• Nenhum resultado encontrado

5.1.1- Microciclo

Estão preparados dois tipos de microciclos (Domingo a Domingo) no SCB de forma a corresponder aos diferentes desafios semanais que possam aparecer. Um microciclo com 2 momentos de competição e um com 3 momentos. De notar que na Quarta, Quinta e Sexta os treinos incidem na construção do jogar.

No primeiro microciclo, temos o padrão semanal com dois momentos de competição. Os dias são avaliados numa escala de esforço de 0 a 4.

Domingo: dia em que decorrem os jogos, tendo assim o máximo de esforço semanal ao Domingo.

Segunda-feira: neste dia o treino é de recuperação. Exercícios de MPG (corrida regenerativa e flexibilidade), incidir na ação sobre a fadiga central e periférica. Exercícios MPB (espaços reduzidos com objetivos táticos e de manutenção), procurar ações descontínuas, com relação cooperação/oposição baixa, de pouca velocidade e duração. Treinar alguns subprincípios face à análise do jogo anterior e de preparação face ao próximo encontro. Treinar em regime de resistência para os jogadores pouco ou não utilizados no jogo. O nível de exigência neste dia é 1/4.

Terça-feira: folga, é dia de descanso.

Quarta-feira: dia de força específica com uma dificuldade 3/4. Exercícios MPG (força rápida) onde existe um grande volume de acelerações, mudanças de direção, saltos, quedas, contatos físicos, remates… Exercícios setoriais e intersectoriais (repartição do grupo em 3 equipas para atuarem em ondas), Exercícios MPB (com objetivos táticos), exercícios competitivos (práticas do jogo em situações reduzidas) e maior tempo de recuperação e menor tempo de exercitação, havendo espaços e grupos de jogadores mais reduzidos.

Quinta-feira: dia de resistência específica com dificuldade de 3/4. Trabalho setorial com grandes princípios do modelo de jogo e a sua articulação, havendo uma estruturação do jogo com os vários setores envolvidos. Exercícios de finalização precedidos de combinações táticas. Exercícios competitivos

40

(situações práticas de jogo em situações próximas do real e experimentação do plano tático estratégico), em espaços grandes com menor número de jogadores e menor durações das frações de treino. Ter em atenção ás elevadas exigências de concentração pelo aumento da complexidade dos conteúdos de treino.

Sexta-feira: inicio da recuperação, tendo em vista o jogo que se aproxima no Domingo, dia de velocidade específica com 2/4 de dificuldade. Trabalho setorial e intersectorial com subprincípios do modelo de jogo em contexto de velocidade de execução, decisão e deslocamento (em espaços regulamentares – organização coletiva). Menos complexidade nas tarefas e consequente menor exigência de concentração. Maior duração e menor descontinuidade da exercitação em relação de cooperação-oposição elevada.

Sábado: dia de preparação para a competição, com 1/4 de dificuldade. “Pré-ativação” para o jogo com utilização de exercícios para estimulação de subprincípios simples do modelo de jogo. Exercícios de MPG (coordenação motora e velocidade) e atender à necessária recuperação dos dias anteriores. Fazer uma pequena revisão do que foi dado num contexto de baixa oposição. Finalizando com exercitação dos esquemas táticos.

No 2º microciclo temos três momentos de competição, decorrendo ao Domingo, à Quarta-feira e ao Domingo mais uma vez.

Domingo: competição, havendo um esforço de 4/4.

Segunda-feira: Treino de recuperação ativa com esforço 1/4, rondando o tempo de treino pelos 45’. Processos de recuperação (MPG) com ação sobre fadiga central e periférica. Realização de ciclo ergómetro mais corrida contínua de baixa intensidade. Trabalho de força com baixa carga e os exercícios setoriais são com espaços regulamentares para organização coletiva. O trabalho de campo tem de ser em baixa intensidade e sem oposição ativa, lembrar de trabalhar o CORE.

Terça-feira: o tempo de treino ronda os 60’, sendo o dia de preparação geral com um suposto nível de esforço de 1/4. Exercícios MPG (coordenação motora, velocidade reação e aceleração), preparação do jogo abordando a ação estratégica. Estruturação do jogo ofensivo/defensivo em situação de baixa oposição ou sem a mesma. Treino de esquemas táticos.

41

Quinta-feira: treino idêntico em tudo ao de Segunda-feira.

Sexta-feira: treino tático estratégico de recuperação com dificuldade 1/4. Contexto de recuperação ativa, tempo o treino um tempo de 60’. Pouca duração e grande descontinuidade da exercitação em relação de cooperação-oposição baixa. Estruturação do jogo em 10x0, 10x6 e 8x0. Treino de velocidade reação/aceleração.

Sábado: treino de preparação para o jogo, com um esforço de 1/4. Treino a rondar os 60’ havendo preparação do jogo com ação estratégica. Efetuação de jogos de velocidade de curta duração, como Gr+5x5+Gr e Gr+10x10+Gr. Estruturação do jogo ofensivo/defensivo utilizando exercícios descontínuos e com pouca duração, acabando o treino com os habituais esquemas táticos antes do dia de jogo.

5.2- Execução do Processo Competitivo

5.2.1- Convocatórias

Um exemplo de convocatória encontra-se em anexo. A convocatória era revelada no dia antes do jogo, através da fixação de um papel no balneário com o nome dos jogadores, material necessário, data com hora e local, e um espaço para todos assinarem de forma a provarem que tinham visto todas as exigências para se responsabilizarem.

5.2.2- Plano e Relatórios de Jogo

O plano geral de jogo é um documento base usado para mostrar aos jogadores horas antes do início do jogo. Documento demonstrado em powerpoint revelando a preparação geral do jogo. Inserem-se nele frases de forma a motivar, empenhar e a deixar os jogadores mais concentrados e agressivos. Aborda os momentos de pressão mais intensa, o funcionamento em bloco da linha defensiva e as ações fundamentais que devem decorrer nos diferentes momentos de jogo. No documento aparecem também todos os momentos dos esquemas táticos, desenhados com o nome de cada jogador. Documento finaliza com uma frase que resume a semana e prepara os jogadores para jogo. Um exemplo de relatório de jogo encontra-se em anexo.

42

5.2.3- Estatísticas Individuais Competitivas

Em tabelas excel, efetuou-se a contagem dos diferentes dados estatísticos dos jogadores nas duas fases de competição. Golos marcados, golos sofridos, assistências, cartões amarelos, cartões vermelhos, tempo de jogo registado, entradas como titular e entradas como suplente, total de minutos, tudo contabilizado tanto nos jogos oficiais como particulares.

5.2.4- Alterações ao modelo de jogo no SCB

Apesar do treinador que chega a um clube ter de se adaptar ao modelo de formação, durante a sua jornada podem ocorrer variadas mudanças pois este não é um modelo final, estando em constante mudança. No entanto, inicialmente o objetivo é respeitar o máximo do modelo possível pois acredita-se no sucesso do mesmo.

O primeiro treinador infelizmente vinha de um 4-4-2 e esta mudança de sistema tático que a implementação do modelo trazia não correspondia às suas expetativas, obrigando a uma adaptação diferente ao que o mesmo pretendia. De perto se viu que a direção não queria fazer alterações tão cedo e por isso depois de maus resultados infelizmente teve que abandonar o projeto.

O segundo treinador vinha com várias ideias para fazer algumas alterações, recusadas inicialmente. Isto aconteceu em vários escalões onde treinadores não se sentem à vontade por não serem eles a criar os treinos a 100% desde o início. É preciso atender a uma realidade de formação, não de resultados instantâneos daí preciso ter sensibilidade na matéria.

No entanto com o avançar do ano foi observado a permissão de certas alterações. Um segundo sistema tático não pode acontecer, como dito anteriormente, a prioridade é o 4-3-3.

A grande alteração que aconteceu, numa primeira fase, foi na primeira fase de construção onde para além da saída a 2 e a 3, passou a haver também a saída em quadrado, dando mais uma hipótese aos jogadores para saírem a jogar.

Nos livres houveram várias criações depois do insucesso atravessado. Uma das primeiras alterações foi incluir o livre camacho, trazendo algumas oportunidades durante a época. Outro e com mais frutos no resultado prende-se com o ter 3 jogadores na frente do guarda-redes, em fora de jogo, no livre frontal.

43

Criava o caos na equipa adversária por ser uma situação diferente do habitual distraindo rapidamente o adversário, pedindo várias vezes o fora de jogo e dando direito a golos durante a época e várias situações de perigo.

Nos livres defensivos, haviam graves problemas. Aliás durante a 1º fase foi muito grave o que acontecia nas bolas paradas, pois no fim da primeira volta 50% dos golos sofridos eram dessa situação. No modelo estava descrita uma linha de seis jogadores para baixarem na oblíqua, descendo gradualmente cada vez mais do primeiro para o segundo poste. Depois de se perguntar aos jogadores se estes se sentiam melhores havendo um sétimo homem na linha e eles entenderem que sim, foi adicionado esse extra.

Nos cantos ofensivos depois de haverem várias tentativas com o proposto, estava a ser impossível a criação de perigo e começou a decidir-se apostar mais no primeiro poste com a equipa por vezes a ter 4 a 5 jogadores a atacar essa zona.

Já nos cantos defensivos a linha de 4 presente na linha de pequena área não chegava e por isso adicionou-se um 5º elemento. O lateral direito era baixo por isso ajudou bastante a consolidar um melhor sistema defensivo para esta situação. No entanto com o treinador ainda não contente com os resultados, mudou-se para a marcação individual na 2º volta.

A nível de lançamentos, é uma zona que não é fácil seguir com a bola para a frente controlada. Devido ao insucesso posicional que se estava a ter fez- se a alteração de copiar um modelo do Benfica que lhe valeu um golo no campeonato. Assim um jogador lançava a bola quando um jogador que se encontrava em posição frontal para ele, trocava de posição com um homem que vinha da frente de forma a chutar com o pé favorito um balão para a zona do avançado. Lançamentos no 2º e 3º terço quando não era deixado haver circulação de forma a ser feita a habitual posse de bola.

Foram trocas nos ET pois a equipa estava a precisar de mudar defensivamente e ofensivamente de forma a corresponder ao que ia acontecendo. É necessário ver que de vez em quando a equipa precisa de outras necessidades e é com a habituação que se vê as correções necessárias, pois os jogadores são sempre diferentes, logo o que funciona para uns não dá para outros e os ET é uma situação de fácil adaptação quando comparado com os outros momentos.

44

Documentos relacionados