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Efeitos geodinâmicos em redes v e rtica is

O estabelecimento de SGR globais (geocêntricos) possibilita a conexão global de redes geodésicas de controle horizontal e também a conexão de redes altimétricas de alta precisão. Desta forma, aspectos como as interações dos continentes com os oceanos e atmosfera devem ser analisados em relação a resposta dinâmica da Terra, de forma a permitir a discriminação entre movimentos seculares tais como, os movimentos verticais orogênicos e epirogênicos1 da crosta no local de instalação do marégrafo e movimentos posição geocêntrica e da predição de variações temporais. Os aspectos relacionados com o geopotencial são fundamentais para a definição das grandezas pertinentes à definição

1 Movimentos orogênicos são os movimentos seculares responsáveis pelo surgimento do relevo da crosta terrestre. E um caso particular dos movimentos epirogênicos, que são movimentos seculares de grande amplitude graças aos quais se formam os continentes.

2Movimentos eustáticos são movimentos que causam a variação do nível dos mares, causada pelo aumento da quantidade de água (degelo nos pólos), ou por motivos tectónicos no fundo oceânico ou ainda pelo acúmulo progressivo dos sedimentos no assoalho oceânico.

T a b e la 2 .1 : Principais ondas do espectro de marés terrestres.

Símb. Freq. (°/h ) Amplitude (nanogal) Origem Espécie

MO 0,0 50458 Lua L. Período

do geóide. Tal definição visa basicamente a descrição de uma superfície de referência altimétrica global, base para a conexão de diferentes redes geodésicas, tal como a RVB.

Para tanto é fundamental a consideração de aspectos relacionados com a Geodinâmica, que implicam em conceitos tais como: geóide não perturbado por maré - nontidal geoid;

geóide médio - mean geoid; e geóide de nível zero - zero geoid (Kakkuri & Poutanen, 1997) f67).

O primeiro passo para a discriminação dos efeitos dos movimentos seculares sobre o Datum de uma rede altimétrica, é a fixação da sua posição geocêntrica, definida em determinada época e verificada dentro de determinados intervalos de tempo. A deter­

minação dos efeitos seculares pressupõe a existência de longos períodos de observação maregráfica e a fixação da posição geocêntrica do marégrafo, tornando possível a dis­

criminação dos movimentos orogênicos e epirogênicos, já citados. Tal procedimento exige o estabelecimento de redes de observação associando diferentes marégrafos com pontos de uma rede geodésica continental, tal como a rede SIRGAS. A associação das informações assim obtidas, injuncionadas com observações absolutas da gravidade visando uma melhor determinação do geopotencial e também, com a determinação da topografia do NMM no Datum (abordada na seqüência), permitem a determinação da posição do geóide naquele ponto. Este conjunto de procedimentos demanda o estabe­

lecimento de projetos de grande amplitude e permanência, visando essencialmente a manutenção do valor da altitude de referência absoluta.

F ig u r a 2 .1 : D iagram a veíorial para uma onda de m aré gravim étrica: e = erros de observação

No presente trabalho, o vetor A corresponde ao vetor da maré gravimétrica obser­

vada nos locais de observação; o vetor B é obtido de acordo com a expressão (2.1); o vetor L representa o vetor resultante da interação com o oceano e obtido a partir dos cinco modelos oceânicos disponíveis; o vetor X representa o vetor dos resíduos finais de maré gravimétrica da estação, corrigidos do efeito oceânico (efeito indireto) e é obtido a partir da expressão (2.2).

Da Figura (2.1) deduz-se que a componente cosseno do vetor X —> X cos\ que está em fase com o modelo, representa a deformação deste e caracteriza a resposta anômala local, a menos dos erros instrumentais e, o s quais podem ser avaliados pela sua componente seno (X s e n \ ), não correlacionada com o modelo. Em geodinâmica, a componente X cosx é denominada anomalia de maré gravimétrica e é usada para a interpretação da resposta anômala local (ou deformação); assim, a resposta pode ser super, sub ou normal, conforme o valor da anomalia seja respectivamente maior que 0,5 /iGal, menor que -0,5 /iGal ou estar contida entre estes valores.

As discrepâncias locais de resposta da Terra aos efeitos de cargas periódicas, po­

dem ser consideradas como perturbações de alta freqüência na determinação do Da- tum. Tais perturbações, em princípio, podem ser eliminadas pela adoção de técnicas

de filtragem para a determinação do NMM e efeitos seculares. No entanto, para o posicionamento costeiro e intracontinental relativo, elas devem ser consideradas, uma vez que causam flexão crustal diferencial, a qual depende também de características locais de resposta, devidas a heterogeneidades laterais da crosta. Estas só podem ser adequadamente determinadas com observações a nível regional, tal com o demonstrado por de Freitas (1 9 9 3 )^ para um perfil transcontinental na América do Sul, ilustrado é denominada fator gravimétrico teórico ou predito.

geneidades laterais da crosta. Assim, estão englobadas na Região Andina, as estações

texto, fica evidente a necessidade de se considerar os aspectos acima, tendo em vista as diferentes respostas ao efeito das marés terrestres, principalmente no posicionamento relativo sobre bases longas, onde as estações estão sujeitas à flexão crustal diferenciada.

Será visto mais adiante que o problema se agrava quando uma das estações situa-se na região litorânea, onde os efeitos locais de circulação costeira, não previstos nos modelos oceânicos, causam perturbações significativas nas medidas de maré gravimétrica e nas medidas com GPS.

nica para a determinação da topografia costeira do NMM. Também os efeitos locais de circulação oceânica, não preditos nos modelos cotidais (e.g. Schwiderski, 1980; Ander- sen, 1995a) fl06I t4l ? também impedem uma determinação adequada dos efeitos indiretos dos oceanos principalmente em regiões costeiras. Desta forma, devem existir também injunções locais que permitam contornar tais problemas. As respostas anômalas da Terra, se corretamente determinadas, devem conter as informações necessárias para a determinação das anomalias da topografia do NMM no marégrafo e os efeitos não preditos para a flexão crustal. O nível atual de precisão alcançado por técnicas espaciais de posicionamento e de mensuração das marés gravimétricas, abriu novos horizontes para o estudo de efeitos geodinâmicos de marés terrestres e oceânicas no posiciona­

mento horizontal e vertical. De forma pragmática, podem ser associadas observações de marés gravimétricas como elemento discriminador da resposta flexural local e do efeito indireto dos oceanos, quando associada com determinações paralelas de posição geocêntrica por técnicas espaciais, tal como a possibilitada por observações com GPS,

utilizando como base, estações fiduciais, tais como as propostas por Beutler (1992)^l3l.

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