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Resultados e Discussão

5.6.3 Evento Extremo de 13/04/2003

A Figura 5.6.13 (a) mostra um sistema de baixa pressão intenso com centro em torno de 996 hPa, situado na região oceânica, em 40°S/45°W nos dois dias que antecederam ao surge em Cananéia e Ponta da Armação com ocorrência de ressaca no litoral. Nos pontos P1, P2 e P3 os valores mínimos da pressão foram de 1002.6, 1008.7 e 1012.4 hPa, ocorridos nos dias 11, 12 e 11, respectivamente. No dia 13, foram registrados nos três pontos de pressão valores de 1021.4, 1018.3 e 1022.8, mostrando a predominância de um sistema de alta pressão na região, conforme Figuras (b) e (c).

Observa-se, ainda, nessas Figuras que os campos de pressão gerados com as reanálises dos dias 12 e 13 mostraram um cavado se deslocando para SE com isóbaras em torno de 1000 hPa. Observou-se na região de estudo (do norte da Argentina ao sudeste do Brasil) um aumento nos valores de pressão, entre 1020 e 1024, ao longo da costa.

(a)

(b)

(c) Figura 5.6.13 (a), (b), (c): Campos de pressão atmosférica ao nível do mar (hPa),

gerados com dados de reanálise para os dias 11 (a), 12 (b) e 13 (c) de abril de 2003 das 12 UTC. O intervalo de contorno é de 4 hPa e a barra de cores indica os valores de pressão em hPa.

As Figuras 5.6.14 (a) e (b) mostram as linhas de corrente com ventos na direção SW, da costa do Uruguai ao sul do Brasil com máximos em torno de 18 m/s (65 km/h)

nos dias 11 e 12. A Figura (b) mostra que, próximo ao litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, na área oceânica, ocorreram fortes gradientes com ventos de mesma intensidade e direção. Nessa região situa-se o ponto V2 (29°31’/45°), com velocidade máxima em torno de 16.4 m/s (60 km/h). Em (c) observa-se um centro de alta pressão situado sobre o Rio Grande do Sul com afastamento do cavado para SE no dia do evento.

(a)

(b)

(c) Figura 5.6.14 (a), (b) e (c): Linhas de corrente com dados de vento a 10 m de altura,

mostrando a direção dos ventos nos dias 11 (a), 12 (b) e 13 (c) de abril de 2003 das 12 UTC. A barra de cores indica a velocidade do vento em m/s.

A situação sinótica no dia 11 é mostrada na imagem de satélite da Figura 5.6.15 com a localização da frente fria e o sistema de baixa pressão, em torno de 45°S, confirmando os mapas gerados com os dados de reanálises.

Figura 5.6.15: Imagem do satélite GOES, no canal infravermelho, referente ao dia 11 de abril de 2003 das 12 UTC. Fonte: INPE/CPTEC.

As Figuras 5.6.16 (a) e (b) mostram a variabilidade do nível do mar em Cananéia e Ponta da Armação devido à ocorrência de tempestade no período de 11 a 14/04/2003. Observa-se em (a) que a partir do dia 11 o nível observado começa a se elevar em relação ao previsto, juntamente com a curva do storm surge, atingindo o pico máximo no dia 13. A partir do dia 14, as curvas do nível observado e previsto se juntam e oscilam em torno do nível médio do período. Ambos os gráficos mostram que a variação no nível do mar teve um período de, aproximadamente, 3 dias. Os picos máximos em relação à PM foram de 99 e 68 cm em Cananéia e Ponta da Armação, respectivamente.

(a)

(b)

Figura 5.6.16: (a) Curvas do nível do mar observado, previsto e o storm surge de 09/04 a 17/04/2003 na estação de Cananéia e (b) na estação da Ponta da Armação.

Os gráficos da Figura 5.6.17 (a) a (c) mostram a variabilidade conjunta entre as séries meteorológicas extremas diárias nos pontos de pressão (P1 e P2), vento (V1 e V2)

e nas estações maregráficas. Nos pontos de pressão, os picos máximos ocorreram entre os dias 10 e 11 e nos pontos de vento nos dias 10 e 12. Na estação de Cananéia foi registrado, no dia 13, pico máximo de 319 cm de altura. Em Ponta da Armação, no dia 14, com 290 cm. Houve registro de ocorrência de ressaca, com danos no litoral sul e sudeste.

(a)

(b)

(c)

Figura 5.6.17: (a) Mínimos diários da pressão em P1 e P2; (b) Máximos diários do vento em V1 e V2; (c) Máximos diários do nível do mar em Cananéia e Ponta da Armação de fevereiro a maio de 2003.

As Figuras 5.6.18 (a) e (b) mostram a série horária do nível observado e previsto para as duas localidades, onde se observa a ocorrência do fenômeno antes do pico da maré de sizígia prevista no modelo harmônico. Verificou-se um levantamento gradual no dia 11, nas duas estações, com queda brusca a partir do dia 14, após o registro, do pico máximo do nível do mar, no dia 13, em Cananéia. Em Ponta da Armação, o abaixamento do nível do mar foi mais suave do que em Cananéia, após o pico registrado no dia 14.

(a)

(b)

Figura 5.6.18: Séries horárias do nível do mar observado e previsto em Cananéia (a) e Ponta da Armação (b) no mês de abril de 2003.

Observa-se, ainda, nos gráficos das Figuras 5.6.17 (a) e (b) a ocorrência de extremos de pressão e vento no dia 26 de maio. Em (c) verifica-se que os picos do nível do mar, em Cananéia e Ponta da Armação, foram mais baixos do que nos demais eventos, com 281 e 271, respectivamente. A Figura 5.6.19 mostra, que nessa data, ocorreu um surge entre a quadratura e início da sizígia (quarto minguante para lua nova), nas duas estações maregráficas.

(a)

(b)

Figura 5.6.19: Séries horárias do nível do mar observado e previsto em Cananéia (a) e Ponta da Armação (b) no mês de maio de 2003.

A situação sinótica, nos dias 23 e 24 de maio, é mostrada na Figura 5.6.20, onde se observa um sistema de baixa pressão acompanhando uma frente fria, evoluindo para um ciclone extratropical, ao longo da região de estudo. Verifica-se que houve deslocamento meridional do sistema em direção às latitudes mais baixas com o centro do ciclone permanecendo semi-estacionário em torno de 40° S. No dia 26 houve registro de ressaca no litoral sul e sudeste. Acredita-se que o levantamento do nível do mar não excedeu os picos anteriores devido às forçantes astronômicas não coincidirem com o período de sizígia, como ocorrido nos eventos analisados.

Figura 5.6.20: Imagem do satélite GOES, no canal infravermelho, referente aos dias 23 (a) e 24 (b) de maio de 2003 das 12 UTC. Fonte: INPE/CPTEC.

5.7

RESULTADOS DA PREDIÇÃO DO NÍVEL DO MAR EM