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PARTE I ENQUADRAMENTO TEÓRICO 5

2.2. Evolução da Web: conceitos de Web 1.0, 2.0, 3.0 28

A Web 1.0 era um pouco dispendiosa para os seus utilizadores até porque a grande maioria dos serviços eram pagos e controlados através de licenças. Por outro lado, os sistemas eram restritos a quem detinha poder de compra para custear as transações online e adquirir o software para criação e manutenção de sites.

A primeira geração (Figura 2) da Internet – Web 1.0 – teve como principal predicado a enorme quantidade de informação disponível e a que todos podíamos aceder. No entanto, o utilizador pouco mais podia fazer do que ser “espetador“ não podendo realizar qualquer tipo de alteração ou edição o conteúdo contida nos sites, isto porque não dominavam a linguagem HTML4 para editar as informações contidas nos sites. Para Coutinho (Coutinho & Junior, 2007, p. 199-200),

A evolução tecnológica permitiu o aumento do acesso de utilizadores possível pela largura de banda das conexões, pela possibilidade de se publicarem informações na Web, de forma fácil, rápida e independente de software específico, linguagem de programação ou custos adicionais.

Ao longo da sua evolução houve sempre a preocupação de tornar a internet mais acessível para todos. O aparecimento da Web 2.0 acabou com a necessidade de se possuir um computador pessoal para correr aplicações instaladas localmente. A evolução dos recursos e aplicações online permite a qualquer professor aceder, em qualquer dispositivo, a qualquer hora, em qualquer lugar, às mesmas e usá-las como recurso didático (Carvalho, 2008, p. 8). Richardson (2008 apud Carvalho, 2008, p. 8) defende ainda que “muitos dos alunos passam a ser muito mais empenhados e responsáveis pelas suas publicações” A Web 2.0 permite, de facto, abrir um espaço de informalidade que, na prática, motiva crianças, jovens e adultos para a construção de aprendizagens ricas. Permite, igualmente, o desenvolvimento de competências essenciais a todo o cidadão informado do séc. XXI como seja: ser interveniente, produzir conteúdos, ter capacidade crítica, comunicar na rede, trabalhar em colaboração,

participar em comunidades não de proximidade mas de interesses comuns (Coutinho, 2008b, p. 18). Entretanto, Carvalho (Carvalho, 2008, p. 12) vai ao encontro desta autora ao referir que,

[...] nunca é demais reforçar de que ser letrado, no séc. XXI, não se cinge a saber ler e escrever, como ocorrera no passado. Esse conceito integra também a Web e os seus recursos e ferramentas que proporcionam não só o acesso à informação mas também a facilidade de publicação e de compartilhar online. Estar online é imprescindível para existir, para aprender, para dar e receber.

Assim, de acordo com Tim O’reilly, (O'reilly, 2007, p. 1),

Web 2.0 applications are those that make the most of the intrinsic advantages of that platform: delivering software as a continually-updated service that gets better the more people use it, consuming and remixing data from multiple sources, including individual users, while providing their own data and services in a form that allows remixing by others, creating network effects through an architecture of participation, and going beyond the page metaphor of Web 1.0 to deliver rich user experiences.

Coutinho (Coutinho, 2008a, p. 3) assinala que o termo Web 2.0, proposto em 2004 por O’Reilly, é

[...] utilizado para descrever a segunda geração da World Wide Web, estando agora mais próximo da visão original de Tim Berners-Lee, isto é, a Web como um espaço para a verdadeira colaboração entre utilizadores, meio de interação, comunicação global e partilha de informações, construindo para aquilo que designamos por inteligência colectiva.

dos alunos deixam de estar limitadas à turma e ficam disponíveis para toda a rede. É com base neste princípio de partilha de informação e de conteúdo que surge o CMS5

.

Figura 2 - Diferenças entre a Web 1.0 e a Web 2.0 (adaptado de Coutinho e Bottentuit, 2007)

Analisando o pensamento de O’Reilly (O'reilly, 2005), Coutinho e Bottentuit (Coutinho & Junior, 2007) apresentam como características principais da Web 2.0: Interfaces ricas e fáceis de usar; Gratuidade na maioria dos sistemas disponibilizados; Maior facilidade de armazenamento de dados e criação de páginas online; Edição simultânea e colaborativa dos conteúdos online; Os softwares funcionam basicamente online ou podem utilizar sistemas off-line com ser necessário instalar novas versões, privilegiando-se as atualizações o que proporciona enormes benefícios para os utilizadores; Existência de grandes comunidades de pessoas interessadas num determinado colaborativamente, torna-se mais fiável com o valida e atualizam as mesmas; A utilização de tags6 em quase todos os aplicativos constitui

um dos primeiros passos para a criação da Web semântica e a indexação correta dos conteúdos

5 CMS, ou Content Management System, é uma ferramenta de gestão de conteúdos web, que foi escolhida como plataforma de divulgação do nosso projeto, aliada às ferramentas de social media.

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Uma tag, ou em português etiqueta, é uma palavra-chave (relevante) ou termo associado com uma informação (ex: uma imagem, um artigo, um vídeo) que o descreve e permite uma classificação da informação baseada em palavras-chave. É um recurso encontrado em muitos sites

com a participação dos utilizadores, e permite que a utilização da rede global ocorra de forma colaborativa e que o conhecimento seja compartilhado de forma colectiva, com liberdade para utilizar e reeditar, conceito também designado de “colaborative working” (Alexander, 2006, p. 36).

Para Pérez & Suñe (Pérez & Suñé, 2011, p. 58) na aprendizagem baseada em projetos, a Web 2.0 oferece ferramentas para a comunicação entre as pessoas que integram o grupo, possibilitando um intercâmbio de informação e interação com pessoas externas, planificação, construção partilhada e publicação de conteúdos. Todas essas ferramentas contribuem para configurar o cenário de trabalho cooperativo e incluir atividades didáticas baseadas na

internet, que permitam trabalhar aspetos do curriculum escolar num contexto motivador e

participativo e também desenvolver a parte mais humana das TIC mediante a cooperação entre diferentes escolas É cada vez mais importante o trabalho em equipa assim como a partilha do saber individual ao dispor e proveito do grupo, isto é, deve ser privilegiada a interação social e interpessoal. Devem encaminhar-se os alunos para uma progressiva autonomia que deverá resultar de interação social e, na prática, traduzir-se em contribuição social (Cruz, 2008, p. 36). Uma das vantagens que já está perfeitamente confirmada no uso da

Web 2.0 é que trabalhar em colaboração não só é mais produtivo como resulta também num

trabalho mais gratificante (Pérez & Suñé, 2011, p. 58-60).

A criação é outra das mudanças que a Web 2.0 trouxe. As produções do aluno, fruto das suas aprendizagens, podem, agora, ser publicadas online de forma rápida e obterem visibilidade externa. Os ambientes de aprendizagem virtuais também atuarão como fator inovador nos modelos de aprendizagem mistos (blended, blended-learning7) combinando a

atividade extra sala de aula com a atividade presencial.

Na verdade, com a Web 2.0, torna-se mais fácil produzir trabalho colaborativo, uma vez que a maior parte das ferramentas da Web 2.0 permite a autoria conjunta o que, naturalmente, favorece a criação colaborativa (Carvalho, 2008, p. 12). As ferramentas da Web 2.0 podem incentivar os alunos a gostarem mais da escola, e entendê-la como um espaço

7 Sistema de formação/ensino onde a maior parte dos conteúdos são transmitidos através de cursos online à distância, normalmente pela internet, incluindo, necessariamente situações presenciais, daí a origem da designação blended, algo misto, combinado.

Pode ser estruturado com atividades síncronas, ou assíncronas, da mesma forma que o e-learning, ou seja, em situações onde professor e alunos trabalham juntos num horário pré-definido, ou não, com cada um a cumprir suas tarefas em horários flexíveis.

onde há partilha de conteúdos e saberes e onde o conhecimento se constrói numa combinação ténue entre o formal e o informal, entre a aprendizagem e o divertimento. “O uso das ferramentas da Web 2.0 traz, portanto, diversos benefícios para o ensino, principalmente por permitir novas práticas pedagógicas e formas de aprendizagem mais ativas e interativas” (Coutinho, 2008b, p. 17-18).

A evolução da Web “tornou possível a publicação e o acesso a uma enorme quantidade de informação, e consequentemente, uma certa desorganização da própria Web, sendo cada vez mais difícil localizar e recuperar a informação de que necessitamos”. A Web Semântica ou Web 3.0 (Tabela 1) prevê uma nova forma de organizar, classificar, estruturar e anotar a informação baseada na sua semântica. “O seu fim é contribuir para uma maior racionalidade, fluidez e eficácia de toda a informação, através de tecnologias capazes de descrever os conteúdos através de metadados” (Patrício, 2009, p. 12).

Web 1.0 Web 2.0 Web 3.0

Meaning is Dictated Socially constructed

Socially constructed & contextually

reeinvented Tecnhology is

Confiscated at the classroom door (digital

refugees)

Cautiously adopted (digital immigrants)

Everywhere (digital universe)

Teaching is done Teacher to student In a building or online

Teacher to student, student to teacher, &

student to teacher Schools are located In a building In a building or online

Everywhere & thoroughly infused into

society Parents view schools

as Daycare Daycare

A place for them to learn, too Teachers are Licensed professionals Licensed professionals Everybody, everywhere

Hardware & software Are purchased at greta cost and ignored

Are open source and available at lower cost

Are available at low cost and are used

purposively Industry views

graduates as Assembly line workers

As ill-prepared assembly line works in

a knwledge economy

As co-workers or entrepreneurs

Esta tabela (Tabela 1) construída por John Moravec (Moravec, 2013) detalha o caminho evolutivo que estamos a presenciar, experimentando a tecnologia, e crescendo como uma comunidade. Essencialmente, nós vamos chegar a um novo estado de competências na

web quando reinventarmos ferramentas de tecnologia para melhor reforçar a nossa

aprendizagem pessoal.

Com o aparecimento da Web, a maior mudança foi passar a existir conteúdo disponível online. Através do uso de “objetos de aprendizagem” integrados em sistemas de gestão de aprendizagem (LMS ou LCMS), desenvolvidos para apoiar a gestão do estudo e organização para os alunos, o professor é o distribuidor de material de aprendizagem de uma forma de “media-rich” e aborda os alunos através de vários canais de comunicação. Stephen Downes (2005 apud Hussain, 2012, p. 52) descreveu o uso de tecnologias da Web 2.0 para o ensino e aprendizagem como “e-Learning 2.0”.

A Web 3.0, denominada como semantic web, ou rede dados, é a transformação da versão da Web 2.0 com tecnologias e funcionalidades colaborativas inteligentes de filtragem,

cloud computing, big data, abertura, interoperabilidade, e mobilidade inteligente. Se a Web

2.0 é sobre redes sociais e colaboração em massa entre o criador e o utilizador, então a Web 3.0 refere-se a aplicações inteligentes que usam o processamento de linguagem natural, raciocínio e linguagem máquina.

Sobre este ponto Gonçalves (Gonçalves, 2007, p. 303-304) refere que:

As aplicações para a Web Semântica permitirão processar, reutilizar e partilhar a informação inteligentemente, com ou sem ajuda humana. A Web transformar- se-á assim numa enorme base de conhecimento compartilhado, constantemente lida e escrita não só por humanos, mas também por aplicações semânticas.

Do ponto de vista da evolução e-Learning, as tecnologias Web 2.0 transformaram a sala de aula e converteram o aluno passivo em um participante ativo no processo de ensino aprendizagem (Hussain, 2012, p. 16). Num estudo (Varela-Candamio et al., 2014) sobre a avaliação da atual Web 3.0 por jovens, em termos de redes sociais e da confiabilidade da

superior reconhecem a importância da Web 3.0, não só para fins de relações sociais e de amizade, mas como tendo um importante papel do conhecimento e da aprendizagem, formal ou informal onde eles são capazes de aproveitar melhor os recursos da Internet e das redes sociais, combinando usos tanto acadêmicas como sociais. Neste novo paradigma, a Web é hoje vista como uma plataforma na qual o utilizador tem um papel ativo, tornando-se simultaneamente produtor e consumidor de informação. O facto de haver uma maior facilidade de produzir conteúdo, e de o colocar online, gerou várias alterações: a primeira foi a “capacidade crítica e ativa dos utilizadores que agora têm novas formas de comunicar com o mundo”; a segunda tem a ver com o facto da “facilidade de publicar ter possibilitado a criação de comunidades que se juntam em torno de um interesse ou tema comum o que leva à criação de relações interpessoais que fortalecem o sentido de comunidade”; a terceira é de referir que “quanto maior for o número de pessoas envolvidas na produção de conteúdos para a Web maior é qualidade do serviço”; além dessas, ainda é importante salientar que “ quantos mais membros existirem maior é a atualização, a atualidade, a confirmação e a validação dos conteúdos” (Coutinho, 2008a, p. 2-3). Na perspetiva de Richardson (Richardson, 2008b, p. 1), é tempo de os educadores aceitarem os desafios que a Web oferece, pois acredita que,

[...] learn whatever we want, whenever we want, from whomever we want is rendering the linear, age-grouped, teacher-guided curriculum less and less relevant. Experts are at our fingertips, through our keyboards or cell phones, if we know how to find and connect to them‘ Content and information are everywhere, not just in textbooks. And the work we create and publish is assessed by the value it brings to the people who read it, reply to it, and remix it.

Neste contexto, estamos em permanente mudança de paradigma, ou seja, na prática passamos de meros consumidores de informação para, muito facilmente, sermos também nós próprios produtores de conteúdos que podem ser partilhados em rede. Baltazar & Aguaded (Baltazar & Aguaded, 2005, p. 1657), defendem que os professores,

[...] devem assumir uma postura de interesse face as novas tecnologias e ao seu potencial, investindo em formação e criando novas formas de motivar e envolver os alunos. Numa época em que vivemos rodeados pela tecnologia, é importante saber tirar partido dos recursos que temos disponíveis e inovar de forma a ter um ensino mais rico, em que as aulas não sejam apenas transmissão de conhecimentos mas também partilha de conhecimentos e experiências, troca de ideias e opiniões.

2.2.1. Podcast

Em 2004 surgiu o termo podcast criado por Adam Curry e Dave Winer. Ambos desenvolveram um software que permitia carregar e descarregar de forma automática transmissões de rádio da Internet para os iPods, e vice versa. O podcast permite passar de meros consumidores a produtores. Na qualidade de criadores, é-nos dada a possibilidade de participar, gerar e organizar as informações. Por esse motivo, “é muito interessante, do ponto de vista pedagógico, e que, de facto, pode ser utilizado em contexto escolar, acabando por se tornar uma tecnologia alternativa extremamente potente para ser utilizada ao serviço do processo de ensino e aprendizagem” (Diegues & Coutinho, 2010, p. 6-7).

Algumas vantagens de utilização do podcast para esta geração de alunos que cresceram durante a massificação da web 2.0, a partir das reflexões efetuadas por Bottentuit Junior e Coutinho (Junior & Coutinho, 2009, p. 2122) são: o incremento de interesse por parte dos alunos devido a uma nova modalidade de ensino introduzida na sala de aula; um recurso que tem como principal característica a possibilidade de os alunos escutarem inúmeras vezes o mesmo excerto de áudio; possibilidade de a aprendizagem se estender ao contexto de fora de sala de aula; incentivo à organização e gestão de conteúdos por parte dos alunos. Assim, Diegues & Coutinho (Diegues & Coutinho, 2010, p. 9) afirmam que o podcast,

[...] é mais uma das formas de expressão da cibercultura, enquadradas naquilo que se designa de novas mídias, acabando por conservar a maior parte das características inerentes às formas de comunicação, mediadas por computador,

traduzidas na produção de conteúdos sonoros [...] o podcast, mantém, simultaneamente, características da oralidade do passado, potenciando uma nova forma de representação, conhecimento e difusão cultural, tendo por base a utilização das novas tecnologias.

Um projeto WRT, tratando-se de um meio de divulgação de conteúdos áudio em formato podcast, amplifica a melhoria da qualidade de comunicação e, por outro lado, aperfeiçoa o processo de transmissão de conhecimentos. Além disso, cria condições para que seja outra forma de disponibilizar e divulgar conteúdos educativos. O projeto WRT permite, assim, desenvolver técnicas experienciar situações que podem contribuir substancialmente para a melhoria do ensino e aprendizagem. Os ambientes virtuais de ensino ou de aprendizagem (Junior & Coutinho, 2007, p. 137),

[...] podem ser definidos como espaços fecundos de significação onde seres humanos e objetos técnicos interagem, potencializando, assim, a construção de conhecimentos, logo, a aprendizagem. Ou seja, são ambientes dotados de recursos pedagógicos que se bem empregados podem contribuir para o ensino e a aprendizagem. O diferencial destes ambientes é a facilidade de instalação, configuração e manuseamento, ou seja, não é preciso saber programação para utilizar e disponibilizar conteúdos, isto faz com que os professores se sintam mais à vontade para explorar e desenvolver seus.

Com as ferramentas que já existem, inclusivamente gratuitas, torna-se mais simples a criação de podcasts, cujo único requisito básico é possuir equipamento de recolha de áudio (microfones) que apresente uma qualidade aceitável para que a mensagem seja entendida e a comunicação eficaz.

2.2.2. Redes Sociais (social media)

As redes sociais já fazem parte, direta ou indiretamente, do quotidiano da maioria dos cidadãos. Segundo Bento Silva (Silva, 2011, p. 207), “a percepção da importância do ciberespaço foi reconhecida por vários sociólogos que têm reflectido sobre a evolução das relações sociais na sociedade moderna e do papel que os atuais sistemas tecnológicos desempenham na constituição das comunidades virtuais”. São hoje uma forte ferramenta de troca e partilha de informação. Para Minhoto & Meirinhos (2011 apud Ferreira, 2013, p. 12) nelas reside um recurso pouco explorado, mas com grande potencial educativo, que é “a pedagogia da aprendizagem colaborativa, que é centrada no grupo e não em indivíduos isolados. O indivíduo aprende do grupo, mas individualmente também contribui para a aprendizagem dos outros”. Porém, segundo Meirinhos (2011 apud Ferreira, 2013, p. 12), esta colaboração colectiva não deverá ser imposta, mas sim motivada e, apesar de na teoria existir um estímulo à participação motivada pelo conceito de abertura à rede, na prática, a interação no grupo depende da diversidade de estilos e desempenhos dos membros e da importância atribuída ao conhecimento distribuído.