", tudo em despacho fundamentado, de modo claro e preciso. O despacho que defere liminarmente a antecipação de tutela com apoio, apenas, na demonstração do fumus boni iuris e do periculum in mora, malfere a disciplina do art. 273 do CPC, à medida que deixa de lado os rigorosos requisitos impostos pelo legislador para a salutar inovação trazida pela Lei nº 8.952/94" (STJ, REsp. nº 131.853/SC, 3ª T., Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito,

101 ac. 05.12.97, in DJU, 08.02.99, p. 276).

"Antecipação de tutela. Sentença. Efeitos. Recursos. Execução. Nenhum óbice legal há a que, em uma mesma peça, profira o juiz a sentença e defira a tutela antecipada, que poderia ter concedido antes, mas que não o fizera por qualquer razão, inclusive eventual produção de provas apenas em audiência, ou melhor e mais acurada análise da prova somente quando da oportunidade do julgamento antecipado. Não seria evidentemente jurídico e justo negar-se a tutela antecipada, quando presentes seus pressupostos. Em uma mesma peça, proferida a sentença e deferida a tutela antecipada, há independência entre as duas ordens de decisão: a interlocutória, de antecipação da tutela, e a sentença, resolvendo o mérito. O fato de os provimentos constarem de uma mesma peça não iguala suas respectivas naturezas nem os sujeita aos mesmos efeitos. Cada qual desafia instrumento específico de impugnação, com efeitos próprios. Assim, da interlocutória de antecipação de tutela cabe agravo de instrumento, sem efeito suspensivo, que, se for o caso, pode ser concedido pelo relator; da sentença cabe apelação, com duplo efeito, se for o caso. Interposto recurso de apelação, corretamente recebido nos efeitos devolutivo e suspensivo, mas não interposto recurso de agravo da decisão interlocutória, o efeito suspensivo daquela não empolga esta. A decisão de antecipação de tutela, como lhe é inerente, reclama imediata execução, nos termos do art. 273, §§ 3º e 5º do CPC. Como os efeitos da apelação não podem abranger a decisão de antecipação de tutela, que desafiava, por sua específica natureza, agravo, não cabia aos ora agravantes agravar da decisão que recebeu, no duplo efeito, a apelação. O duplo efeito só envolve a sentença, não, repita-se, a decisão de antecipação de tutela. Agravo conhecido e provido para que tenha a decisão de antecipação de tutela imediato cumprimento, de acordo com os §§ 3º e 5º do art. 273, do CPC" (RF 344/372).

"Antecipação de tutela. Contrato bancário. Ação revisional. A antecipação de tutela foi deferida, tão-somente, para efeito de manter a empresa autora na posse dos equipamentos descritos no contrato em tela, até a sentença neste feito ou decisão diversa do juízo. Nessa hipótese, ao contrário do alegado pelo recorrente, não se tirou do réu a possibilidade do contraditório. Ante o adimplemento parcial do débito é pertinente a decisão que manteve a empresa na posse do bem" (STJ, Ag.Reg. no AI nº 198.739/RS, 3ª T., Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, ac. 14.12.98, in DJU 15.03.99, p. 223).

"Antecipação de tutela. Fundamentação da decisão. A decisão que antecipar a tutela haverá de mostrar que, além de presente um dos requisitos dos itens I e II do art. 273 do CPC, havia razões suficientes, baseadas em prova inequívoca, capazes de convencer da verossimilnaça da alegação. O não atendimento a essa exigência conduz à nulidade" (STJ, REsp. nº 162.700/MT, 3ª T., Rel. Min. Eduardo Ribeiro, ac. 02.04.98, in DJU 03.08.98, p. 235).

Capítulo II - Do Procedimento Ordinário Art. 274. O procedimento ordinário reger-se-á segundo as disposições dos Livros I e II deste Código.

Referência Legislativa – CPC, arts. 1º a 565 (processo de conhecimento), 566 a 795 (processo de execução).

Breves Comentários – O procedimento ordinário aplica-se, subsidiariamente, aos procedimentos especial e sumaríssimo, sendo utilizado também, quando omisso o CPC, no procedimento cautelar.

Excetuam-se da regra do art. 274 as causas sujeitas ao procedimento sumário (arts. 275 a 281), a homologação de sentença estrangeira (arts. 483 a 484), a ação rescisória (arts. 485 a 495) e os recursos para o STF e STJ (arts. 539 e 540).

Indicação Doutrinária – José Carlos Barbosa Moreira, "O Procedimento Ordinário no novo CPC", RT, 459/11; Moacyr Amaral Santos, "As Duas Primeira Fases do Procedimento Ordinário", RJTJSP24/13; RF243/22; Humberto Theodoro Júnior, Curso de D. Processual Civil, vol. I, nºs 337/342; Antônio Carlos Cavalcanti Maia, Do procedimento ordinário no novo CPC (RF 246/251); Athos Gusmão Carneiro, Observações sobre o novo CPC(Ajuris1/122); Clóvis Alberto D'Ac de Almeida, Da resposta do réu no procedimento ordinário (Just.129/75); Edson Prata, Providências preliminares no CPC(RBDP34/17); Jacy de Assis, Os procedimentos especiais na sistemática processual brasileira(RBDP4/91; RP 3/178); Jamil Lourenço, O procedimento ordinário: suas dúvidas e dificuldades (RAMPR10/205); José Taumaturgo da Rocha, Procedimento ordinário: alguns aspectos da demanda, da resposta, do saneamento (RP 22/169); Raymundo Candido, Ritos do processo divisório (RJMin 16/53); Roberto Rosas, Das providências preliminares no CPC (RCDUFU7-1/159;

RJLEMI 138/29; RP9/247); Roberto Rosas, Três estudos sobre o novo código de processo (Ajuris12/113); Roy Reis Friede, A imperatividade das normas de direito processual e a impossibilidade da conversão e/ou adaptação ex officio do rito comum ordinário em comum sumaríssimo (RF313/308); Teófilo Cavalcanti Filho, Procedimento ordinário, uma surpresa (RBDP6/221); Adroaldo Furtado Fabrício, Justificação Teórica dos Procedimentos Especiais, RF, 330/9.

Capítulo III - Do Procedimento Sumário (Capítulo e artigos com a redação da Lei nº 9.245, de 26.12.95) Art. 275. Observar-se-á o procedimento sumário:

I – nas causas, cujo valor não exceder 20 (vinte) vezes o maior salário mínimo vigente no País;

II – nas causas, qualquer que seja o valor:

a) de arrendamento rural e de parceria agrícola;

b) de cobrança ao condômino de quaisquer quantias devidas ao condomínio;

c) de ressarcimento por danos em prédio urbano ou rústico;

d) de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo de via terrestre;

e) de cobrança de seguro, relativamente aos danos causados em acidente de veículo, ressalvados os casos de processo de execução;

f) de cobrança de honorários dos profissionais liberais, ressalvado o disposto em legislação especial;

g) nos demais casos previstos em lei.

Parágrafo único. Este procedimento não será observado nas ações relativas ao estado e à capacidade das pessoas.

Referência Legislativa – CC, arts. 554 a 562, 569 a 571, 580 a 583, 586 e 690, 695 a 712, 1.248 a 1.255, 1.288 a 1.358; C. Com., arts. 99 a 118, 140 a 164, 165 a 190 e 280 a 286; Lei nº 4.591, de 16.12.64, art. 12, § 2º.

Breves Comentários – Exemplificativamente, o procedimento sumário se aplica:

a) à liquidação por artigos, quando a sentença condenatória houver sido proferida em ação de rito sumário (art. 609, com a redação de Lei nº 8.898, de 29.06.94);

b) às ações de acidente do trabalho (Lei nº 8.213, de 24.07.1991, arts. 19 a 23);

102

c) as ações discriminatórias (LAD, art. 20);

d) às ações decorrentes de indenização por responsabilidade civil em acidente de trânsito.

As causas sujeitas a procedimento sumário têm as seguintes características:

a) não interrompem seu curso durante as férias (art. 174, II);

b) não admitem reconvenção, por se tratar de ação dúplice (art. 278, § 1º);

c) os recursos admissíveis devem ser interpostos e impugnados no prazo comum de 15 dias, exceto agravo de instrumento e embargos de

c) os recursos admissíveis devem ser interpostos e impugnados no prazo comum de 15 dias, exceto agravo de instrumento e embargos de