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3 A PROPAGANDA ELEITORAL

3.3 EVOLUCAO LEGISLATIVA DA PROPAGANDA ELEITORAL

Com o fito de lograr uma melhor compreensão acerca do cenário normativo e jurisprudencial vigente no terreno da propaganda eleitoral, é necessário traçar uma rápida retrospectiva histórica.

O primeiro Código Eleitoral brasileiro foi editado há mais de oitenta anos, por meio do Decreto n. 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, que consagrou o sistema jurisdicional de controle do processo eleitoral, criou a Justiça Eleitoral, instituiu o voto feminino, a representação proporcional, o sufrágio direto e universal e o voto secreto em cabina indevassável (CÂNDIDO, 2000, p. 28-35). No entanto, nada dispôs a respeito da propaganda política.

O segundo Código Eleitoral – Lei n. 48, de 4 de maio de 1935, criado na vigência da Constituição de 1934, conferiu aos juizes Eleitorais competência criminal antes concentrada nos Tribunais Regionais Eleitorais e dispôs, timidamente (art. 49 a 57), sobre a ampla atuação do Ministério Público no processo eleitoral, mas também foi silente em matéria de propaganda eleitoral (PEREIRA; MOLINARO, 2013, p. 07).

Já em 1950, com a publicação do terceiro Código Eleitoral (Lei n. 1.164, de 24 de julho de 1950), sob a égide da Constituição de 1946, o legislador preocupou-se com a questão propagandística, que passou a ocupar um capítulo específico denominado propaganda partidária.

Esse código dispunha sobre a indicação de espaços, pelas municipalidades, destinados à propaganda eleitoral27 – como se faz, atualmente, em muitos países desenvolvidos em matéria político-eleitoral. Em 1950, nossa legislação ostentava um aspecto avançado no tocante à proteção da ordem urbana: a propaganda eleitoral só podia ser veiculada em quadros para tanto reservados pela municipalidade. Além disso, estabelecia que, em se tratando de prédios

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Art. 151: Aos partidos políticos, por seus diretórios, independente de licença da autoridade pública e de qualquer tributo, é assegurado o direito de: [...] 3) fazer a propaganda própria ou dos seus candidatos, mediante cartazes, assim como no período da campanha eleitoral por meio de faixas afixadas em qualquer logradouro público. [...] § 2º A administração municipal, no período da campanha eleitoral, fará colocar, em lugares apropriados, quadros para a afixação de cartazes. Se o não fizer, poderá fazê-lo qualquer partido.

pertencentes ao domínio público, a afixação de cartazes ou faixas dependeria de prévia autorização da autoridade sob cuja guarda estivessem, hipótese em que “a autorização concedida a um partido ou candidato” se estendia, automaticamente aos demais (PEREIRA; MOLINARO, 2013, p. 07).

O quarto Código Eleitoral Brasileiro – Lei n. 4.737, de 15 de julho de 1965, ainda em vigor, trouxe um título dedicado à propaganda partidária (arts. 240 a 256), versando, a rigor, sobre a propaganda eleitoral e sobre a propaganda partidária propriamente dita, hoje com regência específica na Lei n. 9.096/95. Atualmente, o conteúdo referente à propaganda está bastante esvaziado em virtude de a matéria se encontrar inteiramente disciplinada pelas Leis n. 9.504/97 e n. 9.096/95.

Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, diversas leis que versam sobre propaganda política foram publicadas, dentre as quais, a Lei n. 8.713/93 – que regeu as eleições de 1994 e a Lei n. 9.100/95 – que disciplinou a eleição de 1996. Até que sobreveio a Lei n. 9.504/97 – a Lei das Eleições, que se debruçou, em diversos dispositivos à propaganda política:

(a) Os arts. 36 a 41, relativos à “Propaganda Eleitoral em Geral” – com regras concernentes não só a propaganda eleitoral, mas também à propaganda intrapartidária (art. 36, §1°) e à propaganda partidária (art. 36, §2°) – sob as modificações trazidas pelas Leis 11.300/06 e 12.034/09;

(b) O art. 42, referente à “Propaganda Eleitoral mediante outdoors”, hoje vedada, eis que esse dispositivo foi revogado pela Lei n. 11.300/06, que introduziu, ainda, o §8° ao art. 39 da LE, explicitando a proibição de propaganda eleitoral mediante outdoors;

(c) O art. 43, atinente à “Propaganda Eleitoral na Imprensa”, com as alterações da Lei n. 12.034/09; e

(d) Os arts. 57-A e 57-I, acrescentados pela Lei n. 12.034/09, referentes à propaganda pela internet. (PEREIRA; MOLINARO, 2013, p. 08).

Com o advento da Lei n. 11.300/06, deu-se a chamada Minirreforma Eleitoral. A Lei das Eleições sofreu modificações com o escopo de tornar as campanhas eleitorais mais baratas, acessíveis a todos os partidos e candidatos, prestigiando o princípio democrático da igualdade. Foram proibidas as propagandas em viadutos, passarelas, os showmícios, a distribuição de brindes e a publicidade em outdoors.

Em 2009, com o surgimento da Lei n. 12.034, ocorreu a segunda Minirreforma Eleitoral, que trouxe a diminuição do patamar da multa do art. 36, §3°, a introdução do artigo 36-A – que elenca condutas que não caracterizam propaganda antecipada; a definição de bens de uso comuns para fins eleitorais (artigo 37, §4°); a autorização para “a colocação de cavaletes, bonecos, cartazes, mesas para distribuição de material de campanha e bandeiras ao longo das vias públicas, desde que móveis e que não dificultem o bom andamento do trânsito

de pessoas e veículos” (artigo 37, §6°); a vedação de “utilização de trios elétricos em campanhas eleitorais, exceto para a sonorização de comícios (artigo 37, §10) e de “aglomeração de pessoas portando vestuário padronizado de modo a caracterizar manifestação coletiva, com ou sem utilização de veículos” no dia da eleição (artigo 39-A, §1°).

Por fim, a Lei n. 12.891, de 11 de dezembro de 2013, a terceira Minirreforma Eleitoral, fez alterações pontuais no campo da propaganda eleitoral. Nessa direção, ficou permitida a realização de comícios e a utilização de aparelhagens de sonorização fixas no horário compreendido entre as 8 (oito) e as 24 (vinte e quatro) horas28, com exceção do comício de encerramento da campanha, que poderá ser prorrogado por mais 2 (duas) horas. A lei revogada não previa esta exceção, sendo o limite geral até as 24 (vinte e quatro).

A minirreforma permitiu a circulação de carros de som e minitrios como meio de propaganda eleitoral, desde que observado o limite de 80 (oitenta) decibéis de nível de pressão sonora, medido a 7 (sete) metros de distância do veículo29. Considera carro de som o veículo automotor que usa equipamento de som com potência nominal de amplificação de, no máximo, 10.000 (dez mil) watts; e minitrio o veículo automotor que usa equipamento de som com potência nominal de amplificação maior que 10.000 (dez mil) watts e até 20.000 (vinte mil) watts; a partir de 20.000 (vinte mil) watts, a legislação considera trio elétrico, que tem sua utilização proibida (SILVA, 2014, p. 01).

A referida lei trouxe uma limitação no tamanho dos adesivos veiculados na propaganda eleitoral, que passaram a ter a dimensão máxima de 50 (cinquenta) centímetros por 40 (quarenta) centímetros (art. 38, §3º). Proibiu o “envelopamento”30 de veículos, permitindo somente adesivos microperfurados até a extensão total do para-brisa traseiro (art. 38, §4º). O parágrafo 8º do artigo 39 inova ao proibir, inclusive, a veiculação de outdoors eletrônicos, sujeitando-se a empresa responsável, os partidos, as coligações e os candidatos à imediata retirada da propaganda irregular e ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 15.000,00 (quinze mil reais).

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A Lei n. 12.891/13, em seu artigo 39, § 4º, estabelece que “a realização de comícios e a utilização de aparelhagem de sonorização fixa são permitidas no horário compreendido entre as 8 (oito) e as 24 (vinte e quatro) horas, com exceção do comício de encerramento da campanha, que poderá ser prorrogado por mais 2 (duas) horas”.

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Artigo 39, § 11. É permitida a circulação de carros de som e minitrios como meio de propaganda eleitoral, desde que observado o limite de 80 (oitenta) decibéis de nível de pressão sonora, medido a 7 (sete) metros de distância do veículo, e respeitadas as vedações previstas no § 3º deste artigo.

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A Lei impediu o chamado “envelopamento” de automóveis, ou seja, caracterizar integralmente um automóvel como de campanha, colando adesivos característicos no automóvel por completo.

3.4 PRINCIPAIS MECANISMOS DE POLUIÇÃO AMBIENTAL RESULTANTES DA