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FATORES DE RISCO ASSOCIADOS ÀS DCNT

No documento RILVAN MARCELINO DE FREITAS (páginas 13-16)

Schmidt et al. (2011) apresenta uma relação entre o crescimento da expectativa de vida e o aumento de DCNT no Brasil, assim como a questão da industrialização e da rápida transição nutricional, quando a população passa a ingerir de forma mais regular alimentos industrializados e processados, bem como a adquirir hábitos não saudáveis ao decorrer dos anos.

Os fatores de risco associados às DCNT estão sendo classificados por alguns autores em duas categorias, as modificáveis e não modificáveis. São exemplos de autores que focam nessa temática Alves & Marques (2009), Casado, Vianna & Thuler (2009), Ducan (2012), Lopes (2012).

De acordo com Alves & Marques (2009), os estudos relacionados aos fatores de risco – modificáveis e não modificáveis – alavancaram modificações na maneira de lidar com distintas doenças, entre elas, as DCNT. Os fatores de risco modificáveis podem ser definidos como aqueles que podem receber ações de intervenção preventiva. Em outras palavras, os fatores de risco modificáveis estão associados às doenças ou condições que podem ser prevenidas e/ou revertidas, como o alcoolismo, o tabagismo, a inatividade física e a má alimentação.

Na ótica de Ducan (2012), apenas o tabagismo é responsável por 71% dos casos de câncer de pulmão. Além disso, ele é responsável por 42% dos casos de doenças respiratórias crônicas e 10% das doenças cardiovasculares. A inatividade física pode aumentar de 20% a 30% os riscos de morte.

Fatores como o álcool, a obesidade e o tabagismo são apontados como causa de pelo menos 80% das doenças cardiovasculares e do diabetes tipo 2, bem como de mais de 40% dos casos de câncer. Segundo Moreira et al. (2013), apenas as doenças cardiovasculares irão ocasionar 31,5% das mortes em 2020.

A prevalência desses fatores, em nível nacional, foi publicada em 2012, através da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VITIGEL). A partir de amostra coletada com 53.210 pessoas maiores de 18 anos, nas principais capitas do Brasil, provêm dados que demonstram o aumento de 60% do número de pessoas obesas entre 2006 e 2016, atingindo 18,9%

dos brasileiros. Além disso, a pesquisa aponta o aumento no percentual de diabetes mellitus, que subiu de 5,5% para 8,9%, bem como da hipertensão arterial, que foi de 22,5% para 25,7% da população (BRASIL, 2016).

Em contrapartida, os dados da referida pesquisa demonstram estabilidade no percentual de indivíduos que consomem bebida alcoólica abusiva (considerada abusiva, quando ocorre o consumo de 4 a 5 doses em um dia, no período de 30 dias).

Em 2006, o número era de 15,7%. Em 2016, os dados apontam 19,1% da população.

Por outro lado, a supracitada pesquisa evidencia dados positivos, tais como o aumento de pessoas praticantes de atividade física no tempo de lazer e o aumento no consumo de frutas e hortaliças, bem como a redução de pessoas ingerindo refrigerantes e sucos artificiais. A pesquisa também mostra uma queda de 2,6% por ano, entre 2010 e 2015, nos óbitos precoces por DCNT (BRASIL, 2016).

Em 2016, o Plano de Ações Estratégicas para Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, publicado pela Secretaria de Saúde, apresenta dados da VITIGEL relativos à cidade do Recife, no período de 2006 a 2010. Essa pesquisa revela alguns dados sobre os fatores de risco atrelados às DCNT. No estado, houve uma diminuição de indivíduos fumantes em 8%, assim como um aumento de 16,7% de pessoas ingerindo bebida alcoólica de forma abusiva. Entre esses dados, apenas 2%

dos indivíduos que praticavam atividade física, chegando à 14,9% de inatividade física entre os indivíduos entrevistados (PERNAMBUCO, 2016).

Os fatores de risco chamados de não modificáveis são variáveis que expressam relação de prevalência para as DCNT, tais como sexo, idade, hereditariedade e raça.

Na visão de Casado, Vianna & Thuler (2009), os fatores não modificáveis abrangem a idade, a hereditariedade, a raça e o sexo. Alguns desses fatores detêm uma maior possibilidade de materializar as DCNT, como, por exemplo, a idade. No que tange ao fator idade, há uma ampla possibilidade de desenvolvimento de DCNT em virtude do envelhecimento.

Lopes (2012) aprofunda o debate acerca das particularidades e das especificidades dos fatores não modificáveis, no que diz respeito à materialização das DCNT. Os pressupostos teóricos alavancados pela autora demonstram que os sujeitos do sexo masculino apresentam maior possibilidade de desenvolvimento das DCNT, uma vez que praticam ações correlatas a estilos de vida não saudáveis, a saber, a má alimentação, o pouco consumo de frutas e verduras, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e o fumo. Isso, por conseguinte, influi de maneira considerável na materialização das DCNT. No que tange ao fato da etnia ou da raça, Lopes (2012) pontua que a raça negra e indígena detém a maiores possibilidades de desenvolvimento de DCNT.

Além das variáveis apresentadas, a OMS (2015) apresenta dados referentes às DCNT atingirem, majoritariamente, países de baixa renda. Os dados estimam que, até o ano de 2030, o número de mortes ocasionadas por DCNT pode crescer cinco vezes mais em países de baixa renda.

Na ótica de Malta, Morais Neto & Silva Júnior (2011), o acesso das pessoas de baixa renda aos serviços de saúde acontece em menor quantidade. Com isso, elas estão mais expostas aos fatores de risco, principalmente pelo fato de terem menos recursos para distribuir entres as necessidades básicas do mesmo e, portanto, não terem escolha entre investir em saúde, alimentação e moradia. Para os autores, embora o Serviço Único de Saúde (SUS) seja gratuito no Brasil, são necessários custos adicionais.

Em relação a isso, a VITIGEL (2016) chamou a atenção para a desigualdade entre os estados, no que concerne ao acesso aos serviços de saúde. Referente à atenção para a obesidade, as capitais menos favorecidas foram Palmas e Florianópolis.

Referente à Diabetes, destacaram-se Palmas, Boa Vista e Rio Branco. Enquanto que referente à hipertensão, destacam-se Palmas e São Luís.

No documento RILVAN MARCELINO DE FREITAS (páginas 13-16)

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