2. Enquadramento Teórico e Legislativo
2.2. Enquadramento Legislativo
2.2.1. Espaço Público e Edificado
A Lei de Bases da Reabilitação de 1989 (Lei nº 9/89), revogada em 2004, foi criada com o principal propósito de promover e garantir os direitos consagrados pela Constituição da República Portuguesa nos domínios da prevenção da deficiência, do tratamento, da reabilitação e da equiparação de oportunidades da pessoa com deficiência. Esta lei surgiu num período em que o conceito de acessibilidade era ainda bastante elementar, visando apenas a eliminação de barreiras físicas, que dificultassem de alguma forma a autonomia e/ou a participação absoluta na vida social, tal como explicita a própria definição de acessibilidade
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exibida no decreto. De salientar, que a lei em questão, veio mais tarde a ser substituída pelo Decreto – Lei nº 38/2004. [Lei nº 9/89]
O grande impulso da acessibilidade deu-se em 1997, com o Decreto – Lei nº 123/97 de 22 de Maio. Este decreto veio aprovar um conjunto de normas técnicas que visavam permitir a acessibilidade de pessoas com mobilidade condicionada, quer na via pública, quer nos próprios edifícios públicos e equipamentos coletivos. Portanto, a sua finalidade assentava na criação de uma sociedade livre de obstáculos, proporcionando assim, a melhoria da qualidade de vida das PMR’s. Foi também nesta fase, que se adotou o símbolo internacional da acessibilidade, que identificava os edifícios ou instalações que não possuíssem quaisquer barreiras, e que permitissem assim, o acesso de pessoas com deficiência. [Decreto – Lei nº 123/97]
Em 2003, criou-se o Conceito Europeu da Acessibilidade (ECA- 2003). Este surge como uma compilação de vários ideais, tendo como principal intuito a melhoria das condições de vida e igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. Contrariamente aos manuais mais técnicos, este pretende fundamentalmente sensibilizar todas as pessoas para o trabalho efetuado, incentivando-as e compartilhando conhecimentos simultaneamente, para que se atinjam resultados concretos, que se traduzirão na “ACESSIBILIDADE PARA TODOS” [ECA, 2003].
As melhorias nas condições de acessibilidade começaram a ser notórias, com o aparecimento do primeiro documento legal nesta matéria, o Decreto- Lei nº 123/97. Contudo, as expectativas inicialmente estabelecidas estavam ainda longe de serem alcançadas. Por isso, surgiu assim a necessidade de revogar esta lei, e criar uma mais consistente e coesa, aplicando por exemplo, coimas mais elevadas, nas situações de incumprimento.
Neste seguimento, surge o Decreto – Lei 163/2006, que prevê a correção de todas as lacunas constatadas no disposto anteriormente estabelecido, a melhoria dos mecanismos de fiscalização, o aumento dos níveis de comunicação e responsabilização dos vários agentes envolvidos nestes procedimentos, e ainda, a introdução de novas soluções, com evolução técnica, social e legislativa.
O principal objetivo deste decreto é a definição de condições de acessibilidade, a incluir nos projetos de construção de espaço público, equipamentos coletivos, edifícios públicos e habitacionais. O selo internacional da acessibilidade instituído no DL 123/97, é o mesmo que ainda se mantem em vigor. [Decreto – Lei nº 163/2006]
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Na sequência do Decreto – Lei exposto precedentemente (Decreto – Lei 163/2006), o Governo português lança o livro “Guia da Acessibilidade e Mobilidade Para Todos”. O principal propósito deste livro foi desenhar a legislação em vigor, com o intuito de descodificar normas técnicas e assim, facilitar o seu entendimento, através das figuras ilustrativas que acompanham as anotações.
O PAIPDI – Plano de Ação para a Integração das Pessoas com Deficiências ou Incapacidades e o PNPA – Plano Nacional de Promoção de Acessibilidade, surgiram acompanhando o DL nº 163/2006. O primeiro foi aprovado na Resolução do Conselho de Ministros nº 120/2006, de 21 de Setembro e o segundo, aprovado na Resolução do Conselho de Ministros nº 9/2007, de 17 de Janeiro. O Plano de Ação para a Integração de Pessoas com Deficiência ou Incapacidade (PAIPDI) define um conjunto de medidas sobre as quais os departamentos governamentais devem atuar, bem como as metas a alcançar para que se crie uma sociedade mais inclusiva, onde todos possam participar ativamente.
O plano compreende assim, cinco objetivos estratégicos:
Promoção dos direitos humanos e exercício da cidadania;
Integração das questões da deficiência e da incapacidade nas políticas setoriais. Acessibilidade a produtos, equipamentos e serviços;
Qualificação, formação e emprego das pessoas com deficiência ou incapacidades; Qualificação e formação dos profissionais que prestam serviços às pessoas com
deficiência ou incapacidade.
Consequentemente, a elaboração de Planos de Promoção de Acessibilidade, foi incentivada a partir de 2009, com a contribuição direta de uma linha específica de financiamento do POPH (Programa Operacional do Potencial Humano).
Os Planos de Promoção de Acessibilidade “têm como âmbito a uniformização do território a nível da inclusão social, evitando-se as medidas avulso geralmente implementadas, geradoras de assimetrias e da exclusão. ” [Teles, Paula 2009]. Por isso, estes planos visam a utilização plena dos espaços, promovendo a qualidade de vida, a igualdade e inclusão social.
Os seus objetivos centram-se na “definição de um conjunto de medidas e ações prioritárias em matéria de acessibilidade, enquadradas numa estratégia política de âmbito municipal a definir.” [Teles, Paula 2009]. Comtemplados em duas fases distintas, a primeira entre 2008 e 2010 e a segunda entre 2010 e 2013 (intitulada de Regime de Apoio aos Municípios para a
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Acessibilidade - RAMPA), estes planos, demonstram-se tão multidisciplinares, que englobam cinco grandes áreas: espaço público, edificado, comunicação, Infoacessibilidade e transportes. A Formação e Sensibilização são também componentes inseridas no âmbito destes planos, que não deixam de ser menos importantes, uma vez que a participação pública é fundamental para o sucesso dos objetivos definidos.
Ainda em 28 de agosto de 2006, surgiu a Lei da Não Descriminação (Lei nº 46/2006 de 28 de Agosto), que visa a prevenção e proibição da discriminação, em relação à deficiência e o sancionamento de atos que traduzam a violação de direitos fundamentais, englobando também, a recusa de inserção destas pessoas nos meios económicos, sociais e culturais. [Lei nº 46/2006]