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3 BASE CONCEITUAL

3.4 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O EDUCADOR

Pensar em Educação Ambiental é relacioná-la ao processo de ensino-aprendizagem no âmbito educativo. Tozoni-Reis (2007) analisa que é ―usá-la para uma mudança de comportamentos; voltada à sensibilização ambiental; centrada na ação; como transmissão de conhecimentos ecológicos; e como um processo de conscientização-política- transformadora‖. A partir da visão do autor, acredita-se que a inserção da Educação Ambiental no espaço escolar e fora dele deve ser uma maneira de incentivar os alunos a pensar criticamente sobre o espaço em que vivem e em suas transformações diante da demanda capitalista, onde quem dita às regras são os países que detém a maior parte da riqueza global. De um modo geral, quem sofre com as consequências desastrosas sobre o meio ambiente são os países menos desenvolvidos, estes procuram desenvolver maneiras de minimizar os problemas ambientais através de ações educativas e implantação de leis que protegem a natureza.

O papel do educador nesse processo se torna crucial à medida que está diretamente ligado com o despertar de uma consciência crítica e o desenvolvimento de habilidades e competências do aluno que poderá ser o agente transformador do seu espaço de convívio, podendo assim agir de maneira sustentável sobre o mesmo. Guimarães (2006) reflete que, no que se refere ao âmbito da educação ambiental na escola, as práticas educativas dos

professores centralizam ações para a resolução de problemas ambientais pontuais, no contexto em que a escola está inserida. Essa reflexão pode provocar a interpretação de que o objetivo do processo educativo é solucionar problemas, ao invés de criticar a sua origem. Nesse sentido, podemos dizer que o objetivo do processo educativo, em uma perspectiva crítica, é promover ações que visam à superação dos problemas ambientais por meio de um processo crítico e reflexivo sobre os fatores que determinam a organização da sociedade, objetivando sua transformação, e não resolver um problema pontual desvinculado de outros que eventualmente existem.

Reconhecer o seu próprio meio ambiente e os problemas que ele enfrenta, é o primeiro passo para propor medidas de superação desses. No presente estudo, o aluno, morador ribeirinho, precisa ter a noção que não deve tratar seu espaço igualmente a de um espaço de área urbana, pois existem diferenças fundamentais. Nas ilhas não existe coleta do lixo, os resíduos sólidos são queimados, que é a forma mais comum, despejado no rio ou solo. As consequências são danosas para a população que não consegue encontrar meios para solucionar a questão do acúmulo dos resíduos. De acordo com Reigota (1994, p. 261) podemos definir meio ambiente como:

Defino meio ambiente como: um lugar determinado e/ou percebido onde estão em relação dinâmica e em constante interação os aspectos naturais e sociais. Essas relações acarretam processos de criação cultural e tecnológica e processos históricos e políticos de transformações da natureza e da sociedade.

Nessa definição, o autor ressalta a importância de se reconhecer os elementos causadores da agressão ambiental que influencia na questão socioeconômica da população e finalmente em sua qualidade de vida, diante disso a comunidade busca alternativas menos danosas que passa pela responsabilidade de todos, principalmente do poder público. A EA como educação política, como define Reigota (1994) leva a sensibilização dos indivíduos de uma sociedade e a cidadania deve contemplar atividades e noções que contribuem para a prosperidade do meio ambiente. Por essa razão, é importante saber instruir os cidadãos de várias idades, através do espaço escolar ou em outros locais. O educador tem um papel bastante difícil e importante.

Educar não é uma tarefa fácil, porém o saber deve ser construído dia após dia pelo educador, para Abensur (2012), à medida que o ser humano estuda e compreende a sua realidade, toma parte nela, transforma-se e transforma a sua realidade. Ainda, que o ser humano construa o seu eu a partir dessa relação homem-natureza e homem-homem. A Educação é complexa, porém eficaz, nas palavras de Freire (1979, p. 27):

[...] o homem pode refletir sobre si mesmo e colocar-se num determinado momento, numa certa realidade: é um ser na busca constante de ser mais e, como pode fazer esta autorreflexão, pode descobrir-se como um ser inacabado, que está em constante busca. Eis aqui a raiz da educação

Entretanto, mesmo sabendo que é de muita importância mudar certos padrões de comportamentos, o educador não pode apenas ensinar uma Educação Ambiental que se limita ao controle daquele ou à proteção de espécies e ainda à motivação e sensibilização para a conservação da natureza, entre outras práticas que se pautam, apenas, na transmissão de informação e na mudança de comportamentos pontuais como já disse Tozoni-Reis (2007). Ele deve, acima de tudo, provocar uma reflexão crítica do aluno acerca de sua participação na sociedade e despertar nele a noção do que é ser cidadão e como ele pode exercer essa cidadania. No caso da problemática do presente trabalho, o intuito maior da aplicação da EA é o de provocar a mudança de comportamento das comunidades estudadas, sobretudo, fazê-las pensar e refletir criticamente sobre essas ações que passam por questões políticas e sociais. E o educador também precisa ter uma visão ampla da dimensão que a EA abrange para que possa compartilhar esse conhecimento com seus educandos, afim de que, como diz Guimarães (2006, p. 25) ―não adote uma visão ingênua por ser reduzida, sem perceber os conflitos que as relações de poder que engendram na realidade sócio-ambiental‖.

Quanto aos problemas relacionados ao manejo e descarte adequados dos resíduos sólidos em comunidades ribeirinhas do município de Abaetetuba, o que se espera é que a Educação Ambiental fuja das mesmices de um ensino meramente tradicional e consiga de fato ajudar a construir uma nova maneira de pensar e agir dos alunos e da comunidade como um todo através de prática sustentáveis em suas comunidades, despertando a necessidade de pensar maneiras de contenção ou minimização dos prejuízos causados pelas ações erradas. A Educação Ambiental ainda tem um longo caminho a percorrer na busca incansável da superação dos problemas causados pelo ser humano, fazendo-o criticar e refletir sobre suas ações sobre o meio que o cerca, para manter seu equilíbrio com a natureza, do qual depende para sua sobrevivência. Cabe a todos os indivíduos o papel da busca por essa relação harmoniosa e sem prejuízos futuros para ambos.

3.5

A QUALIDADE AMBIENTAL E A POLÍTICA AMBIENTAL DO