Neste capítulo objetiva-se discutir o Exercício Profissional do Assistente Social no Terceiro Setor dando ênfase a APAE/Natal. Vale enfatizar que será destacado o novo trato a questão social e o terceiro setor como mudança no cenário político e o avanço das políticas públicas voltadas para os direitos fundamentais das pessoas com deficiência no Brasil. Além disso, será evidenciado as ONGs e o papel do Assistente social na conjuntura social e política, bem como o Serviço Social na APAE, analisando a partir das demandas e possibilidades do exercício profissional.
3.1 O Novo Trato a Questão Social e o Terceiro Setor como Mudança no Cenário Político
De acordo com Netto (2005) o termo questão social surgiu com a Revolução Industrial, no século XVIII, com a indigência da classe trabalhadora humana no estágio concorrencial e industrial do capitalismo. Segundo o autor, a questão social é notada no âmbito político-econômico, em que o Estado burguês torna escusa a sua parcialidade clássica por meio do estabelecimento de sua própria política ao enfrentar as adversidades da questão social visando atender as expectativas e exigências do sistema capitalista.
A partir de então, a questão social se fundamentou e resultou de conflitos entre o capital e o trabalho e foi “no século XIX, no contexto da Revolução Industrial, do desdobramento da grande indústria e da organização da classe trabalhadora que lutava por melhores condições de vida e trabalho, que é colocada a questão social” (PASTORINI, 2010 p.114).
Conforme Iamamoto (2007) as práticas de concentração de capital, renda e poder, foram responsáveis por agravar a questão social no país, sem mencionar as precárias condições de vida de maior parte da população. Vale dizer que o afastamento do Estado desobrigando de suas responsabilidades sociais contribuiu para a acirramento da questão social.
Compreende-se que a inserção de que existe uma nova questão social14, a falta de recursos e as crises recorrentes no capitalismo tornam-se desculpas posicionadas no cenário do neoliberalismo, a fim de justificar a responsabilidade do Estado para a sociedade civil no que diz respeito à afronta da questão social. Segundo Montaño (2010, p.187) “este é o verdadeiro fenômeno escondido por trás do que é chamado do terceiro setor”.
Diante da mundialização do capital e da reestruturação produtiva neoliberal, Castel (1998) estabelece uma nova questão social na realidade contemporânea, apontando para a questão de que no âmbito da modernização dos meios de produção, acontece a desestabilização das relações sociais e econômicas (fator que caracteriza a nova questão social), atentando assim para o fato de que a questão social está relacionada com o surgimento dos trabalhadores sem trabalho, isto é, assalariados que apesar de estarem empregados permanecem em condições de trabalho prejudiciais.
De acordo com Castel (1998) o desenvolvimento da nova questão social se encontra na abstenção que ele denomina “desfiliação” a qual é provocada pela articulação de três ordens da questão social, que são: a desestabilização dos estáveis, uma vez que a precarização do trabalho percorre algumas das áreas de empregos estabilizadas há muito tempo; a instalação da precariedade, sendo que o trabalho aleatório representa contornos incertos de estabilidade, mas que tende a se autonomizar; o desemprego como manifestação de um déficit de lugares ocupáveis na estrutura social, entendendo-se por lugares, posições às quais estão associados uma utilidade social e um reconhecimento público.
Sendo assim, observa-se que o eixo central da nova questão social para Castel (1998) é o desemprego e a precarização do trabalho e a promoção de indivíduos desfiliados que passam a serem inúteis para o mundo.
O núcleo da questão social hoje seria a existência de ‘inúteis para o mundo’, de supranumerários e, em torno deles, de uma nebulosa de situações marcadas pela instabilidade e pela incerteza do amanhã que atestam o crescimento de uma vulnerabilidade de massa (CASTEL, 1998, p.593).
14 A nova questão social será abordada no sentido de que esta expressão não representa em sua essência novos problemas, mas sim novas formas para conteúdos antigos.
O defensor da nova questão social, acima supracitado, assume o princípio de determinadas mudanças conforme explicita Pastorini (2010, p. 25):
[..] as mudanças ocorridas no mundo capitalista contemporâneo marcam uma ruptura com o período capitalista industrial e com a questão social que emergiu na primeira metade do século XIX, com o surgimento do pauperismo, na Europa Ocidental. Assim, no processo inacabado de busca da novidade, entram em cena os ‘novos sujeitos’, ‘novos usuários’ que teriam ‘novas necessidades’. Essas novidades seriam produto das transformações da sociedade capitalista vividas, mundialmente, a partir de meados dos anos 1970, que trazem consigo a necessidade de redefinir os modos de regulação econômicos e sociais.
Na visão de Rosanvallon (1998 apud Santos, 2011, p. 327) a perspectiva social liberal coloca a ênfase no conceito de exclusão social, indicando também três dimensões causais: a crise financeira, decorrente do aumento das despesas sociais e a queda na arrecadação fiscal dos governos; a crise ideológica, resultante da burocratização estatal que teria ocasionado a perda de legitimidade das políticas públicas de intervenção na questão social, e; a crise filosófica, considerada pelo autor como a mais grave de todas, que consistiria na “degradação dos princípios de organização da solidariedade e o fracasso da concepção tradicional dos direitos sociais [...]”.
Contudo, com as diversas formas de ampliação da acumulação capitalista tem-se o deslocamento da acumulação capitalista da esfera produtiva para a esfera financeira e especulativa, que segundo (MEIRELLES, 2017 p. 119) o que se presencia é a renovação de expressões, sejam da “questão social” ou do próprio capitalismo mundializado, fruto da exploração do trabalho pelo capital e das contradições imanentes.
A ideia de renovação das expressões da questão social de acordo com Iamamoto (2007, p.164-165) está pautada nas contradições das relações sociais capitalistas, conforme explica:
Constata-se hoje, uma renovação da ‘velha questão social’, inscrita na própria natureza das relações sociais capitalistas, sob outras roupagens e novas condições sócio-históricas na sociedade contemporânea, aprofundando suas contradições e assumindo novas expressões na atualidade. Ela evidencia hoje a imensa fratura entre o desenvolvimento das forças produtivas
do trabalho social e as relações sociais que o sustentam. Crescem as desigualdades e afirmam-se as lutas no dia-a-dia contra as mesmas – lutas na sua maioria silenciadas pelos meios de comunicação – no âmbito do trabalho, do acesso aos direitos e serviços no atendimento às necessidades básicas dos cidadãos, das diferenças étnico-raciais, religiosas, de gênero, entre outras dimensões.
À medida em que a questão social se vincula a exploração da relação capital-trabalho, está também vinculada às ações estatais que são necessárias para regular a luta de classes em tudo que possa desestabilizar a ordem burguesa. O Estado intervém através de políticas públicas sociais como forma de minimizar os conflitos de classe.
Porém, na contemporaneidade nos deparamos com políticas sociais focalizadas15 que atingi majoritariamente a parcelas mais empobrecidas da sociedade (pobreza absoluta).16 Entretanto, a privatização e a mercantilização das políticas, juntamente com a adoção de programas assistenciais focalizados aos mais pobres tem levado ao aprofundamento da desigualdade social e da pobreza relativa17, uma vez que camadas empobrecidas da população que contam com uma renda minimamente maior do que aqueles em condição de pobreza absoluta, muitas vezes não são inseridos em políticas de proteção social, como saúde, previdência e assistência social.
De acordo com Montaño (2007) o enfrentamento da questão social por parte do Estado estabelece uma parceria com setor privado, provocando o fortalecimento e relevante participação da sociedade civil, que por sua vez gera uma privatização da coisa pública. Neste sentido, novas organizações da sociedade são caracterizadas como “Terceiro Setor”, no qual o Estado passa a
15 Partindo da compreensão de que políticas focalizadas são uma tentativa de redirecionar recursos públicos de todos os cidadãos (políticas universais) para os mais pobres, por meio de instrumentos que seleciona os beneficiários.
16 O conceito de pobreza absoluta se propõe quando são fixados padrões para o nível "mínimo" ou "suficiente" de necessidade - também conhecido como a linha ou limite da pobreza - e se computa a percentagem da população que se encontra abaixo desse nível. O padrão de vida mínimo (em termos de requisitos nutricionais, moradia, vestuário, etc.) em geral é avaliado segundo preços relevantes, e a renda necessária para custeá-los é calculada. Como se pode ver por essa definição, a pobreza absoluta expressa na opinião coletiva derivada da convicção de que cada pessoa tem o direito de viver em condições decentes e condizentes com a dignidade humana. (ROMÃO, 1982, p.360).
17 A percepção da pobreza como conceito relativo se aproxima bastante da desigualdade na distribuição de renda. A pobreza é interpretada em relação ao padrão de vida vigente na sociedade: os pobres são os que se situam na camada inferior da distribuição de renda em comparação com os membros melhor aquinhoados da sociedade nessa distribuição. (ROMÃO, 1982, p.358).
estimular e se apropriar das ações filantrópicas, baseadas no voluntariado e na responsabilidade social. Contudo, diante a parceria entre o Estado e o setor privado, o Estado apenas repassa uma determinada verba às instituições, não havendo um acompanhamento das ações prestada ou uma sistemática avaliação desses serviços realizados nas instituições.
O terceiro setor é definido por Montaño (2007, p.182) “como organizações cunhadas de procedência norte-americana, por intelectuais orgânicos do capital o que sinaliza claramente a ligação com os interesses de classes, nas mudanças demandadas pela burguesia”. Vale salientar que as organizações denominadas terceiro setor, são relativamente novas chamadas ONGs, além das fundações, entidades beneficentes, os fundos comunitários, entidades sem fins lucrativos, associações de moradores, entre outros. Para Montaño (2007, p.53) o terceiro setor é um recorte social em três esferas, sendo ele neopositivista, estruturalista e funcionalista:
[...] é construído a partir de um recorte do social em esferas, o Estado (“primeiro setor”), o mercado (“segundo setor”) e a “sociedade civil” (“terceiro setor”). Recorte este claramente neopositivista, estruturalista, funcionalista ou liberal, que isola e autonomiza a dinâmica de cada um deles, que, portanto, desistoriciza a realidade social. Como se o “político” pertencesse à esfera estatal, o “econômico” ao âmbito do mercado e o “social” remetesse apenas à sociedade civil, num conceito reducionista.
O terceiro setor é o resultado direto da ineficiência do poder público, que muitas vezes, não consegue atender a demanda e atuar em determinados problemas sociais. De acordo com Santos (2008) o Terceiro Setor no Brasil ganhou grande crescimento a partir da década de 1990, sendo denominado como um espaço para atendimento das demandas personificadas dos segmentos sociais que emergem como uma falência do Estado a partir de sua participação e responsabilização da sociedade. Pode-se entender o Terceiro Setor como uma transformação nos padrões de respostas diante das necessidades sociais, partindo da desresponsabilização do Estado próprio do capitalismo, desoneração do capital e a autoresponsabilização do cidadão e da comunidade local.
Partindo do princípio que Montaño (2014) enuncia sobre o termo “autoresponsabilização dos sujeitos” na perspectiva de que os indivíduos são responsabilizados pelas suas próprias condições de vida, solução de problemas e necessidades, a autoresponsabiliza do sujeito também des-responsabiliza o Estado da ação social, uma vez que a sociedade e a classe trabalhadora é que se solidariza na defesa por garantia de direitos. Dessa forma, o terceiro setor é visto como uma dimensão política a partir da fundamentação dos interesses políticos em detrimento das políticas universais.
A respeito dos interesses políticos, constata-se a retração do Estado no campo das políticas sociais e a ampliação das transferências de responsabilidades para o terceiro setor – sociedade civil na esfera da prestação de serviços sociais. Iamamoto (2007) expõe essa questão com o crescimento de parcerias do Estado com Organizações Não Governamentais – ONG’s, atuando na formulação, gestão e avaliação de programas e projetos sociais, bem como nas formas de terceirização da prestação de serviços que evita a ampliação de funcionários públicos.
A tendência da desregulamentação do Estado em responsabilizar o terceiro setor atribuindo funções de caráter público é bastante preocupante, sendo necessário investir em lutas coletivas pela prestação de serviço públicos aos cidadãos, preservando as políticas públicas gratuitas e de qualidade, na qual vem sendo atingidos pelos governantes politicamente. Sucessivamente, irá ser abordado o avanço das políticas públicas voltadas para os direitos fundamentais das pessoas com deficiência no Brasil.
3.2 O Avanço das Políticas Públicas Voltadas para os Direitos Fundamentais das Pessoas com Deficiência no Brasil
As políticas públicas são o conjunto de programas e atividades desenvolvidas pelo Estado que visam assegurar o direito da cidadania. Segundo o Manual de Políticas Públicas do SEBRAE/MG (2008) as políticas públicas são o resultado da competição entre os diversos grupos ou segmentos da sociedade que buscam defender (ou garantir) seus interesses, isto é, os direitos assegurados constitucionalmente pelo poder público aos cidadãos.
Sendo resultado da participação popular, as políticas públicas devem respeitar as particularidades da sociedade e possuir um caráter democrático entre Governo e sociedade. Ao longo dos anos, o movimento da inclusão de pessoas com deficiência alcançou avanços sociais e participou na definição de políticas públicas.
Após a década de 1960 foi formulado o conceito relativo a deficiência que refletiu com a relação entre as limitações que as pessoas com deficiência possuem com os direitos que esses dispõem na sociedade. Nesse momento, tem-se uma politização do tema da deficiência por ativistas e organizações voltados a autonomia e a dignidade enquanto sujeito de direitos, resultando em uma maior visibilidade para sociedade em geral e os agentes políticos.
Porém, apenas com a promulgação da constituição de 1988 é que a assistência social passa a adquirir estatuto de política pública, sendo instituído através do conceito de Seguridade Social18, com ações de saúde, assistência e previdência, considerados como os três pilares fundamentais, e garantindo o mínimo social básico para população.
A assistência social deve se articular com as demais políticas sociais, a fim de promover um amplo sistema de proteção social. A Assistência Social segundo SILVA (2017) pressupõe a garantia da prevenção e da eliminação dos riscos e das vulnerabilidades sociais, o que remete ao preceito do direcionamento à população carente, vulnerável e em condições de risco pessoal e social.
No âmbito do acirramento das desigualdades sociais, Bernardes (2012, p.17) expressa que as medidas caritativas e assistencialistas tiveram que ser revistas e modificadas, para dar lugar ao protagonismo das pessoas com deficiência na condução dos assuntos que lhes dizem respeito no campo público, isto é, todo um marco legal nacional deveria ser construído para que a igualdade de oportunidades fosse garantida.
Com a Constituição Federal de 1988, então, o assunto foi definitivamente inserido no marco legal, de forma abrangente e
18A partir da literatura sobre o tema, para fins desse trabalho, compreende-se a seguridade social como um conjunto de ações públicas e de políticas sociais que visam promover o acesso dos cidadãos aos seus direitos, estabelecendo assim, uma sociedade mais justa e igualitária. Agindo como um sistema de proteção social, assegurando às pessoas alguns direitos básicos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
transversal. No Capítulo II da Constituição, que trata dos Direitos Sociais, o inciso XXXI do artigo 7º proíbe qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador com deficiência. O artigo 23, inciso II, prevê que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios tratarem da saúde e assistência pública, da proteção e da garantia dos direitos das pessoas com deficiência. O artigo 24, inciso XIV, define que é competência da União, dos Estados e do Distrito Federal legislar concorrentemente sobre a proteção e integração social das pessoas com deficiência. A reserva de percentual de cargos e empregos públicos para pessoas com deficiência é tratada no artigo 37.
Tem-se assim uma regulamentação da constituição de 1988 com a política de assistência social na qual nos artigos 203 e 204 os princípios fundamentais da proteção, não somente a pessoa com deficiência, como também a família, à maternidade, à infância e adolescência e à velhice. O artigo 203, expressa os objetivos e a quem é destinada a assistência social;
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. (BRASIL, 1988, art.203).
E o artigo 204 expõe sobre os recursos direcionados a assistência social, as suas diretrizes e a sua organização:
Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes: I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência social; II - participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. Parágrafo único. É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a programa de apoio à inclusão e promoção
social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, vedada a aplicação desses recursos no pagamento de: I - despesas com pessoal e encargos sociais; II - serviço da dívida; III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos ou ações apoiados. (Parágrafo único acrescido pela Emenda Constitucional nº 42, de 2003). (BRASIL, 1988, art.204).
A constituição segundo Silva (2017) também versa sobre a competência dessas esferas política na legislação acerca da proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência, observando assim o art. 23 o qual define como competência da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios o cuidado com a saúde, a assistência e a proteção das pessoas com deficiência.
Assim, todo um marco legal deveria ser implantado para que a igualdade de oportunidades fosse garantida as pessoas com deficiência, principalmente na condução dos assuntos que diz respeito ao campo público, em detrimento de medidas caritativas e assistencialistas.
No campo da educação, o artigo 208 da constituição é garantido, preferencialmente na rede regular de ensino, o atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, assegurando assim o atendimento especializado e a integração social do adolescente com deficiência mediante a convivência escolar.
Observa-se a maturidade brasileira com a participação efetiva das pessoas com deficiência, principalmente no cumprimento da legislação que pode ser posteriormente discutida no campo jurídico com a aprovação da Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS e do Benefício de Prestação Continuada – BPC conferindo na Art. 20 (BRASIL, 1993) a garantia de um salário mínimo mensal a pessoa com deficiência e ao idoso com sessenta e cinco anos que comprovem não ter meios de provar a própria manutenção ou de sua família.
Posteriormente, em 1994 tem-se a concessão do passe livre às pessoas portadoras de deficiência no sistema de transporte coletivo interestadual, logo após regulamentada pelo Decreto nº 3.691/2000. Em seguida, em 1995 a mesma lei concebeu a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI a pessoas com deficiência. Subsequentemente, em 1999 a Lei nº 7.853/1989 foi regulamentada pelo Decreto nº 3.298 estabelecendo o
Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência – CONADE como órgão principal em garantir a implementação da Política Nacional de Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, cujo um dos objetivos seria o acompanhamento e planejamento, avaliação e execução das políticas setoriais relativas a pessoa com deficiência; elaboração de estudos e pesquisas sobre o tema; realização de campanhas e a promoção dos direitos das pessoas com deficiências.
Intensifica-se assim, uma formulação das políticas públicas voltadas para os direitos fundamentais das pessoas com deficiência, incorporando-a na agenda política para uma equiparação das oportunidades. Com isso, em 2011 o Benefício de Prestação Continuada definido pela Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, foi alterado pela Lei nº 12.470 em 2011, que permite a continuidade do pagamento do benefício suspenso por ingresso no mercado de trabalho, caso a relação trabalhista viesse a ser extinta.
Percebe-se assim o avanço das políticas públicas voltadas para os direitos fundamentais das pessoas com deficiência no Brasil, na qual está