04 galpões metálicos = 1.000 m²;
38 carrinhos para transporte de materiais 01 moega de 26 m³;
02 esteiras elevatórias;
01 esteira para separação (12 Mts); 01 triturador de galhos;
02 sistema roll-on-roll-off;
09 caçambas de 25 m³ fechadas para coleta seletiva;
09 caçambas de 25 m³ abertas; 06 caçambas para ecoponto;
03 prensas - 01 horizontal e 02 vertical; 01 Elevador de carga;
01 peneira giratória;
Construção da bica de despejo dos rejeitos; Pá carregadeira e Máquina esteira
02 galpões = 800 m² (p) 01 esteira de seleção de 16 m de comprimento (p) 04 prensas (p) 01 refeitório (p) 02 vestiários/sanitários (p) 02 prédios administrativos (p) 01 pátio de compostagem (p) 01 portaria (p) 01 guincho (p) 01 máquina pá carregadeira (p)
Estrutura física do fosso de recebimento do lixo (p)
02 caminhões (d)
01 equipamento roll-on roll-off (d)
Quadro 4: Ampliação, reformas, equipamentos pré-existentes e adquiridos
Até o ano de 2008 o material que passava na esteira era lançado em uma bica que o despejava na peneira giratória, que realizava o peneiramento da fração orgânica compostável do lixo. Porém, neste mesmo ano o procedimento da compostagem foi suspenso devido à má qualidade sanitária do composto, uma vez que existia muita mistura de restos de comida com restos de banheiro, o que acarretava uma enorme quantidade de coliformes fecais no composto final obtido. Outro problema era a presença no composto final de outros tipos de materiais, como vidros, pequenos plásticos e metais não atraídos pelo imã.
Alguns tipos de materiais separados na esteira pelos cooperados, sobretudo plásticos, papéis e papelões, podem sofrer uma nova separação (pós separação), que é realizada por outros cooperados sob o mesmo galpão em outra esteira colocada paralela à esteira de separação principal.
O objetivo destas separações é o de se conseguir melhor lucratividade com a venda dos materiais, pois a cada separação mais específica, aumenta-se o ganho por unidade (peça ou quilo). Lixo eletrônico, fios de cobre, chuveiros, utensílios domésticos e alumínio são levados para um local em separado onde sofre o desmanche detalhado para o melhor aproveitamento no ato da venda.
O trabalho de separação dos materiais recicláveis realizado pela Cooprelp apresenta a dificuldade de individualizar a produção, uma vez que as cooperadas trabalham em linha de produção, separando materiais de tipos e preços diferentes de maneira coletiva. Outros cooperados ficam apenas prensando, outros realizando algum tipo de limpeza nas instalações da usina.
Desta forma, no momento de realizar a divisão do resultado da venda dos materiais para que cada cooperado receba segundo sua produção, a forma mais democrática encontrada foi o do total de horas trabalhadas e, assim, quem trabalha mais horas tem, teoricamente mais produção e maior receita.
No final do mês, do total arrecadado com a venda dos materiais, subtraem- se as despesas coletivas da cooperativa e, o que resulta, é dividido pelo total de horas trabalhadas no período, obtendo-se o valor a ser pago aos cooperados por hora trabalhada.
Os materiais separados e prensados pela COOPRELP, tanto os da coleta seletiva, como os obtidos por triagem de resíduos domiciliares, são armazenados nos galpões para a venda. O critério de venda considera a oferta do melhor preço, mas também as oportunidades de venda conjugada de materiais com níveis de aceitação distintos.
5.6 Ganhos sociais
A questão social que envolve a questão do lixo gerado no município teve e tem importância determinante na implantação e manutenção do Projeto Cidade Limpa e Solidária.
O resultado do trabalho das cooperadas surge no final do mês quando o resultado líquido da venda dos materiais, deduzidas as despesas e os impostos (PIS, COFINS e INSS individual), é dividido entre as cooperadas utilizando o critério de horas trabalhadas de cada uma. Os cooperados recolhem uma cota parte do salário em um fundo que rende juros e que lhes é restituída quando deixam a cooperativa por algum motivo.
Outros resultados que demonstram os ganhos sociais do Projeto Cidade Limpa e Solidária são:
a) A sociedade passou a aceitar melhor a atividade dos dois grupos carentes trabalhando pelas ruas da cidade. Diminuiu a discriminação negativa que havia e houve o fortalecimento de ambos os grupos;
b) A aceitação mútua dos integrantes da ADEFILP e da COOPRELP foi um resultado positivo expressivo, porque os dois grupos estavam sendo discriminados negativamente pela população e, ao mesmo tempo, tinham impressão negativa de um em relação ao outro. A situação melhorou para ambos os grupos quando perceberam que deveriam se unir ao invés de competirem entre si;
c) As mulheres que integram a COOPRELP são, na maioria, chefes de famílias e possuem filhos e netos, sendo que muitas não têm apoio dos pais das crianças. Desta forma, este trabalho possibilita que estas mulheres criem seus filhos e netos e ainda respondam pela organização da casa e da família. É marcante como as mulheres se adaptam melhor ao trabalho, visto que no mês em que houve o maior número de cooperados, 65, apenas 05 eram homens;
d) Os cooperados passaram a ser trabalhadores formais no mercado de trabalho. Todos recolhem INSS como contribuintes individuais e também recolhem uma cota parte do salário que é destinada a um fundo que rende juros e que lhes é restituída quando deixam a cooperativa por algum motivo. A COOPRELP recolhe todos os impostos, como PIS, COFINS e outros, tendo para isso, a contratação de um escritório de contabilidade;
e) Três cooperados obtiveram acesso à casa própria comprovando renda através do holerite emitido pela COOPRELP. Outras mulheres pagam aluguel e mantém suas famílias com renda exclusiva obtida através do trabalho como cooperadas.
5.7 Ganhos ambientais
a) Atualmente 210 toneladas de materiais recicláveis são separadas permitindo o alongamento da vida útil do aterro em valas;
b) O gasto de energia para a triagem dos materiais contidos no lixo diminuiu significativamente, de R$ 112,63 para R$ 18,82 para cada tonelada de material reciclável separado;
d) A coleta seletiva realizada pela COOPRELP contempla 100% da cidade, estando presente em todos os bairros e no distrito de Alfredo Guedes, e contribui com 50 toneladas de materiais recicláveis por mês;
e) A implantação do Projeto trouxe a discussão sobre meio ambiente no município, o que reflete positivamente na busca da sustentabilidade ambiental urbana;
f) A cooperativa realiza também a trituração de restos de podas de árvores. O material triturado é vendido para uma indústria local para produção de energia. Essa maneira de tratar os resíduos de poda é ambientalmente correta porque estes, até então, eram lançados em um terreno próximo à cidade, onde invariavelmente causavam transtornos em função de incêndios provocados por motivos diversos;
g) O Projeto Cidade Limpa e Solidária tem sido utilizado para o desenvolvimento de atividades junto aos alunos por professores da UNESP de Bauru e Botucatu, bem como por administradores de vários municípios do Estado de São Paulo e também de outros Estados, como referência para o desenvolvimento de planos locais.
5.8 Resultados econômicos e de desempenho na realização da separação dos materiais recicláveis na usina de triagem
A melhor forma de apresentar o resultado quantitativo de separação dos materiais recicláveis através do Projeto Cidade Limpa e Solidária é a comparação do desempenho da COOPRELP realizando a coleta seletiva e a separação de materiais recicláveis na usina de triagem com o desempenho do trabalho realizado apenas pelos funcionários municipais, anteriormente à implantação do projeto.
Ressalta-se que os funcionários municipais não realizavam a coleta seletiva, apenas a separação na usina de triagem.
Ate o ano de 2.002, o custo unitário médio de separação de materiais recicláveis era de R$ 2.530,00 por tonelada e foi reduzido para R$ 116,86 por tonelada já no ano seguinte (2003).
Esta diferença significativa de valores explica-se pela baixa produtividade dos funcionários municipais, os quais, em número de 44, realizavam a separação
de apenas 25 toneladas por mês de materiais recicláveis, contra as 140 toneladas obtidas atualmente Tabela 2.
Tabela 1: Comparativo da composição dos custos operacionais da usina de reciclagem e compostagem de lixo antes e após da implantação do plano de gestão
PLANO DE GESTÃO – RESULTADOS ECONÔMICOS ANUAIS – (Valor constante)
DESPESAS ATÉ 2002 – ANTES DA IMPLANTAÇÃO DO PRÉ- PLANO DE GESTÃO APÓS A IMPLANTAÇÃO DO PÓS-PLANO DE GESTÃO Folha de pagamento 619.000,00 70.112,18 Manutenção da URCL 140.000,00 126.208,26 TOTAL 759.000,00 196.320,44 DIFERENÇA = ECONOMIA 562.679,56
É possível identificar a sensível diminuição no custo do sistema. Isso ocorreu porque os 44 servidores municipais que estavam locados na usina foram transferidos para trabalhos na cidade, em outros serviços públicos, como varrição de ruas, poda de árvores e pavimentação asfáltica.
As despesas decorrentes dos pagamentos salariais diminuíram e a transferência destes funcionários para a realização de serviços na cidade melhorou o desempenho da Administração, conforme foi comprovado pelas pesquisas bianuais realizadas junto a população. O valor menor na manutenção das instalações da URCL após a implantação do plano de gestão deve-se ao fato de que estas foram totalmente reformadas e, portanto, passaram a apresentar menos problemas.Para substituir os funcionários, as instalações da usina foram concedidas aos deficientes físicos e aos cooperados, os quais não possuíam um lugar adequado para o trabalho de separação e venda de materiais recicláveis. A Tabela 2 mostra a comparação dos custos por tonelada de materiais recicláveis separados.
Tabela 2: Comparativo de custos de separação de materiais recicláveis na usina de
reciclagem e compostagem de lixo
CUSTO POR TONELADA DE MATERIAL RECICLÁVEL SEPARADO