• Nenhum resultado encontrado

Episódio 17: Ouro Preto (Brasil), janeiro de 2018

5 VAMOS PREPARAR UM CALDO? (APROXIMAÇÕES E AÇÕES

5.1 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS

5.1.17 Episódio 17: Ouro Preto (Brasil), janeiro de 2018

Ouro Preto é um município localizado em um vale das montanhas mineiras, com cerca de 70 mil habitantes. É possível fazer uma viagem no tempo lá e em 1980, a Unesco declarou a cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. O local é rico em ouro, mas é também uma aula de história (TURISMO DE OURO PRETO, 2019).

Figura 38 – Ouro Preto

Fonte: Mapa desenvolvido pela autora (2018). Registro da autora (2018).

A reserva dessa hospedagem foi feita por meio do Booking. Contatei a acomodação previamente por meio do Facebook. A pessoa, muito educada, atenciosa, confirmando a reserva, respondeu ao meu questionamento sobre garagem, informou que não havia garagem privativa, mas que, na rua ou próximo ao hostel, havia várias possibilidades para deixar o carro.

Quando chegamos ao hostel, tocamos a campainha. Veio um rapaz bem jovem nos atender. Fizemos o check-in com ele. O pagamento poderia ser feito apenas em dinheiro. Chegou outro hóspede. Quando o recepcionista começou a nos dar algumas instruções, esse outro rapaz chegou mais perto e disse carinhosamente sorrindo: “Vou ouvir aqui junto, que daí ele não precisa repetir depois tudo pra mim”. Concordamos e sorrimos. Depois das instruções, o recepcionista disse: “Deixem as mochilas aqui que eu mostro pra vocês a parte aqui de baixo”. E nos levou até a cozinha, área comum externa e o banheiro. Voltando, ele pegou nossas duas mochilas, sem nem perguntar se precisávamos de ajuda e disse: “Agora venham ver o quarto de vocês”. Subimos a escada de degraus altos. Era um quarto misto, onde havia 12 camas, sendo 4 treliches.

Naquele quarto grande, havia apenas duas tomadas. Havia áreas comuns nesse andar de cima também, e lá havia muitas tomadas. Descemos para a área comum do andar de baixo. Não conseguia conectar a Wi-fi do local, então um hóspede que estava lá sentado me ajudou.

No outro dia, quando descemos para o café da manhã, o proprietário estava na recepção. Ele estava atendendo outra pessoa. Então, íamos passar reto, quando ele nos abordou: “Vocês são...”. Respondi: “Mara”. Ele já retrucou: “Ah, Mara Regina, né?” Apertou minha mão e: “Pablo”... “Prazer, gente!” Se apresentou pelo nome e apontou: “Esta é minha esposa”, também dizendo o nome dela.

O café da manhã era muito farto. Havia muitas pessoas ali. Sentamos à mesma mesa em que estava aquele hóspede que chegou junto com nós, lá no check-in. Conversamos bastante com ele. Quando falávamos sobre a cidade de Tiradentes (que era o próximo destino dele) em meio à conversa, ele virou para trás e disse para um casal que estava na outra mesa: “Ah, vocês também já foram pra Tiradentes, né, gente, me dêem dicas, por favor”. E assim seguimos a conversa.

Saímos para passeios. Quando voltamos, passado do meio dia, estava chovendo torrencialmente. Descemos para perguntar se na recepção sabiam de algum lugar que tivesse tele-entrega. Ele disse que era difícil algum ter tele-entrega ao meio dia, mas imediatamente ligou pra mulher dele: “Amor, Mara e Pablo estão procurando um lugar que entregue comida...” e nos auxiliou. Mais tarde, quando saímos, encontramos na rua, com o casal que conhecemos lá de Tiradentes. Paramos para conversar um pouco, mas, como estava chovendo, logo seguimos.

No espaço comum, havia um mural, com diversos recados, em papéis diferentes, escritos à mão, todos elogiando o casal. Nos bilhetes havia também o nome dos proprietários e depois assinatura de quem escreveu. Eles citavam palavras como hospitalidade, carinho, dedicação, cuidado. Alguns deles podem ser visualizados na figura 39.

Figura 39 – Ouro Preto: bilhetes no hostel

Numa noite, estávamos sentados no sofá, na área comum e o recepcionista disse que estava encerrando o trabalho e indo embora. O horário de check-in, que constava em um cartaz colado do lado de fora da porta, indicava até 23h, mas eram apenas 21h. Pouco tempo depois que ele saiu, bateram na porta. Não abrimos. Na terceira vez, decidimos abrir. Então, Pablo foi até lá e logo me chamou. Era um francês, falando inglês, dizendo que havia feito reserva para aquela noite. Como estava chovendo, dissemos para ele entrar. Ele nos mostrou, no celular, a reserva feita por meio de uma plataforma. Não sabendo o que fazer, tentamos contato com os proprietários, mas não respondiam. Então chegou um hóspede – o que havia me auxiliado com a wi-fi – e ele tinha um outro número do proprietário e ligou para ele. Eles atenderam e falaram que já viriam. Enquanto eles não chegavam, fiquei conversando com o francês, para não deixá-lo ali sozinho.

Quando o casal chegou, com feições muito sérias, ele disse: “Não dá pra ir abrindo a porta assim...”. Então fiquei intrigada, pois só estávamos tentando ajudar. Voltei pra área do sofá onde os rapazes estavam. Enquanto o proprietário resolvia o problema do francês, na recepção, a mulher dele veio até nós e explicou que eles haviam encerrado as reservas naquela plataforma online na parte da tarde ainda, e, que não estavam esperando mais ninguém, por isso liberou o funcionário mais cedo. Explicou também que eles estavam sem carro, então, tiveram que vir de taxi, de longe. Pediu desculpas e desabafou que esse tipo de situação já aconteceu outras vezes com essa mesma plataforma de reserva, de eles encerrarem a possibilidade de reservas, e, no site, não encerrar. Por isso, nos deu a dica: “Sempre confirmem com a acomodação depois de fazer uma reserva online!”. Disse ainda que faz cinco meses que transformaram o espaço em hostel, e que não estava sendo fácil. Ela disse ter trabalhado com pousada antes e que era muito mais fácil de administrar. Encontrando uma cama para o francês, eles nos agradeceram e foram embora.

No outro dia, partimos. Quando fomos entregar a chave, os proprietários estavam sentados, tomando café, e se levantaram, para nos dar um abraço de despedida. Agradeceram por tudo e pediram desculpas por qualquer coisa.