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Capítulo III – Metodologia

3.2. Questões e objetivos

3.5.1. Elaboração do questionário, validade e fiabilidade

O questionário é utilizado pelos investigadores para transformar em dados a informação ou do conhecimento fornecido diretamente pelo sujeito. Este é por definição um instrumento estandardizado tanto no texto das perguntas como na ordem que estas tomam (Afonso, 2005; Dias, 2009; Ghiglione & Matalon, 1997; Tuckman, 2000). Esta ideia é enraizada pelo fato de estarmos perante uma investigação de cariz quantitativo, sendo caracterizada “pela utilização de técnicas rigorosas de recolha de dados, muitas delas estandardizadas, que permitem assegurar a validade e fidelidade dos dados recolhidos” (Lima & Vieira, 1997, p. 16)

Assim, a técnica do questionário como forma de recolha de dados permite medir o que o sujeito sabe (conhecimento ou informação), o que prefere (preferências ou valores), e o que pensa ou crê (atitudes e convicções). No entanto, a sua viabilidade acarreta a garantia de alguns pressupostos básicos relativamente ao inquirido. É necessário que este adote uma atitude cooperativa, ou seja, que aceite responder voluntariamente ao questionário, e que responda efetivamente o que sabe, o que quer, e o que pensa (Afonso, 2005; Tuckman, 2000).

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Não obstante às várias implicações que um questionário acarreta, esta forma de recolha de dados apresenta como vantagens: a possibilidade de recolha de informação de um grande número de pessoas; de permitir ao inquirido responder cuidadosamente às questões que lhe são colocadas, eliminando o enviesamento atribuído aos entrevistados; a comparação entre as respostas dos inquiridos; e a generalização dos resultados da amostra à população (Quivy & Campenhoudt, 1992; Tuckman, 2000).

Porém, são apontadas a esta técnica as seguintes limitações: a necessidade de cooperação por parte dos sujeitos alvo do estudo; a necessidade de o sujeito manifestar maturidade sobre o assunto em questão e sinceridade nas respostas; a limitação do tipo de perguntas a formular e os tipos de respostas a serem dadas pelo sujeito; a delimitação do número de perguntas por questionário, pois se este for muito longo os sujeitos deixam de responder o que efetivamente sentem; e ainda o fato de o material que é recolhido poder ser superficial (Quivy & Campenhoudt, 1992; Tuckman, 2000).

Apesar das limitações apresentadas anteriormente, consideramos que o questionário seria o instrumento mais adequado tendo em conta os objetivos definidos e a população alvo do estudo.

Assim, o questionário foi elaborado a partir da análise da literatura acerca do assunto a investigar e da listagem de questões às quais queríamos responder. Para que a informação obtida fosse a mais fiável e a mais válida possível, quando preparamos e organizamos o questionário tivemos o cuidado de abordar temas do conhecimento dos inquiridos; de criar um documento que não fosse muito extenso; de não incluir termos ou expressões complexas; de produzir um escrito visivelmente estruturado, quer no tamanho da letra quer nos espaços deixados para registo das respostas; e de colocar frases introdutórias com informação acerca da forma de resposta a cada questão.

Para a validação do questionário, produzimos uma primeira versão – pré-teste – com a finalidade de garantir que este se encontra de fato aplicável e que responde, efetivamente, ao problema por nós colocado. Segundo Ghiglione e Matalon (1997), o questionário deve ser aplicado a um pequeno grupo de indivíduos com caraterísticas semelhantes à da população/amostra, com o objetivo de saber se eles compreenderam o significado do questionário e das perguntas. Esta situação permite-nos saber como é que as questões são compreendidas, permite-nos evitar erros de vocabulário e de sintaxe, e salientar falhas, incompreensões e equívocos.

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Deste modo, o questionário – pré-teste - foi aplicado a seis professores dos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico, que não pertencem à nossa amostra principal. Os inquiridos acederam ao preenchimento individual do questionário, sendo-lhes pedido que assinalassem casuais dúvidas, incorreções e/ou lacunas detetadas. Da análise das opiniões proferidas, que registámos em forma de anotações, fomos levados a considerar que o questionário não apresentava dificuldades e dúvidas, sobretudo no que diz respeito à clareza e a apresentação das questões.

Para determinar a fiabilidade do questionário construído aplicamos o índice de α de Cronbach. Este mede a correlação entre respostas através da análise do perfil das respostas dadas pelos inquiridos. No entanto, para que se possa fazer a aplicação correta do α de Cronbach é necessário que alguns pressupostos estejam fixados, tais como: a divisão e agrupamento das questões em dimensões, ou seja, que as questões que tratam do mesmo assunto estejam próximas; que o questionário seja aplicado a uma amostra significativa e heterogénea; e que as escalas já tenham sido validadas (Hora, Monteiro, & Arica, 2010).

Contudo, considera-se que um instrumento é classificado como tendo fiabilidade conveniente quando o α de Cronbach é pelo menos de 0,7. Porém, em alguns panoramas de investigação nas ciências sociais, α de Cronbach de 0,6 é considerado concebível desde que os resultados conseguidos através desse instrumento sejam interpretados com prudência (Maroco & Marques, 2006).

3.5.2. Apresentação do questionário

O questionário, ver anexo I, possui dezassete questões distribuídas em duas partes. As questões são maioritariamente fechadas, havendo em algumas a possibilidade de assinalar mais do que uma resposta, e noutras a eventualidade do inquirido acrescentar opções de resposta. A questão relacionada com o conhecimento sobre a temática da sobredotação apresenta-se através de uma escala de resposta psicométrica, tipo Likert, com o objetivo de quantificar as respostas dos sujeitos sobre determinada variável. A pergunta relacionada com a inclusão dos alunos sobredotados na Educação Especial mostra-se aberta, pois com ela pretendemos recolher os motivos que levam os professores a incluir ou não os alunos sobredotados na Educação Especial.

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As questões da primeira parte pretendem apurar as caraterísticas pessoais e profissionais dos inquiridos (sexo, idade, formação académica, tempo de serviço, ensino em que exerce funções, se possui formação na Educação Especial), e por último, se tem ou teve nas suas turmas alunos com Necessidades Educativas Especiais. A segunda parte é constituída por nove itens que se destinam à obtenção de informação acerca do conhecimento dos professores sobre a sobredotação e se estes se consideram preparados para identificar, eleger e educar os alunos sobredotados.

Os itens que constituem a segunda parte deste questionário foram adaptados do livro “Crianças Sobredotadas. Que sucesso escolar?”, de Ilídio Falcão (1992), do livro “O aluno sobredotado – Compreender para Apoiar – Um guia para educadores e professores”, de Helena Serra (2004), e da dissertação de mestrado de Anabela Bastos (2009), “A percepção dos professores sobre os alunos sobredotados versus o alheamento da escola”.

Para determinar a preparação dos professores para identificar os alunos sobredotados, os inquiridos responderam a duas questões, onde para além de indicarem qual das afirmações carateriza melhor um aluno sobredotado, numa escala de cinco pontos de tipo Likert (1- discordo totalmente a 5- concordo totalmente), opinaram sobre as caraterísticas de um aluno sobredotado no domínio das aprendizagens, da motivação, da criatividade e da liderança.

Para determinar o grau de disposição dos professores para a elegibilidade dos alunos sobredotados, os inquiridos responderam a duas perguntas, em que manifestam o conhecimento que têm acerca da legislação sobre a educação dos alunos sobredotados e se consideram pertinente a inclusão destes alunos na Educação Especial, sendo que nesta última questão, têm de justificar a sua resposta apontando os motivos que os levam a incluir ou não estes alunos na Educação Especial.

De forma a avaliar a habilidade dos professores para acompanhar, em termos educativos, os alunos sobredotados e os métodos que consideram ser os mais eficazes para o processo de ensino-aprendizagem destes alunos, os inquiridos responderam a quatro questões em que se prenunciaram sobre a sua aptidão para acompanhar estes alunos a nível educativo; sobre a necessidade de ajuda de um outro profissional, mencionando qual ou quais aqueles a que recorreria; sobre as dificuldades com que se poderia debater ao ter presente na sala de aula um aluno sobredotado, e ainda, sobre a

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modalidade de atendimento que considerava ser a mais eficaz para o ensino dos sobredotados.

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