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3.PROCEDEDER METODOLÓGICO

3.2 A escolha pública dos poderes executivo e legislativo na alocação de recursos

3.2.1 A escolha pública de cada Poder numa mesma etapa da LOA

Na primeira etapa da análise foram elaboradas séries históricas tendo por base os orçamentos de 2008, 2009, 2010 e 2011 nas etapas da LOA já mencionadas na Seção anterior. A finalidade das séries históricas foi montar rankings quanto à alocação de recursos pelos atores políticos nas etapas da LOA para os 312 programas (conglomerado de todos os programas) e dos 212 programas finalísticos (conglomerado dos programas finalísticos e que subsidiará a análise subsequente quanto à influência dos indicadores neste processo). Os Quadros 30, 31 e 32 apresentam os arranjos das séries históricas para cada etapa da LOA analisadas, assim como os resultados esperados:

Quadro 30: Arranjo das séries históricas para análise da etapa de Elaboração do PLOA Elaboração do PLOA

Fórmula Produtos O que se espera

obter?

Código do

Ranking

Valor alocado pelo Executivo no PLOA de 2008a

4 rankings para todos os programas Se a escolha pública do Executivo quanto à alocação de recursos foi a mesma no período AA 4 rankings para os programas finalísticos AB

Valor alocado pelo Executivo no PLOA 2009b – Valor alocado pelo Executivo no

PLOA 2008

3 rankings para todos os

programas AC

3 rankings para os

programas finalísticos AD

(Valor alocado pelo Executivo no PLOA 2009b – Valor alocado pelo Executivo no PLOA 2008)/ Valor alocado pelo Executivo

no PLOA 2008

3 rankings para todos os

programas AE

3 rankings para os

programas finalísticos AF

Fonte: Elaboração própria

Legenda: a) este procedimento será replicado para os orçamentos de 2009, 2010 e 2011; b) este procedimento

será replicado para os orçamentos de 2010 e 2011.

Quadro 31: Arranjo das séries históricas para análise da Etapa de Discussão, Votação e Aprovação do PLOA Discussão, Votação, Aprovação e Sanção do PLOA

Fórmula Produtos O que se espera

obter?

Código do

Ranking

Valor autografado PLOA de 2008a – Valor do PLOA enviado ao CN de 2008

4 rankings para todos os programas Se a escolha pública do Legislativo quanto à alocação de recursos foi a mesma no período AG 4 rankings para os programas finalísticos AH

(Valor autografado PLOA de 2008a – Valor do PLOA enviado ao CN de 2008)/ Valor do

PLOA enviado ao CN de 2008

4 rankings para todos os

programas AI

4 rankings para os

programas finalísticos AJ

(Valor autografado PLOA 2009b – Valor alocado pelo Executivo no PLOA 2009) -

(Valor autografado PLOA 2008 – Valor alocado pelo Executivo no PLOA 2008)

3 rankings para todos os

programas AK

3 rankings para os

[(Valor autografado PLOA 2009b – Valor alocado pelo Executivo no PLOA 2009) - (Valor autografado PLOA 2008 – Valor alocado pelo Executivo no PLOA 2008)] / (Recurso autografado PLOA 2008 – Recurso

alocado pelo Executivo no PLOA 2008)

3 rankings para todos os

programas AM

3 rankings para os

programas finalísticos AN

Valor da dotação inicial 2008a – Valor autografado 2008

4 rankings para todos os programas Se a escolha pública do Executivo quanto à alocação de recursos no momento do veto foi a mesma no período AO 4 rankings para os programas finalísticos AP

Fonte: Elaboração própria

Legenda: a) Este procedimento será replicado para os orçamentos de 2009, 2010 e 2011; b) Este procedimento

será replicado para os orçamentos de 2010 e 2011.

Quadro 32: Arranjo das séries históricas para análise da Etapa de Execução Orçamentária e Financeira da LOA Execução da LOA

Fórmula Produtos O que se espera

obter?

Código do

Ranking

Valor alocado pelo Executivo nas Dotações Iniciais da LOA de 2008a

4 rankings para todos os programas Se a escolha pública do Executivo quanto à alocação de recursos foi a mesma no período AQ 4 rankings para os programas

finalísticos AR

Valor empenhado pelo Executivo na LOA de 2008a

3 rankings para todos os

programas AS

3 rankings para os programas

finalísticos AT

Valor empenhado pelo Executivo na LOA de 2008/ Valor alocado no PLOA de

2008b

3 rankings para todos os

programas AU

3 rankings para os programas

finalísticos AV

Valor empenhado pelo Executivo na LOA de 2008/ Valor alocado na dotação inicial

da LOA de 2008b

3 rankings para todos os

programas AW

3 rankings para os programas

finalísticos AX

Valor empenhado pelo Executivo na LOA de 2009c - Valor empenhado pelo

Executivo na LOA de 2008

2 rankings para todos os

programas AY

2 rankings para os programas

finalísticos AZ

(Valor empenhado pelo Executivo na LOA de 2009c - Valor empenhado pelo

Executivo na LOA de 2008)/ Valor empenhado na LOA de 2008

2 rankings para todos os

programas BA

2 rankings para os programas

finalísticos BB

Fonte: Elaboração própria

Legenda: a) este procedimento será replicado para os orçamentos de 2009, 2010 e 2011; b) este procedimento

será replicado para os orçamentos de 2009 e 2010; c) este procedimento será replicado para 2010.

As séries históricas permitem uma análise quanto ao volume de recursos por programas nas diversas etapas do orçamento. Além disso, elas permitem a elaboração dos

rankings de todos os programas da LOA, inclusive os programas finalísticos, para cada

Após a elaboração dos rankings foram aplicados os testes não paramétricos: de Friedman, de concordância de Kendall e de correlação de Spearman.

A utilização de testes não paramétricos em vez dos paramétricos é recomendada se: a) não existe estudo prévio que permita fazer comparações;

b) a amostra é pequena, menos do que 200 observações;

c) não se pode dizer nada a respeito da população de que a amostra foi retirada. Não se pode dizer se ela tem distribuição normal ou qualquer outra.

d) existe muita heterogeneidade nos dados (CONOVER, 1999; SIEGEL e CASTELLAN, 1988).

Se os dados incorrerem em uma ou mais dessas condições deve-se utilizar testes não paramétricos. Dessa forma, como este estudo atende ao primeiro quesito, optou-se pelo seu uso. Estes testes não paramétricos possuem como finalidade verificar:

-Se a escolha pública no processo de alocação de recursos pelo Executivo no orçamento federal, quando do envio do PLOA, seguiu o mesmo comportamento em 2008, 2009, 2010 e 2011;

-Se a escolha pública no processo de alocação de recursos pelo Legislativo no orçamento federal, quando da devolução do PLOA aprovado, (autógrafo do PLOA) seguiu o mesmo comportamento em 2008, 2009, 2010 e 2011;

-Se a escolha pública no processo de alocação de recursos pelo Executivo no orçamento federal, quando da execução LOA, seguiu o mesmo comportamento em 2008, 2009 e 2010.

O teste de Friedman é utilizado para verificar a hipótese nula de que os dados selecionados da amostra tenham sido extraídas dos mesma população (CONOVER, 1999; SIEGEL e CASTELLAN, 1988). A equação 1 dispõe sobre o teste de Friedman.

Na equação 1,

r

representa o número de blocos (linhas);

c

representa o número de objetos/tratamentos (colunas);

R

2j representa o quadrado do total das somas de postos sobre

as

c

condições.

O teste de Kendall (W) é sugerido por Conover (1999) e por Siegel e Castellan (1988) quando se deseja medir a concordância entre diversos julgamentos (escolhas) a respeito de

associação entre três ou mais variáveis. Tem especial aplicação como método-padrão de ordenação de elementos de acordo com consenso, quando não se dispõe de uma ordem objetiva dos mesmos. A equação 2 dispõe sobre o coeficiente de concordância W de Kendall.

)

1

(

)

1

(

3

)

12

(

2 2 2 2 2

N

N

K

N

N

k

R

W

i

Na equação 2,

k

representa a quantidade de juízes;

N

o número de objetos em cada

ranking e

∑Ri

representa a soma dos quadrados dos rankings de cada

N

objetos rankeados. Existe uma relação próxima entre o teste de Friedman e o coeficiente de concordância de Kendall. Eles utilizam o mesmo formato de construção do banco de dados e o mesmo

χ

2. Eles diferem apenas na formulação da hipótese nula. No teste de Friedman é que não há real diferença entre os tratamentos (objetos). O teste de Kendall foca nos julgadores e não objetos. Assim se a hipótese nula do teste de Kendall for verdadeira, isso significa que os juízes produziram rankings independentes uns dos outros, logo não se pode realizar o estudo de concordância (LEGENDRE, 2005). Seguem as hipóteses nulas de ambos os testes:

- H0 do teste de Friedman: Os n objetos foram extraídos da mesma população. - H0 do teste de Kendall: Os juízes produzem rankings independentes dos objetos.

O Quadro 33 montra como será agrupado o universo dos dados para a aplicação do testes de Friedman e de concordância de Kendall.

Quadro 33: Agrupamento do universo estudado entre os anos por Poder para aplicação dos testes de

Friedman e de Kendall

Bloco – b (“Juiz”) “Tratamento” ou “Objeto”/ Programa - K

Programa 1 Programa 2 Programa 3 Programa 4-211 Programa 312a Executivo na Elaboração do PLOA em 2008 b Valor alocado Valor alocado Valor alocado Valor alocado Valor alocado Executivo na Elaboração do PLOA em 2009 b Valor alocado Valor alocado Valor alocado Valor alocado Valor alocado Executivo na Elaboração do PLOA em 2010 b Valor alocado Valor alocado Valor alocado Valor alocado Valor alocado Executivo na Elaboração do PLOA em 2011b Valor alocado Valor alocado Valor alocado Valor alocado Valor alocado

Fonte: Elaboração própria

Legenda: a) neste exemplo foram considerados todos os programas, caso fossem considerados apenas os

programas finalísticos a quantidade de ―objetos‖ seria 212; b) será realizado o mesmo estudo para o Poder Legislativo na aprovação da LOA e pelo Executivo na Execução da LOA.

No Quadro 33 observa-se o mesmo Poder em anos diferentes é representado por um bloco (que representa o juiz) e cada ―objeto‖, terminologia utilizada originalmente no teste, é

representado por um programa. Assim, pretende-se verificar qual o grau de concordância do mesmo juiz (Poder) em anos distintos.

Para fins de apresentação, a coluna do Programa 4-311 representa todos os programas que estariam dispostos entre o programa 3 e o programa 312. Dessa forma, espera-se obter o nível de concordância das escolhas públicas na alocação de recursos por programas na mesma etapa da LOA em anos diferentes.

Para aplicação dos testes de Friedman e de Kendall algumas premissas são necessárias:

-Os blocos são independentes;

-As observações de cada bloco podem ser rankeadas de acordo com algum critério de interesse (CONOVER, 1999).

A primeira premissa é atendida na medida em que um orçamento de um ano não precisa ser igual ao do ano anterior. A segunda premissa é atendida, pois há um módulo integrador entre cada ano no mesmo Poder: o programa.

No caso específico do teste de Kendall, caso o valor do coeficiente W seja 1 (um) há uma perfeita concordância entre os blocos (o mesmo Poder entre os anos); caso o valor se aproxime de 0 (zero) ou seja igual a zero, haverá uma perfeita discordância entre os blocos.

Iman et alli (1984) e Hora e Iman (1988) apud Conover (1999) afirmam que o teste de Friedman aplicado a universos com mais de 6 (seis) tratamentos é mais poderoso que o teste de Quade, descartando-se assim, esta eventual alternativa.

A eficiência do teste de Friedman chega a 91% quando

K

= 20, podendo atingir 95% quando

K

atinge valores maiores (SIEGEL; CASTELLAN, 1988) ; enquanto a eficiência do teste de Kendall chega a 95,5% quando K é grande (SIEGEL; CASTELLAN, 1988). Como neste estudo

K

será igual 212 em alguns rankings e a 312 em outros rankings, os resultados terão eficiência de 95,5%.

Após a aplicação dos testes de Friedman e de Kendall, ainda será aplicado o teste de Spearman. O

r

s (

ρ

) de Spearman mede o grau de concordância entre os pares dos blocos selecionados do teste de Kendall (CONOVER, 1999: 382-383). A equação 3 dispõe sobre o coeficiente

r

s de correlação de Spearman onde

d

i a diferença entre os números de ordem das observações

x

i e

y

i, isto é,

d

i = n° ordem de

x

i −n° ordem de

y

i:

O Quadro 34 mostra como será agrupado o universo dos dados para a aplicação do teste de Spearman.

Quadro 34: Agrupamento do universo estudado entre os anos por Poder para aplicação do teste de Spearman

Objeto Variável X Variável Y

Executivo b na Elaboração do PLOA em 2008 c Executivo b no envio do PLOA em 2009 c

Programa 1 Valor alocado Valor alocado

Programa 2 Valor alocado Valor alocado

Programa 3 Valor alocado Valor alocado

Programa 4-211 Valor alocado Valor alocado

Programa 312a Valor alocado Valor alocado

Fonte: Elaboração própria

Legenda: a) Neste exemplo foram considerados todos os programas. Caso fossem considerados apenas os

programas finalísticos a quantidade de ―objetos‖ seria 212; b) Será realizado o mesmo estudo para o Poder Legislativo na aprovação da LOA e para Executivo na Execução da LOA; c) Será realizada a comparação entre

2009 e 2010, entre 2010 e 2011, entre 2008 e 2010, entre 2009 e 2011, entre 2008 e 2011.

Caso o valor do coeficiente seja 1 (um) haverá uma perfeita concordância entre o par de blocos (poderes) selecionado; caso haja discordância entre os rankings dos pares de blocos selecionados o valor se afastará de 1, podendo assumir valores negativos até -1 (menos 1).

A eficiência do teste de Spearman chega a 91% quando

K

é grande (SIEGEL; CASTELLAN, 1988). Como neste estudo

K

será 212 em alguns rankings e 312 em outros

rankings, os resultados deste estudo terão eficiência de 95,5%.

Uma diferença entre os métodos de Kendall e de Spearman ao exprimirem a concordância entre postos é que

r

s (ρ) pode assumir valores entre -1 e + 1 enquanto W só

toma valores entre 0 e +1. A razão pela qual W não pode tomar valores negativos é que quando estão em jogo mais de dois conjuntos de postos, esses conjuntos não podem ser completamente discordantes. Assim,

k

juízes podem todos concordar, mas é impossível eles discordarem completamente (SIEGEL, 1975). Diante do exposto, justifica-se a necessidade de aplicar ambos os testes para analisar o comportamento do mesmo Poder entre anos. Para ambos os teste será utilizado o parâmetro de análise dos resultados constante no Quadro 35.

Quadro 35: Parâmetros de análise do teste de Kendall e de Spearman

Resultado Correlação (rs) a /Concordância (W)a

[0,9; 1] Muito Forte [0,75; 0,9[ Forte [0,5; 0,75[ Moderada [0,25; 0,5[ Fraca [0,0;0,25[ Muito fraca Fonte: Finney (1980)

Legenda: a) no caso do teste de Spearman os valores variam de -1 a +1; b) a interpretação do nível de

concordância foi adaptada para o mesmo raciocínio do nível de correlação.

Para aplicação dos testes de Kendall e de Spearman utilizou-se o software SPPS versão 17.0.

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