Efeitos da COVID-19 na economia

No documento Impactos da COVID-19 na demanda média de Gasolina C no Brasil (páginas 66-71)

6. O que é a doença COVID-19

6.1. Efeitos da COVID-19 na economia

auxilia na tomada de medidas mais adequadas para cada local. O distanciamento social permite a adoção de protocolos que regulam a distância entre pessoas e auxilia na interação segura entre as mesmas em locais públicos. Por fim, o uso correto e massivo de máscara, reduz a emissão de vírus por meio de gotículas de saliva lançadas ao tossir, espirrar ou até mesmo falar, além de reduzir a probabilidade e o grau de contaminação do usuário do equipamento de proteção individual (ACENDE BRASIL, 2020).

6.1. EFEITOS DA COVID-19 NA ECONOMIA

Essas mudanças dos hábitos de vida impactaram o mercado de trabalho provocando o aumento do desemprego, a redução das vendas no comércio e a redução do consumo em diversos setores da economia mundial. Na China, a produção industrial teve queda de 13,5%, as vendas de varejo de 21%, as vendas de carros de 92%, bares e restaurantes de 95% durante o primeiro trimestre de 2020. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Brasil, a estimativa para o segundo trimestre de 2020 é de queda na indústria de 13,8%, nos serviços de 10,1% e no consumo das famílias de 11,2% (FMI,2020; IPEA, 2020).

Diante da pandemia de Covid-19 enfrentada em 2020, na análise feita no relatório das perspectivas econômicas mundiais de junho de 2020 pelo Fundo Monetário Internacional, o Produto Interno Bruto (PIB) global deve recuar 4,9% em 2020, 1,9% a mais que a previsão de abril que apresentava recuo de 3% para o ano, aproximando-se do recuo observado para 2020 que foi de 4,1% em relação ao ano anterior. O relatório também aponta que o PIB global deve avançar 5,4% em 2021, 0,4% a menor que a previsão de abril que apresentava avanço de 5,8%. A pandemia do COVID-19 teve um impacto mais negativo na atividade no primeiro semestre de 2020 do que o previsto, e a recuperação será mais gradual do que o previsto pelo FMI em abril. De acordo com o FMI em relatório “Pela primeira vez, projeta-se que todas as regiões experimentem um desempenho negativo do PIB em 2020. No entanto, existem diferenças substanciais entre as economias, refletindo a evolução da pandemia e a eficácia das estratégias de contenção” (FMI, 2020).

O relatório de pesquisas econômicas mundiais de junho de 2020 do FMI prevê em 2020 para as economias avançadas um recuo de 8% e para as economias emergentes um recuo de 3%, enquanto no relatório do FMI de abril a retração era de

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6,1% e 1%, respectivamente. O relatório também prevê em 2021 para as economias avançadas o crescimento de 4,8% e para as economias emergentes 5,9%, enquanto no relatório do FMI de abril o crescimento era de 4,5% e 6,6%, respectivamente (FMI, 2020).

O gráfico 22 mostra, de acordo com o relatório de perspectivas econômicas de junho de 2020, o crescimento econômico de 2019 e as projeções econômicas globais para 2020 e 2021. De acordo com os dados projetados no gráfico, as economias avançadas terão o maior recuo econômico pela crise de saúde de 2020 e o menor crescimento econômico em 2021, enquanto as economias emergentes e em desenvolvimento terão o menor recuo no crescimento econômico em 2020 e o maior crescimento em 2021 ainda que 0,7% menor que a previsão para o crescimento econômico de 2021 do relatório de abril de 2020 (FMI, 2020).

Gráfico 22 - Projeção econômica global devido aos impactos da Covid-19 junho de 2020.

Fonte: Elaboração própria, FMI, 2020.

De acordo com o relatório de perspectivas econômicas mundiais do FMI de junho de 2020, a previsão de crescimento econômica para o Brasil é de -9,1% em 2020 e de 3,6% em 2021, enquanto no relatório de abril a previsão era de -5,2% e 2,9%, respectivamente. A Itália, os Estados Unidos e a França, países de economia avançada fortemente impactados pela pandemia, possuem previsão de queda na economia em 2020 de -12,8%, -8% e -12,5% e crescimento econômico em 2021 de 6,3%, 4,5% e 7,3%, respectivamente. O México e África do Sul, países emergentes e em desenvolvimento, possuem previsão de queda acentuada na economia em 2020 de -10,5% e -8%, além de previsão de crescimento econômico em 2021 de 3,3% e 3,5%, respectivamente (FMI, 2020).

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A China, primeiro país a enfrentar a Covid-19, apresentou recuperação econômica ainda no primeiro semestre de 2020 e foi um dos poucos países com previsão de crescimento econômico em 2020 de 1% ainda segundo o relatório de junho do FMI, 0,2% a menor do que o previsto no relatório de abril que apresentava crescimento de 1,2% para o mesmo ano. A previsão de crescimento econômica para a China em 2021 foi de 8,2%, menor do que o previsto em abril de 9,2%, porém ainda continua sendo um dos países com maior previsão de crescimento econômico em 2021 (FMI, 2020).

O relatório de perspectivas econômicas de junho do FMI prevê, de modo geral, impactos no crescimento econômico ainda maiores que os previstos em abril e recuperações ainda mais lentas, esse comportamento depende do avanço da doença no mundo e das medidas adotadas pelos países para enfrentar à pandemia e amenizar os efeitos na economia nos meses seguintes aos relatórios (FMI, 2020).

Segundo o economista chefe do Fundo Monetário Internacional Gita Gopinath, “a pandemia levou as economias para um grande lockdown13, o que ajudou conter o vírus, mas também desencadeou a pior recessão desde a Grande Depressão” (FMI, 2020a).

6.1.1. Efeitos da COVID-19 na economia do Brasil

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou em 2020 queda de 4,1%. Esse é o primeiro ano de recessão da última década. O gráfico 23 mostra as recessões do PIB brasileiro desde 1900 até as previsões de 2020 (FMI, 2020a; GERELLI, 2020).

13 Lockdown: é uma expressão em inglês que significa confinamento ou fechamento total (FMI, 2020a).

69 Gráfico 23 - Recessão do PIB do Brasil.

Fonte: Fundo Monetário Internacional, Gerbelli, 2020.

Essa retração interrompeu o crescimento dos últimos 3 anos em que o PIB brasileiro acumulou alta de 4,6% de 2017 a 2019. Nessa década, entre 2011 e 2020, de acordo com o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) do Instituto Brasileiro de Educação (IBRAE), o Brasil também passou por recessão profunda entre 2014 e 2016 provocada pela crise econômica de 2009, após esse período de recessão o país teve uma lenta retomada nos anos seguintes. O gráfico 24 mostra a média do PIB brasileiro por décadas, a partir dele é possível perceber que o PIB de 1971 a 1980 foi o maior dos últimos 120 anos e que entre 1981 e 2010 o Brasil apresentou um crescimento gradual do PIB por décadas (FMI, 2020a; GERBELLI, 2020; IBRAE, 2020). -0,5 -3,2 -1,3 -2 -2,1 -3,3 -1 -2,7 -4,3 -2,9 -0,1 -4,4 -0,5 -0,1 -3,5 -3,3 -4,1 1902 1908 1914 1918 1930 1931 1940 1942 1981 1983 1988 1990 1992 2009 2015 2016 2020

70 Gráfico 24 - PIB Brasil por década 1901-2020.

Fonte: FMI, Balassiano, 2020.

O relatório de perspectivas econômicas de junho de 2020 mostra que mesmo com a previsão de recessão global de 4,9% para 2020, para a década de 2011 a 2020 a previsão do PIB mundial é de crescimento de 2,7% e para grande parte dos países é de PIB positivo, com destaque para o PIB da China e da Índia que prevê crescimento de 6,7% e 5,4%, respectivamente. O gráfico 25 mostra o PIB de países selecionados na década 2011 a 2020 previsto para vários países e analisado para o Brasil (FMI, 2020).

Gráfico 25 - PIB Países selecionados entre 2011-2020.

Fonte: FMI, Balassiano, 2020.

4,2 4 4,5 4,4 5,9 7,4 6,2 8,6 1,6 2,6 3,7 0,3 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

PIB Brasileiro por Década (%)

0,5 0,3 2,3 6,7 3 5,4 1 2,7 4 3,2 0,8 0 1 2 3 4 5 6 7 8

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De acordo com o Fundo Monetário Internacional a recuperação econômica será lenta e parcial. O FMI estima que as medidas fiscais globais para atender os gastos com saúde pública terão maior gasto do que o esperado em abril de 8 trilhões, podendo chegar a 10 trilhões, além disso, a dívida bruta será de 101,5% do PIB mundial e 102,3% no Brasil em 2020. De acordo com o Boletim do IBRAE, apenas em 2022 o PIB mundial voltaria ao nível de 2019 (FMI, 2020a; INFOMONEY, 2020; IBRAE, 2020).

No documento Impactos da COVID-19 na demanda média de Gasolina C no Brasil (páginas 66-71)