1.ª PARTE: CATEGORIAS DE ANÁLISE E QUADRO TEÓRICO
6 A Comunicação Educativa em Ambientes Educativos por Meio das Imagens de Satélite
6.2. Ecossistemas Comunicativos
6.2.1 Ecossistema Cognitivo e as TICs
A área da mediação tecnológica na educação compreende o uso das tecnologias da informação nos processos educativos. Trata-se de uma área que vem ganhando grande exposição devido à rápida evolução das descobertas tecnológicas e de sua aplicação ao ensino, tanto o presencial quanto o a distância. Nasce assim, um campo constituído por políticas de comunicação educativa, tendo por finalidade o planejamento, a criação e o desenvolvimento de ecossistemas cognitivos mediados por processos de comunicação e pelo uso das tecnologias da informação.
É de fundamental importância perceber o singular papel que os meios de comunicação podem exercer no mundo contemporâneo, tendo em vista a presença das tecnologias de informação, sobretudo a web. Para McLuhan (1976) a verdadeira mensagem de um meio são as mudanças por ele produzidas no contexto em que ele está inserido. Segundo o pensador canadense, as sociedades têm sido sempre mais
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modeladas pelo tipo de meios com os quais os seus cidadãos se comunicam que pelo conteúdo da comunicação. Os meios modificam o ambiente e, a partir desse momento, suscitam novas percepções sensoriais.
Como a função educativa da escola está em crise, sendo que um dos motivos é o fato de não ser a única fonte de conhecimento, é importante o professor estar preparado para apropriar-se também de outras fontes e dialogar com estas no processo educativo, como os recursos da internet e mídias digitais, assim como valores adquiridos através dos mecanismos informais de socialização.
É importante enfatizar o conceito de ecossistemas cognitivos para além das salas de aula, considerando todo ambiente como fonte de aprendizado. Um ecossistema cognitivo seria aquele capaz de abrigar de forma equilibrada as diversas fontes de conhecimento e socialização, reconhecendo e valorizando a interdependência entre sem que haja necessidade de suprimir ou superestimar nenhuma delas.
A educação enfrenta o desafio de preparar os jovens de acordo com os novos perfis requeridos pelo mundo do trabalho, mas também dotá-los de uma visão humanista e de vocação social. Diferentemente da educação bancária, preocupada em dotar os estudantes de um elevado estoque de conhecimento, a educação deve preocupar-se em desenvolver aptidões dinâmicas, que permitam ao aprendente lidar com o conhecimento como fluxo. É o aprender a aprender e a empreender (Freire,1996).
Ao trabalhador do futuro será requerido que tenha flexibilidade, criatividade, capacidade de lidar com a incerteza, iniciativa, perseverança e meios para o aprendizado permanente, vontade e habilidade de trabalhar em grupo, competência para lidar com a multiculturalidade e a internacionalização, além de um vasto espectro de competências genéricas. As redes, como a Internet, de características hipertextuais, propiciam o ecossistema cognitivo no qual o aprendente pode se inserir, interagir, construir, enfim, assumir a gestão de seus processos de aprendizagem. Esse ecossistema, que abrange tanto elementos orgânicos como artificiais, pode vir a representar a concretização dos ideais construtivistas (Martín-Barbero 2000).
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A pergunta, então, passará a ser pela capacidade dos professores em encontrar aplicações para essa tecnologia em seus cursos e metodologias de ensino. Outra questão é a localização da tecnologia na escola. Predomina ainda o modelo dos laboratórios de informática, ilhas disputadas a tapa por disciplinas “práticas” e vedadas às disciplinas que amargam o rótulo de “teóricas”. Esse modelo associa-se à gestão centralizada de recursos audiovisuais pelos famigerados setores de multimeios e similares.
O aparato tecnológico precisa estar cada vez mais inserido na sala de aula, permitindo ao professor criar situações novas e que despertem a curiosidade do aluno. O computador na escola não pode ficar ilhado, precisa estar integrado a todas as atividades. A tecnologia não se torna significativa para a vida dos aprendentes quando eles têm acesso a ela por apenas alguns minutos por semana. O novo ecossistema deve abranger conteúdo dinâmico e estimulante, suportado por próteses tecnológicas que facilitem e ampliem a capacidade dos aprendentes de coletar, analisar, apresentar e comunicar informação (Martín-Barbero 2000).
Está surgindo um novo ecossistema cognitivo no qual se integram seres humanos (agentes orgânicos) e agentes artificiais. A natureza dessa interação está cada vez mais íntima, evoluindo do uso instrumental dos agentes artificiais para simbioses entre aprendentes humanos e máquinas aprendentes. Será cada vez mais difícil distinguir as fronteiras entre artificial e orgânico. Diante de tal ambiente, os educadores serão progressivamente confrontados com a necessidade de incorporarem as possibilidades geradas pelo novo ecossistema cognitivo em sua didática, gerando caminhos de aprendizagem que passem pela hipertextualidade, pela capacidade de estabelecer conexões, pela criação de competências de pesquisa e que dispensem o uso da “memorização” ou métodos estritamente conteudistas.
Os educadores devem ser cada vez mais, artesãos de métodos e ambientes de aprendizagem dinâmicos, trabalhando em grupo com os estudantes, estimulando as suas sinapses e passando-lhes “genes camaleônicos”, que facilitem sua adaptabilidade. A ênfase do aprendizado recai sobre o grupo e cada estudante é levado a assumir um papel duplo de protagonista-coadjuvante. Os estudantes terão que assumir as rédeas de seu aprendizado, transpondo a ponte entre a passividade e a atividade, tornando-se sujeitos e não mais objetos no processo de ensino-aprendizagem (Baccega 2002).
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As escolas, por sua vez, para fazerem frente a esse desafio, terão que repensar profundamente suas decisões de investimento e políticas de alocação das TICs. O modelo de laboratórios-ilhas de informática está obsoleto. As TICs precisam fazer parte do cotidiano da sala de aula, como as carteiras, a lousa e o giz no passado. Os ambientes virtuais, as midiatecas, bibliotecas digitais, a rede, são elementos infraestruturas do ensino do futuro. Finalmente, as dimensões espaço e tempo do processo ensino- aprendizagem deixarão de ter relevância.
Aprender-se-á onde e quando convier, presencial ou remotamente, síncrona ou assincronamente.Segundo Assmann (2000), as TICs começaram a possibilitar parcerias inéditas com os seres humanos, indo além de meramente configurar, formatar ou enquadrar conjuntos complexos de informação, participando ativamente do processo que transforma dados em informação e informação em conhecimento.
Os meios de comunicação e as TICs, marcados pelas linguagens complexas, estão gerando novas formas de produção, circulação e recepção do conhecimento, fazendo com que os jovens vivenciem experiências de linguagens que vão muito além da tradição verbal. Essa evidência transforma a sala de aula em espaço cruzado por mensagens, signos e códigos que não se ajustam ou se limitam à tradição conteudística e enciclopédica que rege a educação tradicional.