LISTA DE TABELAS
4 ESTRUTURAS DE DESVIO DE RIO MAIS USUAIS
4.1.2 Ensecadeira de Enrocamento Com Terra
4.1.2.4 Fases Construtivas da Ensecadeira de Enrocamento com Terra
De acordo com a bibliografia 10, pode-se dizer que ambos os métodos de execução das ensecadeira de enrocamento com terra seguem em linhas gerais as mesmas fases construtivas, que podem ser as seguintes:
1ª - Lançamento da pré-ensecadeira; 2ª - Impermeabilização da pré-ensecadeira; 3ª - Alteamento da ensecadeira;
4ª - Remoção da ensecadeira.
A seguir, estas quatro etapas serão brevemente abordadas.
1º - Lançamento da pré-ensecadeira:
A pré-ensecadeira tem a finalidade de realizar o fechamento da área a ser esgotada.
O primeiro passo é realizar uma limpeza do fundo do leito do rio, onde a ensecadeira se apoiará. Deve-se retirar o material indesejado, depositado no fundo, que pode prejudicar a estanqueidade (areias permeáveis) ou a estabilidade
da ensecadeira (material com baixa resistência). A limpeza pode ser feita através de dragas.
Após a limpeza, procede-se com o lançamento da pré-ensecadeira, seja “por camadas” ou por “ponta de aterro”, que neste caso pode ser por uma ou duas frentes.
No caso de ponta de aterro, pode-se escolher entre ensecadeira de cordão simples ou de cordão duplo.
Deve-se determinar ainda como será a ordem de lançamento da pré-ensecadeira, que pode ser primeiro a de montante e depois a de jusante, ou o contrário, ou ainda simultaneamente. Esta escolha deve ser feita com o auxílio do modelo reduzido, conforme discutido no Capítulo 7.
As fotos apresentadas na figura 4.29 e figura 4.30, mostram a execução do fechamento do rio pelo lançamento de enrocamento por ponta de aterro na UHE Barra Grande.
Figura 4.29 – Foto do fechamento do rio na obra da UHE Barra Grande. Ensecadeira de montante de terra e enrocamento sendo lançada por ponta de aterro em duas frentes.
Figura 4.30 – Foto do fechamento do rio na obra da UHE Barra Grande. Detalhe do momento do fechamento do rio.
2º - Impermeabilização da pré-ensecadeira
A impermeabilização da ensecadeira de cordão simples é feita lançando-se o material argiloso (fino) pelo lado externo da área a ser ensecada, ou seja, no talude de montante na ensecadeira de montante e no talude de jusante na ensecadeira de jusante. Deve-se lançar o material dentro d’água, até que se obtenha a espessura desejada.
Nos casos de ensecadeira de cordão simples, onde se tenha correnteza muito forte (velocidade alta, bem maior que 1m/s) e o rio tenha sido ensecado apenas parcialmente, o lançamento do material argiloso depende da utilização de espigões, que tem a finalidade de deslocar o fluxo de água para fora da região de lançamento.
Quando a ensecadeira for de cordão duplo, a impermeabilização é feita, lançando-se o material argiloso entre os dois cordões pelo método do aterro de ponta, avançando-se ao longo da pré-ensecadeira. Conforme a argila for sendo lançada, o aterro vai sendo compactado.
A foto apresentada na figura 4.31 mostra o lançamento submerso de solo para a impermeabilização da ensecadeira de montante da UHE Campos Novos, que é do tipo cordão simples.
Figura 4.31 – Foto da construção da ensecadeira de montante da UHE Campos Novos. A parte mais alta da ensecadeira é de enrocamento, a montante tem a transição numa cota mais baixa e em seguida vem a vedação que está sendo executada pelo lançamento de solo no leito do rio.
3º - Alteamento da ensecadeira:
Após a impermeabilização da pré-ensecadeira, deve-se proceder com o alteamento da ensecadeira até a cota definitiva, prevista em projeto.
Para pré-ensecadeiras de cordão simples, deve-se primeiro drenar a área entre as pré-ensecadeiras de montante e de jusante. Em seguida, escava-se o fundo do leito do rio, junto ao pé, até alcançar a rocha sã, ou material de boa qualidade. Começa-se então a fazer o aterro compactado, alteando a ensecadeira até a cota desejada.
Enrocamento
Vedação Transição
No caso de pré-ensecasdeira de cordão duplo, não é necessário drenar a região ensecada, bastando-se colocar camadas de terra sobre o material impermeabilizante da pré-ensecadeira, até atingir a cota desejada.
Na figura 4.32 (Referência 67) é possível ver a execução do alteamento da ensecadeira de montante da UHE Campos Novos.
Figura 4.32 – Alteamento da ensecadeira de montante da UHE Campos Novos.
4º - Remoção da ensecadeira:
A remoção da ensecadeira deve ser feita apenas quando e onde necessário, uma vez que acarreta em custos que devem ser evitados. Os casos que requerem que a ensecadeira ou parte dela sejam removidas são:
o Casos onde a não remoção da ensecadeira ou parte dela acarretem no aparecimento de vórtices na tomada d’água e no vertedor, que podem causar problemas para a operação do vertedouro e da casa de força;
o Casos onde a ensecadeira aumente as perdas de carga a montante do vertedor e tomada d’água, acarretando em diminuição na capacidade de vazão do vertedor e diminuição da queda líquida para geração;
o Casos que a ensecadeira cause perdas de carga a jusante do canal de fuga, o que também causa redução na queda líquida para geração, reduzindo a eficiência da usina; e
o Remoção da ensecadeira de 1ª fase de desvio para possibilitar a passagem do fluxo da água pela estrutura a ser utilizada na 2ª fase do desvio.
Por razões econômicas deve-se sempre evitar remoção desnecessária das ensecadeiras de montante e de jusante.
Vale lembrar que a remoção das ensecadeiras pode ser uma tarefa árdua, conforme mencionado na bibliografia 36, principalmente a remoção em água corrente da proteção de enrocamento da ensecadeira, que pode ter diâmetros grandes, em alguns casos sendo necessário a remoção de bloco por bloco. Portanto, deve-se tomar cuidado na hora de dimensionar a proteção da ensecadeira, para não colocar tamanhos desnecessariamente grandes de blocos, que dificultem a futura remoção da ensecadeira.
Outro ponto importante é que a remoção da ensecadeira a seco é muito mais barata que a submersa, podendo-se chegar a diferença de 6 vezes entre o custo a seco e o submerso, conforme referência 44. Portanto, deve-se programar a remoção da ensecadeira de forma a minimizar a necessidade de remoção submersa.
Em casos de aproveitamentos de baixa queda, a possibilidade de a ensecadeira influir no escoamento é maior, requerendo maior atenção para estudo de sua remoção.
A foto da figura 4.33 mostra a execução da remoção de ensecadeira na obra da UHE Monte Claro.