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Os videoterminais produzem efeitos negativos sobre a saúde visual e ocular e o conjunto desses efeitos é denominado Síndrome da Visão do Computador; pesquisas sobre o tema têm sido publicados desde o início dos anos 80´s do século passado, ressaltando-se especialmente que a CVS foi considerada a

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doença ocupacional ‘número um’ do século vinte e que seus sintomas atingiram mais de 50% dos usuários do computador (BLEHM et al., 2004; NAMRATA e VANDANA, 2009; BLEHM et al., 2005; SÁ, 2010; WU et al., 2009; TAMEZ et al., 2003; OLIVEIRA, 1997; TAPTAGAPORN e SAITO, 1993; HEDMAN, 1988; CHEVALERAUD, 1984; MIRANDA; GARCÍA, 1989).

Os sintomas descritos como predominantes da Síndrome são o olho seco, o cansaço visual e a cefaleia (HEDMAN, 1988; BLAIS, 1999; ROSSIGNOL, 1987; WOLKOFF et al., 2005) e a diminuição significativa do tempo de ruptura do filme lacrimal e/ou produção lacrimal após a jornada de trabalho no computador (SCHAEFER, 2012; BLEHM et al., 2004; NAKAMURA et al., 2010; KAJ BO VEIERSTED, 2009; NAKAISHI; YAMADA, 1999; AGARWAL et al. 2013). Também foram enumerados os fatores de risco e algumas ações preventivas tais como uso de telas com imagem de alta qualidade, flexibilidade para personalizar o posto de trabalho e várias pausas curtas de descanso na jornada de trabalho (HEDMAN, 1988; SHEEDY et al., 2003).

O artigo “Trabalho em terminais de computadores. Exigências visuais: mito ou realidade”, publicado na França por Chevaleraud em 1984 nos indica que há mais de vinte anos as queixas dos usuários de computadores já estavam presentes e o autor questionou por que ao assistir televisão não se apresentavam sintomas astenópicos, concluindo que o esforço visual no trabalho era maior, pois com computador o trabalhador tem que estar mais concentrado, ler, escrever e dar atenção a mais detalhes que quando se assiste televisão por lazer; além disso desconhecia-se estudos sobre o uso da televisão e de patologias oculares. O autor considerou que existia um problema específico no trabalho com computadores, citando a sintomatologia frequentemente relatada pelos operadores de computador, como a ardência nos olhos, fadiga visual, espasmos musculares e as cefaleias, também citados por vários autores (BALI et al., 2007; ROSENFIELD, 2011; WIMALASUNDERA, 2009; HAYES et al., 2007; GANGAMMA et al., 2010). Enumerou as condições individuais que contraindicavam (total ou parcialmente) o trabalho em videoterminais, entre elas (1) A miopia corrigida ou não; (2) As hipermetropias e o astigmatismo baixos não corrigidos; (3) As

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anisometropias fortes; (4) A presbiopia; (5) A diplopia; (6). Os portadores de glaucoma; (7) As afasias monoculares; (8) As discromatopsias tipo dicromatismo; (9) A epilepsia; (10) As paralisias de convergência, entre outras. Concluiu que os exames oftalmológicos, a educação para o uso de videoterminais e as avaliações ergonômicas dos postos de trabalho eram de grande importância para prevenir patologias oculares associadas ao seu uso, também confirmados por outros autores mais recentemente (CHEVALERAUD, 1984; BREWER et al., 2006; PICCOLI et al., 1996; MONTALT e TORREGROSA, 1999; GUR et al., 1994; IZQUIERDO et al., 2007; HEMPHÄLÄ e EKLUND, 2012; FENETY e WALKER, 2002).

Em 1990, Yeow e Taylor acompanharam por dois anos uma amostra de 161 usuários e 65 não usuários de computador em um mesmo ambiente de trabalho, comparando a frequência de sintomas astenópicos; não encontraram diferenças significativas entre o grupo exposto e o grupo controle e assim concluíram que os VDT não eram um fator de risco para astenopia visual. Foi a única investigação em revisão que não apresentou associação entre as alterações visuais e o trabalho com o computador (YEOW e TAYLOR, 1990).

Nessa década o professor Bruno Picolli, chefe do serviço de Ergoftalmologia da Universidad de Milão na Itália realizou um estudo experimental com 14 voluntárias comparando a convergência, a acomodação, o estado refrativo, a quantidade de piscadas e os sintomas visuais e oculares, em duas sessões; na primeira sessão as voluntárias usaram o computador para suas atividades de escritório, e na segunda sessão elas realizaram atividade de escritório sem o computador; os resultados mostraram um número de sintomas e alterações visuais claramente superior na sessão 1 (71,4%) comparado com a sessão 2 (35,7%), o estado refrativo na segunda tarefa foi mais positivo, mostrando um ligeiro excesso de acomodação na primeira sessão, também tendência à exoforia e uma diminuição na convergência fusional após o trabalho com o computador (PICCOLI et al., 1996; MUTTI; ZADNIK, 1996).

Blehm em 2005, no trabalho intitulado “Síndrome da Visão do Computador: uma revisão” apresentou os sinais e sintomas desta síndrome (BLEHM et al.,

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CATEGORIA DO SINTOMA SINTOMA

Astenopia Cansaço Visual/ Olhos cansados/ Dor nos olhos

Superfície Ocular Secura Ocular/Olho irritado/Lacrimejamento

Visual Visão turva/ Enfoque lento/ Visão dupla/ Presbiopia

Extraoculares Dor no pescoço/Dor nas costas/Dor nos ombros

QUADRO 2SINTOM AS E CATEGORIAS DA SÍNDROME DA VISÃO DO COMPUTAD OR

Como vemos, os sinais e sintomas da Síndrome da Visão do Computador foram relatados na maioria das pesquisas que estudaram o sistema visual dos operadores de videoterminais.

Sete publicações encontradas ressaltaram a importância da luz e a iluminação sobre a visão e o rendimento visual no ambiente de trabalho. Lampi (1984) no artigo “Fontes de luz e iluminação no local de trabalho” observa que o sucesso na iluminação industrial, no escritório e em outros ambientes de trabalho depende de se considerar todos os fatores envolvidos, sendo essencial escolher fontes de luz adequadas para cada tipo de tarefa, itens também considerados por outros autores (LAMPI, 1984; ARONSSON et al., 2012; ANSHEL, 2007; BÉLAND e ANDRÉN, 2007), e escolhê-las corretamente, e não somente a intensidade de luz e sua composição satisfatórias para uma tarefa (CARLSSON et al., 1984). O brilho e o reflexos podem causar transtornos à visão dificultando o bom desempenho de tarefas com exigências visuais e para evitar os reflexos incômodos da tela reduz-se a velocidade de leitura (ARONSSON et al., 2012).

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ergonomicamente adequada para a tarefa, que podem causar dores no pescoço e nas costas. No projeto de iluminação do posto de trabalho devem-se levar em conta vários fatores incluindo desde a idade dos operários até a cor da luz, os reflexos causados por superfícies brilhantes (BREWER et al., 2006; LAMPI, 1984; SHEEDY et al., 2005).

Carlsson (1984) considerou que o excesso de brilho no ambiente de trabalho poderia prejudicar a visão de detalhes e a percepção de contraste, atrapalhando as atividades executadas (CARLSSON et al., 1984).

O ICOH tem uma proposta de vigilância ergoftalmológica preventiva periódica aos operadores de computadores, que incluem os aspectos citados a seguir (INTERNATIONAL COMMISSION ON OCCUPATIONAL HEALTH; SCIENTIFIC COMMITTEE ON WORK AND VISION, 2003).

VIGILÂNCIA ERGOFTALMOLÓGICA Anamnese

Ergoftalmológica

Avaliação dos sintomas e associações com o trabalho.

Exame clínico ocular Avaliação dos anexos do globo ocular.

Exame de refração Avaliação da refração para longe e para distâncias intermediárias.

Exame ortóptico Percepção simultânea. Fusão para perto e longe; Estereopsis para perto e longe. Forias laterais e verticais. Convergência e divergência.

QUADRO 3PASSOS DA VIGILÂNCIA ERGOFTALMOLÓGICA

A revista La Medicina del Lavoro publicou o artigo de um grupo de pesquisadores italianos onde também ressaltou a importância do monitoramento ambiental e a vigilância Ergoftalmológica dos que trabalham com computadores (“The relationship between work and vision in a preventive medicine context”, 1993).

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2.4.

DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DA SÍNDROME DA

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