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Estratégias, Planos e Programas que abrangem o estuário

3.6 Governação do estuário do Minho e cooperação transfronteiriça Portugal-Espanha

3.6.7 Estratégias, Planos e Programas que abrangem o estuário

Estratégias, Planos e Programas são documentos, aprovados pelas entidades governamentais, que se constituem como instrumentos de referência, planeamento e programação das acções estruturais a desenvolver, para um determinado âmbito territorial (internacional, nacional, regional, local) e em determinas matérias específicas. Normalmente, estes instrumentos não têm valor jurídico, ou seja, não são vinculativos como os Convénios, Tratados e legislação, são apenas ferramentas estratégicas com linhas orientadoras para o desenvolvimento, e/ou uso dos recursos, de forma sustentável.

De acordo com o preconizado na Directiva Quadro da Água, e nas Lei da Água (Lei nº 58/2005, de 29 de Dezembro), em Portugal, e no Texto Revisto da Lei sobre as Águas (Real Decreto Legislativo 1/2001, de 20 de Julho), em Espanha, a governação dos estuários e eventuais instrumentos de gestão e planeamento devem estar articulados com os diferentes

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instrumentos estratégicos sectoriais que os afectem de uma forma mais ou menos directa. Esses instrumentos estratégicos podem apresentar-se sob a forma de estratégias, planos ou programas, orientados para os recursos hídricos e naturais, do estuário, mas também relativos ao desenvolvimento sustentável e à conservação e protecção dos recursos naturais.

No que diz respeito aos vários aspectos relacionados com a governação do estuário do Minho existem diversas Estratégias, Planos e Programas, instrumentos de planeamento e gestão sectoriais que abrangem a zona do estuário do Minho, da responsabilidade das autoridades nacionais, regionais ou até locais de ambos os Estados.

O Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Minho, elaborado sob coordenação do INAG e em vigor desde o ano 2001, constitui-se como o principal instrumento de gestão de recursos hídricos do rio Minho, aplicado a toda à parte portuguesa da sua bacia hidrográfica, estuário incluído. Do mesmo modo, o Plan Hidrológico Norte I, elaborado sob coordenação da extinta

Confederación Hidrográfica del Norte e em vigor desde 2000 em Espanha, constitui-se como o

principal instrumento de gestão de recursos hídricos abrangendo, entre outras áreas, toda a parte espanhola da bacia hidrográfica do rio Minho, onde também se inclui o estuário. Estes planos são considerados o instrumento básico para o planeamento e gestão dos recursos hídricos na respectiva região.

Contudo, e apesar destes dois planos ainda estarem em vigor, a DQA veio reformular a forma de abordar a gestão dos recursos hídricos. Assim, e nesta fase, importa ter em conta o novo Plano de Gestão de Região Hidrográfica do Norte, em Portugal, elaboraado sob coordenação da ARH do Norte e cuja versão preliminar está ainda em fase de elaboração, e o

Plan Hidrológico de la parte Española de la Demarcación Hidrográfica del Miño-Sil, em

Espanha, elaborado sob a coordenação da Confederatión Hidrográfica del Miño-Sil e cuja versão preliminar está em fase de discussão pública. Embora ainda ainda não estejam em vigor, interessa considerá-los desde já para a governação do estuário do Minho, uma vez que são os primeiros planos de gestão de recursos hídricos elaborados no âmbito da DQA e que, para além de uma abordagem diferente, incluem vários aspectos directamente relacionados com o estuário do Minho, uma vez que o estuário é parte integrante de toda a região hidrográfica.

Ainda no âmbito da gestão de recursos hídricos, o Plano Nacional da Água e o Plan

Hidrológico Nacional, em Portugal e Espanha respectivamente, têm de ser considerados na

governação do estuário do Minho, por se tratarem dos instrumentos básicos para o planeamento e gestão de recursos hídricos e porque têm um papel de regulação de todo o processo de planificação de recursos hídricos em território nacional de cada um dos países, respectivamente.

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Tabela 18 – Quadro síntese dos instrumentos estratégicos sectoriais em Portugal relevantes para o estuário do Minho

Área / Sector Âmbito Instrumentos estratégicos relevantes

Recursos Hídricos

Nacional

- Plano Nacional da Água

- Programa Nacional para o Uso Eficiente de Água

- Plano Estratégico de Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais

- Estratégia Nacional para os Efluentes Agro- Pecuários e Agro-Industriais

Regional - Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Norte

Ordenamento e Gestão Territorial

Nacional - Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT)

Regional

- Plano Regional de Ordenamento do Território Norte

- Plano de Ordenamento da Orla Costeira de Caminha – Espinho

- Plano Regional de Ordenamento Florestal

Local

- Plano Director Municipal (PDM) de Caminha - PDM de Vila Nova de Cerveira

- PDM de Valença

- Planos de Pormenor e Planos de Urbanização

Biodiversidade e Conservação da Natureza

Nacional

- Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade

- Plano Sectorial Rede Natura 2000

- Programa Nacional de Turismo de Natureza - Plano de Gestão da Enguia (2009-2012)

Local - Plano de Gestão da Enguia para o Troço Internacional do Minho

144 Desenvolvimento Sustentável (Ambiental, Económico e Social) Nacional

- Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (2015) e respectivo Plano de Implementação

- Quadro Estratégico de Referência Nacional (QREN 2007-2013)

- Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento Rural

- Plano Nacional para as Alterações Climáticas

Tabela 19 – Quadro síntese dos instrumentos estratégicos sectoriais em Espanha relevantes para o estuário do Minho

Área / Sector Âmbito Instrumentos estratégicos relevantes

Recursos Hídricos

Nacional

- Plan Hidrológico Nacional

- Plan Nacional de Calidad de las Aguas: Saneamiento y Depuración (2007‐2015) - Estrategia Nacional para la Modernización Sostenible de los Regadíos Horizonte 2015

Regional

- Plan Hidrológico de la parte española de la Demarcación Hidrográfica del Miño-Sil - Plan de Abastecimento de Galicia: Plan Auga 2010-2025

- Plan de Saneamento de Galicia 2000-2015

Ordenamento e Gestão Territorial

Nacional

- Estratégia de Gestión Integrada de Zonas Costeiras

- Plan Director para la Sostenibilidad de la Costa

Regional

- Directrices de Ordenación del Territorio y Planeamento Urbanístico

- Plan de Ordenación del Litoral

- Plan Estratégico de Puertos de Galicia - Plan Director de Instalaciones Náutico- Deportivas

- Plan Gallego de Ordenación de los Recursos Piscícolas y Ecosistemas Acuáticos

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Biodiversidade e Conservação da Natureza

Nacional

- Plan Estratégico Estatal del Patrimonio Natural y de la Biodiversidad

- Estrategia Española de Conservación y Uso Sostenible de la Biodiversidad Biológica - Estratégica Florestal Española e Plan Florestal Español

Regional

- Plan Director de Red Natura 2000 - Plan General de Explotación Marisquera - Plan Gallego de Especies Exóticas Invasoras

Desenvolvimento Sustentável (Ambiental, Económico e Social)

Nacional

- Programa de Desarrollo Rural Sostenible 2010-2014

- Plan Estratégico Nacional de Desarrollo Rural 2007-2013

- Plan Estratégico Nacional de Pesca (2007- 2013)

- Plan Nacional de Adaptación al Cambio Climático

Regional

- Estrategia Gallega de Desarrollo Sostenible - Programa de Desarrollo Rural de Galicia (2007-2013)

- Plan Estratégico de Infraestruturas en el Medio Rural

- Programa Marco Gallego frente al Cambio Climático

Salienta-se que, ao nível da cooperação transfronteiriça entre Portugal e Espanha, para além das Convenções e Tratados já referidos em secções anteriores, é importante considerar na governação do estuário o Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Portugal- Espanha (2007-2013), uma vez que a governação do estuário do Minho, sendo um estuário transfronteiriço, deve ocorrer ao abrigo da cooperação transfronteiriça, em particular entre o Norte de Portugal e a Galiza. Trata-se de um Programa conjunto entre ambos os países que pretende promover o desenvolvimento, de uma forma sustentada, de regiões conjuntas, uma das quais a chamada Euroregião Galiza – Norte de Portugal.

Para além de todos estes instrumentos e mecanismos há ainda uma iniciativa local do lado português que, pelas suas características e pela forma como envolve a participação do público, se pode constituir como uma ferramenta importante de apoio à governação do

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estuário – a Agenda 21 Local do Vale do Minho. A Agenda 21 Local do Vale do Minho é um processo que está a ser implementado na região, pelas Autarquias (entre as quais duas do estuário, Valença e Cerveira) e pela Comunidade Intermunicipal do Vale do Minho, em parceria com a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, e que tem como objectivo preparar e implementar um Plano de Acção Estratégico de longo prazo dirigido às prioridades locais rumo ao desenvolvimento sustentável.