Capítulo III – METODOLOGIA E DADOS
3.2. Estudo do Universo
O universo em estudo vai ser o mesmo que foi referido anteriormente (3.1.Entrevista e inquérito), as instituições financeiras que possuem o leasing e o factoring como actividade. Para se compreender melhor quais são essas as instituições e como são classificadas é necessário fazer uma pequena abordagem ao sistema financeiro português, pois é através dele que se consegue definir as instituições financeiras.
De acordo o artigo 101.º - Sistema Financeiro, da Constituição da República Portuguesa, o sistema financeiro português é “estruturado por lei, de modo a garantir a formação, a captação e a segurança das poupanças, bem como a aplicação dos meios financeiros necessários ao desenvolvimento económico e social”. O sistema financeiro português é constituído por:
Mestrado CFFE - ISEG 40
Instituições supervisoras;
Mercados de capitais;
Activos e instrumentos financeiros;
Instituições financeiras;
Investidores finais.
Como o leasing e o factoring são instrumentos de financiamento, pelo que estão inseridos em instituições financeiras. Assim, o universo de estudo, deste projecto, são as instituições financeiras.
As instituições financeiras são instituições cuja sua actividade principal é a concessão de crédito, fazendo para isso captação de poupanças junto dos agentes económicos, e em especial nas famílias. Estas instituições estabelecem um intermediário de relativa importância na transferência de fundos das entidades que possuem poupanças para aquelas que delas necessitam para financiar os seus investimentos ou gastos correntes. O Decreto-Lei n.º 298/92 de 31 de Dezembro, Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras – RGICSF, define as instituições financeiras como monetárias (os bancos, a Caixa Geral de Depósitos, SA, as caixas económicas, a Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo e as caixas de crédito agrícola mútuo) e não monetárias (as sociedades de investimento, de locação financeira, de factoring, e as sociedades financeiras de aquisição a crédito). Este decreto divide as entidades financeiras em, instituições de crédito e sociedades financeiras.
O Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, na sua versão actual (ultima alteração introduzida pelo Decreto-Lei nº 140-A/2010, de 30 de Dezembro), define as instituições de crédito como “empresas cuja actividade consiste em receber do público depósitos ou outros fundos reembolsáveis, a fim de os aplicarem por conta própria mediante a concessão de crédito. São também instituições de crédito as empresas que tenham por objecto a emissão de meios de pagamento sob a forma de moeda electrónica”. Sendo assim são instituições de crédito:
Os bancos;
As caixas económicas;
A caixa central de crédito agrícola mútuo e as caixas de crédito agrícola mútuo;
As instituições financeiras de crédito;
As instituições de crédito hipotecário;
Mestrado CFFE - ISEG 41
As sociedades de locação financeira;
As sociedades de factoring;
As sociedades financeiras para aquisições a crédito;
As sociedades de garantia mútua;
As instituições de moeda electrónica.
As instituições de crédito têm as seguintes actividades:
Recepção de depósitos ou outros fundos reembolsáveis;
Operações de crédito, incluindo concessão de garantias e outros compromissos, locação financeira e factoring;
Serviços de pagamento;
Emissão e gestão de outros meios de pagamento, não abrangidos pela alínea anterior, tais como cheques em suporte de papel, cheques de viagem em suporte de papel e cartas de crédito;
Transacções, por conta própria ou da clientela, sobre instrumentos do mercado monetário e cambial, instrumentos financeiros a prazo, opções e operações sobre divisas, taxas de juro, mercadorias e valores mobiliários;
Participações em emissões e colocações de valores mobiliários e prestação de serviços correlativos;
Actuação nos mercados interbancários;
Consultoria, guarda, administração e gestão de carteiras de valores mobiliários;
Gestão e consultoria em gestão de outros patrimónios;
Consultoria das empresas em matéria de estrutura do capital, de estratégia empresarial e de questões conexas, bem como consultoria e serviços no domínio da fusão e compra de empresas;
Operações sobre pedras e metais preciosos;
Tomada de participações no capital de sociedades;
Mediação de seguros;
Prestação de informações comerciais;
Aluguer de cofres e guarda de valores;
Locação de bens móveis, nos termos permitidos às sociedades de locação financeira;
Mestrado CFFE - ISEG 42 A mesma Lei classifica também as sociedades financeiras, estas são “empresas que não sejam instituições de crédito e cuja actividade principal consista em exercer uma ou mais das actividades referidas anteriormente”. São sociedades financeiras:
As sociedades financeiras de corretagem;
As sociedades corretoras;
As sociedades mediadoras dos mercados monetários ou de câmbios;
As sociedades gestoras de fundos de investimento;
As sociedades gestoras de patrimónios;
As sociedades de desenvolvimento regional;
As agências de câmbios;
As sociedades gestoras de fundos de titularização de créditos;
Outras empresas que sejam como tal qualificadas pela lei.
É também sociedade financeira a FINANGESTE - Empresa Financeira de Gestão e Desenvolvimento, S. A.
De modo a ser mais visível e clara a informação anterior apresenta-se o quadro seguinte, que mostra como são classificadas as instituições financeiras pelo Banco de Portugal.
Tabela 5 – Classificação das instituições financeiras22
Inst it u içõe s Fi n ance ira s Inst it u içõe s Finance ira s Monet ári a (IFM ) Banco de Portugal Sect o r Monet ári o Outras Instituições Financeiras Monetárias Bancos Caixa económica
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo Fundos de Mercado Inst it u içõe s Fi n ance ira s Não Mone tár ias (IFN M ) Outros Intermediários Financeiros
Fundos de Investimento, Excepto Fundos do Mercado Monetário Sociedades de Capital de Risco
Sociedades de Factoring
Sociedades Financeiras de Corretagem
Sociedade Financeiras para Aquisições a Crédito
Sociedades Gestoras de Participações Sociais (do sector financeiro) Sociedades de Locação Financeira
Intermediários Financeiros - Outros
Sect o r Não M onet á ri o Auxiliares Financeiros Agências de Câmbios Sociedades Corretoras
Sociedades Gestoras de Fundos de Investimento Sociedades Gestoras de Patrimónios
Auxiliares Financeiros - Outros
Sociedades de Seguros e Fundos de Pensões
22
Mestrado CFFE - ISEG 43 Para a recolha dos dados será necessário recorrer ao Banco de Portugal, porque reúne todas as instituições financeiras e porque regula esta actividade em Portugal. Outro motivo é porque o Banco de Portugal produz estudos e análises da economia portuguesa, da economia da área do euro e do seu enquadramento internacional e dos mercados e sistemas financeiros, publicando todos estes estudos.
Sempre que possível será realizado um cruzamento ou até mesmo comparação dos dados do Banco de Portugal com os dados da ALF.
Para analisar a informação recolhida será utilizado a análise qualitativa de conteúdos. Análise é um processo de ordenação dos dados, organizando-os em padrões, categorias e unidades básicas descritivas. A sua interpretação envolve a atribuição de significado à análise, explicar os padrões encontrados e procurar por relacionar entre as dimensões descritivas (Patton (1980)).
A análise dos dados em pesquisas qualitativas consiste em três actividades interactivas e contínuas: redução dos dados, apresentação dos dados, delineamento e verificação da conclusão. (Miles e Huberman (1984)). As características qualitativas da informação são definidas como sendo as propriedades da informação que são necessárias para torná-la útil.
Mestrado CFFE - ISEG 44