gArAntiA de direito
1. A atuação do advogado no âmbito da proteção social especial 1 Considerações históricas
1.4 experiências exitosas do advogado do CReAs
Com o objetivo de expor as experiências de êxito na atuação do advogado no Sistema Único de Assistência Social, serão apresentadas três situações mostrando a importância dessa atuação, tendo em vista que a orientação jurídico-social tem como função atender famílias e indivíduos com direitos violados e após avaliação da situação, proceder às orientações e encaminhamentos necessários, objetivandoa proteção e promoção do indivíduo.
Situação 01 – A família foi encaminhada pela Delegacia de Policia de Defesa da Mulher, solicitando atendimento no CREAS, tendo em vista a situação de abuso sexual sofrida por um integrante da mesma, sendo este uma criança, e o suspeito um conhecido da família. Após a inclusão da família no serviço, iniciou-se os atendimentos psicossocial e jurídico. O orientador jurídico verificou que o inquérito policial havia sido arquivado por ausência de provas de autoria e de materialidade do delito. Durante os atendimentos da criança em Grupo de Auto Proteção com a educadora social, a criança realizou um desenho no qual estava presente a cena do
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abuso sexual pela qual havia passado. De acordo com o especialista em violência sexual, o autor TilmanFurniss: “Às vezes, as crianças desenham cenas sexuais explícitas que conduzem uma revelação subsequente completa e clara de abuso sexual.”(FURNISS, 1993, p.204). Em reunião de equipe do serviço foi discutido a situação ocorrida, tendo o orientador jurídico realizado as orientações pertinentes sobre o arquivamento do Inquérito Policial e que o pedido de desarquivamento só cabe ao representante do Ministério Publico perante o juiz competente quando da existência de novas provas. Diante disso a equipe foi orientada a fazer um relatório informativo de toda a situação, encaminhando-o para o Ministério Público para tomar as providências que entender pertinente no caso. A família juntamente com a criança foi informada quanto a situação e indagada quanto a permissão do encaminhamento do relatório, com anexo do desenho, ao promotor de justiça. Foi orientada ainda quanto aos possíveis procedimentos que poderiam desencadear, sendo tal ação aceita e autorizada pela família. O promotor de justiça analisou a situação e pediu o desarquivamento do inquérito policial, após ofereceu denúncia como incurso no artigo 217-A do Código Penal - “Estupro de Vulnerável” e esta foi recebida pelo juiz competente. A ação penal foi julgada procedente condenando o autor dos fatos à pena de 08 anos de reclusão.
Ressalta-se que o respectivo relatório e encaminhamento ao órgão competente foram realizados com a finalidade de informações pertinentes ao benefício da família atendida, pois tais informações se deram prioritariamente no ambiente de atendimento do CREAS, assim é o entendimento do autor do livro “Abuso Sexual da Criança: Uma Abordagem Multidisciplinar”, TilmanFurniss, “...evidências inequívocas não são apenas úteis ao processo legal e de proteção à criança, mas também possuem um grande valor terapêutico” (FURNISS, 1993, p. 205).
Situação 02 – A família foi encaminhada pelo Conselho Tutelar, solicitando atendimento no CREAS tendo em vista a suspeita de abuso sexual sofrida por um integrante da família, sendo este uma criança e o suspeito o genitor desta. A criança foi entregue a outro familiar sob termo de responsabilidade, pelo Conselho Tutelar, tendo o mesmo regularizado a guarda através de ação judicial. Após a inclusão da família no serviço iniciou- se os atendimentos psicossocial e jurídico. O orientador jurídico ao realizar o acompanhamento a pedido da família, junto à Delegacia de Defesa da Mulher do local dos fatos, verificou que o Boletim de Ocorrência havia sido arquivado, tendo em vista o resultado do exame de corpo de delito, sendo este negativo. A família mostrou-se indignada com a situação e solicitou
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orientações para possíveis intervenções. O orientador jurídico realizou as orientações necessárias à família e à equipe, e tendo em vista a necessidade da demanda apresentada ser articulada com os órgãos de defesa e garantia de direitos, foi realizado o encaminhamento e acompanhamento da família ao representante do Ministério Público para relatar a situação, garantindo à família o acesso aos mecanismos jurídicos de proteção legal de direitos. Após essa atuação do CREAS o promotor de justiça solicitou do serviço um relatório informativo sobre a situação. Destaca-se que após o recebimento do relatório do CREAS o representante do Ministério Público oficiou a delegacia para instaurar Inquérito Policial, sendo este realizado. Após o término do Inquérito Policial, o promotor de justiça o analisou e fez o oferecimento da denúncia com fulcro no artigo 217 - A do Código Penal - “Estupro de Vulnerável”, sendo esta recebida pelo juiz competente. A presente ação penal encontra-se em andamento.
Situação 03 – A família foi encaminhada pela Delegacia de Policia de Defesa da Mulher e pelo Conselho Tutelar, solicitando atendimento no CREAS, tendo em vista a situação de abuso sexual sofrida por um integrante da mesma, sendo este uma criança, e o suspeito um conhecido da criança. Após a inclusão da família no serviço iniciou-se os atendimentos psicossocial e jurídico. A família era organizada pela composição da genitora e de seis filhos. Um dos filhos tinha a paternidade reconhecida e recebia pensão alimentícia do genitor; outros dois tinham a paternidade reconhecida mas não recebiam a referida pensão e não havia ajuizamento de ação judicial requerendo os alimentos. Os demais filhos não tinham a paternidade reconhecida. Durante o período de acompanhamento da família pelo CREAS, a genitora ficou novamente gestante. Através dos atendimentos de orientação jurídico social foi realizado o encaminhamento da família à Defensoria Pública para regularizar a situação da paternidade das crianças, bem como os alimentos pelos quais são direitos das mesmas. Direitos estes reconhecidos na Constituição Federal.
Tendo em vista a situação de vulnerabilidade da família, necessitou- se, após alguns encaminhamentos à defensoria, da sensibilização e acompanhamento da mesma pelo orientador jurídico, para efetivação e garantia dos direitos acima relatados. Foi garantida às crianças, a paternidade reconhecida bem como o estabelecimento dos alimentos. Regularizou-se também a situação da criança nascida da gestação ocorrida nesse período. Levando-se em consideração o risco pessoal e social que a família se encontrava, a genitora manifestou interesse de se submeter a laqueadura no momento em que ocorresse o parto da gestação referida,
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sendo essa do sétimo filho. Tal interesse foi negado pela Saúde com base na lei 9.263/96 - “Planejamento Familiar”. Assim, também foi necessária a articulação do orientador jurídico do CREAS junto à Defensoria Pública para que tal decisão consciente da genitora, fosse garantida judicialmente, tendo a mesma o direito de controlar sua natalidade. Foi deferida como tutela antecipada, a manifestação de vontade da genitora, estando condicionada ao método que seria realizado o parto, só sendo permitido para o método cesariano, sendo de competência do médico que atendesse a genitora a análise do procedimento a ser adotado. A realização da laqueadura ocorreu tendo em vista que o método utilizado foi o cesariano.