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TÓPICO 2 - TIPOS DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

2.3 EFEITO TRIBUTÁRIO – LUCRO PRESUMIDO E LUCRO REAL

Deste item adiante serão desenvolvidos cálculos para análise do enquadramento da empresa para o lucro presumido e lucro real.

Começaremos por analisar o histórico referente ao ICMS, considerando:

• venda com alíquota de 12%;

• historicamente, suas compras representam 60% do valor de suas vendas. Apresenta-se o valor de R$ 849.269,46.

No Estado de Santa Catarina, a alíquota para a apuração do ICMS, tanto para vendas como para compras dentro do Estado é de 12%. Conforme Woelfer (2020), os Fornecedores e os Adquirentes devem estar atentos às novas regras, para correta emissão de seus documentos fiscais a partir de 01/03/2020. Esta mudança da alíquota do ICMS de 17% para 12% aplica-se na emissão dos documentos fiscais por contribuintes do Regime Normal de apuração do ICMS em relação ao ICMS da operação própria, cujo destaque é feito em campo próprio da respectiva NF. Também para as empresas do Simples Nacional, terá efeitos quanto à dedução do ICMS da operação própria a ser subtraído no cálculo da Substituição Tributária (ST), quando promover saídas de produtos sujeito ao regime da ST, na condição de Substituto Tributário.

Woelfer (2020) diz que como “efeito colateral” todos devem ficar atentos com relação ao preço que será praticado pelos devidos fornecedores do Regime Normal de Apuração, onde passam a ter uma carga de 12% e não mais 17% em relação ao ICMS.

Desta forma, entendemos que ele deve reduzir o seu preço de venda para compensar a redução do crédito de ICMS que o adquirente terá com valor menor. Inclusive, quando o adquirente for do Simples Nacional, entendemos caber este direito à redução do valor por parte de seu fornecedor. Já para as empresas do Simples Nacional na condição de fornecedor, não terá como reduzir o valor de venda, visto que a empresa paga o ICMS de acordo com a faixa em que se encontra nos moldes da LC 123/06. Assim, esta redução não terá efeitos nesta forma de tributação (Simples Nacional).

Esta alteração também não afeta a alíquota a ser aplicada no caso do cálculo do ICMS por ocasião do desembaraço de mercadoria, no momento da importação.

Dessa forma, temos as projeções do ICMS sobre vendas e sobre compras:

• Vendas R$ 1.920.000,00 x 12% = R$ 230.400,00

• Compras (60% das vendas) R$ 1.152.000,00 x 12% = R$ 138.240,00

• Valor do ICMS na compra = R$ 230.400,00 ( - ) Valor do ICMS na venda = R$ 138.240,00

• Valor do ICMS efetivo = $ 92.160,00

As informações extraídas da apuração anterior permitem identificar o valor do ICMS efetivo em R$ 92.160,00 pela subtração do valor do ICMS nas compras, pelo valor do ICMS nas vendas.

Agora temos condições de realizar a análise do PIS e da COFINS pelo regime tributário do LUCRO PRESUMIDO.

• Base de cálculo PIS Lucro Presumido: R$ 1.920.000,00

• Alíquota PIS Lucro Presumido: 0,65%

• Valor PIS Lucro Presumido: R$ 12.480,00

• Base de cálculo COFINS Lucro Presumido: R$ 1.920.000,00

• Alíquota COFINS Lucro Presumido: 3,00%

• Valor COFINS Lucro Presumido: R$ 57.600,00

Em seguida, deve-se apurar o IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – e a CSLL – Contribuição Social sobre Lucro Líquido – no enquadramento do Lucro Presumido.

Nesse caso, há a necessidade de apurar a base de cálculo do IRPJ e CSLL em:

• IRPJ 8%

• CSLL 12%.

Dessa forma, temos para o IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – os seguintes valores:

1º trimestre: Vendas R$ 445.396,50 x 8% = R$ 35.631,72 base de cálculo do IRPJ 2º trimestre: Vendas R$ 512.703,11 x 8% = R$ 41.016,25 base de cálculo do IRPJ 3º trimestre: Vendas R$ 519.897,90 x 8% = R$ 41.591,83 base de cálculo do IRPJ 4º trimestre: Vendas R$ 442.002,49 x 8% = R$ 35.360,20 base de cálculo do IRPJ Com a base de cálculo apurada, será necessário apurar a alíquota de 15% para identificar o IRPJ efetivo para a empresa enquadrada no regime tributário do Lucro Presumido.

É importante observar que a empresa não atingiu a base acumulada em R$

60.000,00 ao trimestre, desta forma, não haverá a incidência do adicional da alíquota de 10% no IRPJ.

1º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 35.631,72 x 15% = R$ 5.344,76 2º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 41.016,25 x 15% = R$ 6.152,44 3º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 41.591,83 x 15% = R$ 6.238,77 4º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 35.360,20 x 15% = R$ 5.304,03 Com isso, o valor total do IRPJ para a empresa no enquadramento tributário do Lucro Presumido é de R$ 23.040,00 (R$ 5.344,76 + R$ 6.152,44 + R$ 6.238,77 + R$

5.304,03).

A CSLL segue o mesmo padrão de cálculo, porém, a base de cálculo é de 12% e a alíquota é de 9%.

Dessa forma, temos para o IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – os seguintes valores:

1º trimestre: Vendas R$ 445.396,50 x 12% = R$ 53.447,58 base de cálculo da CSLL 2º trimestre: Vendas R$ 512.703,11 x 12% = R$ 61.524,37 base de cálculo da CSLL 3º trimestre: Vendas R$ 519.897,90 x 12% = R$ 62.387,75 base de cálculo da CSLL 4º trimestre: Vendas R$ 442.002,49 x 12% = R$ 53.040,30 base de cálculo da CSLL Com a base de cálculo apurada, será necessário apurar a alíquota de 9% para identificar a CSLL efetiva para a empresa enquadrada no regime tributário do Lucro Presumido.

1º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 53.447,58 x 9% = R$ 4.810,28 2º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 61.524,37 x 9% = R$ 5.537,19 3º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 62.387,75 x 9% = R$ 5.614,90 4º trimestre: Base de cálculo do IRPJ = R$ 53.040,30 x 9% = R$ 4.773,63 Com isso, o valor total do IRPJ para a empresa no enquadramento tributário do Lucro Presumido é de R$ 20.736,00 (R$ 4.810,28 + R$ 5.537,19 + R$ 5.614,90 + R$

4.773,63).

Em seguida, será realizada a análise da tributação pelo lucro real. Para isso, há a necessidade de separar algumas informações adicionais a título de exemplo para o cálculo:

» Estoque inicial de R$ 47.000,00.

» Estoque final de R$ 100.000,00.

» Custo com mão de obra de R$ 216.000,00.

» Custo com mão de obra referente Férias e 13º Salário de R$ 24.000,00.

» INSS empresa em 27,80% (20% mais os adicionais como INCRA, SESI, SENAI, SAT etc.) sobre salários e o 13º salário com o acréscimo de 1/3 das férias, o que irá perfazer o valor de INSS em R$ 66.720,00.

» FGTS de R$ 19.200,00.

» Matérias-primas/mercadorias/insumos de R$ 1.152.000,00.

» Outros custos e despesas de R$ 25.000,00.

» Depreciações e equipamentos de R$ 18.000,00.

» Pró-labore e serviços de terceiros pessoa física R$ 24.000,00.

» INSS sobre pró-labore e serviços de terceiros pessoa física de R$ 4.800,00.

» Despesas gerais e administrativas de R$ 24.000,00.

Importante é considerar a alíquota do PIS de 1,65% e da Cofins de 7,60% e aproveitar o crédito das compras para estes impostos.

Portanto, o PIS e a COFINS para a empresa enquadrada no regime tributário do Lucro Real é de R$ 19.008,00 de crédito nas compras para o PIS e R$ 87.552,00 de crédito nas compras para a COFINS.

Pelo exemplo apurado, o melhor regime tributário para o crédito dos valores nas compras é o Lucro Real, pois os valores dos créditos são superiores.

2.4 ANÁLISE DO EFEITO TRIBUTÁRIO – SIMPLES NACIONAL,