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1.3 Descrição do Campo da Pesquisa

1.3.3 Entrevista Semiestruturada com a Equipe Gestora das 3 Escolas

Na observação participante foram visitadas as três escolas escolhidas, onde realizou-se uma entrevista semiestruturada (ver apêndice 2) com a equipe gestora da escola, na figura do diretor escolar e de suas especialistas pedagógicas.

A entrevista com a Escola A foi realizada no dia 24 de agosto de 2012, com a Escola B foi realizada no dia 12 de novembro de 2012 e com a Escola C no dia 27 de setembro de 2012.

Em todas as três escolas foi questionado se eles conheciam as metas da escola que foram pactuadas no Acordo de Resultados. Na Escola A, a resposta foi positiva, onde pode ser verificado que tanto na sala do diretor quanto na sala dos professores havia um quadro com as metas propostas. Já na escola B, a equipe gestora sabia que existiam metas para a escola, porém, não sabiam quais eram e nem onde estava o papel com as metas. Foi constatado que não havia nada das metas afixada nos quadros de aviso, nem na sala da supervisão, nem na sala dos professores.

do diretor e um painel grande na sala dos professores. Informaram que: “é para sempre lembrarem ‘onde estamos’ e para onde ‘queremos chegar’” (GESTOR C 25

, entrevista cedida no dia 27 de setembro de 2012).

A segundo pergunta direcionada feita nas três escolas foi sobre se houve alguma resistência por parte dos professores para o trabalho com as metas. O diretor da escola A informou: “resistência não houve, porém, alguns professores tiveram dificuldades em compreender seus objetivos e analisar os resultados das avaliações externas” (GESTOR A, entrevista cedida no dia 24 de agosto de 2012)

O gestor B da Escola B disse: “alguns professores não acreditam em nenhum projeto do governo, portanto, não se importaram em conhecer” (entrevista cedida na dia 12 de novembro de 2012). Na escola C também não houve resistência e, segundo o Gestor C “os professores entenderam muito bem o processo” (entrevista cedida no dia 27 de setembro de 2012).

Quando foi perguntado se a escola acredita que as avaliações externas do Simave são capazes de realizar um diagnóstico sobre o que está sendo ensinado na escola, a equipe gestora da escola A acredita, porém, diz que “deveria ter avaliação em todas as áreas do conhecimento e não só em Português e Matemática para se ter um diagnóstico sobre o que está sendo ensinado na escola” (GESTOR A, entrevista cedida no dia 24 de agosto de 2012). A escola B acredita em parte, mas não soube explicar muito bem o motivo, disse apenas: “meus alunos são da periferia e que não dá para esperar deles o que se espera dos demais alunos. Acham injusta esta avaliação” (GESTOR B, entrevista cedida no dia 12 de novembro de 2012). A escola C respondeu que tem um percentual de erro, mas o diagnóstico é correto.

Sobre se o pagamento do prêmio por produtividade possui relação direta com o aumento de proficiência nas avaliações do Simave, a equipe gestora da escola A respondeu que acredita que em grande parte sim, pois muitos profissionais veem o bônus como uma forma de aumentar sua renda anual. A escola B respondeu que sim, com certeza. Já a escola C respondeu que sim, porém, ponderou que o resultado depende de muitas outras variáveis.

Na pergunta se houve mudanças na gestão da escola após a assinatura do termo de pactuação de metas, o gestor da escola A respondeu: “sim, principalmente

por ser uma avaliação da Secretaria de Estado de Educação - SEE, com bônus, os profissionais passaram a incorporar melhor este processo de avaliação” (GESTOR A, entrevista cedida no dia 24 de agosto de 2012). Para o gestor da escola B: “as mudanças ainda estão acontecendo, mas ter a gestão pedagógica como prioridade é difícil, pois a burocracia existente no Estado toma muito o tempo do diretor e tem coisa que não dá para delegar, como por exemplo, o que envolve o financeiro” (GESTOR B, entrevista cedida no dia 12 de novembro de 2012). O diretor da escola C respondeu: “não é que mudamos apenas pelas metas, mas também em relação aos paradigmas atuais que exigem uma educação com mais qualidade, contextualizada e dinâmica”. (GESTOR C, entrevista cedida no dia 27 de setembro de 2012).

Posteriormente foi perguntado o que a escola tem feito para alcançar as metas propostas. O gestor da escola A respondeu: “temos buscado trabalhar melhor o CBC (Conteúdo Básico Comum), os descritores do SIMAVE, as formas de avaliações contextualizadas buscando inserir esta metodologia em todas as áreas do conhecimento”. O gestor da escola B respondeu: “estamos divulgando os resultados obtidos, as avaliações internas estão sendo feitas nos moldes das avaliações externas, estamos elaboração o PIP (Programa de Intervenção Pedagógica) com base nos resultados do SIMAVE e deixando claro que os resultados são de responsabilidade de todos, não só dos professores de Português e Matemática”. A escola C, na figura do seu diretor respondeu: “estamos trabalhando de forma a conhecer o que precisa ser atingido, diagnosticando e redirecionando o trabalho a todo o momento, tendo uma coordenação dinâmica por parte do supervisor e praticando constantes intervenções”.

Durante a observação participante realizada na pesquisa, buscou-se percorrer os espaços da escola e observar as ações desenvolvidas pela equipe gestora das três escolas. Foram analisadas as atas de reuniões pedagógicas realizadas com os professores e percebeu-se organização e constâncias nessas reuniões na Escola C. A Gestão também parecia ser mais democrática com registros das contribuições dos professores para solucionar os problemas pedagógicos da escola, como a não aprendizagem dos alunos.

A entrevista foi encerrada perguntando quais as mudanças necessárias para o oferecimento de uma educação de qualidade nas escolas e o qual proposta da

gestão da escola para mudança nesta política de pactuação de metas. O gestor da escola A respondeu: “deveria ter mais investimento no profissional, em todos os sentidos, formativo e financeiro e que deveria implantar avaliações em todas as áreas do conhecimento inserindo os resultados individualmente na avaliação interna da escola”. (GESTOR A, entrevista cedida no dia 24 de agosto de 2012). Já o gestor da escola B afirmou: “seria a verdadeira valorização dos profissionais da educação” (GESTOR B, entrevista cedida no dia 12 de novembro de 2012). Quanto à proposição de mudanças, a escola não soube responder. A escola C disse: “ser a melhora na qualidade da formação docente. Os docentes recém-formados têm chegado até a escola sem noção de nada”. (GESTOR C, entrevista cedida no dia 27 de setembro de 2012).