• Nenhum resultado encontrado

Como se pode observar na figura 34, ocorreu um ataque intenso de oídio, como o que se verificou na vinha em estudo, no ano de 2015, tendo como efeito uma desfolha precoce da videira. Esta desfolha precoce tem como consequência a falta de reserva de assimilados, e muito provavelmente o mau atempamento das varas para o ano seguinte. Estes efeitos negativos serão certamente sentidos, nomeadamente na redução do número de inflorescências (Gubler & Rumbolz, 2005).

O ataque de oídio pode ser minimizado se os tratamentos fitossanitários forem realizados após a libertação dos ascósporos, evitando-se que ocorra a infeção primária. Atuando de uma forma preventiva contra a doença. Segundo a bibliografia situa como sendo no estado fenológico de pré-floração (Gubler & Rumbolz, 2005). Os pequenos agricultores também poupam dinheiro com este processo, visto que, normalmente, só aplicam os fungicidas quando a doença surge na vinha, ou seja, tarde demais (Bugiani et al., 2011).

57

Ainda assim, uma alternativa ao uso tão frequente de fungicidas é optar por castas com menor sensibilidade a doenças como o míldio e o oídio, sem comprometer as qualidades enológicas do vinho resultante. Em Itália já existem vinhas plantadas com castas resistentes (Ayuso et al., 2016).

O uso de castas mais resistentes tem inúmeras vantagens, tais como, melhoria do meio ambiente, e incentivar a uma agricultura mais sustentável, pois existe menor emissão de CO2 e menor contaminação dos solos e da água com resíduos de pesticidas. Com a redução da compra de fungicidas, o custo de produção, para o viticultor, diminui (Ayuso et al., 2016).

58

Capítulo 5 – Conclusões

O trabalho apresentado sobre a sensibilidade de seis castas brancas importantes na RDD ao oídio foi desenvolvido fundamentalmente em 2015, e ainda em 2016. Neste último ano avaliou-se o comportamento das mesmas ao oídio, mas também ao míldio.

Em relação à incidência do oídio em 2015, nas folhas e nos cachos, verificou-se que na avaliação efetuada no estado fenológico bago de ervilha as castas mais sensíveis foram Cercial, Códega e Malvasia fina.

Na avaliação efetuada na maturação as castas mais sensíveis foram Cercial, Códega e Malvasia fina e ainda Esgana-cão e Viosinho.

A casta que em 2015 mostrou ser menos sensível, indicado pela incidência e severidade nas folhas e nos cachos, foi a Arinto.

De referir, contudo, que os tratamentos fitossanitários à Malvasia fina foram distintos.

Em relação ao oídio em 2016, verificou-se que na casta Malvasia fina ocorreram os valores mais elevados de incidência e severidade, tanto nos cachos como nas folhas.

No que diz respeito ao comportamento das castas ao míldio em 2016, na avaliação feita no estado fenológico maturação verificou-se que a maior incidência nos cachos e nas folhas ocorreu nas castas Cercial, Códega e Esgana-cão, e a menor nas castas Arinto e Malvasia fina. Contudo, os tratamentos fitossanitários na casta Malvasia fina foram distintos.

Os valores para o ano de 2016 são meramente indicativos.

É importante frisar que os agricultores da RDD devem ter mais atenção às castas Cercial, Códega, Esgana-cão e Malvasia fina, de forma não permitirem que a infeção primária do oídio se instale, devendo se iniciar os tratamentos mais cedo, nestas castas, dado que se mostraram ser mais sensíveis.

As infeções intensas de oídio ocorridas em 2015 nas modalidades sem tratamento, também tiveram como consequência a desfolha precoce das videiras, condicionando certamente a reserva de assimilados para o ciclo vegetativo seguinte.

É importante que este trabalho se prolongue por mais anos e com vários ensaios em localizações diferentes, dado que é fundamental os agricultores saberem qual a sensibilidade ao oídio e ao míldio das várias castas brancas que utilizam, de forma a poderem melhor posicionar os tratamentos fitossanitários e escolherem o local mais apropriado quando estão a definir novas plantações.

59

Referências Bibliográficas

Abade, E., Guerra, J., Pereira, C. & Sousa, M. 2007. Caracterização de Castas cultivadas na Região Vitivinícola de Trás-os-Montes, sub-regiões de Chaves, Planalto Mirandês e Valpaços. 1ª edição. Editora Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte.

Adrian, M., Bois, B., Daire, X., Heloir, M., Khiook, I., Schneider, C. & Trouvelot, S. 2013. Image analysis methods for assessment of H2O2 production and Plasmopara viticola development in

grapevine leaves: Application to the evaluation of resistance to downy mildew. Journal of Microbiological Methods 95: 235-244.

Aguiar, F., Andresen, T. & Curado, M. 2004. The Alto Douro Wine Region greenway. Landscape and Urban Planning 68: 289-303.

Almeida, C. 2011. História do Douro e do Vinho do Porto. Edições Afrontamento.

Almeida, L., Fonseca, E., Patinha, C., Reis, A., Silva, E. & Sousa, A. 2007. Assessing the geochemical inherent quality of natural soils in the Douro river basin for grapevine cultivation using data analysis and geostatistics. Geoderma 141: 370-383.

Alonso-Villaverde, V., Boso, S., Gago, P., Martínez, M. & Santiago, J. 2014. Susceptibility to downy mildew (Plasmopara viticola) of different Vitis varieties. Crop Protection 63: 26-35.

Alston, J., Fuller, K. & Sambucci, O. 2014. The value of powdery mildew resistance in grapes: Evidence from California. Wine Economics and Policy 3: 90-107.

Antunes, M., Bohm, J., Dias, J. & Lehmann, J. 2011. Atlas das Castas da Península Ibérica. 1ª edição. Edições Dinalivro.

Ayuso, J., Baeza, P., Blanco, J., Cibriain, F., Lissarrague, J., Peiro, E. & Villalba, P. 2016. Variedades de viña resistentes a mildiu-oídio: la apuesta por la sostenibilidad y el respeto medioambiental de VCR. Enoviticultura 41: 28-35.

Bacon, R., Carisse, O. & Lefebvre, A. 2009. Grape powdery mildew (Erysiphe necator) risk assessment based on airborne conidium concentration. Crop Protection 28: 1036-1044.

Bailey, D., Calonnec, A., Cartolaro, P., Langlais, M. & Naulin, J. 2008. A host-pathogen simulation model: powdery mildew of grapevine. Plant Pathology 57: 493-508.

Bankova, V., Batovska, D., Batovskis, S., Ivanova, I., Nedelcheva, D., Parushev, S., Popov, S. & Todorova, I. 2009. Biomarkers for the prediction of the resistance and susceptibility of grapevine leaves to downy mildew. Journal of Plant Physiology 166: 781-785.

Borghese, A., Calcante, A., Iriti, M., Marchi, M., Oberti, R. & Tirelli, P. 2014. Automatic detection of powdery mildew on grapevine leaves by image analysis: Optimal view-angle range to increase the sensitivity. Computers and Electronics in Agriculture 104: 1-8.

60

Brink, J., Calitz, F., Coertze, S., Fourie, P. & Zyl, S. 2010. The use of adjuvants to improve spray deposition and Botrytis cinerea control on Chardonnay grapevine leaves. Crop Protection 29: 58-67.

Buettner, A., Pinar, A., Rauhut, D. & Ruehl, E. 2016. Effects of Botrytis cinerea and Erysiphe necator fungi on the aroma character of grape must: a comparative approach. Food Chemistry 207: 251- 260.

Bugaret, Y., Oliveira, H., Sofia, J. & Rego, C. 2012. Manual Bayvitis: A Fitossanidade da videira. Editora Bayer CropScience.

Bugiani, R., Caffi, T., Giosue, S. & Rossi, V. 2008. A mechanistic model simulating primary infections of downy mildew in grapevine . Ecological Modelling 212: 480-491.

Bugiani, R., Caffi, T., Legler, S. & Rossi, V. 2011. A mechanistic model simulating ascosporic infections by Erysiphe necator, the powdery mildew fungus of grapevine. Plant Pathology 60: 522-531.

Cadle-Davidson, L., Dry, I., Gadoury, D., Milgroom, M., Seem, R., & Wilcox, W. 2012. Grapevine powdery mildew (Erysiphe necator): a fascinating system for the study of the biology, ecology and epidemiology of an obligate biotroph. Molecular Plant Pathology 13: 1-6.

Caffarra, A., Eccel, E., Ilaria, P., Rinaldi, M. & Rossi, V. 2012. Modelling the impact of climate change on the interaction between grapevine and its pests and pathogens: European grapevine moth and powdery mildew. Agriculture, Ecosystems & Environment 148: 89-101.

Caldas, J. & Rebelo, J. 2013. Portuguese wine ratings: An old product a new assessment. Wine Economics and Policy 2: 102-110.

Calonnec, A., Cartolaro, P., Darriet, P., Dubourdieu, D., & Poupot, C. 2004. Effects of Uncinula necator on the yield and quality of grapes (Vitis vinifera) and wine. Plant Pathology 53: 434- 445.

Calonnec, A., Cartolaro, P., Gary, C., Lolas-Caneo, M. & Valdés-Gómez, H. 2011. Powdery mildew development is positively influenced by grapevine vegetative growth induced by different soil management strategies. Crop Protection 30: 1168-1177.

Castro, R., Climaco, P., Cruz, A., Cunha, J., Eiras-Dias, J., Faustino, R., Fernandes, P. & Veloso, M. 2011. Catálogo das Castas para Vinho cultivadas em Portugal. Edições do Instituto da Vinha e do Vinho.

Cicco, V., Ippolito, A., Sanzani, S. & Schena, L. 2012. Early detection of Botrytis cinerea latent infections as a tool to improve postharvest quality of table grapes. Postharvest Biology and Technology 68: 64-71.

Cortez, I., Manso, J., Rosa, A., Silva, V. & Val, C. 2014. Eficacia del uso de diferentes fungicidas hasta pre-floración en control de Erysiphe necator, en la Región del Duero. Enoviticultura 29: 14-23.

61

Costa, A., Delgadillo, I., Legin, A., Rocha, S., Rudnitskaya, A. & Simões, T. 2007. Prediction of the Port wine age using an electronic tongue. Chemometrics and Intelligent Laboratory Systems 88: 125-131.

Costa, J. 2006. Míldio da Videira (Plasmopara viticola). Ficha Técnica 110.

Cruz, M. & Fernandes, T. 2016. Dimensions and outcomes of experience quality in tourism: The case of Port wine cellars. Journal of Retailing and Consumer Services 31: 371-379.

Cunha, M. & Oliveira, M. 2015. Study of the portuguese populations of powdery mildew fungus from diverse grapevine cultivars (Vitis vinifera). Journal International des sciences de la vigne et du vin 49: 83-90.

Dagostin, S., Pertot, I, Scharer, H. & Tamm, L. 2011. Are there alternatives to copper for controlling grapevine downy mildew in organic viticulture? Crop Protection 30: 776-788.

Deliere, L., Delmotte, F., Kassemeyer, H., Kozma, P., Mestre, P., Richart-Cervera, S., Rouxel, M. & Schneider, C. 2014. Rapid and multiregional adaptation to host partial resistance in a plant pathogenic oomycete: Evidence from European populations of Plasmopara viticola, the causal agent of grapevine downy mildew. Infection, Genetics and Evolution 27: 500-508.

Dias, D., Magalhães, I. & Neves, M. 2008. Viseu : Serviço Nacional de Avisos Agrícolas, 2008. Combate à podridão cinzenta comparando diferentes estratégias.

Duchêne, E., Merdinoglu D., Mestre, P. & Peressotti, E. 2011. A semi-automatic non-destructive method to quantify grapevine downy mildew sporulation. Journal of Microbiological Methods 84: 265-271.

Fernandes, I., Freitas, V., Mateus, N. & Oliveira, H. 2015. Ageing impact on the antioxidant and antiproliferative properties of Port wines. Food Reserach International 67: 199-205.

Gomes, L., Pinto, L. & Rebelo, J. 2015. Wine and cultural heritage. The experience of the Alto Douro Wine Region. Wine Economics and Policy 4: 78-87.

Gubler, W. & Rumbolz, J. 2005. Susceptibility of grapevine buds to infection by powdery mildew Erysiphe necator. Plant Pathology 54: 535-348.

Guedes, A. & Jiménez, M. 2015. Spatial patterns of cultural tourism in Portugal. Tourism Management Perspectives 16: 107-115.

INE. 2016. Estatísticas Agrícolas 2015 – Instituto Nacional de Estatísticas. Estatísticas oficiais editora. Jacometti, M., Walter, M. & Wratten, S. 2007. Understorey management increases grape quality, yield

and resistance to Botrytis cinerea. Agriculture, Ecosystems & Environment 122: 349-356. Jones, G. 2013. Uma Avaliação do Clima para a Região Demarcada do Douro: Uma análise das

condições climáticas do passado, presente e futuro para a produção de vinho. Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense.

Liang, C., Liu, C., Wang, D., Wang, P. & Zhao, K. 2013. Isolation of resistance gene analogs from grapevine resistant to downy mildew. Scientia Horticulturae 150: 326-333.

62

Magalhães, N. 2012. Manual de Boas Práticas Vitícolas na Região Demarcada do Douro. Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. Editora Opal Publicidade.

Magalhães, N. 2015. Tratado de Viticultura - A Videira, A Vinha e o "Terroir". 2ª edição. Editora Esfera Poética.

Marta, A., Massetti, L. & Orlandini, S. 2008. An agrometeorological approach for the simulation of Plasmopara viticola. Computers and Electronics in Agriculture 64: 149-161.

Mátyas, K., Kocsis, L., Taksonyi, P. & Taller, J. 2013. The effect of quinone outside inhibitor fungicides on powdery mildew in a grape vineyard in Hungary. Scientia Horticulturae 161: 233-238.

Merdinoglu, D., Mestre, P., & Piron, M. 2012. Identification of effector genes from the phytopathogenic oomycete Plasmopara viticola through the analysis of gene expression in germinated zoospores. Fungal Biology 116: 825-835.

Neto, E. 2008. O míldio da videira. Editora Estação de Avisos Agrícolas do Algarve.

Rosslenbroich, H. & Stuebler, D. 2000. Botrytis cinerea - history of chemical control and novel fungicides for its management. Crop Protection 19: 557-561.

Sotés, V. 2001. Bases écophysiologiques et choix techniques dans la gestion de l'eau dans les vignobles méditerranéens: Expérience de l'Espagne. Journée Professionnelle Gestion de L'Eau dans le Vignoble 18: 87-102.

Val, M. 2012. Cadernos técnicos da ADVID Caderno técnico nº5 - "Oídio da videira". Editora Associação para o Desenvolvimento da viticultura Duriense.

VCR, Vivai Cooperativi Rauscedo. 2014. Catálogo Geral das Castas e dos Clones de Uva de Vinho e de Mesa. Editora Vivai Cooperativi Rauscedo sca, Itália.

63

Webgrafia

Anónimo. 2008. Museu do Douro. http://www.museudodouro.pt/regiao-demarcada-do-douro (consultado em 9 de junho de 2016).

Bayer CropScience Portugal. 2009.

http://www.bayercropscience.pt/internet/problemas/problema.asp?id_problema=154 (consultado em 17 de agosto de 2016).

Club, P. 2015. White Varieties. https://portuguesewineclub.co.uk/explore/grapes/white-varieties/ (consultado em 22 de junho de 2016).

CropScience, Bayer. 2009. Bayer CropScience Portugal .

http://www.bayercropscience.pt/internet/problemas/problema.asp?id_problema=177 (consultado em 18 de agosto de 2016).

Infovini. 2016. http://www.infovini.com/classic/pagina.php?codPagina=65&flash=1 (consultado em 18 de junho de 2016).

IVDP. 2012. Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto. https://www.ivdp.pt (consultado em 19 de junho de 2016).

IVDP. 2016. Instituto dos Vinhos do Douro e Porto - Vinho do Douro. https://www.ivdp.pt/pagina.asp?codPag=45&codSeccao=6&idioma=0&codLei=115

(consultado em 21 de julho de 2016).

Ramos, J. 2016. Douro vendeu 500 milhões de euros de vinho. http://www.rtp.pt/noticias/economia/douro-vendeu-500-milhoes-de-euros-de-vinho_v917999 (consultado em 23 de junho de 2016). Syngenta. 2014. http://www3.syngenta.com/COUNTRY/PT/PT/CULTURAS/VINHA/PROBLEMAS/Pages/Mil dio.aspx e http://www3.syngenta.com/country/pt/pt/culturas/Vinha/Problemas/Pages/PodridaoCinzenta.asp x (consultado em 18 de agosto de 2016).

ANEXOS

Anexo 1 – Escala de OEPP (1981).

Anexo 2 – Estados fenológicos da videira – Escala de Baggiolini.

Documentos relacionados