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MÉTODO PROPOSTO 141 6.1 METODOLOGIA DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS DA MULTIFIN

FIGURA 4 AUTORIDADE DO GERENTE DE PROJETO

FONTE: Eric, VERZUH. MBA Compacto, Gestão de Projetos. Rio de Janeiro: Campus, 2000, p. 46.

Com a organização matricial procura-se combinar as vantagens da organização funcional ou departamental com a organização por projetos. Ela não implica no afastamento do profissional de seu departamento por longos períodos, ao mesmo tempo em que proporciona a formação de uma equipe para a execução de um projeto multidisciplinar. “Isto é obtido por meio da mobilização temporária de recursos disponíveis na estrutura funcional” (VALERIANO, 1998, p. 82).

Na organização matricial, pessoas, equipamentos e às vezes órgãos inteiros como oficinas, laboratórios etc, podem ser alocados, parcial ou totalmente, à organização de um projeto. É comum um indivíduo chefiar uma parte de um projeto e também dedicar-se a outro. “À organização matricial é atribuído o inconveniente de expor um mesmo indivíduo a duas chefias ao mesmo tempo, chamado de ‘duplo- chapéu’, dando origem a conflitos” (VALERIANO, 1998, p. 82).

Compete à administração superior manter o equilíbrio entre o gerente de projetos e o gerente de funcional. Por esta razão, o gerente de funcional não deve exercer a função de gerente de projeto cumulativamente. Será prejudicial a superposição de fornecedor com cliente em uma mesma pessoa, com fortes possibilidades de prejudicar uma das partes (VALERIANO, 1998).

Alta

Autoridade do gerente de projetos

Baixa

O grau de qualidade do planejamento minimiza a ocorrência dos conflitos, ao passo que um mau planejamento ou a inexistência dele dificulta ou mesmo inviabiliza o emprego da organização matricial. A organização matricial torna-se inviável em um ambiente de planejamento precário e em que ela não é bem conhecida (VALERIANO, 1998).

A identificação do perfil da empresa, com relação ao desenvolvimento de projetos, é fundamental para analisar se a estrutura organizacional implantada beneficia a gestão dos projetos ou faz-se necessário alterá-la para obter melhores resultados.

A gestão de projetos é, principalmente, adotada por aquelas organizações que tem ênfase no desenvolvimento de produtos e serviços inovadores. Mas o que é inovação? E por que o tema inovação está fortemente atrelado à tecnologia?

Para uma melhor compreensão da importância que a inovação tecnológica assume nos contexto das organizações, principalmente aquelas que atuam com projetos, a próxima seção abordará seus principais conceitos e sua relação com a gestão de projetos.

2.3 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Na medida em que as empresas se reestruturaram para fortalecer sua competitividade, os projetos tornaram-se o centro das atenções, estejam eles desenvolvendo novos produtos ou fornecendo serviços melhores (VERZUH, 2000).

A tecnologia é, certamente, um dos principais fatores que propicia o incremento no nível de projetos, uma vez que eliminou o trabalho repetitivo e, por conseqüência, liberou as pessoas para que pudessem se concentrar no que não pode ser automatizado – na criação de novos produtos e serviços. E sempre que os novos produtos e serviços são criados, há necessidade de projetos (VERZUH, 2000).

Diante deste cenário, que caracteriza a mudança como uma constante, e que a tecnologia é considera como uma das principais responsáveis por esse processo de aceleração contínua, faz-se necessário apresentar algumas definições encontradas na literatura sobre tecnologia.

A tecnologia tem sido definida de diferentes maneiras por um grande número de autores. Segundo Mañas (1993) há duas correntes principais: uma corrente define

tecnologia de forma abrangente, compreendendo todo o processo operacional, seja de produção ou de serviço, isto é, todo modo de fazer coisas implica uma tecnologia; outra corrente define tecnologia de forma mais restrita, entendendo como tecnologia o processo de produção de bens, inerente aos equipamentos utilizados nesta.

Para Valeriano (1998), tecnologia é o conjunto ordenado de conhecimentos científicos, técnicos, empíricos e intuitivos empregados no desenvolvimento, na produção, na comercialização e na utilização de bens e serviços. A tecnologia recebe alguns qualificativos, conforme sua finalidade: tecnologia de processo, tecnologia de produto, de comercialização, de operação etc.

Tecnologia é essencialmente conhecimento útil, conhecimento aplicado aos processos de desenvolvimento e produção, disponibilização no mercado e utilização de bens e serviços. Esse conhecimento pode ser prático ou teórico. A tecnologia pode ainda ser entendida como um conjunto de métodos e de procedimentos, resultante de conhecimentos científicos ou de experiência acumulada (LARANJA et al., 1997).

Sáenz e Capote (2002, p. 47) definem tecnologia como:

Tecnologia é o conjunto de conhecimentos científicos e empíricos, de habilidades, experiências e organização requeridas para produzir, distribuir, comercializar e utilizar bens e serviços. Inclui tanto conhecimentos teóricos como práticos, meios físicos, “know how”, métodos e procedimentos produtivos, gerenciais e organizacionais, entre outros. Do ponto de vista da tecnologia como atividade, esta pode ser entendida como: a busca de conhecimentos já existentes.

Os conhecimentos científicos e tecnológicos apresentam características diferentes. De acordo com Sáenz e Capote (2002), os primeiros são mais complexos, surgem da observação e da análise, tratando de fornecer conjuntos de conceitos cada vez mais abrangentes e, também, na medida do possível, mais simples, relativos aos fenômenos e seus vínculos, às variações que tais fenômenos possam experimentar, assim, como as causas e as conseqüências dos mesmos. Os conhecimentos tecnológicos consistem em novos procedimentos, mediante os quaisse alcançam fins práticos: podem ser considerados como conhecimentos de procedimentos provados que permitem alcançar objetivos práticos predeterminados.

Drucker (1989) apud Mañas (1993) que diz que inovar é um dos grandes, um dos mais importantes objetivos de qualquer organização. A inovação é algo que mantém a empresa viva, competitiva e em alguns casos lhe permite dar pulos, ganhando a liderança, estabelecendo novos rumos para toda a concorrência, clientela e fornecedores de maneira geral.

O processo de inovação tecnológica ocorre, segundo Valeriano (1998, p.28), essencialmente segundo dois mecanismos: por sucessivos melhoramentos de tecnologia e pelo surgimento de novas tecnologias, mais eficientes e promissoras, que vêm substituir aquelas já exauridas e sem possibilidades de progresso. “É como estar subindo uma rampa e, de vez em quando, subir um degrau”.

Valeriano (1998, p.29) expõe o processo do ciclo de vida da tecnologia, segundo o qual, “cada tecnologia que surge para competir e substituir uma outra passa por períodos de evolução e sucumbe, ao término de sua via útil” e este ciclos de sucedem continuamente. O ciclo completo desta evolução comporta três fases: invenção, inovação e utilização (VALERIANO, 1998):

• Invenção: é um conceito, um esboço ou um modelo de um produto, processo, serviço ou melhoramento daqueles existentes.

• Inovação tecnológica: incorporação de uma idéia ou invenção pela economia, tornando disponível um produto, processo ou serviço.

• Utilização: completa o processo, pela introdução do produto ou serviço na economia, até que ele seja substituído.

Cada um desses ciclos da vida da tecnologia apresenta um período de duração – estágio – representados através da curva em “S”, conforme apresentado na Figura 5. Os estágios, ou ramos do ciclo de vida da tecnologia, segundo definição apresentado por Valeriano (1998), são:

• Início: pequenos progressos, geralmente com poucos recursos envolvidos, até que mais conhecimentos técnicos e científicos avancem, quando então se consolida.

• Crescimento exponencial: maior envolvimento de esforços de tecnologia e recursos.

A tecnologia é a combinação de conhecimentos empíricos e técnico-científicos para a produção de bens e serviços. É conhecimento organizado e aplicado à produção. Já a inovação é a aplicação comercial de invenções, conhecimentos, práticas, técnicas e processos de produção (ROCHA,1996).