2 SEGUNDO MOVIMENTO
2.6 Fases e processos da auto-regulação da aprendizagem
Diversos autores, como Zimmerman, (1998), Lopes da Silva (2004a), Boekaerts (1996), Pintrich (2000), consideram que a auto-regulação desenvolve-se por diferentes etapas ou fases e apelam a diferentes processos psicológicos para explicá-las.
Segundo Zimmerman (2000), o processo de auto-regulação ocorre em três fases distintas, imbricadas e recursivas entre si, conforme mostra o Quadro 6.
QUADRO 6: FASES DO PROCESSO DE AUTO-REGULAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Fonte: Zimmerman (1998)
O modelo de auto-regulação da aprendizagem, apresentado por Zimmerman (1998), contempla três fases. A fase prévia, dos ‘conhecimentos prévios’, nela estão implícitos os processos e as crenças (entendidas como convicções) iniciais que influenciam o grau de aprendizagem do sujeito, pois se refere a toda a atividade preparatória que ele faz, antes de iniciar a tarefa, ao processar o estabelecimento de objetivos e o plano estratégico para sua realização. Nesta fase, estão presentes as convicções motivacionais, como a auto-eficácia, pela quais o sujeito acredita que terá um bom resultado, que realizará bem sua tarefa. Trata-se, portanto, de convicções pessoais sobre o significado de aprender e de realizar eficaz e satisfatoriamente as propostas de trabalho assumidas em seu planejamento. O sujeito define os objetivos da tarefa, faz escolhas e passa a organizá-las e analisá-las no intuito de avançar mais.
A outra fase diz respeito à ‘execução’, que se relaciona à ‘performance ou controle volitivo’, que equivale aos processos que ocorrem durante o esforço de aprendizagem e envolve os processos que estimulam a realização da tarefa, dando relevo à atenção e à ação, tendo em conta o autocontrole e a auto-observação.
A última fase, a ‘auto-reflexão’ ou ‘auto-avaliação’, refere-se aos processos que ocorrem e que influenciam os sujeitos para as aprendizagens. Eles permitem rever o caminho percorrido, pois a aprendizagem é um processo inacabado que requer esforço e atividade constantes. O sujeito vai interiorizando estratégias e refletindo sobre elas. Como resultado do
Desempenho ou controle volitivo
Conhecimentos prévios
processo auto-regulatório, o sujeito amplia os conhecimentos prévios e, numa fase posterior, os altera. Ao se esforçar, ele amplia estes conhecimentos e atinge um nível superior ao que anteriormente possuía. Esta fase surge em decorrência da execução e influencia também a fase prévia, contemplando um ciclo, que leva o indivíduo a recomeçar o processo ou a voltar atrás alguns passos.
A divisão do processo em fases é artificial, uma vez que, mesmo na fase de execução, acontece também a auto-reflexão, este é, portanto, um modelo cíclico, em que as partes interagem entre si, formando o todo. Uma parte isoladamente não representa o processo, pois depende das outras partes para que a auto-regulação aconteça.
Rosário (2006) apresenta as mesmas fases da auto-regulação da aprendizagem que Zimmerman (1998), porém organizadas e articuladas de forma que a influência é sistemática e constante em cada uma das etapas. Cada etapa se caracteriza por um movimento cíclico que envolve as três etapas. Justifica-se isso porque pode haver reflexão na execução e pode haver planejamento na reflexão e na execução das estratégias. Isso também acontece de forma cíclica em cada etapa ou fase. O Quadro 7, conforme apresentado por Rosário (2006), explica como as etapas se correlacionam umas com as outras.
Por este modelo, Rosário (2006) demonstra e explica a inter-relação entre as partes que compõem o processo da aprendizagem auto-regulada. Ela salienta que é um processo de retro-auto-alimentação, pois o sujeito está em constante processo de construção, reconstrução da aprendizagem, passando pelas três fases que se complementam na organização de uma proposta metodológica. Ao mesmo tempo em que o sujeito planeja, ele avalia as atividades realizadas e, ao executá-las, percebe o que é significativo para a aprendizagem do grupo.
Quando o educador monitorar uma atividade ou propuser alguma tarefa, que estimule o aprendente a investir no que faz, deve considerar os conhecimentos prévios que este possui. Ao pensar a prática de qualquer atividade, ele passa por três etapas: P + E + A, que correspondem respectivamente: P = planejamento (corresponde em organizar ações estratégicas necessárias para atingir um objetivo, este envolve o processo de pensar), E = execução (processo de elaboração da tarefa, nela está implícita como fazer), A = avaliação (não é o produto em si, mas a reflexão que se faz deste produto). O autor argumenta que enquanto os sujeitos planejam (pedagogos e trabalhadores), refletem sobre as melhores possibilidades e, ao executarem, podem reformular o planejamento e avaliar constantemente o trabalho realizado. Este movimento é cíclico nas três etapas como mostra o Quadro 7.
Fonte: Rosário (2006)
A auto-regulação é vital no processo de ensino, principalmente, para a organização da aprendizagem do sujeito que aprende. Segundo Rosário (2006), o sujeito ser mais ou menos auto-regulado depende de quanto ele reflete metacognitivamente sobre o assunto proposto. Quanto mais o sujeito se envolver em sua auto-regulação, mais terá condições de avançar a estágios superiores, aumentando sua capacidade básica de domínio. Se o sujeito é alguém e tem autodomínio, controlará, através dele, sua ação e dela a competência e o incremento da auto-regulação. É importante que o sujeito perceba em que área ou situação precisa de ajuda para auto-regulação suas aprendizagens. Em uma situação de baixa auto- regulação da aprendizagem, há duas alternativas: o sujeito olhar para a situação com consciência de que não sabe, no entanto não pede ajuda ou olha para a situação e toma consciência de que com ajuda avançará. O eu, o self, está implícito no processo reflexivo, não apenas na questão da auto (autonomia), mas também na questão da metacognição.
O conhecimento de si mesmo, o controle do esforço, a persistência na resolução da tarefa, no que está implicada a vontade, são características importantes para a produção de pensamentos, pois se está pavimentando o caminho (interminável) do não saber em direção ao saber, isto implica esforço, desejo e, conseqüentemente, motivação para realizá-lo.
A fim de explicitar melhor esta idéia, Frison & Schwartz (2006) construíram um esquema explicativo da auto-regulação da aprendizagem.
EXECUÇÃO