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2 CONTEXTUALIZAÇÃO E METODOLOGIA

2.6 INSTRUMENTOS UTILIZADOS PARA O ESTUDO

2.6.1 Documentos

Ao definir o escopo da palavra documento, PHILLIPS (1984, apud id.) declara que documentos são "quaisquer materiais escritos que possam ser usados como fonte de informação sobre o comportamento humano". Eles incluem desde leis e regulamentos até livros e arquivos escolares, o que classifica as fontes de informação utilizadas na presente investigação como documentos, desde a revisão bibliográfica até os projetos dos livros didáticos. Nesta pesquisa os textos constituem material trabalho fundamental e têm função informativa semelhante à de dados coletados em uma experiência.Assim sendo, a revisão bibliográfica é aqui o ponto de partida, o que vale dizer que os textos consultados são documentos examinados em seu contexto e, subseqüentemente, analisados de acordo com a fundamentação teórica como um todo, ou seja, os textos da área de Lingüística Aplicada são analisados em relação à rede de significados na área propriamente dita e, posteriormente, verifica-se a relação que estabelecem com outras áreas, por exemplo, com a Psicologia da Aprendizagem. Além disso, ao utilizar os textos como centro de análise em busca de informação, este estudo faz uso da técnica de análise documental em conformidade com a definição de CAULEY (1981) de que "a análise documental busca identificar informações factuais nos documentos a partir de questões ou hipóteses de interesse" (apud LÜDKE &

ANDRÉ, 1986, p. 38).

Além do referencial de textos, o trabalho focaliza um outro tipo de documento que são os projetos15 como atividades que aparecem nos livros didáticos de inglês.

Diferentemente dos textos da revisão bibliográfica mencionados acima, os quais promovem a discussão-tópico desta pesquisa, os projetos em questão vêm incluídos nos livros didáticos como um produto pedagógico, não no sentido de artigo consumível, mas como um item que traz oculto um processo fundamentado na teoria pedagógica que o sustenta. A razão da escolha deste tipo de documento reside no fato de os projetos serem fontes riquíssimas para análise porque podem ser examinados enquanto meio no qual os pressupostos teóricos agem e interagem, bem como instrumentos cujo objetivo é a interação com o aprendente através do livro didático, sob intervenção do professor. Daí, o requisito de estar em livro didático utilizado na aula de inglês em escola regular pública e particular foi adotado como critério de escolha para esta pesquisa.

Os pressupostos podem ser diagnosticados em seus elementos constituintes através de uma análise dos projetos em dois níveis estruturais: sob a perspectiva de sua estrutura aparente que realiza o nível gráfico e lingüístico, que inclui os elementos morfosintáticos relativos ao conteúdo dos projetos; e a estrutura oculta, a qual sustenta os pressupostos teóricos subjacentes, ou seja, os princípios didático-pedagógicos, crenças e valores. Ao me referir à estrutura oculta, quero incluir elementos extralingüísticos a ela subjacentes. No meu entender, tais elementos dizem respeito a informação não-verbal, mas de igual importância dada a natureza de sua contribuição, a qual ressalta a influência de aspectos relativos ao contexto social e psicológico circundante. Isto equivale a dizer que há na interação com os projetos em sala de aula um nível de informação que se articula no contexto extra-verbal para usar a expressão utilizada por Mikhail Bakhtin (1895-1975), pensador russo contemporâneo de Vygotsky, que analisou as relações do homem com a linguagem e com a sociedade.

Para este autor, o contexto extraverbal é formado de três aspectos a saber: 1) o espaço comum aos interlocutores, 2) o conhecimento e compreensão da situação por parte destes interlocutores e 3) a sua avaliação da situação. Estes aspectos ratificam que os

15 Cf. Anexo 1 para exemplos destes projetos.

itens verbais são um aspecto da comunicação. No meu entender, o extralingüístico reflete as escolhas e entendimento decorrente das vozes dos interlocutores em sua diversidade, revelando variação resultante de fatores psico-afetivos e sociais.

Para que a análise ganhasse em argumentação sob os aspectos lingüístico, estrutural e extralingüísticos, a amostra incluiu vinte e cinco itens escolhidos de modo a contemplar as unidades de forma a ilustrá-las em um continuum temporal que fosse ilustrativo em relação à trajetória do termo diacronicamente, ou seja, desde que começou a ser usado nos livros didáticos de inglês até os dias de hoje. Convém mencionar que a referência completa de cada um destes projetos é feita nas Referências Bibliográficas e que, de modo geral, estes documentos estão disponíveis para consulta por serem amplamente conhecidos e usados, apesar somente dois dos vinte e cinco projetos estarem anexados.

A tipologia de Peter Woods (1986, apud PACHECO, 1995) foi usada como referência para classificar os documentos utilizados na presente pesquisa. Este autor classifica os documentos para pesquisa em dois grupos denominados de pessoais e oficiais, respectivamente. No primeiro inclui a informação provinda do registro de dados resultantes da observação sobre si mesmo, o que resulta de processo reflexivo e depende da subjetividade e da experiência pessoal. No segundo grupo estão os horários, atas de reunião, fichas de trabalho e exercícios, por exemplo. Segundo este modelo, o referencial teórico aqui apresentado é considerado como do tipo oficial, juntamente com os projetos enquanto atividades de livros didáticos, os quais se enquadram sob a categoria exercícios. Os questionários pela natureza das respostas esperadas pertencem ao grupo dos documentos pessoais, os quais adquirem papel de material bibliográfico importante pelo fato de funcionarem como registro reflexivo-crítico da atuação profissional do informante.