6 O SONHO DA ESTABILIDADE FINANCEIRA E A IDEALIZAÇÃO
6.7 FDR E UNICAP: DOIS PERFIS INTELECTUALISTAS DISTINTOS
Enquanto duas instituições reconhecidas que lutam pela maximização do capital simbólico típico do campo das faculdades de direito, a FDR e a UNICAP tendem a produzir disposições intelectualistas diferentes e, em certos aspectos, até opostas.
Muito mais voltada ao ensino da retórica jurídica, a abordagem teórica ensinada tradicionalmente pela FDR tende a produzir um alunado cujo processo de aprendizagem difere do apresentado na UNICAP, onde pensadores como Michel Foucault ou Pierre Bourdieu são abordados, para mencionar apenas dois nomes consideravelmente conhecidos pelos mais envolvidos, sejam professores ou alunos, nas questões mais intelectualistas no curso de direito da UNICAP. Esses dois intelectuais são apresentados na graduação em direito desta instituição.
Em grupos de estudos que chegam a abordar filósofos como Walter Benjamin, Jacques Derrida, Michel Foucault, Giorgio Agamben e Gilles Deleuze, entre outros, a UNICAP tende a oferecer oportunidades para a formação de uma disposição intelectualista diferente e até mesmo oposta a inclinação intelectualista típica da FDR e mais voltada aos estudos da retórica jurídica de João Mauricio Adeodato, professor que coordenava e liderava um grupo de estudos destinado a debater temas relacionados ao estudo da retórica jurídica e das teorias de autores como Friedrich Müller, Ottmar Ballweg, Sobotta e de questões relacionadas a filosofia de Aristóteles ou o sobre “verdade e mentira no sentido extra-moral” de Nietzsche, para mencionar alguns exemplos.
No caso da sociologia destinada ao público da graduação em direito, as duas instituições também adotam posturas diferentes e até mesmo opostas: no caso da FDR, os estudos de sociologia, com a contribuição do grupo de estudos “Moinho jurídico,” tendem a privilegiar uma abordagem mais voltada para a teoria dos sistemas de Niklas Luhmann, o qual, aliás, chegou a manter contato com alguns professores que já passaram pela FDR, como Marcelo Neves, ou que ainda que nela atuaram de algum modo, como Cláudio Souto. Há também os ex-professores institucionalmente consagrados, como João Maurício Adeodato,
que também utilizam alguns conceitos da sociologia de Luhmann.285 Autores pernambucanos como Claudio Souto e Luciano de Oliveira são reverenciados em congressos como sociólogos importantes, como inspirações.
Figura 12 - Folder IV Congresso da ABraSD
Fonte: UFAL.edu.br
“A associação Brasileira de Pesquisadores em sociologia do Direito (ABraSd) – criada em 2010, tem como objetivo aproximar os docentes, pesquisadores e interessados pelas temáticas sociológicas do Direito. Nesta perspectiva, será realizado no mês de novembro, entre os dias 11 e 13, o IV Congresso ABraSd: “’Sociologia do Direito em Perspectiva: para uma cultura da pesquisa. (...) Neste ano, o Professor Dr. Luciano de Oliveira, será homenageado pela sua dedicação à pesquisa no âmbito sociológico do Direito e por ser um dos autores mais renomados da sociologia de nosso pais.”
Disponível em: http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/fda/informes/iv-congresso- abrasd-sociologia-do-direito-em-perspectiva-para-uma-cultura-de-pesquisa. Acesso em: 09 ago. 2017
Os congressos em homenagem, neste sentido, contribuem para o trabalho de consagração de um nome que passa a ser tomado como “um dos autores mais renomados da sociologia de nosso pais.” No caso da importância dos congressos para o constante enaltecimento dos nomes e das posições de prestígio acadêmico, pode-se obsevar o quanto a “importância” e o “reconhecimento” podem ser frutos também de todo um trabalho relacional contínuo que não apenas contribuiu para a produção do reconhecimento, mas também para mantê-lo, relembrando a sua “relevância” constantemente.
285
Para mencionar apenas um exemplo, encontram-se algumas influências da Teoria de Luhmann no desenvolvimento de alguns textos de João Maurício Adeodato em: ADEODATO, João Maurício. Ética e retórica: para uma teoria da dogmática jurídica. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
“Faculdade de direito do Recife homenageia professor Claudio Souto
Referência em sociologia jurídica e sócio fundador do Centro Cultural Brasil – Alemanha, Claudio Souto foi homenageado pela FDR no aniversário da Revista Acadêmica, um dos mais antigos periódicos de direito no Brasil (...)
Figura 13 - Professor Cláudio Souto
Fonte: Foto de Lara Ximenes (2016).
Professor Claudio Souto no Espaço Pasárgada da FDR, antes do evento (Foto: Lara Ximenes)”
Disponível em: http://www.ccba.org.br/noticias/noticia/id/336/ano/2016/mes/09/faculdade-de-direito-do- recife-homenageia-professor-claudio-souto.html. Acesso em 09 ago. 2017
À medida que se toma como referencial metodológico e epistemológico o pensamento relacional da sociologia de Bourdieu, seria preciso se considerar de um modo mais pormenorizado a relevância que a atuação de grupos de estudos como o “Moinho Jurídico” tem para o trabalho permanente de consagração. É neste sentido que a análise do trabalho contínuo de celebração e de reconhecimento acadêmicos pode contribuir para a consecução de uma pesquisa com um maior nível de rigor.
Levando-se em conta o nível quase preliminar desse tipo de construção da problemática sociológica presente neste trabalho, é preciso deixar claro que esse tipo de aprofundamento terá suas condições de realização em pesquisas futuras. É preciso não se ignorar o trabalho social e simbólico de produção da “importância” de um nome e o quanto essa “importância” pode ser mantida e reproduzida em um trabalho social complexo e que se realiza aquém de um trabalho plenamente consciente entre instituições (UNICAP, FDR, entre outras) e entre agentes empenhados do campo das faculdades de direito no Recife.
A análise sociológica da produção social e simbólica do “renome” corresponde a um reforço no que diz respeito não apenas ao conhecimento do universo acadêmico-jurídico, mas também possibilita um verdadeiro trabalho de auto-análise sociológica. Nada obsta lançar um olhar menos ingênuo sobre as práticas sociais e levar em consideração um fragmento de
Pascal, ao menos enquanto um instrumento de suspensão das prenoções do senso comumente veiculado no universo onde essas questões, por serem evidentes, permanecem subtraídas do espaço do questionamento: “Quanto mais braços sem tem, mais forte se é.”286
É preciso resaltar que tanto Claudio Souto quanto Luciano de Oliveira, ainda vivos, acabam sendo reconhecidos como sociólogos relevantes não apenas na FDR, mas também entre alguns alunos de graduação em direito da UNICAP que estão na Iniciação Científica em criminologia crítica, disciplina que vem encontrar no Grupo de Estudos e de pesquisa “Assa Branca de criminologia” um caso exemplar. O fato de os responsáveis por esse grupo serem professoras que organizam Iniciações científicas nas duas instituições de ensino, (FDR e UNICAP), acaba fortalecendo o intercâmbio desses referenciais “sociológicos” e “críticos” entre elas. Neste caso, sob o patrocínio simbólico e social do grupo “Assa Branca de criminologia”, atuante nas duas instituições, Luciano de Oliveira, por exemplo, pode ser consagrado e recepcionado constantemente como um sociólogo importante e inspirador na UNICAP, não apenas na FDR, mesmo após a sua aposentadoria na UFPE.
Entretanto, os professores do curso de graduação em Direito da UNICAP responsáveis pelo fortalecimento e reprodução das disposições intelectualista tendem a investir bem mais em teorias do mundo social reconhecidas mundialmente que dão uma ênfase maior na problemática do poder, tais como Pierre Bourdieu, Michel Foucault, Pierre Clastres, Boa Ventura e nos textos sobre ‘Crime e Castigo nas Sociedades Selvagens’ de Malinowski, para mencionar apenas alguns exemplos. A depender do professor que ministra a disciplina de sociologia do direito da UNICAP, sociólogos como Howard S. Becker, com sua sociologia do desvio, Erwing Goffman, entre outros, podem ser introduzidos na graduação. No caso da FDR, a aposentadoria do professor João Maurício Adeodato, representante da retórica jurídica nesta instituição, acarretou uma considerável lacuna que ainda não foi preenchida nesta instituição. Sendo visto como um tipo de intelectual consagrado e como um representante da filosofia do direito, ele é homenageado em congressos e palestras que acabam fortalecendo o seu capital de reconhecimento e o seu poder temporal enquanto professor titular aposentado e como um nome que não deve ser esquecido.
Figura 14 - Folder Evento em homenagem à FDR e à obra de João M. Adeodato
Fonte: sítio da internet da UFPE/FDR
Não é por acaso que o mais recente evento até o momento em homenagem a figura e a obra de João Maurício Adeodato pode passar uma imagem de um tipo de dupla homenagem, qual seja, um tipo de homenagem tanto aos estudos do autor mencionado e reverenciado como também da própria FDR, a qual, a demonstrar pela figura da propaganda do evento, pode ser tomada como um tipo de retórica institucionalizada, como um espaço institucional diferenciado, a contar de imediato pela sua arquitetura, onde os estudos de João Maurício Adeodato são valorizados. Assim, aos 190 anos da FDR podem se ver somados a jornada de estudos em torno da obra de um autor que contribuiu para a construção de uma disposição intelectualista típica da própria instituição. Tudo se passa como se o evento que visa a valorização da obra do autor fosse, ao mesmo tempo, uma valorização da própria FDR. É assim que FDR e retórica jurídica de João Maurício Adeodato podem se valorizar mutuamente em um tipo de dupla homenagem que demarca uma posição intelectualista e consagrada nos ritos do mundo acadêmico-jurídico.
Mesmo depois de sua aposentadoria ele ainda continua sendo reverenciado e homenageado por professores e alunos da instituição que se sentem, de algum modo, próximos a ele.
No caso da UNICAP, Stéfano Toscano, professor responsável por elevar as discussões sobre o direito aos níveis da filosofia de Michel Foucault, Giorgio Agamben e Roberto Esposito, por exemplo, goza de um reconhecimento mínimo e imperceptível se comparado ao prestígio institucional e ao capital temporal de João Maurício Adeodato na FDR e em outras
instituições de ensino superior privadas, onde ele ocupou posições relevantes, como na Maurício de Nassau.
Sendo Stéfano Toscano reconhecido como mestre que, por apresentar esse tipo abordagem para o direito no curso de graduação da UNICAP, se contenta com os poucos alunos que se dedicam a investigação e a debates sobre problemas sociais, políticos e jurídicos longe dos holofotes do mundo acadêmico, pode-se afirmar que ele se coloca longe das posições de poder temporal do mundo acadêmico. As teorias do mundo social de Pierre Bourdieu e Goffman também foram por ele apresentadas na graduação em direito da UNICAP.
O poder institucional e o capital simbólico da posição que era ocupada por João Maurício Adeodato pode ser medida nos rituais de consagração no qual ele é objeto, por parte muitas vezes de professores de direito que não são reconhecidos no campo da teoria do direito ou da filosofia em Pernambuco, tanto na FDR quanto na UNICAP, local onde Stéfano Toscano raramente é lembrado por se encontrar longe dos holofotes e dos rituais de consagração e apresentação de si, onde os elogios e as menções honrosas podem ser tomados como moedas de troca nas interações simbólicas.
No subcampo da teoria do direito ainda há um significativo espaço para o show e para as abordagens que em basicamente nada contribuem para a não ratificação do que o público de juristas e de estudantes de direito querem ouvir, muitas vezes com ares aparentemente “radicais” e “heréticos”, mas sempre sob medida para uma boa recepção do público de juristas e professores envolvidos de ambas as instituições.
Os mestres que adotam uma postura mais modesta e rigorosa em termos das relações entre direito e mundo social, e são mais afastados dos shows da idade do colóquio e das turnês acadêmicas, onde se viaja para se potencializar o capital simbólico e social, são reconhecidos por uma parcela cada vez mais restrita de estudantes e de mestres, muitas vezes de cursos como os de ciências sociais ou de filosofia. Não é por acaso que, muito embora já tenha bastante tempo de atuação no campo das faculdades de direito, Stéfano nunca tenha sido objeto de uma homenagem consideravelmente divulgada nas redes sociais, por exemplo.
E no interior da própria FDR, professores como Nelson Saldanha, mestre recém falecido que se posicionava também longe dos holofotes e das turnês mundiais do mundo acadêmico, onde o capital simbólico e social podem conseguir um plus, pode ser homenageado com maior ênfase por personagens que não ocupam posições no campo jurídico, como no caso da antropóloga e cronista Fátima Quintas, mas que compartilhavam com ele alguma afinidade tanto intelectual quanto pessoal.
Fotografia da capa de um livro em homenagem a Nelson Saldanha. 11
“Fátima Quintas lança livro em homenagem ao escritor Nelson Saldanha”
Postado Por Taís Machado em 15/06/2015, 15:00 |
A escritora Fátima Quintas lança nesta quarta-feira, na Sala Castro Alves da Faculdade de Direito do Recife, seu novo livro, intitulado Nelson Saldanha. O trabalho faz parte da coleção Debate IV da Academia Pernambucana de Letras e é uma homenagem ao escritor Nelson Saldanha. O livro possui 21 textos inéditos do homenageado e artigos de mestres conhecedores da obra de Nelson. O evento começa às 19h.”
Figura 15 - Homenagem a Nelson Saldanha
Fonte: blog joaoalberto.com
Capa do livro.Créditos: Divulgação/ Academia Pernambucana de Letras
Disponível em: http://www.joaoalberto.com/2015/06/15/fatima-quintas-lanca-livro-em- homenagem-ao-escritor-nelson-saldanha/ Acesso em: 10 ago. 2017
Trata-se de um campo de lutas pelo prestígio, pela maximização do capital simbólico, que implica jogadas que não se restringem apenas e tão somente ao capital cultural, mas ao capital simbólico, social e econômico, pois, afinal, para se manter uma boa cotação de capital
social com juristas que ocupam as posições de pináculos do mundo acadêmico no direito, é preciso ter recursos econômicos para manter o nível das indumentárias que nada tem a opor aos gostos de consumo propriamente burgueses, com seus ternos caros, por exemplo, carros importados, vinhos caros, restaurantes inacessíveis aos menos abastados e viagens registradas em fotos nas redes sociais e que podem ser reconhecidas pelos envolvidos como credenciais de uma vida cultivada e distinta.
Essas diferenças no que diz respeito aos referenciais teóricos abordados na FDR e na UNICAP podem ser tomadas como princípios de explicação das diferenças relacionadas no modo como se constitui o habitus intelectualista em ambas as instituições consagradas do ensino jurídico acadêmico.
Se na FDR pode-se apontar uma tendência à valorização dos estudos mais voltados a retórica jurídica em filosofia do direito e a uma abordagem sociológica mais voltada a teoria dos sistemas de Niklas Lhumann ou a historiadores como Reinhart Koselleck, na UNICAP há uma maior probabilidade de a disposição intelectualista está mais voltada para os estudos de uma abordagem que tende a valorizar as questões relacionadas a biopolítica e ao direito em filósofos como Foucault, Agamben e Roberto Esposito, enquanto que em sociologia, sociólogos como Pierre Bourdieu ou Howard Becker são abordados com um significativo afinco.
A inclinação para se tomar Agambem, Foucault, Esposito, Bourdieu ou Derrida como referenciais teóricos pode até mesmo ser tomada como uma credencial de pertencimento a UNICAP, tendo em vista o fato de esses referenciais comporem o conteúdo abordado na graduação em direito. Já a inclinação para os estudos de questões relativas a filosofia de Aristóteles, a “escola do Recife”, Rui Barbosa, Balweg, Sobotta, Friedrich Müller, Koselleck ou Hannah Arendt, com a leitura da “ética da tolerância”, pode ser tomada como um marcador de pertencimento ao universo acadêmico da FDR.
Observa-se o quanto essas duas tendências a abordagens teóricas, muito embora presentes em instituições significativamente próximas no espaço urbano recifense, denotam uma diferença de formação que vem encontrar suas figuras representativas em Stéfano Toscano na UNICAP e em João Mauricio Adeodato na FDR. Considerando que este ultimo é reverenciado em ambas as instituições pelos juristas ligados as disciplinas dogmáticas, mesmo após a sua aposentadoria. O poder temporal relacionado a posição de professor (agora ex- professor) titular de filosofia do direito da FDR tem como um de seus efeitos um reconhecimento considerável do agente que ocupa ou ocupou essa posição, e algumas vezes
esse capital de reconhecimento consegue se manter inclusive após a aposentadoria do agente e até mesmo para além do espaço institucional onde ele ocupa essa posição.
Essa socioanálise dessas diferentes inclinações intelectualistas presentes nesses subcampos do campo das faculdades de direito em Recife corresponde, em verdade, a uma forma de auto-análise na medida em que o próprio pesquisador pode conhecer-se mais quando da análise do espaço de tomadas de posição onde ele mesmo se fez.
Muito embora a sociologia de Bourdieu se mostre como um robusto e necessário instrumento teórico e metodológico para o desenvolvimento desta pesquisa, muito provavelmente o pesquisador que a fez nem teria a possibilidade de conhecer esse ferramental sociológico do modo como o conheceu se ele tivesse se formado em outro espaço de graduação em direito que não fosse a UNICAP, onde ele, além de ter sido apresentado a sociologia reflexiva de Bourdieu, adquiriu todo um habitus formado, em grande medida, por meio de discussões e debates constantes com agentes próximos a esses referenciais teóricos.
A disposição intelectualista demonstrada pelos alunos do curso de graduação em direito da UNICAP corresponde a um caso, assim como a disposição protagonista, de como os alunos de graduação podem ter os seus esquemas de percepção alterados tendo em vista a mudança do contexto no qual eles atuam.
Muito embora a presente pesquisa ainda seja lacunosa, ela pode contribuir para que se desenvolva futuramente, para falar como Bourdieu, a análise da “gênese social das ‘formas de pensamento’ por uma análise das variações das disposições cognitivas em relação ao mundo conforme as condições sociais e as situações históricas”287
no campo das faculdades de direito.
Sem dúvidas, ao que parece, a estrutura do cursus tende a refletir um contexto de condições de existência que contribui consideravelmente para um processo prolongado e paulatino de reconfiguração do habitus enquanto categorias cognitivas de percepção e apreciação do mundo social, algo que é determinante para se investigar como os alunos de graduação tendem a se projetar no futuro.
Enquanto um projeto que sempre pode ser realizado de um modo mais rigoroso, a presente pesquisa apresenta essa problemática de uma forma esboçada. Pelas razões já aqui referidas e pelos obstáculos ao mesmo tempo sociais e epistemológicos que assolam esse trabalho, é preciso reconhecer que essa hipótese pode ser testada de um modo reconhecidamente mais eficaz e rigoroso com o trabalho de uma equipe de pesquisadores,
287 BOURDIEU, Pierre. Meditações pascaliana. Trad.: Sergio Miceli. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 27.
algo que contribui para reforçar o caráter coletivo da pesquisa sociológica em contraposição a imagem de um trabalho realizado por um pensador solitário.
Considerando que, após se analisar aqui as disposições protagonista e intelectualista e se constatar provisoriamente (algo que precisa ser testado com mais rigor) que elas são mais presentes entre os alunos “novatos” e que elas sofrem uma queda ao passo que o alunado vai adentrando nos período e disciplinas mais “profissionalizantes”, seria preciso se analisar outro tipo de disposição muito presente nas respostas dos alunos, qual seja, a que alude ao caráter mais “profissionalizante” do curso, ou seja, de como os alunos tendem a tomar o que é ensinado no mundo acadêmico como um conhecimento “profissionalizante” e “prático”.
7 CAMPO DAS FACULDADES DE DIREITO E CAMPO JUDICIÁRIO