A literatura apresenta alguns estudos com essa tem´atica. Em Chapec´o, Santa Catarina, um estudo descritivo realizado entre os anos 2012 a 2016 com 2.430 fichas de notifica¸c˜ao individual indicou que as faixas et´arias mais acometidas foram crian¸cas de 5 a 9 anos, com 12,5% (310 notifica¸c˜oes), seguida de adultos de 30 a 39 anos, com 11,27% (274)das notifica¸c˜oes. Com rela¸c˜ao ao sexo, n˜ao existiu varia¸c˜oes significativas sendo 244,6 notifica¸c˜oes/ano do sexo masculino e 241,4 notifica¸c˜oes/ano do sexo feminino. Nos anos de 2012, 2013 e 2014 prevaleceu os ataques com homens e a invers˜ao ocorreu em 2015 e 2016 com o maior n´umero de acidentes em mulheres (SALVI et al., 2018).
A zona urbana apresentou 91,9% das notifica¸c˜oes, apenas 6% delas ocorreram na zona rural. Em rela¸c˜ao a ocupa¸c˜ao os estudantes representam 16,5% (402 notifica¸c˜oes) das v´ıtimas de ataques, seguidas de aposentados/pensionistas com 9,3% (225 notifica¸c˜oes). Destaca-se que a categoria ‘’N˜ao identificado”, ou seja, n˜ao preenchimento do campo ‘’Ocupa¸c˜ao”, foi de 34,5% (884 fichas de investiga¸c˜ao)e a categoria “Outros”com 18,4% (447 notifica¸c˜oes) (SALVI et al., 2018).
Em outro estudo realizado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul foram analisadas 2.223 fichas de notifica¸c˜ao no segundo semestre de 2006 e constatou-se que o sexo masculino
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representava 50,3% dos casos, a faixa et´aria onde mais ocorriam as agress˜oes estava entre 20 e 59 anos, 47,6% das investiga¸c˜oes. Isoladamente a idade em que mais ocorreram as agress˜oes foi a de 9 anos, resultando em 71 casos com predom´ınio entre os meninos
(PINHEIRO, 2016).
A escolaridade neste trabalho foi a informa¸c˜ao mais ignorada pelos entrevistadores com 50,7% (1.096) das fichas sem a informa¸c˜ao. Excluindo as fichas ignoradas, 3,6% (40/1.096) das pessoas n˜ao possu´ıa escolaridade, 12,1% (133/1096) apresentavam de 1 a 3 anos de escolaridade conclu´ıda com ˆexito, 21,7% (238/1096) de 4 a 7 anos, 20,5% (25/1.096) de 8 a 11 anos, 10,2% (112/1.096) 12 ou mais anos e 31,7 (348/1.096) n˜ao estavam em idade escolar. Em rela¸c˜ao a cor de pele em 26,0% das fichas esse dado n˜ao foi preenchidos. Quando preenchido, o dado de cor de pele indicava que 80,9% dos indiv´ıduos eram de cor branca, seguido de 10,9% negros e 7,5% pardos, 0,5% amarelos e 0,1%ind´ıgenas
(PINHEIRO, 2016).
A mordedura foi a forma de exposi¸c˜ao ao v´ırus mais frequente, seguido por arranhadura. Ferimentos profundos ocorreram em 54,5% das v´ıtimas e ´unicos em 64,7% dos casos. Os caninos foram a esp´ecie agressora predominante. Os membros inferiores sofreram mais les˜oes com 35,3%, seguida pelas m˜aos e p´es 32,2% (PINHEIRO, 2016).
Em rela¸c˜ao ao tratamento prescrito `a v´ıtima, 78,1% receberam a vacina como indica¸c˜ao. A utiliza¸c˜ao do soro heter´ologo foi prescrita em apenas 6,4% dos casos. Considerando a possibilidade de observa¸c˜ao do animal (c˜aes e gatos), em 986 casos foi comprovado que os animais poderiam ser observados, por´em o protocolo p´os-exposi¸c˜ao foi indicada em 80,9% dos casos (PINHEIRO, 2016).
Em rela¸c˜ao a qualidade do atendimento, em 96,2% (1.672/1.737) das indica¸c˜oes de vacina e soro foram consideradas corretas e 98,6% (478/486) dos casos onde n˜ao houve indica¸c˜ao tamb´em foi o ideal (PINHEIRO, 2016).
Em um estudo realizado em Cuit´e, munic´ıpio localizado no estado da Para´ıba, 186 FII foram analisadas entre os anos de 2006 e janeiro de 2013. Foi observado que o maior n´umero de agress˜oes ocorreu no ano de 2010, com 32,1%, em segundo lugar o ano de 2009, com 18,5% (AZEVEDO et al., 2018).
Dentre as notifica¸c˜oes, 53,3% ocorreram em indiv´ıduos do sexo feminino, e 46,7% no sexo masculino. Em rela¸c˜ao a faixa et´aria, os adultos foram mais acometidos com 39,1%, crian¸cas e adolescentes 38,6% e os idosos alcan¸caram 22,3% (AZEVEDO et al., 2018).
Quanto a gravidade das les˜oes, 58,3% foram consideradas leves e 41,5% graves
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No Cear´a entre 2007 e 2015 foram registrados 231.694 atendimentos causados por animais capazes de transmitir raiva. Constatou-se que 222.036 (95,8%) das condutas profil´aticas estavam inadequadas quanto ao tratamento antirr´abico indicado pelo Minist´erio da Sa´ude. Foi observado tamb´em diversas incompletudes no preenchimento das fichas de investiga¸c˜oes com 142.562 campos ignorados ou sem informa¸c˜oes, a escolaridade com 32,9% e a profundidade em 11,5% das notifica¸c˜oes apresentaram os maiores n´umeros de campos com faltas (CAVALCANTE; ALENCAR, 2018).
A zona urbana teve 70,3% de condutas profil´aticas inadequadas e apresentou 7% maior do que o ocorrido em zonas periurbanas do Cear´a. Ainda em rela¸c˜ao as condutas inadequadas, percebe-se que foram mais relacionadas a mordedura, aos casos onde os ferimentos foram localizados nas m˜aos e p´es, naqueles ferimentos m´ultiplos e profundos. ´
E importante saber que diferentes pacientes podem ter les˜oes de profundidades e locais diferentes ocasionados pelos mesmos ataques (CAVALCANTE; ALENCAR, 2018).
Os caninos foram os animais agressores em 70% dos ataques, desse modo ferimentos relacionados a mordedura de c˜aes tiveram o maior n´umero de condutas inadequadas obtendo um percentual de 69,9%, por´em pessoas agredidas por outras esp´ecies que inclu´ıam primatas, herb´ıvoros dom´esticos, raposas, gamb´as, capivaras, su´ınos, bovinos, equinos, coelhos, lagartos, jumentos, cotias javalis e ovelhas apresentaram 1,05 maior prevalˆencia de inadequa¸c˜oes se comparado as les˜oes causadas por c˜aes. Agress˜oes por animais considerados sadios foram mais frequentes em rela¸c˜ao as condutas inadequadas com 71,3%. Os atendimentos as v´ıtimas que sofreram ataques por animais que posteriormente morreram ou estavam desaparecidos apresentam maior prevalˆencia quando comparado a agress˜oes por animais sadios (CAVALCANTE; ALENCAR, 2018).
Em rela¸c˜ao ao tratamento prescrito a observa¸c˜ao com vacinas apresentou 48,8% das condutas, sendo a vari´avel com a maior propor¸c˜ao de atendimentos, por´em menor raz˜ao de inadequa¸c˜oes quando comparado com a indica¸c˜ao observa¸c˜ao do animal agressor por dez dias. A prescri¸c˜ao de vacinas apresentou o maior n´umero de casos com conduta inadequada. As interrup¸c˜oes nos tratamentos chegaram a 6,1%, com enorme prevalˆencia de inadequa¸c˜oes. Houve 85,2% de n˜ao indica¸c˜ao de soro com uma prevalˆencia de 5% mais de condutas inadequadas quando comparado a indica¸c˜ao do soro nos tratamentos
(CAVALCANTE; ALENCAR, 2018).
Os maiores coeficientes de atendimentos com condutas inadequadas por 10 mil habitantes chegando a 222,26, 131,45 e 115,05 respectivamente est˜ao nos munic´ıpios de Guaramiranga, Jijoca de Jericoara e Jaguaruana, localizadas nas regi˜oes centro-norte, noroeste e nordeste do Cear´a. Em 54,3% dos munic´ıpios os coeficientes de prevalˆencia
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eram baixos, os valores estavam entre 0,10 e 29,88 atendimentos inadequados a cada 10 mil habitantes, entre eles os munic´ıpios de Poranga (2,83 por 10 mil habitantes), localizado na regi˜ao oeste, Altaneira (2,91 por 10 mil habitantes) e (Umari 6,05 por 10 mil habitantes) localizados na regi˜ao sul do Cear´a (CAVALCANTE; ALENCAR, 2018).
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4 MATERIAL E M´ETODOS
O munic´ıpio de Curitibanos est´a localizado no planalto catarinense, centro geogr´afico de Santa Catarina, com latitude e longitude de 27◦16058” sul e 50◦35004” oeste respectivamente, apresenta 987 metros de altitude. Possui uma extens˜ao de 953,67km2 e aproximadamente 37,778 mil habitantes, o ´Indice de desenvolvimento humano (IDH) ´e de 0,721, considerado alto (IBGE, 2011) comparado aos padr˜oes brasileiros, por´em ´e baixo se for levado em considera¸c˜ao a m´edia do estado na mesma ´epoca que representa 0,774 (UFSC, 2018)). Curitibanos apresenta grande diversidade econˆomica destacando-se com a
agricultura, florestas plantadas, com´ercio e ind´ustria. Segundo os dados da Associa¸c˜ao dos munic´ıpios da Regi˜ao - AMURC/2012, 61% da economia gira em torno da ind´ustria e com´ercio, a agropecu´aria representa 24% e os Servi¸cos P´ublicos e transportes 14%
(CURITIBANOS, 2019).
Para a realiza¸c˜ao deste trabalho de conclus˜ao de curso foram analisadas 436 fichas de atendimento antirr´abico humano cadastradas no Sinan entre o per´ıodo de 2014 a 2018. Os dados foram tabulados no Software Microsoft Office Excel, e para a avalia¸c˜ao estat´ıstica dos dados foi utilizado o Software Stata vers˜ao 15.0 desenvolvido pela empresa Statacorp. A Ficha de Investiga¸c˜ao Individual (FII) pode ser encontrada no Anexo A.
Primeiramente foi realizado a descri¸c˜ao dos dados, incluindo as vari´aveis ano, idade, sexo, ra¸ca/cor, escolaridade, bairro, ocupa¸c˜ao, tipo de exposi¸c˜ao, localiza¸c˜ao, ferimento, tipo de ferimento, antecedentes de tratamento, tipo de antecedente de tratamento, animal agressor, condi¸c˜ao do animal para fins de tratamento e tratamento indicado. Essas informa¸c˜oes podem ser vistas com maior detalhamento no Quadro 1.
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Quadro 1: Descri¸c˜ao das vari´aveis coletadas das Fichas Individuais de Investiga¸c˜ao (FII) do munic´ıpio de Curitibanos entre
os anos de 2014 e 2018.
Sobre a V´ıtima Ano 2014; 2015; 2016; 2017; 2018
Idade Em n´umeros completos
Sexo 1-Masculino; 2-Femino; 999- Ignorado
Ra¸ca/Cor 1-Branco; 2-Preto; 3Amarelo; 4-Pardo; 5-Ind´ıgena; 999-Ignorado
Escolaridade
0-Analfabeto; 1-1a a 4a s´erie incompleta; 2-4a s´erie completa do EF; 3-5a a 8a s´erie incompleta do EF; 4-Ensino fundamental completo; 5-Ensino m´edio incompleto; 6-Ensino m´edio completo; 7-Educa¸c˜ao superior; incompleta; 8-Educa¸c˜ao superior completa; 999-Ignorado; 10-N˜ao se aplica
Bairros
1- Centro; 2- S˜ao Jos´e; 3- Santo Antonio de p´adua; 4- S˜ao Luiz; 5- S˜ao Francisco; 6- Bosque; 7- Vila Nossa Senhora Aparecida; 8- Conjunto Habitacional Anita Garibaldi; 9- ´Agua Santa; 10- Universit´ario Waldemar Ortigari; 11- Get´ulio Vargas; 12- Bom Jesus; 13- Interior; 999- Ignorado
Ocupa¸c˜ao
1 - Auxiliares de servi¸cos de biblioteca, documenta¸c˜ao e correios; 2 - Operadores de equipamentos de eleva¸c˜ao e de movimenta¸c˜ao de cargas; 3 - Dirigentes de empresas e organiza¸c˜oes (exceto de interesse p´ublico); 4 - Do lar; 5 - Encarregado de servi¸cos de verifica¸c˜ao de consumo de energia el´etrica, ´agua e g´as; 6 - Engenheiros e Arquitetos; 7 - Estudante; 8 - Mecˆanicos de manuten¸c˜ao veicular; 9 - Membros das for¸cas armadas, policiais e bombeiros militares; 10- Pensionista/aposentado; 11 - Produtores agropecu´arios; 12 - Profissionais da administra¸c˜ao; 13 - Profissionais da inform´atica; 14 - Profissionais da medicina, sa´ude e afins; 15 - Profissionais das ciˆencias sociais e humanas; 16 - Profissionais do ensino (com forma¸c˜ao de n´ıvel superior); 17 - Sem ocupa¸c˜ao; 18 - Servidores p´ublicos; 19 - T´ecnicos de n´ıvel m´edio; 20 - Trabalhador autˆonomo; 21 - Trabalhadores agropecu´arios, florestais, ca¸ca e pesca; 22 - Trabalhadores artesanais; 23 - Trabalhadores da confec¸c˜ao de roupas; 24 - Trabalhadores da produ¸c˜ao de bens e servi¸cos industriais; 25 - Trabalhadores das ind´ustrias de madeira e do mobili´ario; 26 - Trabalhadores de obras civis; 27 - Trabalhadores de atendimento ao p´ublico; 28 - Trabalhadores dos servi¸cos de transporte; 29 - Trabalhadores dos servi¸cos dom´esticos; 30 - Trabalhadores de hotelaria; 31 - Vendedores do com´ercio; 32 - Trabalhadores nos servi¸cos de embelezamento; 33 - Crian¸cas abaixo de 7 anos
39 ...Continua¸c˜ao da Quadro 1. Sobre o ferimento Tipo de exposi¸c˜ao ao v´ırus
1- Contato Indireto; 2- Arranhadura; 3- Lambedura; 4- Mordedura; 5-Outro; 999- Ignorado
Localiza¸c˜ao 1- Mucosa; 2- Cabe¸ca/Pesco¸co; 3- M˜aos/P´es; 4- Tronco; 5- Membros Superiores; 6- Membros Inferiores; 7- M´ultipla; 999- Ignorado
Ferimento 1- ´Unico; 2- M´ultiplo; 3- Sem Ferimento; 999-Ignorado Tipo do
ferimento 1- Profundo; 2- Superficial; 3- Dilacerante; 999- Ignorado Antecedentes
de tratamento 1- Sim; 2- N˜ao; 999- Ignorado
Tipo de
antecedente de tratamento
1- Pr´e-exposi¸c˜ao; 2- P´os-exposi¸c˜ao; 3-N˜ao se aplica Animal
Agressor
1-Canino; 2-Felino; 3-Herb´ıvoro dom´estico; 4-Qui´optera (Morcego); 5-Outros; 999- Ignorado Condi¸c˜ao do Animal para Fins de Conduta do Tratamento
1- Sadio; 2- Suspeito; 3- Raivoso; 4- Morto/Desaparecido; 999- Ignorado
Tratamento indicado
1- Pr´e Exposi¸c˜ao; 2- Dispensa Tratamento; 3- Observa¸c˜ao do Animal (se c˜ao ou gato); 4- Observa¸c˜ao + Vacina; 5- Vacina; 6- Vacina + Soro;
7- Esquema de reesposi¸c˜ao; 999- Ignorado
O Quadro 2 apresenta dados coletados sobre o domic´ılio e a vacina¸c˜ao do animal agressor.
Quadro 2: Descri¸c˜ao das vari´aveis coletadas das Fichas de Investiga¸c˜ao Individual (FII) sobre felinos ou caninos no munic´ıpio
de Curitibanos entre os anos 2014 a 2018.
Sobre os felinos ou caninos
Domic´ılio 1-Domiciliado; 2-Semidomiciliado; 3-N˜ao domiciliado; 4-N˜ao especificado; 5- N˜ao se aplica
Vacinas 1-Vacinado; 2-N˜ao vacinado; 3- N˜ao especificado; 4- N˜ao se aplica
Para que um animal seja considerado ”vacinado”este deve ter recebido uma dose da vacina antirr´abica no ´ultimo ano.
Para a realiza¸c˜ao da an´alise estat´ıstica as vari´aveis foram agrupadas e categorizadas em:
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• Ra¸ca/Cor - brancos e n˜ao brancos (negros, amarelos, pardos e ind´ıgenas); • Escolaridade - ensino fundamental, ensino m´edio, ensiono superior;
• Bairro - maior renda (Centro, Santo Antˆonio de P´adua, Parte do S˜ao Luiz, Parte do S˜ao Francisco, Bosque, Vila Nossa Senhora Aparecida, Conjunto Habitacional Anita Garibaldi, ´Agua Santa, Universit´ario Waldemar Ortigari)e menor renda (S˜ao Jos´e, Bom Jesus, Get´ulio Vargas e Interior);
• Tipo de exposi¸c˜ao - mordedura e outros (arranhadura, lambedura e contato indireto); • Localiza¸c˜ao - mucosas, cabe¸ca/pesco¸co e tronco, m˜aos e p´es, membros superiores e
membros inferiores;
• Ferimento - ´unico e m´ultiplo;
• Tipo de ferimento - Superficial, profundo e dilacerante; • Antecedentes de tratamento - sim e n˜ao;
• Animal Agressor - caninos, felinos e outros (herb´ıvoro dom´estico, qui´opeta (morcego), animais selvagens);
• Condi¸c˜ao do animal - sadio, suspeito e morto ou desaparecido;
• Tratamento indicado - pr´e-exposi¸c˜ao, dispensa de tratamento, observa¸c˜ao do animal (se c˜ao ou gato), observa¸c˜ao + vacina e vacina;
Na vari´avel “Idade”as crian¸cas menores de um ano foram reunidas ao grupo de 1 a 12 anos (N=2). N˜ao foram analisados os dados referentes a “Ocupa¸c˜ao”pela sua grande varia¸c˜ao entre os indiv´ıduos, em casos onde houve ferimentos em multiplos locais do corpo da v´ıtima considerou-se a les˜ao com maior prevalˆencia entre os dados coletados. Os dados ignorados pelo entrevistador foram retirados da an´alise estat´ıstica onde foram verificadas associa¸c˜oes. Ap´os a an´alise da consistˆencia dos dados, foi realizado primeiramente a descri¸c˜ao de todos os dados (Quadro 1) e posteriormente testes de qui-quadrado para verifica¸c˜ao da associa¸c˜ao entre as vari´aveis, considerando um p¡0,5 como valor de significˆancia estat´ıstica.
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5 DISCUSS ˜AO
Ap´os a an´alise de 436 fichas de atendimento antirr´abico humano do per´ıodo de 2014 a 2018, o ano de 2016 teve 147 FII preenchidas (33,7%), sendo o per´ıodo com o maior n´umero de atendimentos, seguido pelo ano de 2018 com 121 FII preechidas (27,8%). Todos os dados analisados podem ser observados resumidamente na Tabela 1. As faixas et´arias mais acometidas foram adultos entre 30 a 59 anos com 136 atendimentos (31,6%), seguido por crian¸cas de 1 a 12 anos com 112 atendimentos (26,0%).
Em rela¸c˜ao ao sexo, a maior parte das notifica¸c˜oes foi no sexo feminino 55,4%, contra 44,0% relacionados ao sexo masculino. Em rela¸c˜ao a cor/ra¸ca 388 notifica¸c˜oes foram de ataques em pessoas que se autodeclararam brancas (93,5%) e apenas 27 em n˜ao brancas (6,5%). Em 55,3% dos casos os ataques ocorreram em pessoas com ensino fundamental, seguido de 34,6% em indiv´ıduos com ensino m´edio e apenas 10,2% em indiv´ıduos com ensino superior.
O tipo de exposi¸c˜ao mais frequente foi a mordedura com 414 atendimentos (94,9%) enquanto outros tipos de exposi¸c˜ao tiveram apenas 22 atendimentos (5,0%). Ao analisar a localiza¸c˜ao dos ferimentos os membros inferiores foram os mais atingidos com 180 dos atendimentos (42,4%), m˜aos e p´es tiveram 110 atendimentos (25,9%) e membros superiores ficaram em terceito lugar com 72 atendimentos (16,9%).
O trabalho realizado por Fortes et al. (2007) em Pinhais (PR) mostrou algumas semelhan¸cas com o realizado em Curitibanos. Nesse estudo, 61,4% dos acidentes ocorreram em pessoas acima de 12 anos de idade, os ferimentos ´unicos foram mais prevalentes em 58,3%, superficiais com 49,7% e nos membros inferiores em 33,3% dos casos. A mordedura foi frequente em 81,9% dos casos, sendo causada por caninos em 95,5% dos atendimentos, no momento do acidente 51,0% dos animais foram considerados sadios.
Na presente pesquisa a esp´ecie que mais causou ataques foram os caninos (85,1%), seguido pelos felinos (6,1%) e os outros animais agressores causaram apenas 17 agress˜oes (3,9%). Em 367 (85,1%) dos casos os animais foram considerados sadios, suspeitos em 29 (6,73%) e mortos ou desaparecidos em 35 dos casos (8,1%).
Santos, Melo e Brandespim (2017) demonstraram em seu estudo elaborado na Mesorregi˜ao do Agreste Pernanbucano que a esp´ecie agressora mais comum era a canina em 68,1% dos casos, sob condi¸c˜oes sadias em 79,9% e a mordedura foi o tipo de contato mais comum em 83,8%. Por´em, diferente do que foi observado em Curitibanos os ferimentos
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m´ultiplos foram mais frequentes com 58,3%, nas m˜aos e p´es em 39,4% e ferimentos profundos em 56,8% dos atendimentos, sendo predominantes.
No estudo realizado em Curitibanos os ferimentos ´unicos foram mais frequentes com 377 atendimentos (87,7%) e no caso dos m´ultiplos houveram 55 investiga¸c˜oes (12,2%), os ferimentos mais comuns foram os considerados superficiais 67,7% e, os profundos foram respons´aveis por 31,6% dos atendimentos.
Na literatura os resultados relacionados a prevalˆencia dos ferimentou unicos e m´ultiplos s˜ao vari´aveis. No trabalho escrito por Barroso (2018) referente a quantidade de ferimentos, foi observado que os ferimentos ´unicos est˜ao em maior n´umero com 67,65%, enquanto que em apenas 28,73% dos casos haviam ferimentos m´ultiplos. Esse fato tamb´em foi relatado por Filgueira, Cardoso e Ferreira (2011); Ferraz et al. (2013) e Silva et al. (2013). O fato do animal realizar apenas uma investida contra a v´ıtima, no caso de defesa, e a pessoa acabar se afastando do animal agressor pode explicar o maior n´umero de les˜oes ´unicas. Diferente do que relatado por Morales et al. (2011), em Lima no Peru, onde os ferimentos m´ultiplos ocorreram em 79,10% em crian¸cas, resultado explicado pela incapacidade de defesa da v´ıtima durante o acidente (BARROSO, 2018).
A partir da an´alise descritiva, foram realizadas algumas associa¸c˜oes entre as vari´aveis coletadas. Os principais resultados dessas an´alises indicam que 60,2% notifica¸c˜oes s˜ao pertencentes aos bairros de menor renda e 39,7% em bairros de maior renda, existindo diferen¸cas estat´ısticas nestes dados conforme o bairro de residˆencia da v´ıtima (p = 0, 042). Este percentual pode ser explicado pelo fato de que popula¸c˜ao curitibanense com menor poder aquisitivo ter a guarda do maior n´umero de animais como descrito no estudo de
(WESTPHAL, 2018). Tamb´em foi visto que 53,5% dos animais suspeitos de raiva estavam
em bairros com maior vulnerabilidade s´ocioecˆomica, por´em 60,0% os animais mortos ou desaparecidos estavam em bairros com maior poder aquisitivo. Estes dados podem ser observados na Tabela 2.
Em rela¸c˜ao a esse resultado sugere-se a realiza¸c˜ao de projetos em prol da sa´ude e bem estar dos animais direcionado principalmente nas regi˜oes de menor renda. Em um estudo feito por Silvano et al., 2010 em um loteamento localizado nas Restinga de Massambaba em Arraial do Cabo (RJ) com 12 propriet´arios de 32 animais, entre eles c˜aes e gatos, foi poss´ıvel observar como o contato peri´odico dos propriet´arios com m´edicos veterin´arios resulta em melhora na qualidade de vida dos animais, aumentando o conhecimento sobre a guarda respons´avel e vacina¸c˜ao. Com as visitas dos m´edicos veterin´arios os tutores come¸caram a supervisionar seus animais de forma mais constante, diminuindo assim a ocorrˆencia de fugas (ALMEIDA; LABARTHE; PAIVA, 2010).
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Destaca-se que existe uma limita¸c˜ao ao fazer a an´alise dos bairros divididos nas categorias menor e maior renda. Isso porque h´a em alguns bairros regi˜oes como “Bela vista”(Bairro S˜ao Luiz) e “Ninho do Escorpi˜ao”(Bairro S˜ao Francisco), onde est˜ao concentrados os munic´ıpes que apresentam a menor renda. Por meio da an´alise das FII n˜ao foi poss´ıvel coletar os dados levando em considera¸c˜ao essa subdivis˜ao. No entanto, para tentar contornar essa limita¸c˜ao, foi feita uma an´alise com as vari´aveis escolaridade da v´ıtima e bairro de residˆencia, e encontrou-se que aqueles que apresentavam menor escolaridade residiam nos bairros que foram classificados como de menor renda (dados n˜ao apresentados).
O tratamento indicado mais comum foi a observa¸c˜ao do animal (se c˜ao ou gato) com 365 casos (83,7%), a observa¸c˜ao + vacina ocorreu em 49 atendimentos (11,2%), em seguida dispensa de tratamento com 11 atendimentos (2,5%), a prescri¸c˜ao da vacina ocorreu somente em 8 casos (1,83%) e em 1 caso houve a indica¸c˜ao do tratamento de pr´e-exposi¸c˜ao (0,23%). No presente estudo 417 pessoas (99,5%) n˜ao haviam recebido nenhum tipo de
tratamento antirr´abico antes do acidente notificado (tratamento p´os-exposi¸c˜ao).
No per´ıodo estudado 97,7% das condutas de tratamento indicados pelo profissional de sa´ude ap´os a ocorrˆencia de um acidente antirr´abico estavam corretas, diferente do que observado no j´a citado estudo de Cavalcante e Alencar (2018), em que 95,5% das condutas realizadas estavam mostrando inadequa¸c˜oes. Os acidentes ocorridos no munic´ıpio foram avaliados como leves em sua maioria com 266 atendimentos e cerca de 99,6% das condutas destes casos estavam de acordo com o indicado. Os casos graves representaram 168 atendimentos e apenas 9 (5,4%)destes apresentavam tratamentos inadequados, por´em duas das condutas poderiam colocar em risco a sa´ude das v´ıtimas, pois nestes casos os animais estavam enquadrados na condi¸c˜ao morto/desaparecido e as pessoas deveriam receber o tratamento com a utiliza¸c˜ao de soro e vacina, mas o tratamento prescrito foi a dispensa de tratamento. O esquema de profilaxia da raiva humana p´os-exposi¸c˜ao preconizado pelo Minist´erio da Sa´ude pode ser visto no Anexo C.
Todos os dados analisados podem ser observados resumidamente na Tabela 1. Quanto ao preenchimento da ficha individual de investiga¸c˜ao, esse estudo analisou a quantidade de dados com informa¸c˜oes ignoradas. No geral, todas as vari´aveis (com exce¸c˜ao da escolaridade que ser´a discutida a seguir) tiveram menos de 5% de informa¸c˜oes ignoradas. No caso da escolaridade, em 2015 28,1% dos atendimentos, e em 2016 33,3% das notifica¸c˜oes deixaram esse campo em branco. Destaca-se que em 2017 nenhuma das FII teve esse campo ignorado e em 2018 esse percentual foi de 6,6%. Sugere-se um acompanhamento ao longo do tempo em rela¸c˜ao a essa informa¸c˜ao dentro das FII, visto
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que a escolaridade ´e uma vari´avel que tem rela¸c˜ao com diferentes desfechos em sa´ude.