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LIMITE CONAMA 397/

4.6.4 Efluentes de atividades de gamagrafia

Conforme explicado por Cardoso (sem data), a gamagrafia (ou radiografia industrial) é a aplicação mais conhecida na indústria da energia nuclear, consistindo, basicamente, da “impressão da radiação gama em filme fotográfico” (p. 12). Trata-se de radiografia de peças metálicas, em ensaio não destrutivo voltado ao Controle de Qualidade (verificação da presença de falhas e rachaduras diversas em metal e solda).

Shinohara, Acioli e Khoury (2002) expressam, corretamente, que na indústria do petróleo encontra-se utilização frequente da gamagrafia. A IERC, voltada a atividades de montagem, não foge à regra. Fontes comuns da gamagrafia são: isótopos de Cobalto-60, Irídio-192 e Césio-137. Durante a revelação do filme, há geração de efluentes, devendo estes ser gerenciados de forma adequada.

Conforme descreve Petrobras (2010h), a execução dos serviços de gamagrafia deve ser precedida da Análise Preliminar de Risco da tarefa, bem como do levantamento dos aspectos e impactos ambientais associados. A REDUC exige, adicionalmente, que o setor de Segurança Industrial (SI) seja informado da programação da atividade com 15 horas de antecedência, bem como é exigida aplicação de Lista de Verificação específica antes da execução dos trabalhos. Uma gestão eficaz deve exigir, inexoravelmente, a apresentação dos seguintes documentos e das seguintes informações por parte da empresa contratada para execução dos serviços:

a) Autorização para operação de instalação de radiografia industrial (fornecida pelo CNEN), permitindo, explicitamente, à empresa, a operação com fontes radioativas. Deve a autorização conter período de validade;

b) Plano de radioproteção112 e de documento que comprove, inequivocamente, aprovação do mesmo junto ao Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN);

c) Procedimentos de emergência (vide nota 112) adotados pela Contratada e também aprovados pelo CNEN, contendo lista de telefones para contato em caso de emergência;

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Este plano deve conter, minimamente: aspectos de condução das operações, treinamentos, situações de e resposta a emergências, condições físicas e de controle dos trabalhadores, controle de áreas, fontes e equipamentos. Equipamentos para interdição de ruas e para remoção de pessoal devem ser mantidos em bom estado de conservação. O plano de radioproteção é necessário quando o aparelho/instalação necessita ser licenciado/autorizado pelo CNEN.

d) Telefones (s) do supervisor de radioproteção, do substituto deste e do plantão CNEN;

e) Certificados de calibração dos medidores de radiação a serem utilizados nos trabalhos113 (emitidos por entidades credenciadas pelo CNEN), contendo prazos de validade e procedimentos adotados para a aferição daqueles; f) Certificado das fontes radioativas e irradiadores, e da curva ou tabela de

decaimento daquelas a serem utilizadas nos serviços;

g) Relação do responsável pela instalação aberta114 (RIA) e dos operadores que, de alguma forma, participarão do trabalho;

h) Documento que comprove estarem os profissionais mencionados aptos à realização da tarefa. A avaliação é realizada pelo CNEN;

i) Evidência de comunicação ao CNEN sobre a frente de trabalho;

j) Registro dos profissionais da equipe junto ao Conselho regional de técnicos de radiologia.

Muitas das exigências da companhia (transcrições da legislação) referem-se à segurança do trabalho115. Com relação à questão ambiental, muitas considerações adicionais devem ser sublinhadas.

Na possibilidade de execução de serviços em áreas habitadas, o plano de radioproteção deve considerar também: aspectos de proteção da comunidade, de proteção contra roubos de equipamento e de fontes radioativas, além de reforço das considerações obre interdição de ruas e remoção de pessoal.

O isolamento de área é item fundamental e bastante interessante, permitindo-se este autor travar, mais detalhadamente, considerações sobre a questão.

O isolamento de área é função dos limites de dose para sujeitos do público. Conforme CNEN116 (2005), a dose máxima para envolvidos na radiografia é de 50 mSv (5 rem), em qualquer período de 12 meses. Para o público (trabalhadores não envolvidos na atividade de radiografia) a dose máxima permissível é 50 (cinquenta)

113

Neste ponto tornam-se essenciais os requisitos 4.5.4 e 4.5.1 da ABNT NBR ISO 14001:2004, especialmente em relação à rastreabilidade dos laudos de calibração. Em termos simplórios: deve-se identificar nos laudos a calibração não de quaisquer equipamentos, mas exatamente daqueles a serem utilizados naquela determinada atividade.

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Entenda-se frente de serviço.

115

As questões que afetam única e exclusivamente o ambiente de trabalho, bem como somente os colaboradores envolvidos, são tratadas pela segurança do trabalho. Questões que afetem ambiente externo à Organização (incluindo comunidade) são tratadas pelo setor de meio ambiente. Por vezes a distinção é tênue, e mesmo impossível.

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vezes menor. Como podem afetar a população apenas dosagens pontuais, maiores considerações sobre exposição dos envolvidos ao longo do tempo se tornam desnecessárias.

A distância para isolamento de área (função da fonte radioativa) é calculada com base na Tabela 4.9.

TABELA 4.9: Cálculo da Distância para Isolamento de Área em Função da Fonte Radioativa (Fonte:

PETROBRAS, 2010h).

FONTE CÁLCULO117

Ir-192 d= (A * 0,50 * D)1/2 / 0,0004

Co-60 d= (A * 1,32 * D)1/2 / 0,0004

Se-75 d= (A * 0,20 * D)1/2 / 0,0004

Tornando-se a distância requerida impraticável em função da distância, utiliza-se da Tabela 4.10 para cálculo, trabalhando-se, ao mesmo tempo, com distância possível e tempo total de exposição.

TABELA 4.10: Cálculo da Distância para Isolamento de Área em Função da Fonte Radioativa,

Considerando-se o Tempo de Exposição (Fonte: PETROBRAS, 2010h).

FONTE CÁLCULO118

Ir-192 d= (A * 0,20 * S)1/2 / 0,002

Co-60 d= (A * 1,32 * S)1/2 / 0,002

Se-75 d= (A * 0,20 * S)1/2 / 0,002

Em verdade, a área de isolamento refere-se muito mais aos colaboradores do que ao público em geral, mas fornece informações importantes para os casos em que a exposição da população é inevitável.

Outra questão de relevância ambiental versa sobre a necessidade de licença de operação ambiental para a atividade em questão. Vale lembrar que a empresa que realiza a tarefa não é, necessariamente, a mesma que gerencia seus aspectos ambientais. Deste modo, e consoante ao parecer jurídico119 da Petrobras (PETROBRAS, 2011f), observa-se que a execução de serviços de gamagrafia, por si

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Em que d é a distância do ponto de exposição da fonte ao local de isolamento, em metros; A é a atividade da fonte no momento da exposição, em Curies (Ci).

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Em que S é o tempo total de exposição (em horas), em um dia de trabalho de, no máximo, 8 horas. O tempo total de exposição é obtido pelo número de gamagrafias executadas e pelo tempo de exposição a cada radiografia industrial.

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Ressalta-se no parecer a menção ao Decreto Estadual 42159/2009, que lista as atividades sujeitas a licenciamento ambiental em território fluminense.

só, não enseja a obrigatoriedade da licença ambiental120. Já para aquela que gerencia os efluentes121 da atividade de revelação, faz-se ilegal a ausência da licença.

Com relação ao transporte de fontes radioativas, obedece-se, especificamente, ao item 5.5 da norma CNEN-NN-6.04, bem como à norma CNEN-NN-5.01. Genericamente, deve-se obediência a toda legislação relativa ao transporte de produtos perigosos122 (vide seção 4.5 desta dissertação).

CNEN (1988) faz uma série de exigências quando do transporte123 de materiais radioativos. A seguir, apresentam-se as principais delas, bem como as informações mais relevantes sobre o tema.

- Considera-se o ambiente contaminado quando há presença de substâncias radioativas em superfície em quantidades superiores a 0,4 Bq/cm2 (10-5 µCi/cm2) para emissores beta e gama, e 0,04 Bq/cm2 (10-6 µCi/cm2) para emissores alfa; - O tipo de embalado124 selecionado para transporte é função da natureza do conteúdo radioativo e da atividade deste;

- Os embalados devem ser projetados para que o transporte, por qualquer via, seja: fácil e seguramente manuseável, adequáveis (quanto à fixação) ao meio de transporte, realizado por superfícies lisas (tanto quanto possível, facilitando descontaminação), seguro125 (embalados devem suportar vibrações, acelerações, entre outras coisas), realizado de maneira a não possibilitar reações de incompatibilidade entre embalado e materiais diversos;

- As embalagens devem ter um dos rótulos que defina a sua categoria em função do Nível de Radiação Máximo (NRM).

Os pontos listados sintetizam, mui grandemente, as exigências envolvidas em tal atividade. Acredita-se que, no concernente a meio ambiente, todos os pontos fundamentais foram apresentados. Não se pretende, contudo, aprofundamento no tema, que daria ensejo a vários capítulos.

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Após debates sobre o tema, conclui este autor que a melhor solução ao caso é dada pelo parecer, ao sugerir declaração de dispensa da licença junto ao órgão ambiental.

121

Há necessidade, em alguns casos, de que os efluentes sejam tratados visando ao decaimento radioativo.

122

Torna-se obrigatório, então, a presença de: rótulo de risco, painel de segurança, envelope e ficha de emergência.

123

Exigências de transporte que são válidas, inclusive, no interior da Refinaria.

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Quatro são os tipos de embalado: exceptivo (quando há pequena quantidade de material radioativo, seja do tipo comercial ou industrial), industrial (para transporte de material radioativo de atividade limitada), tipo A (há conteúdo radioativo sujeito a limite de atividade pelo CNEN) e tipo B (há conteúdo radioativo sem limite de atividade).

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As embalagens devem ser segregadas de locais ocupados por colaboradores, por indivíduos do público e por produtos perigosos diversos, devendo estar fixada à estrutura do veículo e lacrada a cadeado.

Ressalta-se que este é tema que ainda carece de maior fiscalização por parte da IERC, bem como de maior estudo, haja vista ser matéria extensa e complexa.