CAPÍTULO 3 MTM – METHODS-TIME MEASUREMENT
3.3 EVOLUÇÃO DO MTM
Conforme apresentado na Tabela 2.3, pode-se observar que o MTM foi publicado pela primeira vez em 1948 em um livro que leva o nome “Methods-Time Measurement”. A primeira aplicação também foi em 1948. Pode-se dividir a evolução do MTM em 3 fases:
• Elaboração do Método (até 1948); • Disseminação do MTM (1948-1960);
• Desenvolvimento de novos módulos do MTM (1960 – hoje).
O sistema MTM começou a ser concebido em 1940 quando o engenheiro Stergemerten, responsável pelos métodos de trabalho na Westinghouse, chamou o consultor Maynard a Pittsburgh para assessorá-lo na execução de um vasto programa de melhoria de seus métodos. Eram os anos da 2a. Guerra Mundial. A utilização da otimização de procedimentos na indústria bélica com o uso de cronômetro estava fora de cogitação, tendo em vista os problemas já apontados em Aitken (1960). Surgiu, portanto, a necessidade de criar um conjunto de padrões elementares para compor o tempo das atividades.
O estudo, conforme Fullmann (1975), começou com 18 empresas em Pittsburgh, seguindo a uma aplicação do método em uma fábrica Westinghouse em Lima (Peru), ampliando seguidamente para outras 25 empresas. A consolidação do MTM foi em 1948, com a publicação do livro “Methods-Time Measurement”.
3.3.2 Disseminação do MTM
Epic do Brasil (2002a) aponta que logo após a primeira publicação o sistema teve uma propagação tão rápida e intensa, a ponto dos autores passarem por momentos de apreensão, buscando o controle sobre a aplicação correta e uniforme em todas as áreas e regiões. O resultado desta preocupação foi a fundação, em 1951, da "US. MTM - Association for Standards and Research" em Nova York. Em 1953, esta Associação mudou a sua sede para Ann Arbor, Michigan. Os direitos autorais do Método foram transferidos dos autores-pesquisadores para a Associação MTM americana, que atua no âmbito de utilidade pública, incorporando em seus objetivos estatutários o compromisso de fomento de pesquisas de princípios básicos MTM.
Rápida também foi a propagação do MTM a outros continentes. Associações congêneres e vinculadas à "US MTM Association" surgiram sucessivamente na Europa e Ásia. O desenvolvimento das Associações fez com que, na Conferência de Paris, no ano de 1957, fosse constituído o Diretório Internacional MTM.
Em 1962, empreendimentos industriais fundaram a Associação MTM Alemã, a Deutsche MTM-Vereinigung e. V. (DMTM-V). Esta Associação é muito ativa, um verdadeiro pólo de
desenvolvimento de MTM, pois congrega grupos de trabalhos, juntas técnicas e encontros para trocas de experiência entre usuários do MTM.
A ampla divulgação do MTM é muito útil por possibilitar uma uniformidade no conceito e na sua aplicação. Em uma realidade de economias e empresas globalizadas, o uso de uma linguagem única na produção facilita a compreensão e controle dos métodos aplicados.
3.3.3 Desenvolvimento de novos módulos do MTM
Em paralelo à crescente difusão do MTM entre os países, houve o desenvolvimento do MTM em diversos módulos que demonstram o dinamismo da Associação MTM. A partir da tabela 3.1, pode-se tirar algumas conclusões sobre a sua evolução.
Tabela 3.1 – Módulos do MTM (Fonte: Epic do Brasil, 2002a).
Os novos módulos do MTM surgiram na medida em que as empresas verificaram necessidades de aplicações específicas do MTM. Para atender estas solicitações, a Associação tem como função aglutinar um grupo de trabalho formado por diversos profissionais da área que buscam soluções aos problemas propostos. O resultado do trabalho é associado ao corpo de
MTM – GPD (General Purpose Data): elaborado pela Associação Americana
MTM – SD (Valores Básicos): desenvolvido pela Associação MTM Alemã MTM – 2: desenvolvido pela Associação MTM da Suécia
MTM – 3: representa uma compactação adicional ao MTM – 2 MTM – BSD: dados para “escritório-especialista”
MTM – UAS: sistema de análise universal – produção em série
MTM – MEK: voltado para produção de peças avulsas e séries pequenas Etapas de evolução do MTM – UAS e MTM – MEK
PROKON: Engenharia de produto MTM: Controle visual
1960
1970
1980
conhecimento da Associação e divulgado para os demais associados. A criação de novos módulos do MTM é fruto de muito estudo de especialistas em MTM.
A partir de 1960, o MTM publicado em 1948 foi base de criação de múltiplos desenvolvimentos de Dados Padrões, processos complementares mais complexos, patrocinados por diferentes Associações MTM. A Associação MTM Americana desenvolveu e propagou o GPD (MTM - General Purpose Data) em 1963. No âmbito da Associação MTM Alemã, desenvolveu-se o MTM-SD (Standard-Daten).A Associação Sueca elaborou o MTM-2 em 1966 que tem importância na Escandinávia, Inglaterra e França.
Muito embora o desenvolvimento dos Dados Padrões tenha ocorrido em diferentes países, há um intercâmbio entre as associações e uma unidade na base original que possibilita uma universalidade do MTM mesmo em diferentes países. Os profissionais de desenvolvimento seguiram algumas exigências que garantiram a unidade, indicados na tabela 3.2.
Tabela 3.2: Regras para desenvolvimento de novos módulos (Epic do Brasil, 2002a).
Durante a década de 70, a Associação Alemã elaborou novos módulos do MTM. As informações sobre os módulos a seguir foram extraídas da apostila da Epic do Brasil (2002a).
MTM – BSD (Büro - Sachbear Ueiter -Daten ou Dados para Escritório Especialista)
Fora da realidade do chão de fábrica, a Associação MTM alemã desenvolveu um sistema de dados condensado para a configuração, otimização e quantificação de processos de negócios
• O método deve ser aplicável em todos os ramos de atividades; • O método deve ser compreensível por todos e seu aprendizado
ser fácil, não exigindo conhecimentos prévios especiais;
• O método deve ser estruturado de tal maneira que o tempo de sua execução seja uma “decorrência dele próprio”;
administrativos. Aplica-se em empresas prestadoras de serviços ou nas áreas indiretas da atividade industrial.
MTM – UAS (Universelles Analysien System ou Sistema de Análise Universal):
O termo “universal” indica a possibilidade de aplicação do MTM-UAS em praticamente todas as seqüências operacionais manuais, nas diferentes áreas aplicativas com características de produção seriada.
O Sistema de Análise Universal foi desenvolvido para aplicação na produção seriada. Os segmentos industriais que fazem uso desse módulo são as grandes montadoras de veículos, indústria de eletrodomésticos, entre outros.
MTM – MEK (MTM für die Einzel und Klein serienfestingung ou MTM para produção individual e em pequenas séries)
O MTM para produção individual e em pequenas séries está voltado para indústrias de produção de baixa repetição ou mesmo sem repetição. Aplica-se na indústria aeronáutica e construção de máquinas sob encomenda.
Na década de 80, elaborou-se, por meio da condensação de dados, as “Etapas de Evolução” para os módulos MEK e UAS. Atividades como parafusar, prender, afrouxar, examinar ou medir foram aglutinadas e assim a análise da atividade mais simplificada.
Por fim, nos anos 90 a Associação alemã realizou seus mais recentes módulos:
MTM – Controle Visual
Módulo que permite o planejamento, configuração e avaliação de tempo de atividades de exame visual que dependem da capacidade de avaliação e decisão de pessoas. Este módulo oferece um método aprimorado para setores de controle de qualidade de pinturas de superfície, controle visual utilizando instrumentos ópticos, entre outros.
PROKON (MTM para engenharia de produto)
Este é um método para avaliação da montagem de unidades funcionais e peças durante o desenvolvimento do produto. A utilização deste módulo permite uma avaliação dos custos de fabricação sem o conhecimento detalhado da esperada situação de montagem já no estágio inicial do desenvolvimento do produto. Este módulo tem grande potencial para diminuição do custo desde o projeto do produto [Sanzenbacher, 2003].