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PROGRAMA

ESPAÇO E FORMA

ECONOMIA DE MEIOS

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Sendo o Programa um conjunto de exigências, a voz do habitante, o arquitecto deve ter a capacidade de antever o seu modo de vida e as suas necessidades, através da sua compreensão/conhecimento/reconhecimento. Estas necessidades apresentam-se inconstantes, como a própria vivência do Homem contemporâneo, e mudam ao longo do tempo, obrigando à reinvenção e renovação do espaço habitável. A dimensão do tempo implica uma inconstância entre o Espaço e Forma habitável e o habitante que, conforme as suas necessidades, pode precisar de alterar a sua configuração.

“A flexibilidade na arquitectura e particularmente na habitação-célula habitacional pode se suceder em distintos graus, sob múltiplas formas e variantes. Desde uma flexibilização total, a uma flexibilização parcial; temporalmente imediata ou evolutiva; dependente da acção de um ou variados mecanismos/dispositivos, ou simplesmente relativa a particularidades/organizações espaciais. Genericamente a flexibilidade está em tudo (do programa ao projecto, do utensílio/dispositivo ao espaço), que dê ao utilizador maior liberdade de escolha, acção e intervenção do, e, no seu abrigo/reduto habitacional.”25

O carácter e a Capacidade de Transformação, seja por meio da flexibilidade do espaço ou da arquitectura evolutiva, não toma como intenção que as soluções arquitectónicas sejam resistentes ao tempo mas sim que se apresentem a favor dele. Torna-se interessante quando se potencia o carácter flexível e transformador de um espaço, sem impossibilitar a liberdade e autonomia do habitante, e ao mesmo tempo dando pistas para o modo como este pode usar e organizar o espaço.

25 SILVA, S. V. D. 2008. Flexibilidade como experimentação no habitar

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Flexibilidade do Espaço

Entende-se por flexibilidade do espaço a possibilidade de mudar a função sem modificar as partes construídas, sendo flexível o espaço que permitir diferentes usos, sem o modificar construtivamente. A necessidade da flexibilização do espaço apoia-se na problemática da alteração rápida de funções e programas, que por esse motivo não deve pré-determinar-se, mas sim adaptar-se aos seus habitantes e aos consequentes desenvolvimentos tecnológicos.

A capacidade de transformação do espaço habitacional torna-se um dos aspectos fundamentais na resolução de grande parte das preocupações relacionadas com a capacidade destes espaços acompanharem as alterações das necessidades do seu usuário no decorrer do tempo. Se por um lado esta característica do espaço pode acarretar um certo grau de desconfiança e falta de identificação com o lugar, por outro permite uma adaptação personalizada a um sujeito único.

A flexibilização do espaço pode ser feita em diferentes níveis, desde a estrutura e compartimentações, até ao desenho dos percursos, dos acessos e das portas. Um factor determinante da adaptabilidade dos espaços criados nas habitações é também a capacidade que estes oferecem para diferentes formas de serem mobilados e apropriados. A acção de mobilar a habitação deve ser antecedida, ao nível do projecto, pela programação prévia, cuidadosa e variada do potencial de ocupação dessa unidade habitacional.

A arquitectura acompanha as necessidades do homem, num tempo em que os valores de uma sociedade em permanente mudança são reflectidos em inúmeros exemplos de arquitecturas de carácter flexível. O projecto habitacional tem hoje novos aspectos, uma nova definição programática, que se une a novos usos e novas formas de viver em acelerada mudança, reflectindo-se numa nova definição espacial e técnica, em cumplicidade com uma nova bagagem tecnológica inserida no espaço contemporâneo.

Do ponto de vista da nossa análise entendemos dividir a capacidade de flexibilização do espaço habitacional em três exemplos (temas/tempos) paradigmáticos: a casa tradicional japonesa, o efeito “Loft”- open-space, e a pré-fabricação e a casa catálogo.26

26 SILVA, S. V. D. 2008. Flexibilidade como experimentação no habitar

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Fig. 33 | Vila Imperial Katsura, Japão, 1616-1660 - esteiras tatami definem a malha reticulada

Fig. 34 | Vila Imperial Katsura, Japão - transição dos espaços

54 A casa tradicional Japonesa, Minka, revela a simplicidade e despojamento que caracterizam a cultura japonesa, e a sua maneira flexível e adaptável de estar e viver o espaço habitacional. O modo de viver oriental, despojado de valores materiais – muito ligado à referência do Budismo – em nada se assemelha aos valores ocidentais.

A casa tradicional japonesa, que remonta ao séc. VIII, assemelha-se aos templos Budistas, que como esta eram compostos por um corpo principal ladeado por uma arcada, construído a partir dos materiais abundantes como a madeira, o papel e a terra. Os principais elementos fixos, estrutura e cobertura em madeira – delimitados por uma malha determinada pelas esteiras de Tatami - distinguem-se dos seus elementos de

revestimento e das compartimentações móveis – Fusuma e Shoji.27

Os exemplos mais paradigmáticos deste tipo de arquitectura são as vilas Shugakuin, Katsura, 1616-1660 (fig. 33 à 35), e Rinshunkaku. O ideal da casa japonesa é composto por três partes: o exterior (jardim), o espaço intermédio (varanda) e o interior (habitação). O jardim, além de envolver a casa, é o elemento de percurso; a varanda, para além de suavizar a chuva e o calor, cria cenários e grafismos com os seus jogos de luz, e torna-se um espaço dual – tanto é a extensão do espaço interno como a extensão do espaço externo; e o interior é o espaço de abrigo/protecção que proporciona espaços transformáveis através dos painéis móveis.

“Cada espaço na habitação Japonesa, não tem um uso específico, nem uma denominação específica que nos dê indicações sobre o seu uso, os espaços são designados segundo a sua localização espacial na casa, sem nenhuma indicação precisa sobre o seu uso particular, onde não existe nenhuma disposição prévia, e tudo muda ao sabor dos ritmos diários quotidianos, fazendo com que não existam zonas mortas, zonas que durante a noite estão inutilizadas (as nossas salas e cozinhas) e que durante o dia pouco ou nada são utilizadas (os nossos quartos).”28

27 (…) Fusuma, painéis corrediços de papel e madeira e Shoji, mais leve que as fusuma

e mais translúcido, que permite a passagem da luz. (…) Tatami, esteiras de tamanhos standartizados, feitas de palhas de arroz firmemente atadas e cobertas por uma fina película de junco (…). ANTUNES, C. M. G. 2002. Habitar um imóvel ou viver num

móvel: a flexibilidade e a mobilidade do espaço habitacional como resposta a novas exigências da contemporaneidade. mestrado, Faculdade de Arquitectura da

Universidade do Porto, pp. 44-45.

28 ANTUNES, C. M. G. 2002. Habitar um imóvel ou viver num móvel: a flexibilidade e

a mobilidade do espaço habitacional como resposta a novas exigências da contemporaneidade. mestrado, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, p.

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Fig. 36 | Antigo edifício industrial que passou a ser usado como loft

56 O Loft (open space) considera-se também um exemplo paradigmático da flexibilidade pelo seu carácter aberto, amplo e despojado, que proporciona uma relação directa entre os ocupantes e a apropriação livre de um vazio espacial.

“O “loft” será, basicamente, uma casa-oficina, com uma grande superfície e um grande espaço interno, quase sempre alugada a preços muito baixos, instalada num pavilhão industrial ou num armazém – geralmente datados do final do século XIX e situados num lugar central economicamente decadente -, na qual se fundem os âmbitos privado e do trabalho. (…) Este modelo espacial reduz ao máximo o âmbito da privacidade, concebendo-o como uma sequela do autoritarismo e do modo burguês e familiar de vida.”

Em Warhol at the factory, Das comunas freudiano-marxistas ao loft nova- iorquino, 2001, Barcelona, Espanha29 Este conceito começou por ser um espaço para um estilo de vida liberal, de baixa renda, que surgiu em Soho, Nova Iorque, na década de 40. Foi inicialmente ocupado por artistas que adaptavam espaços industriais e armazéns abandonados em ateliers, pelas suas valências espaciais amplas sem nenhum tipo de compartimentação, com tectos altos e grandes envidraçados.

Apesar do seu contexto inicial, as circunstâncias do significado atribuído ao loft mudaram. A importância destes espaços cresceu com a grande afluência de artistas famosos a este “estilo de vida”, e com a sua generalização à escala mundial, passou a ser um negócio de luxo.

29 SILVA, S. V. D. 2008. Flexibilidade como experimentação no habitar

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Fig. 38 | Capa do catálogo Sears Modern Homes

58 Uma grande parte da constante procura e experimentação doméstica da arquitectura moderna residiu na industrialização, pré-fabricação e standardização, apenas possíveis pela progressiva inovação tecnológica e produção industrial. O primeiro exemplo de integração da pré-fabricação a um catálogo de escolha de casas foi as Sears Homes.

“Sears Catalog Homes (sold under the Sears Modern Homes name) were

catalog and kit houses sold primarily through mail order by Sears, Roebuck and Company, an American retailer. Sears reported that more than 70,000 of these homes were sold in North America between 1908 and 1940. More than 370 different home designs in a wide range of architectural styles and sizes were offered over the program's 33-year history.”30

Estas casas ofereceriam as mais recentes tecnologias disponíveis no início do século XX, desde aquecimento central a canalização interior e electricidade, e o catálogo oferecia das mais simples casas às mais completas. O processo de compra passava pelo envio dos materiais necessários para construir a casa via correio, onde os ‘Kits’ eram transportados através de vagões de comboios. Uma vez entregues, eram montadas pelos seus futuros habitantes, familiares, amigos e vizinhos ou então através da contratação de carpinteiros e empreiteiros locais.

Os modelos de catálogo da Sears Modern Homes foram descontinuados em 1940, e torna-se difícil nos dias de hoje identificar os modelos originais destas casas catálogo, visto haver pouca documentação das suas construções, pelas alterações feitas pelos seus proprietários e por haver muitas outras habitações com desenhos e elementos semelhantes.

30 Sears Archives Home Page. [em linha]. Disponível em: http://searsarchives.com/.

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Fig. 40 | Diferentes tipologias da Mima House – T0 a T4

60 A casa catálogo contemporânea surge como um produto inovador com um alto nível de personalização, que se distingue das habitações precedentes, normalmente oferecidas pelo mercado da construção pré-fabricada, que se caracterizavam como habitações universais para uma família standard e com custos reduzidos.

O conceito da casa catálogo assenta na ideia de combater o universalismo dos

standards da pré-fabricação, sendo uma alternativa às tipologias residenciais

convencionais, aliando as necessidades da sociedade actual e a diversidade dos seus habitantes contemporâneos aos processos de produção industrial.

“A ideia que sustenta esta temática não é a procura de universalizar a standardização dos espaços domésticos, mas antes procurar capacitar a casa pré- fabricada a uma maior singularidade e abertura à sua personalização, por forma a poder ser mais relacionada ao seu utilizador, mas ao mesmo tempo mais aberta a uma adaptação futura.”31

Um dos mais conhecidos exemplos e caso português, é o trabalho do atelier MIMA, que pôs em prática a execução de casas catálogo, pré-fabricadas, que permitem a flexibilidade e ajuste dos espaços e da própria fachada.

“MIMA House is an exquisite dwelling manufactured in northern

Portugal. It is unique for its ability to be reconfigured by the owners in project and also post-delivery. The interior walls consist of lightweight panels that can be easily relocated or removed by two people. Several years have been spent refining the concept in order to arrive at a finished product that would be quick

to manufacture, easy to assemble, of good quality and affordable.”32

Para além destes exemplos paradigmáticos, encontramos ao longo da história da arquitectura moderna e contemporânea variados exemplos de arquitecturas de carácter espacial flexível, seja pelo desenho dos espaços mais despojados, pelas compartimentações, jogos espaciais e diferenças de níveis, ou mesmo pela própria flexibilidade da estrutura/fachada.

31 SILVA, S. V. D. 2008. Flexibilidade como experimentação no habitar

contemporâneo. mestrado, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, p. 143

32 Mima House. [em linha]. Disponível em: http://www.mimahousing.com/mima-

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Fig. 42 | Roof House, Takaharu & Yui Tezuka Architects/ MIAS, 2001 - compartimentações quase na totalidade amovíveis, aproveitamento do telhado como espaço exterior

Fig. 43 | Neutelings, Wall, Geyter, Roodbeen, apartamentos para o concurso Habitage i Ciutat, quaderns, Barcelona, 1990 – espaço central amplo e cozinhas e casas-de-banho na zona das fachadas

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Fig. 44 | Sliding house, dRMM Architects - flexibilidade do corpo da casa, a “casca” leva ao aumento do espaço interior habitável

Fig. 45 | Conjunto Habitacional Fukuoka, Japão, Steven Holl - flexibilidade, não por ausência mas por introdução - dispositivos e componentes, jogos espaciais, diferenças de nível, etc.

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“ (…) A principal virtude daquela fórmula: a de construir um sistema, baseado em regras simples de projecto e execução, capaz de assegurar uma primeira fase de instalação mas concebido por forma tal que não impeça a evolução qualitativa do ambiente da casa e dos níveis de áreas, a par e passo com a evolução socio-cultural dos habitantes.”33

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Arquitectura Evolutiva

O homem passa por diversas fases da vida que comportam diferentes exigências relacionadas com o espaço em que vive. O tempo e as necessidades dos habitantes são os factores impulsionadores do processo e desenvolvimento da casa. Esta pode moldar- se à realidade do homem, que está em permanente transformação.

O conceito de casa evolutiva consiste na possibilidade da sua actualização ao longo do tempo, à medida que evoluem as necessidades em termos de organização do espaço, seja pelo aumento do agregado familiar, ou se verifique uma melhoria das condições económicas dos seus habitantes. A adaptabilidade e a sua possibilidade de desenvolvimento e melhoramento habitacional, de forma dinâmica, gradual e reversível, permitem dar resposta ao alojamento e ao modo de vida dos seus ocupantes, e ao habitat e ao seu desenvolvimento socioeconómico, administrativo e cultural.

O conceito de evolução das habitações pode assegurar a gradual concretização dos desejos habitacionais, à medida que estes vão sendo formulados pelos habitantes. Esta evolução implica condições base como a capacidade de atingir gradualmente um estado de crescimento e melhoria, superior ao inicialmente aceite, sem que a distribuição interna da casa perca o seu sentido.

Quando se trata de apoiar a gradual satisfação das necessidades e aspirações das famílias, no que respeita à expansão e à melhoria da sua habitação, quanto mais forte for o seu empenho e cooperação na construção inicial e no desenvolvimento da casa, mais fiel será a sua adequação espacial, funcional e financeira da obra aos desejos e recursos da família. É necessário adequar a evolução das casas às características específicas de cada local e à sua respectiva evolução gradual. Esta evolução deve estar coordenada de modo a que, através de soluções espaciais e construtivas, se assegure a adaptabilidade das casas ao terreno, evitando assim o recurso não programado a trabalhos de arranjo do exterior.

Uma casa que irá crescer deve ser pensada como tal desde o início para facilidade e coerência das transformações futuras. A casa evolutiva deve ser constituída por diferentes fases em que cada uma delas constitua uma unidade coerente e independente das fases seguintes, pois cada fase corresponde a um determinado momento no desenvolvimento da família e do homem.

“…A fórmula da habitação evolutiva prevê que na fase inicial se cubram

apenas «áreas mínimas» mas ao contrário das construções correntes (que o não permitem) fica desde logo prevista e até se estimula a ampliação e melhoramento dessas áreas.”34

Neste sentido, apareceram os primeiros estudos e ensaios, que serviram de exemplo às arquitecturas evolutivas contemporâneas postas em prática.

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Fig. 46 | Expandable house, 1957, James Stirling e James Gowan

Fig. 47 | Casa Zip-Up, Richard Rogers, Concurso “The house for today”, exposição “Ideal Home Exhibition”, 1969

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Expandable house, James Stirling e James Gowan, 1957

Esta casa, assim como o seu nome indica, tem como princípio a sua expansão e adaptabilidade da(s) família(s) que a habita(m). Começa por responder aos requisitos mínimos de uma pessoa solteira, ou casal recém-casado e acompanha o crescimento da família à medida que aumenta o agregado familiar. Após a evolução, quando os filhos crescem e deixam a casa, esta pode dividir-se, dando a possibilidade das áreas não utilizadas passarem para uma outra/nova família. No seu desenho é assegurada a privacidade e independência de cada módulo familiar. Cada fase de expansão corresponde a uma quarta parte do desenho total da casa, em que cada parte se desenvolve à volta do seu núcleo central.

Casa Zip-Up, Richard Rogers, Concurso “The house for today”, exposição “Ideal

Home Exhibition”, 1969

“The Zip-up house system offered perhaps the ultimate in the flexible use of

space. Internal partitions could be easily repositioned, the bathroom and kitchen were serviced from below and could be relocated over a weekend.”

- Anthony Hunt, Structural Engineer Na casa Zip-Up o arquitecto britânico Richard Rogers expressa as suas primeiras inquietudes sobre o que a arquitectura representa para a actualidade: os edifícios como máquinas funcionais, sustentáveis, o uso de materiais pré-fabricados e a criação de ambientes climatizados segundo a combinação de elementos naturais e a tecnologia de última geração.

O desenho desta casa foi apresentado no concurso “The house for today” em 1969, na exposição “Ideal Home Exibition” em Londres. O objectivo do projecto era oferecer ao usuário uma grande liberdade de escolha, através de preços de construção acessíveis, custos mínimos de manutenção e funcionamento e um alto nível de controlo ambiental.

O nome "Zip-Up " deriva do uso de um sistema de paredes e painéis de telhado fabricados em série, o que permite uma montagem que fornece vãos estruturais até 9 metros. Sem divisões internas fixas, pode ser alterado à disposição do usuário a partir do módulo básico e expandir a casa, adicionando uma secção adicional.

Os painéis estruturais teriam um nível de isolamento sete vezes maior do que os de uma casa tradicional, pelo que bastaria um aquecedor de 3 kW para aquecer toda a casa. O uso de pés de apoio reguláveis em vez de fundações convencionais tornava fácil a localização da casa em qualquer terreno. Pretendia-se que o conceito Zip-Up fosse igualmente aplicável a fábricas, escritórios e hotéis.

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68 A Quinta Monroy, 2004, um projecto do arquitecto Aravena, pertence ao concurso Elemental Chile (2002), e tornou-se num dos melhores exemplos de arquitectura evolutiva contemporânea. O facto do conjunto habitacional ter a possibilidade de evoluir ao longo do tempo não era um pressuposto do programa do concurso, mas acabou por ser o tipo de solução apresentada, num exercício de albergar um grande número de habitantes em pouco espaço, em habitações sociais dignas de serem habitáveis.

“El desafío de nuestro primer proyecto fue acomodar 100 familias utilizando un

subsidio de 7,500 dólares, que en el mejor de los casos, permitía la construcción de una vivienda de 36 m². Un segundo problema, el sitio de 5000 m², que costaba el triple de lo que un proyecto de vivienda social puede, usualmente, permitirse. Ninguna de las soluciones propuesta por el mercado podía resolver la ecuación. Entonces pensamos una tipología de edificio que efectuara un uso de suelo eficiente y que a su vez, permitiera la ampliación de las casas. ”35

Como num edifício os únicos andares possíveis de serem extendidos são o rés- do-chão e o último andar, seleccionaram-se apenas estes dois níveis para o desenho do conjunto habitacional. Para aém disso, o edificio teria que ser bastante poroso/permeável para permitir que a casa do rés-o-chão crescesse horizontalmente e a do 1º andar se expandisse igualmente no seu plano.

A sua escala e imagem de bairro, e a capaciade de expansão das casas por parte das famílias, assim como a sua individualização (nas cores e materiais) tornaram a Quinta Monroy um projecto de sucesso, que se deu principalmente por este tratar a arquitectura segundo o seu carácter mais social.

35 Quinta Monroy. [em linha]. Disponível em:

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Fig. 49 | Plano da Malagueira | O tecido urbano cresce primeiro pela expansão dos blocos e depois pela expansão das casas

Fig. 50 | Sistema de organização funcional e estrutural

70 Em Portugal temos também o exemplo do projecto da Quinta da Malagueira (1977), em que o arquitecto Álvaro Siza foi responsável tanto pelo plano urbanístico como também pelo projecto das próprias habitações, do tipo casas pátio, implantadas

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