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ERROS, FALHAS E DERROTAS DE NAPOLEÃO

Napoleão possuía o hábito humano comum de “dourar” suas melhores façanhas e culpar os outros por seus reveses. Por exemplo, ele desenvolveu o relato da sua medíocre Campanha de Marengo como um romance épico de primeira classe. De acordo com o Coronel (EUA) John Elting, “os seguidores próximos de Napoleão, por causa do culto ao herói ou por considerações pessoais, também suprimiram e inventaram. Por outro lado, seus inimigos se esforçaram em retratá-lo como um monstro e a apresentar suas melhores vitórias como resultados de sortes acidentais.”

Napoleão cometeu erros estratégicos, táticos e políticos. Por exemplo, o erro mais grave foi de aceitar ficar lutando em várias frentes ao mesmo tempo. Os franceses lutaram contra os espanhóis e os britânicos no Ocidente e contra os russos, prussianos e austría- cos no Oriente. Abaixo são mostrados outros erros de Napoleão:

=> A severidade dos termos usados por Napoleão com a Prússia prejudicou a se- gurança da paz;

=> Sua política para com a Inglaterra contemplava nada menos do que sua ruína total;

=> Sua agressividade para com o Tirol, Portugal e Espanha, seus inimigos frescos. e

=> Sua invasão à Rússia, que resultou na perda de meio milhão de seus melhores soldados e mihares de canhões.

Após o desastre da Campanha da Rússia, Napoleão nunca recuperou a sua gran- deza. (Napoleão acreditava que, após algumas batalhas rápidas, ele poderia convencer o czar Alexandre a retornar ao Sistema Continental. Então ele também decidiu que se ocupasse Moscou, os russos iriam pedir a paz. No entanto, quando Napoleão invadiu Moscou, o czar não se rendeu. Mas ele não poderia se render, porque se o fizesse, ele seria assassinado pelos nobres. Karl von Clausewitz explicou que: “Napoleão foi incapaz

de compreender o fato de que Alexandre não poderia negociar. O czar sabia muito bem que seria descartado e assassinado se ele assimo tentasse.” (Clausewitz - “A campanha

de 1812 na Rússia.”)

Algumas das derrotas de Napoleão:

poleão tinha sofridosua primeira grande derrota. Ele perdeu para os austríacos determina- dos sob o comando do Arquiduque Charles.

=> 1812, Beresina - O Exército de Napoleão teve 25.000 mortos e feridos, enquanto os russos perderam 20.000. Além disso, pelo menos 10.000 franceses foram massacra- dos pelos cossacos, enquanto outros 20.000 morreram no rio congelante ou foram es- magadas até à morte em pânico para tenar atravessar as pontes. Os remanescentes do Exército de Napoleão conseguiram fugir. (Alguns autores consideram Beresina como uma vitória tática e estratégica francesa ).

=> 1813, Leipzig - Napoleão resistiu a todos os assaltos aliados e então contra-ata- cou. Entretanto, outro exército (sob o comando de Bennigsen) atacou seu flanco. Isso o forçou a abandonar suas posições e retirar seu exército para mais perto de Leipzig. Então ele foi cercado e derrotado. Em termos de baixas e de resultados políticos e estratégicos, foi, provavelmente, a maior derrota de Napoleão.

=> 1814, La Rothiere - enquanto Napoleão trocava golpes com os exércitos de Blucher e Sacken exército no “front”, outro exército (sob o comando de Wrede) atacou seu flanco. Napoleão se retirou, esta foi sua primeira derrota em solo francês.

=> 1815, Waterloo - enquan- to Napoleão atacava o exército ale- mão-britânico-holandês de Welling- ton, outro exército (sob o comando de Blucher) atacou seu flanco. Na- poleão foi derrotado.

Como comandante, Napo- leão estava se tornando previsível, e seus inimigos estavam começan- do a avaliar as contramedidas e a usá-las contra ele. Cada vez mais, ele se recusava a encarar a rea- lidade e a suprimir todos os topos de críticas. “No entanto, depois que

tinha dito e feito tudo, ele permane- cia como um gigante cercado por pigmeus; sua reputação sobreviveu à sua queda pois, sua grandeza bá- sica era inviolável.” (Chandler - p

“Waterloo - os cem dias)

A derrota em Aspern-Essling é assim explicada por Loraine Petre. “Na derrota de Essling o Imperador

teve toda a culpa. Ele, certamente, tinha sido negligente em seus pre- parativos para a travessia (do rio Danúbio), uma vez mais o resulta- do de seu orgulho ilimitado e de seu desprezo pelo seu inimigo. Ele foi amplamente avisado dos perigos de um aumento súbito do nível das águas do Danúbio,

do destino da ponte austríaca em Mauthausen e dos perigos do emprego de uma ponte feita de barcos e barcaças, em face do rápido fluxo do rio. Ele ainda enfiou todo o seu exército sobre uma única ponte feita de barcos, sem nenhuma proteção, e sem cercas, ou protegida por barcos de cruzeiro que prendessem aquela massa flutuante acima da ponte. Sua informação sobre a posição de Charles parece ter sido má e o fez deduzir que não sofreria resistência séria, imediatamente após a transposição do rio. Assim, no amanhecer de Essling, sua cavalaria não conseguiudetectar o avanço do exército austríaco todo. Es- sling foi o primeiro grande sucesso de um exército austríaco contra Napoleão em pessoa. ... Não há provas claras de que Napoleão tivesse percebido sua própria imprudência na primeira travessia, mas há sobre o infinito cuidado com que ele realizou os preparativos para a segunda, assim como a perfeição com que foram executados”. (Petre - “Napoleão

em guerra”)

Depois de Essling, a posição de Napoleão era de uma extrema ansiedade. As no- tícias do revés ocorrido propagaram como fogo em toda a Europa, oferecendo todo o estímulo para seus inimigos.

OBS: “no outono de 1813, os aliados adotaram uma estratégia de não deixar qual-

quer um de seus três exércitos sozinhos contra Napoleão. O exército aliado mestre deveria se colocar à frente para, em seguida, retirar-se, enquanto o seguinte avançava. Enquanto Napoleão estava “perseguindo o ar” (o exército da vanguarda que tinha se evadido), sur- gia a oportunidade de levar alguns dos marechais aliados para a batalha e derrotar um a um os exércitos de Napleão”. (-Peter Hofschroer)

Tal estratégia funcionou às mil maravilhas. Em agosto, o Corpo do Marechal Oudi- not foi destruído em Gross Beeren, o Marechal MacDonald foi derrotado em Katzbach e o General Vandamme em Kulm. Em setembro, o Marechal Ney foi vencido em Dennewitz.

CAPÍTULO 7

RAPIDEZ DE MOVIMENTOS E CONCENTRAÇÃO DETROPAS.