4. PERCURSO METODOLÓGICO
4.1. Instrumentos para coleta de dados
4.1.1. Entrevista
A primeira versão do roteiro para entrevista foi estruturado com base em sugestões do pesquisador e da professora orientadora buscando as informações
que respondessem aos objetivos da pesquisa. Esse roteiro, após elaboração, foi apresentado aos membros da banca de qualificação do mestrado, condição que implicou em discussões e análises tendenciosas a alteração e reformulação de algumas questões postas.
Após sugestões coletadas, estruturou-se a segunda versão do roteiro. Esta segunda versão passou por uma reavaliação crítica por parte do autor pesquisador, que corrigiu pontos importantes junto à estruturação das perguntas, sequências e outros detalhes primordiais para clareza das questões do roteiro.
Em função destas alterações, surgiu a necessidade de se realizar um pré- teste do questionário com servidor pertencente ao grupo de PCD para que, só então, fossem determinadas as necessidades de mais ajustes para posterior início de aplicação dos questionários.
4.1.1.1. Características dos entrevistados
Para a aplicação dos questionários de entrevista foram selecionadas 4 PCD. Todos os entrevistados são servidores da UFRN que se enquadram como representantes das categorias com maiores percentuais de presença no quadro de servidores da UFRN, sendo 3 representantes ocupantes de cargos técnicos administrativos e 1 representante do grupo docente. Utilizando-se de informações do Censo de Inclusão da UFRN, o critério de filtro implicou a seleção de servidores com deficiência física, auditiva, visual, e múltipla.
Também foi posto como critério de filtro a presença de servidores de Centros e Unidades acadêmicas com maiores quantitativos de PCD perpassados pelos tipos de deficiência mais presentes na UFRN, ocasionando a presença e seleção de 1 servidor da Reitoria, 1 do Centro de Educação, 1 da Escola de Música da UFRN e 1 da Biblioteca Central Zila Mamede. Além disso, foi critério de seleção o nível educacional dos participantes por entender que, a probabilidade de uma construção de discurso sólido acerca da temática da inclusão pode atrelar-se ao nível de instrução. Entretanto, este critério foi delicadamente avaliado por meio de conversas prévias entre o pesquisador e os entrevistados, fato que indicou, em divergência ao nível de graduação de 3 servidores selecionados (2 mestres e 1 doutor), a oportuna seleção de servidor graduado com notório saber na temática da inclusão.
Uma vez ciente dos objetivos deste trabalho relativos ao processo de inserção da PCD na UFRN, principalmente por atos dados por seus fluxos de nomeação de SCD, foi plausível estabelecer critérios de filtro que lançassem o mais amplo olhar sobre o cenário de estudo. Destarte, com auxílio do Programa DAS Inclusivo (da DAS), identificaram-se SCD que já possuíam significativo tempo de serviço na UFRN; que já haviam passado por período de estágio probatório; e servidores recém admitidos na instituição, critério que proporcionou o olhar deste estudo sob a ótica da historicidade das ações institucionais para com os SCD, favorecendo, por conseguinte, o entendimento mais sólido do cenário atual.
4.1.1.2. Local e duração das entrevistas
Os locais definidos para entrevista foram aqueles sugestionados pelos próprios entrevistados. Todos os entrevistados indicaram seus próprios locais de trabalho como ambiente adequado para resposta aos questionários. Pela formatação quanti-qualitativa do questionário não foi possível determinar a duração precisa das entrevistas. Entretanto, buscou-se elaborar questionário de forma que as respostas às perguntas pudessem ser dadas em período não inferior a 20 minutos e não superior a 1 hora. Antes do início da entrevista e aplicação do questionário, o pesquisador conversou sobre diversos assuntos não relacionados ao tema, condição estabelecida para gerar laços de acolhimento e conforto nos entrevistados diante da situação desconhecida.
As entrevistas, como dito, foram realizadas em locais sugeridos pelos participantes. Entretanto, coube ao pesquisador ponderar a viabilidade da entrevista nos espaços sugeridos como forma de confirmar se tratarem de ambientes agradáveis e sem ruído.
4.1.1.3. Análise dos Dados
Para viabilizar a análise dos dados, a aplicação dos questionários, dada por meio da técnica de entrevista, resultou em transcrições que foram apresentadas e discutidas de forma a descrever alguns dos episódios ocorridos ao longo das jornadas laborais dos entrevistados. As falas do pesquisador foram identificadas em material transcrito pela letra “P”, enquanto as falas dos entrevistados foram
identificados por letras escolhidas aleatoriamente dentre as 4 iniciais possíveis no alfabeto da língua portuguesa. O material fruto da transcrição, dada sua dimensão, não consta deste estudo mas, mediante solicitação formal, poderá ser disponibilizado para consultas de fins acadêmicos.
4.1.1.4. Elaboração do questionário
A primeira versão do questionário teve como objetivo possibilitar a identificação as dificuldades encontradas no processo de inclusão dos SCD da UFRN. Na primeira versão foram postas questões que pudessem fundamentar de forma quanti-qualitativa o olhar dos servidores quanto aos preceitos técnicos de uma Avaliação Pós-Ocupação. Estas questões foram numeradas de 1 à 31, sendo as 18 primeiras estabelecidas como alternativas objetivas com possibilidade de escolha conforme escala estabelecida, e as demais com viés qualitativo.
Após questionamentos e análises da primeira versão, viu-se a necessidade de elaborar uma segunda versão do questionário, versão que moldou-se na busca por informações que não estavam registradas ou disponíveis, a não ser na memória ou no pensamento das pessoas. Esta segunda versão estimulou ainda a aplicação de pré-teste do questionário com SCD a fim de colher considerações acerca da mais viável forma de empregá-lo. Para tanto, buscou-se compreender a opinião de SCD (atuante na mesma diretoria deste pesquisador) quanto às dificuldades encontradas no processo de inclusão na UFRN, assim como buscou-se a identificação dos fatores psicossociais relacionados ao trabalho e com relação direta aos do processo de inclusão.
Após apresentar-se o questionário à SCD, foram sugeridas alterações, sendo estas ponderadas e acatadas por este pesquisador. A primeira sugestão foi a de redefinir a numeração das questões, transformando as 18 primeiras em 2 questões, onde cada uma delas permanecerá contendo itens a serem assinalados conforme escala de gradação previamente definida. Esta alteração, conforme discurso da servidora, contribui para diminuir o impacto gerado por um questionário com 31 questões. Com a reformulação, o questionário passou a possuir 17 questões.
Recomendou-se que o texto das questões fossem alinhados à esquerda, permanecendo próximo de seus números. Sugeriu-se que a antiga questão 19, agora questão 3, tivesse seu texto modificado de “Existem outras reivindicações
referentes à espaço físico” para “Está satisfeito(a) com o ambiente físico onde trabalha? Possui reivindicações?”. Conforme sugestão, a questão 5 passou a possuir o seguinte texto; “Sabemos que podem existir situações que dificultam e/ou facilitam a inclusão das pessoas com deficiência. Como se dão as relações socioprofissionais do dia a dia entre você e sua chefia?”. Esta construção frasal visou aproximar o respondente do questionário ao assunto da inclusão e estimular a percepção do entrevistado, bem como estimulou o acesso de conteúdo mental para resposta das questões subsequentes (questões 6 e 7).
A antiga questão 26 passou a ser a questão 10 e seu texto foi modificado de “sobre tais atividades, a minha avaliação é que...” para “Qual a sua avaliação em relação as atividades que desenvolve?”. Esta alteração buscou estabelecer o link entre a resposta dada em questão anterior com a atual, tornando-a de fácil compreensão.
Como forma de consideração e resgate de memórias do indivíduo, sugeriu- se a inserção de questionamento entre as antigas questões 26 e 27. A nova questão, que passou a ser identificada como questão 11 apresenta o seguinte texto: “Pela sua experiência quais estratégias percebe que funcionam para incluir os servidores com deficiência em seus ambientes de trabalho? E o que acha que não funciona?”. Este questionamento busca colher o olhar prévio acerca da temática já vivido ou ponderado pelo entrevistado, seja na concepção de melhorias ou na identificação de falhas, condições que podem vir a contribuir com ações da instituição de forma a atender de forma mais plena os que nela já se inserem.
Por fim, sugeriu-se que uma questão aberta fosse apresentada ao final do questionário com o objetivo de captar nuances pessoais acerca do processo de inclusão de servidores da UFRN. Esta questão, na terceira versão do questionário, passou a apresentar o seguinte texto: “O que acredita ser importante para auxiliar no processo de inclusão dos servidores da UFRN?”.
A terceira versão do questionário foi a estabelecida como adequada para aplicação junto aos SCD selecionados conforme critérios já explícitos. Ao analisar a descrição dos três roteiros apresentados percebe-se a diferença na sua estruturação, no detalhamento das palavras usadas, na elaboração das perguntas e na preocupação de não formular perguntas enviesadas. Algumas questões, dependendo da deficiência apresentada pelo entrevistado, podem não ser assimiladas ou podem não acionar pontos de vivência. Entretanto, são
compreensíveis e aplicáveis, quando não em caso particular, sob uma ótica de entendimento amplo acerca do cenário onde se encontram as PCD.
Para as questões de abordagem objetiva (técnicas), realizou-se a coleta de dados alinhados aos princípios utilizados na Avaliação Pós-Ocupação – APO, aplicada por meio de questionário orientado por técnica de entrevista individual, itens técnicos foram rotulados obedecendo a seguinte sequência: questões fechadas de formato escalar e de múltipla escolha, variando de: P= péssimo; R= ruim; RE= regular; B= bom; O= ótimo, para avaliar a infraestrutura, adequação física e adaptação, satisfação e condições de trabalho.