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II. Giz Cor da Pele

1.1. Entramos Negros e Saímos Afrodescendentes

A Conferência mundial de Durban e seus processos mobilizatórios de preparação são referências e geraram impactos na região como um todo. Os próprios documentos finais e o Plano de Ação constituem-se como referências e estimulam a ampliação das mobilizações nos âmbitos nacionais e internacional.

Na Conferência de Durban, para além do reconhecimento do racismo e das discriminações sofridas, há a demanda por retratação e por justa reparação dos povos afetados, com destaque para os afrodescendentes e indígenas da América Latina. Há também a explícita vinculação da exclusão e pobreza com o racismo:

Enfatizamos que a pobreza, o subdesenvolvimento, a marginalização, a exclusão social e as disparidades econômicas estão intimamente associadas ao racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata, e contribuem para a persistência de práticas e atitudes racistas as quais geram mais pobreza (Plano de Ação de Durban, 2001, Artigo 18).

Mesmo com o abandono da Conferência pelos Estados Unidos e Israel, e a abstenção de Canadá e Austrália, estiveram presentes mais de 170 países e houve a participação de milhares de

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coletivos, movimentos e organizações da sociedade civil. A participação e o protagonismo latinoamericano foi central, com reflexos diretos nos resultados da Conferência:

Consideramos essencial que todos os países da região das Américas e de todas as demais zonas da diáspora africana reconheçam a existência de sua população de origem africana e as contribuições culturais, econômicas, políticas e científicas dadas por essa população, e que admitam a persistência do racismo, a discriminação racial, a xenofobia e as formas conexas de intolerância que a afetam de maneira específica, e reconheçam que, em muitos países, a desigualdade histórica no que diz respeito, entre outras coisas, ao acesso à educação, à atenção à saúde, à habitação tem sido uma causa profunda das disparidades sócio- econômicas que a afetam (Declaração de Durban, Artigo 33, 2001).

O processo de Durban foi mais abrangente do que a Conferência em si. Diversas pré-conferências nacionais e regionais com a presença de organizações do movimento negro foram realizadas, como a Conferência Regional das Américas, em Santiago, Chile, entre os dias 4 a 7 de dezembro de 2000. Em 2006, em Brasília, Brasil, ocorre a Conferência Regional das Américas sobre Avanços e Desafios do Plano de Ações Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, promovida pelos Governos do Brasil e Chile, com ênfase também para participação da sociedade civil. Em 2009, é a vez da Conferência de Revisão da 3ª Conferência das Nações Unidas contra o Racismo, realizada em Genebra, na Suíça, que estabelece novas metas para o Plano de Ação de Durban de 2001.

A participação da delegação cubana, em 2001, foi importante, especialmente por ter sido chefiada por sua maior representação política, o então presidente, Fidel Castro. Em declarações dadas no processo da Conferência de Durban, Fidel, quando questionado sobre a experiência cubana de combate ao racismo, argumentou que havia feito enormes esforços para erradicá-lo. Mas, mencionou que se tratava de um problema cultural que se soma à herança de uma presença

yanke

imposta na Ilha por muito tempo. Destacou, ainda, que não basta ditar leis radicais. Há que se fazer um esforço maior, mais constante e mais eficiente. "Em Cuba temos experiência, todos os dias aprendemos algo novo, para chegar ao patamar de uma sociedade inteiramente justa" (Fidel CASTRO,

in:

HOZ, 2012: 44).

No livro de Pedro de la Hoz (2012), constam alguns trechos dos discursos de Fidel Castro, feitos durante a Conferência de Durban. Destacarei, a seguir, um deles:

Ninguém tem o direito de sabotar essa Conferência que busca aliviar, de alguma forma, os terríveis sofrimentos e a enorme injustiça que esses feitos significaram e ainda significam para a imensa maioria da humanidade. Nem muito menos alguém tem o direito de colocar condições, exigir que não se fale nem sequer de responsabilidade histórica e indenização justa, o sobre a forma como vamos decidir qualificar o horrível genocídio que em esses mesmos instantes se comente contra o povo palestino por parte de líderes de extrema direita que, aliados à superpotência hegemônica, atuam hoje em nome de outro povo que ao longo de quase dois mil anos foi vítima das maiores perseguições, discriminações e injustiças cometidas na história. Quando Cuba fala de compensação e apóia essa ideia como inevitável dever moral com as vítimas

48 de racismo, contando com um importante precedente nas indenizações que estão sendo recebidas pelos descendentes do próprio povo hebreu, que em pleno coração da Europa sofreu um odioso e brutal holocausto racista, não pretende a impossível busca dos familiares diretos ou os países concretos de procedência das vítimas por feitos ocorridos durante séculos. O real e incontestável é que dezenas de milhões de africanos foram capturados, vendidos como mercadoria e enviados ao outro lado do Atlântico para trabalhar como escravos, e que 70 milhões de aborígenes índios morreram no hemisfério ocidental como consequência da conquista e colonização européias. [...] A brutal exploração não foi concluída quando muitos países se tornaram independentes, nem sequer depois da abolição formal da escravidão. [...] Os países desenvolvidos e suas sociedades de consumo, responsáveis na atualidade pela destruição acelerada e quase irremediável do meio ambiente, tem sido os grandes beneficiários da conquista e da colonização, da escravidão, da exploração impiedosa e o extermínio de centenas de milhões de filhos dos povos que hoje constituem o terceiro mundo, da ordem econômica imposta à humanidade após duas monstruosas e destrutivas guerras pela divisão do mundo e seus mercados, dos privilégios concedidos aos Estados Unidos e seus aliados em Bretton Woods, do FMI e as instituições financeiras internacionais criadas exclusivamente por eles e para eles (discurso de Fidel Castro na Conferência de Durban, 2001. In: HOZ, 2012: 47-51)31.

Nesse discurso, Fidel aborda temas fundamentais, como a necessidade de reparação com relação às históricas violações, como o longo processo escravista, e faz uma crítica bastante contundente à postura fugidia de Estados Unidos e Israel frente à grande relevância dos temas propostos e acordados na Conferência pelos países. Todavia, pouco aborda a situação dos afrodescendentes no seu país e propostas para resolução dessas iniqüidades e reparações. Trata o racismo em Cuba como "resquícios culturais", que se amparam em um passado republicano ou colonial, sem realizar uma crítica dos processos gerados também no período revolucionário.

Alguns desafios para os afrodescendentes no continente, como a superação do analfabetismo, em Cuba são conquistas. Cabe destaque também a qualidade das políticas públicas de saúde e educação prestadas pelo Estado e a segurança pública, onde há taxas muito reduzidas de assassinado, em relação aos demais países da América Latina32.

Todavia, há uma sobrerrepresentação de negros em prisões, conforme denunciam muitos dos ativistas entrevistados. É comum haver maior número de abordagem da polícia cubana a pessoas negras para identificação e checagem do carnê de identidade. Um dos primeiros documentários que trata as relações raciais na contemporaneidade cubana, intitulado "Raza", ou "Raça" em português, aborda pessoas nas ruas de Havana, entre 2007 e 2008. Um dos jovens negros entrevistados, ao ser questionado se há racismo em Cuba, responde:

Por supuesto loco! Mira la

policía. Además de la policía, los hoteles, los bares en CUC

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. Loco, y como nosotros vamos a

seguir con eso?

(Trecho do documentário “Raza”, direção Eric Corvalan/ 2008).

31 Tradução minha.

32 Brasil, nesse quesito de segurança púlica, figura como um dos países latinoamericanos com situação mais grave,

sobretudo para os jovens negros. Para mais informações, ver: Mapa da Violência, 2012.

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Além da questão que permeia a relação com a polícia, são muitas demandas e reivindicações apresentadas por ativistas e coletivos antirracistas na Ilha que ainda não se efetivaram no cotidiano do país. Algumas das denuncias referem-se ao franco processo de piora na sociedade cubana fruto das desigualdades geradas pela economia emergente, empiricamente muito embranquecida34.

Até a atualidade, em Cuba não há um espaço institucionalizado no âmbito do Estado para coordenar, formular e implementar políticas de igualdade racial, num modelo semelhante ao implementado em outros países da América Latina. Algumas iniciativas ainda incipientes estão sendo levadas a cabo, como a inclusão de temas importantes da história dos afrocubanos no processo formativo de professores e professoras. Mas não haver um espaço estatal que coordene e monitore esse processo, fragiliza a efetiva implementação dessas políticas. Também não existe uma instância especifica no Estado para acolher e sistematizar as demandas e propostas dos coletivos do movimento afrocubano.

A falta de uma regulamentação da legislação que criminaliza práticas de racismo é outro agravante para o avanço na temática. Apesar da Constituição caracterizar a discriminação racial como ilegal, e de esse crime estar previsto no Código Penal, não há uma diretriz que ampare sua aplicabilidade, o que dificulta o acesso à justiça e aos direitos para as vítimas. Nos casos dos processos judiciais por crimes de racismo, as decisões não consideram a existência de práticas discriminatórias, mesmo em situações onde explicitamente isso ocorreu. Tampouco pude acompanhar campanhas estatais sobre discriminação racial, entendendo a discriminação racial como a prática do racismo e a efetivação do preconceito. A discriminação, nesse sentido, é a adoção de práticas que efetivam o racismo e o preconceito, estes últimos situados no campo da doutrina e dos julgamentos (GOMES, 2005).

Na América Latina de forma ampliada, no período pós-Durban, houve um crescente processo de institucionalização das políticas de igualdade racial, com destaque para Brasil, Equador, Venezuela, Colômbia, e um crescimento do diálogo ou do embate dos movimentos negros com os Estados nacionais.

34 Os dados oficiais do Censo não permitem uma análise aprofundada dessa questão. As informações são

disponibilizadas de forma limitada e já tabelada. Não consegui obter os microdados para uma análise mais criteriosa, apesar das solicitações feitas ao ONE - Observatório Nacional Estatístico de Cuba. Todavia, algumas pesquisas de menor vulto, como Gozales e Al. (2011) indicam um predomínio crescente de brancos no setor dolarizado da economia, ou na chamada "economia emergente". Nos vários contatos que tive com o setor hoteleiro dolarizado em Cuba, no período da pesquisa, em cidades como Varadero, Havana, Viñales, Trinidad, Santa Clara, empiricamente tive contato com funcionários majoritariamente brancos em todas as funções, especialmente na recepção e direção. Quando havia negros, estavam atuando como garçons ou na limpeza. Mesmo nesses casos, foram poucas ocorrências.

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No Brasil, em 2003, cria-se um ministério, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), vinculado à Presidência da República, com a missão de coordenar e formular as políticas de igualdade racial em âmbito federal, fomentar seu debate com estados e municípios, ampliar espaços de diálogo com a sociedade civil e a articulação do tema em espaços multilaterias, como as Nações Unidas.

O cenário atual não está favorável à melhor estruturação dessa pauta. Uma das ações do Governo brasileiro, em resposta à recente crise política e econômica, foi uma reforma ministerial, anunciada no dia 02/10/2015, que, entre outras medidas, fundiu três ministérios em um só: SEPPIR, Secretaria de Política para as Mulheres e Secretaria de Direitos Humanos foram extintas e foi criado oMinistério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Tal ato poderá agravar a fragilidade das políticas e produzir um efeito cascata de redução em série dessa política nos estados e municípios, que poderão de forma análoga fechar suas instâncias voltadas para a promoção da igualdade racial. São análises pendentes para o médio e longo prazos.

Mesmo com esses últimos acontecimentos, cabe ressaltar que após o processo de Durban houve inegavelmente uma ampliação do debate do movimento negro brasileiro internamente no país e internacionalmente. A pressão produziu efeitos visíveis no posicionamento do então presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Contradizendo toda sua postura anterior, assumiu publicamente pela primeira vez que o Brasil é um país racista e reconheceu as mazelas desse processo para a nação.

No estudo de Flavia Rios sobre o movimento negro brasileiro e suas articulações com a sociedade política e o Estado, a importância da Conferência de Durban aparece com ênfase:

A conferência de Durban foi tão importante para os rumos das políticas públicas antirracistas brasileiras que alguns ativistas chegam a estabelecer esse evento como o divisor de águas no contexto de enfretamento das desigualdades e discriminação raciais, bem como na reorientação das estratégias do ativismo nacional e transnacional. Além dos militantes, há numerosas indicações de analistas afirmando que esse evento planetário foi imprescindível para as negociações e acordos adicionados à agenda do Estado brasileiro na primeira década do século XXI [...]; principalmente porque foi no processo preparatório para a conferência que se estabeleceu um consenso (entre agentes não-governamentais e governamentais) acerca da necessidade de medidas específicas a serem adotadas pelo Estado para combater o racismo. (RIOS, 2015: 206)

Outras ações importantes para a superação do racismo foram realizadas após 2001, no Brasil. Dessas, cabe destacar o amplo e contraditório debate sobre as cotas nas universidades, que culminou com a aprovação de sua constitucionalidade, em 2012, pelo Supremo Tribunal Federal; a Lei n°10.639/2003 que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino fundamental e médio a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira; o reconhecimento oficial de mais

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de duas mil e quinhentas comunidades quilombolas por meio da Certidão da Fundação Cultural Palmares (com um avanço muito tímido e limitado da regularização fundiária e da emissão de títulos de terras aos quilombos); a aprovação da Lei n°12.288 de 20 de julho de 2010, que institui o Estatuto da Igualdade Racial e o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial; a aprovação das cotas nos concursos públicos federais em 2014.

Esses avanços estão imersos em outras dinâmicas ainda complexas para a superação do racismo no Brasil. Apesar de haver uma ampla jurisprudência, com uma série de casos julgados com condenação por práticas racistas, ainda é um desafio lograr essa vitória. Muitas vezes, as denúncias morrem no seu nascedouro, no momento em que é apresentada a demanda à polícia, por despreparo de muitos desses agentes públicos em lidar com o tema ou num esforço de minimizá- lo.

Em um rápido diálogo entre o caso brasileiro e o caso cubano, os avanços concretos na agenda de igualdade racial, apesar das inúmeras limitações políticas e orçamentárias são palpáveis no Brasil, conforme apresentei sucintamente acima. Todavia, há uma ampla exclusão e vulnerabilidade da população negra no país que faz com que do percentual de pessoas miseráveis no país, 70% delas sejam negras e que continuem sendo os corpos negros os mais vulneráveis a homicídios e prisões35. De acordo com a campanha "Jovem Negro Vivo", da Anistia Internacional iniciada em 2014, o número de homicídios no Brasil cresceu 148,5% em 32 anos. São mais de 30 mil assassinatos de jovens por ano, dos quais 93% são de homens e 77% de negros.

Muitos dos desafios hoje presentes para a população negra brasileira, e que compõem a demanda de várias das organizações antirracistas do país, tais como o fim do genocídio da juventude negra36, educação e saúde de qualidade, acesso amplo a universidade, maior representatividade nos espaços de poder, como o parlamento, são demandas que se encontram em outro patamar em Cuba, exatamente pelas ações inclusivas e reformas que foram efetivadas pela Revolução socialista.

35 Há uma apatia social para o tema, como denuncia diversas campanhas como a "Jovem Negro Vivo", da Anistia

Internacional. Na relação com a polícia, a situação é crítica. Em alguns casos, houve orientação explícita do comando da Polícia Militar para revista de todos jovens "negros e pardos", como o ocorrido em Campinas, em 2013 - matéria disponível em: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/01/23/ordem-da-pm-determina- revista-em-pessoas-da-cor-parda-e-negra-em-bairro-nobre-de-campinas-sp.htm. Acesso em 17/09/2015. Esse reforço discriminatório incita a violência e a estigmatização desse segmento etário e racial, que éa principal vítima de homicídios no Brasil.

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Como aprofundarei melhor a análise no capítulo III, Cuba possui resultados palpáveis no que se refere à inclusão da população mais pobre, onde se inclui uma grande parcela negra, em políticas sociais e acesso a serviços e mercado de trabalho. Há um amplo quadro de profissionais qualificadas/os negras/os, uma parcela considerável de integrantes das Assembléias do Poder Popular desse segmento racial, apesar de não haver uma mudança na alta hierarquia de poder37. As taxas de homicídio são baixas e isso impacta nos números positivos nesse quesito. As políticas de educação e saúde, universais, beneficiam também essa parcela.

Por outro lado, em Cuba, as ações concretas para a superação do racismo ainda são insuficientes, especialmente no que diz respeito à visibilização da temática. É necessário, por exemplo, incorporá-la nos currículos escolares e universitários, ampliar o acesso à educação (especialmente nas universidades), diversificar a representação racial na mídia, regulamentar legislação específica que garanta punição aos atos de racismo no país, fomentar ações para incluir a população negra na economia emergente como turismo ou gastronomia, formar a polícia na perspectiva racial, qualificar o Censo para viabilizar a estratificação dos dados a partir do quesito cor e desenvolver uma política habitacional que reverta as desigualdades raciais muito marcadas nesse campo. Enfim, muito pouco foi efetivamente concretizado como política de promoção da igualdade racial pelo governo cubano nesse período pós-Durban.

O Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial da ONU (CERD), ao examinar os informes periódicos de Cuba (do 14º ao 18º), apresentados entre os dias 16 e 17 de fevereiro de 2011, fez uma série de recomendações em 03 de março de 2011. Dentre essas, destaca-se a necessidade de que o Estado cubano efetive a Declaração e o Plano de Ação de Durban, uma vez que o país não incluiu em seu informe dados sobre o assunto. Também faz referência a uma posição apresentada pelo Estado cubano nesses informes, que considera que os preconceitos raciais na sociedade cubana "

no tienen una significativa entidad y se expresan particularmente en

las esferas más íntimas de la vida, con mayor frecuencia en la relación de pareja

", e recomenda

campanhas educativas e ações midiáticas para romper com essa situação, além de ressaltar a necessidade de legislação específica que tipifique o crime de racismo.

Alguns dos ativistas criticam o fato de não haver um compromisso real do Estado cubano e do Partido Comunista com essa pauta, o que ficou explícito no relatório supracitado. Posto que não há ações sistemáticas e continuadas com vistas a combater o racismo, alguns dos ativistas criticam que no relatório feito por Cuba à ONU foi mencionada a criação de comissão para tratar os

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temas de igualdade racial junto ao Comitê Central do Partido Comunista, mas que a mesma foi desativada tão logo cessou o processo do relatório:

En el año 2011, Cuba presentó un informe ante al Comité para la Eliminación de la Discriminación Racial de las Naciones Unidas. En ese informe se habla, inclusive, que (el Estado cubano) hizo una comisión en el Comité Central del Partido para darle la idea de hay una preocupación. Pero, después que pasó eso, a los 3 meses, ya no existía la Comisión, la desatibaron. (Entrevista com Norberto Mesa, realizada em 09/07/2015).

O momento atual, com a institucionalização da Década dos Povos Afrodescendentes, se materializa como uma nova oportunidade de avançar nas ações para o tema, de forma articulada com outros países da América Latina. Ao abordar a Década e a especificidade de Cuba nesse processo, Zuleica Romay38, destaca as contradições hoje vivenciadas:

Desde el punto de vista estatal yo no percibo todavía un programa ni una respuesta organizada a la convocatoria del decenio (de los afrodescendientes), no la veo. Aún no está. Yo le veo un papel importante,