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EXEMPLOS DE MOVIMENTOS DE MASSA OCORRIDOS NO BRASIL

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 58-67)

TÓPICO 2 – ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA

3.4 EXEMPLOS DE MOVIMENTOS DE MASSA OCORRIDOS NO BRASIL

Nesta seção selecionamos alguns eventos associados aos movimentos de massa ocorridos no Brasil nas últimas décadas.

Em 2009:

As fortes chuvas registradas no final de 2009 e início de 2010 e a ocorrência de deslizamentos transformaram um dos principais paraísos turísticos do Estado do Rio de Janeiro. Um intenso deslizamento em uma encosta na enseada do Bananal, Ilha Grande, em Angra dos Reis, atingiu uma pousada e aproximadamente sete casas, ocasionando a morte de várias pessoas. Também foi registrado desmoronamento no Morro da Carioca, no centro histórico de Angra dos Reis. Observe as imagens.

FONTE: Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1432330-5606,00.html>. Acesso em: 15 maio 2010.

FIGURA 23 – DESLIZAMENTO EM ANGRA DOS REIS (RJ). A IMAGEM À DIREITA CORRESPONDE AO DESLIZAMENTO NA ENSEADA DO BANANAL, ILHA GRANDE, E A IMAGEM À ESQUERDA

MOSTRA O DESLIZAMENTO NO MORRO DA CARIOCA

Em 2008:

O Brasil inteiro acompanhou a grande tragédia que ocorreu em novembro de 2008 no Estado de Santa Catarina, principalmente no Vale do Itajaí. Muitos consideram como sendo a maior tragédia geoclimática brasileira. Além de enchentes e inundações, ocorreram intensos movimentos gravitacionais de massa que ocasionaram corridas de detritos, gerando danos em áreas urbanas e rurais. Pode-se dizer que os deslizamentos mudaram significativamente a morfologia dos vales e encostas de muitas áreas.

Embora já tenhamos registros da ocorrência de movimentos gravitacionais de massa no Brasil em décadas anteriores, não se tem evidências de movimento de massa com tamanha intensidade no Brasil em relação ao ocorrido no final de 2008 no referido Estado (SC).

No caso dos deslizamentos no Vale do Itajaí, vários fatores podem justificar esta ocorrência. Contudo, podem estar associados à morfologia da paisagem; os solos profundos; desmatamentos/cultivos inadequados; obras de terraplanagem: cortes/aterros; drenagem inadequada e evento pluviométrico. Sem dúvida, os três meses consecutivos de intensa chuva foram determinantes. Porém, sabemos que em muitas das áreas de movimento de massa houve a interferência direta ou indireta do homem. Inclusive em áreas onde, ao que tudo indica, já havia ocorrido algum tipo de movimento de massa anteriormente, seja a um curto intervalo de tempo ou longo (20, 50, 100, 150 anos).

Vejamos algumas imagens de deslizamentos ocorridos principalmente no Morro do Baú, em Ilhota, e em Blumenau.

FONTE: Disponível em: <http://aleosp2008.files.wordpress.com/2008/12/1198.jpg>. Acesso em: 15 maio 2010.

FONTE: Disponível em: <http://www.apremavi.org.br/media/fotosPaginas/472_fot.jpg>. Acesso em: 15 maio 2010.

FIGURA 24 – VISTA PARCIAL DOS DELIZAMENTOS NO MORRO DO BAÚ EM ILHOTA-SC

FIGURA 25 – DESLIZAMENTOS EM BLUMENAU-SC

Conforme havíamos dito anteriormente, os registros de ocorrência de movimentos de massa no Brasil não são recentes. Outras catástrofes foram registradas em décadas passadas. Vejamos algumas delas, segundo Bigarella (2003):

Em 1995:

Em dezembro de 1995 ocorreram eventos catastróficos nas vertentes íngremes da Serra Geral, no sul de Santa Catarina. As corridas de lama causaram danos importantes ao longo dos vales dos rios Figueira, em Timbé do Sul, Pinheirinho, em Jacinto Machado, e São Bento. A ocorrência desses eventos estava associada às altas precipitações nas vertentes. Chuvas torrenciais provocaram desmoronamentos e enchentes em pelo menos 24 municípios durante uma tormenta de quatro horas de duração. Após aproximadamente três horas do início das chuvas originou-se um fluxo concentrado que destruiu tudo à sua frente, levando troncos, blocos e matacões rochosos englobados numa massa de detritos finos. Atente para a impressionante imagem a seguir.

FONTE: Bigarella (2003)

Em 1974:

Em março de 1974, as bacias dos rios Tubarão e Araranguá sofreram pesadas precipitações atmosféricas. Várias áreas da mesorregião do Sul catarinese foram atingidas por enchentes e desmoronamentos catastróficos, principalmente em Araranguá, Mampituba, Criciúma, Tubarão e Serra Geral. Os movimentos de massa em Tubarão, por exemplo, afetaram a parte superior de vertentes muito íngremes, ocasionando grandes quedas de blocos de rochas. Observe a imagem a seguir.

FONTE: Bigarella (2003)

FIGURA 26 – ÁREA DO ALTO RIO FIGUEIRA, TIMBÉ DO SUL, ONDE OCORRERAM OS EVENTOS CATASTRÓFICOS EM 1995 NA SERRA GERAL

Em 1967:

Ocorreram acentuados movimentos de massa sob a forma de desmoronamentos nas encostas íngremes da Serra do Mar, em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, em março de 1967. A ocorrência desta catástrofe ocasionou a movimentação de cerca de dois milhões de toneladas de material das encostas da Serra do Mar, originando depósitos de fundo de vale com características comuns àquelas apresentadas pelos sedimentos neocenozoicos. Observe nas imagens as cicatrizes ocasionadas pelos desmoronamentos.

FONTE: Bigarella (2003)

Em 1956:

Em março de 1956 ocorreram escorregamentos de terra nos morros de Santos (SP) em áreas densamente habitadas. Esses escorregamentos foram causados basicamente pelas condições geológicas e pela ação antrópica, e efetivados pela intensidade e prolongamento das chuvas.

Se você começar a observar com atenção o relevo à sua “volta” é provável que perceba, em alguns “pontos”, a ocorrência de movimentos de massa antigos, ou seja, que ocorreram algumas décadas atrás. Estes pontos podem ter sido encobertos por uma vegetação mais densa ou podem ser facilmente visualizados em campos abertos. É evidente que pode ser que não tenha ocorrido nenhum tipo de movimento de massa na sua cidade. De qualquer maneira, a partir dos conhecimentos adquiridos neste tópico, comece a observar a paisagem com um olhar mais atento.

FIGURA 28 – EVENTO CATASTRÓFICO NA SERRA DO MAR, EM CARAGUATATUBA (SP) - 1967

Sugerimos que você busque mais informações sobre estes e outros movimentos de massa ocorridos não só no Brasil, mas também em outros países. Tire um tempo e realize esta pesquisa. Vai ser muito interessante.

RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico você estudou que:

• As vertentes são planos de declives variados que divergem das cristas ou dos interflúvios, enquadrando o vale. Nas zonas montanhosas as vertentes podem ser abruptas e formarem gargantas. Neste caso, as vertentes estão mais próximas do leito do rio, enquanto nas planícies estão mais afastadas.

• O estudo das vertentes enquanto categoria do relevo ganha importância acadêmico-institucional em 1957, com o trabalho de Tricart, no qual afirmava que a vertente compunha o elemento principal do relevo.

• Os processos morfogenéticos são os responsáveis pela esculturação das formas de relevo, representando a ação da dinâmica externa sobre as vertentes.

• As vertentes podem resultar da influência de qualquer processo, e, nesse sentido amplo, abrangem todos os elementos componentes da superfície terrestre, sendo formadas pela ampla variedade de condições tanto de processos endógenos quanto exógenos.

• A maior parte das vertentes é composta por vários segmentos. Contudo, as vertentes, por sua vez, geralmente apresentam um perfil formado por um segmento superior convexo, no qual a declividade aumenta para a jusante, seguido por um segmento inferior côncavo com redução de declive encosta abaixo. Pode-se encontrar também um segmento retilíneo com uma declividade constante, bem como, segmento escarpado marcado pela presença de rochas mais resistentes, no qual os detritos intemperizados deslizam livremente. • O perfil típico de uma vertente, conforme Max Derruau (em 1965), geralmente

apresenta uma convexidade no topo e uma concavidade na parte inferior, sendo que ambas estão separadas por um simples ponto de curvatura e/ou desvio ou por segmento. Frederick R. Troeh (em 1965), utilizando equações matemáticas para explicar as formas das vertentes, formulou quatro tipos básicos de vertentes, combinando a concavidade e convexidade. Lester C. King (em 1953) propôs um modelo universal, no qual a vertente típica apresenta quatro partes: convexidade no topo; face livre ou escarpa retilínea; parte reta com detritos da porção superior da vertente e pedimento suavemente côncavo. Arthur N. Strahler (em 1950) divide as vertentes erosivas em três tipos básicos considerando o ângulo de repouso dos materiais não coesivos. Dalrymple, Blong e Conacher (em 1968) propuseram nove unidades hipotéticas no modelo de perfil das vertentes, baseando-se nos estudos em áreas temperadas úmidas. Ruhe (em 1975-1979) apresenta nove aspectos geométricos de vertente dependentes do perfil e da forma.

processos geomórficos modeladores da superfície terrestre. Os movimentos de massa referem-se ao deslocamento de material, ou seja, solo e rocha, vertente abaixo, sendo influenciados pela gravidade. Esses movimentos são desencadeados pela interferência direta de outros agentes independentes, como, por exemplo, a água, gelo ou ar.

• A ocorrência dos movimentos de massas é condicionada por vários fatores. Contudo, merecem destaque principalmente a estrutura geológica da área; a declividade da vertente; o índice pluviométrico; a perda da vegetação; o solo muito intemperizado e a ação antrópica.

• Para distinguir os vários tipos de movimento de massa nas vertentes são empregados alguns critérios, que se baseiam no material, na quantidade de água do subsolo, na velocidade, no mecanismo, bem como no tipo do movimento. A classificação dos movimentos de massa apresenta dificuldades, principalmente no que diz respeito à quantificação das variáveis envolvidas.

1 No que tange ao estudo da morfogênese das vertentes, analise as afirmativas a seguir e posteriormente assinale a alternativa que apresenta as afirmativas CORRETAS:

I- As vertentes endogenéticas correspondem àquelas vertentes cuja formação está relacionada aos processos endógenos.

II- Os processos morfogenéticos são os responsáveis pela esculturação das formas de relevo, representando a ação da dinâmica externa sobre as vertentes.

III- Enquanto que os processos endógenos modificam a posição altimétrica e a orientação preexistente das vertentes, bem como podem ocasionar a formação de novas vertentes, os processos exógenos reduzem a paisagem terrestre a um determinado nível de base.

IV- Os processos morfogenéticos constituem fenômenos de escala métrica ou decamétrica, e o seu estudo traz informações de ordem teórica e prática. No âmbito teórico, explica a evolução das vertentes e a esculturação do relevo, e no campo prático fornece informações a propósito da melhor aplicabilidade das técnicas de conservação dos solos.

a) ( ) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. b) ( ) Somente as afirmativas I e II estão corretas. c) ( ) Apenas a afirmativa IV está correta.

d) ( ) Todas as afirmativas estão corretas.

2 O desenvolvimento do perfil das vertentes talvez tenha sido um dos temas mais difíceis de serem interpretados. Neste tópico você pôde verificar as várias contribuições de estudiosos no intuito de compreender e definir os perfis das vertentes. Neste contexto e com base neste estudo, relacione os autores com suas respectivas contribuições.

I- Max Derruau (em 1965). II- Frederick R. Troeh (em 1965). III- Lester C. King (em 1953). IV- Arthur N. Strahler (em 1950).

V- Dalrymple, Blong e Conacher (em 1968).

( ) O perfil típico de uma vertente geralmente apresenta uma convexidade no topo e uma concavidade na parte inferior, sendo que ambas estão separadas por um simples ponto de curvatura e/ou desvio ou por segmento.

( ) Utilizou de equações matemáticas para explicar as formas das vertentes. Desenvolveu quatro tipos básicos de vertentes, combinando a concavidade e convexidade.

partes: convexidade no topo; face livre ou escarpa retilínea; parte reta com detritos da porção superior da vertente e pedimento suavemente côncavo. ( ) Divide as vertentes erosivas em três tipos básicos considerando o ângulo de

repouso dos materiais não coesivos.

( ) Estes propuseram nove unidades hipotéticas no modelo de perfil das vertentes, baseando-se nos estudos em áreas temperadas úmidas.

A sequência CORRETA é: a) I – II – III – IV – V. b) V – IV – III – II – I. c) II – I – III – V – IV. d) III – V – II – IV – I. e) IV – III – V – I – II.

3 Agora que você sabe sobre os movimentos de massa, bem como os tipos de movimentos e os fatores condicionantes, sugerimos que faça uma pesquisa de campo na sua cidade, no intuito de investigar a ocorrência de movimentos de massa de maior ou menor intensidade.

No documento Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia (páginas 58-67)