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Descobri que quando você escapa dos seus medos, eles se levantam para enfrentá-lo. Como um sábio mestre, a vida irá testar você, medo a medo, para ver se você está pronto para ir para a lição seguinte. Depois que você vence um medo, o teste acaba e você nunca mais terá que enfrentá-lo. Mas se você se esconder, o teste − o medo − vai ficar aparecendo para assombrá-lo ao longo do seu caminho.

Como todo mundo que você conhece, eu me recusei a admitir meu medo para qualquer pessoa, inclusive para mim mesmo. Fingi que era corajoso. Eu temia o fracasso. Então continuei a me esforçar. Ter sucesso como empresário era uma resposta ao meu medo. Feche um negócio melhor, e você é bem-sucedido;

fracasse em conseguir fechar um negócio, e você é um fracassado. Passei a maior parte da minha vida trabalhando e era paranoico em não cometer erros.

Mantive o meu medo vivo, então a vida − a suprema mestra − se encarregou de me colocar a prova. Tive que enfrentar meu medo quando discordei totalmente de um dos meus gerentes. A situação se tornou insustentável e fiquei muito perto de me demitir − ou de ser mandado embora. A dor foi bem real.

Ficar sem emprego é a forma mais extrema do fracasso que eu temia. E foi então que percebi que uma mudança ia ser algo bom. Escolhi ir até o âmago do meu medo. Encontrei alegria na liberdade que minha vontade de sair me deu. Soube então que, se perdesse o emprego, a vida ainda encontraria um caminho. Então saí, e foi exatamente isso que a vida fez. Depois que meu medo desapareceu, o teste desapareceu junto com ele. Eu fui em frente e hoje amo o trabalho que faço. Não havia o que temer.

Eu queria o melhor para a minha família e meu maior medo era não corresponder às expectativas dela. Gostava do conforto que o dinheiro dava a eles, então passei a ter medo de perdê-lo. Aprendi a poupá-lo e investi-lo. Eu quase o venerava até que, um dia, fiz um péssimo investimento e fiquei muito perto de perder tudo. A vida me colocou face a face com meu medo, e percebi que ele não era tão assustador assim. Eu compreendi que precisava de muito menos dinheiro do que tinha imaginado, que as expectativas da minha família em relação a mim eram muito menores do que eu tinha colocado como meta, e que se o dinheiro fosse todo embora, a vida ainda encontraria um caminho. Eu me senti livre. Como eu não estava mais com medo, o teste acabou e nunca mais precisei me preocupar com dinheiro.

Teste após teste, meus medos desapareceram, até que, por um tempo, senti que vivia sem medo. Eu tinha muito a perder, mas nada que eu temesse perder. Não havia nada de que eu gostasse que alguém pudesse tirar de mim. Era uma sensação maravilhosa.

E então Ali morreu.

Não havia medo maior. Não havia nada nem ninguém no mundo que eu protegesse mais. Eu mantinha isso escondido bem no fundo, mas perder um dos meus filhos sempre foi o meu verdadeiro pesadelo.

Uma última vez, a vida me atirou no meio da arena para enfrentar meu maior terror. A dor foi insuportável. Ainda é, mas durante o processo, a vida apagou o meu último medo. Não há nada mais que possa ser levado embora. Com esse último movimento de peças no tabuleiro de xadrez, eu ganho, ou talvez eu perca.

Seja como for, nunca haverá outro medo.

Enquanto eu rezo pelo bem estar de Aya, o raio de sol da minha vida, espero que esse teste esteja terminado. Não há necessidade de fazer o teste da coragem porque já passei por ele.

A morte é o maior de todos os medos, e aprender a enfrentar a sua própria morte é a forma derradeira de enfrentar os seus medos. Quando Ali morreu, eu morri, e digo isso no sentido mais positivo. A vida finalmente ganhou perspectiva. Eu tenho uma enorme sensação de paz. Não há mais nada a perder;

não há mais nada a temer. Eckhart Tolle diz que isso é “morrer antes de morrer”, viver a vida sabendo que, porque um dia tudo estará terminado, não existe realmente nada que você possua, então não existe nada que você tenha para perder.

Como um corredor de maratona, alcancei o meu limite de dor quando Ali morreu. Agora sei que o próximo passo é apenas um outro passo do caminho, até alcançar em paz a linha de chegada.

Choro toda vez que me lembro que o preço da minha liberdade foi a vida dele.

Mas Ali também achou o seu caminho. Ele também está em paz.

Sei que você está feliz onde quer que esteja agora, Ali. Faltam só mais alguns dias gloriosos até eu ganhar aquele abraço de que tenho tanta saudade e ouvir você dizer sua saudação habitual: “Ezayak ya aboya.” Até lá vou tentar viver sem medo. Só então a jornada estará completa.

Não há um único dia na vida que valha a pena viver com medo. A vida vai colocar você face a face com seus medos a menos que você decida passar no teste antes que ele seja colocado diante de você.

Aprenda a morrer antes de morrer. Está na hora de enfrentar os seus medos.

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Parte Três